Servidor público → lugar onde exercer permanentemente sua função Militar → lugar onde servir Oficial da Marinha ou da Aeronáutica → lugar da sede do comando Marítimo → lugar onde o navio estiver matriculado Preso → lugar onde cumprir a sentença
Direitos da personalidade
A partir da Revolução Francesa e da Declaração Universal dos Direitos do Homem e do Cidadão, o Direito passou a preocupar-se, cada vez mais, com a dignidade do ser humano. Desse momento em diante, direitos que antes eram objeto da análise apenas dos jusnaturalistas passaram a se incorporar, pouco a pouco, aos ordenamentos jurídicos que se desenhavam no século XIX.Os jusnaturalistas pensavam em direitos inatos ou imanentes, por considerarem que, sem a sua proteção, o ser humano perderia a própria condição de humano. O melhor exemplo, para que se compreenda o porquê das expressões inatos e imanentes, é o direito à vida. Ora, só existe ser humano se houver vida. Por isso a garantia desse direito imanaria da própria natureza humana. A partir do nascimento e fortalecimento do positivismo jurídico, passou-se a questionar a natureza dos direitos da personalidade, vez que se negou a existência dos chamados direitos naturais. Todavia, conquanto se negasse o caráter inato e imanente desses direitos, não se negava a sua importância. Em razão disso, os ordenamentos jurídicos passaram a tipificar os direitos da personalidade, pondo fim ao debate. Afinal, não importa se são naturais ou não: a partir de quando são positivados, os direitos da personalidade são garantidos pelo ordenamento jurídico.
No rol dos direitos da personalidade incluíram-se o direito à vida, à liberdade, à igualdade, à imagem, ao nome etc. Todos com um único objetivo comum: garantir ao ser humano a realização plena da sua condição de pessoa. E todos, como se vê, sem caráter patrimonial.
Na tentativa de classificar os direitos da personalidade, outras duas correntes de pensamento entraram em choque. Os chamados monistas defendiam a existência de um único direito geral de personalidade, o qual fundamentaria a proteção de todos os interesses da pessoa. A justificativa dos monistas era no sentido de que, se o ser humano é uno, seus
interesses encontram-se todos conectados, daí por que a proteção dos diversos desdobramentos da personalidade se fundamentaria em um único direito geral da personalidade.
Os chamados pluralistas, por sua vez, defendiam a existência de diversos direitos da personalidade, cada qual referente a um interesse da pessoa, não sendo possível pensar-se em proteção genérica.
Não obstante, a doutrina mais recente sustenta que, no Brasil, com o advento da Constituição de 1988, não se trata nem de um direito geral da personalidade, nem de diversos direitos, mas sim da elevação da proteção da dignidade da pessoa humana, em qualquer circunstância, à posição de diretriz de interpretação de todo o ordenamento jurídico.31
Ou seja, os direitos da personalidade, a partir da Constituição de 1988, não limitam a um único direito geral da personalidade, nem se encontram destrinchados na lei, mas giram em torno das ideias fundamentais de realização da personalidade e de proteção da dignidade da pessoa humana, orientando o intérprete e o legislador.
Considerando-se que os direitos da personalidade visam resguardar a dignidade da pessoa, o Código Civil de 2002 traçou certas normas, nos arts. 11 a 21, com o objetivo de oferecer disciplina, ainda que tímida e conservadora, aos mecanismos de proteção de tais direitos. Não obstante, impende frisar que no Direito pátrio os direitos da personalidade são ilimitados, porquanto infinitamente derivados da proteção da dignidade humana, razão pela qual não se restringem aos direitos expressamente mencionados nos arts. 11 a 21 do Código.
Os direitos da personalidade têm a natureza de direitos absolutos, ou seja, de direitos oponíveis a todos (erga omnes) e cujo dever correspondente consiste em uma inação32 (dever
negativo). Em razão de aos direitos da personalidade corresponderem deveres negativos de todas as demais pessoas, diz-se que são excludendi alios.
A doutrina clássica aponta as seguintes características dos direitos da personalidade a intransmissibilidade, a irrenunciabilidade e a indisponibilidade (art. 11), além da imprescritibilidade.33 Isso porque tais direitos têm por objeto a própria personalidade da
pessoa com todos os seus elementos constitutivos – moral, corpo, honra, imagem etc.
No entanto, admite-se a disposição relativa, nos casos expressamente previstos no ordenamento jurídico, entre os quais os dos arts. 13 e 14 do Código, que tratam de disposição do próprio corpo por exigência médica (art. 13) e para depois da morte, com objetivo científico ou altruístico (art. 14).
Cumpre frisar que na I Jornada de Direito Civil, promovida pelo Conselho da Justiça Federal, aprovou-se o Enunciado 4, acerca do art. 11 do Código Civil, com o seguinte conteúdo: “o exercício dos direitos da personalidade pode sofrer limitação voluntária, desde
2.7.1
2.7.2
2.7.2.1
que não seja permanente nem geral”. Já na III Jornada de Direito Civil aprovou-se o Enunciado 139, também acerca do art. 11, com o seguinte conteúdo: “os direitos da personalidade podem sofrer limitações, ainda que não especificamente previstas em lei, não podendo ser exercidos com abuso de direito de seu titular, contrariamente à boa-fé objetiva e aos bons costumes”.
Não obstante, pesquisas científicas recentes têm combatido as características apontadas e defendidas pela doutrina clássica, por trabalharem com uma noção mais aberta de pessoa. Já se defende, por exemplo, a renunciabilidade do exercício dos direitos da personalidade, bem como a liberdade de uso e de manipulação do corpo. Trata-se de excelentes trabalhos, que têm alçado a discussão no Brasil a um altíssimo nível, e que a têm inserido no debate no cenário internacional.34