• Nenhum resultado encontrado

Inclusão escolar como um direito a ser garantido

No documento PR FLAVIANE PELLOSO MOLINA FREITAS (páginas 106-110)

2.4 PROGRAMA EDUCAÇÃO INCLUSIVA: DIREITO A DIVERSIDADE

4.1.1 Inclusão escolar como um direito a ser garantido

A tabela 4.1 demonstra que o conceito de inclusão escolar como um direito a ser garantido foi uma permanência em todos os documentos analisados. O documento um (ARANHA, 2004a) apresenta cerca de dois terços de suas páginas dedicados a um capítulo intitulado “o compromisso com a construção de sistemas educacionais inclusivos”. Apresentando todo o histórico da legislação brasileira acerca da efetivação da inclusão escolar como um direito a ser cumprido, sendo definido o cumprimento deste direito como fundamentos para a inclusão.

O documento dois (ARANHA, 2004b) apresenta a inclusão escolar como um direito preconizado como uma responsabilidade do município de garantir a sua efetivação por meio do plano municipal educacional.

O documento três (ARANHA, 2004c) menciona que para essa efetivação precisa ser evidenciado que 100% da população de 0-14 anos de idade no município estejam matriculadas nas escolas. “A legislação brasileira garante a todas as crianças e adolescentes de 0 -14 anos, o direito de matrícula no sistema regular de ensino” (ARANHA, 2004c, p. 14). Ou seja, “embora não seja o único, o primeiro passo importante para que uma escola se torne inclusiva é garantir que todas as crianças e adolescentes dessa faixa etária, residentes nessa região, nela sejam efetivamente matriculados” (ARANHA, 2004c, p. 15). E ainda, “todo aluno matriculado deve estar frequentando a escola regularmente, para que possa efetivamente participar do processo educacional” (ARANHA, 2004c, p.15).

Nesse mesmo sentido, encontram-se os documentos cinco (BRASIL, 2005), seis (DUK, 2006,) e sete (ROTH, 2006) que também vinculam a definição de escola inclusiva como direito incondicional de todos à educação escolar. Sendo assim, independente de qualquer diferença ou peculiaridade que o aluno possa ter, é seu direito frequentar a escola e com igualdade de oportunidades. De tal modo,

Uma escola inclusiva caracteriza-se, fundamentalmente, pelo compromisso com o direito de todo(a)s à educação, à igualdade de oportunidades e à participação de cada um das crianças, adolescentes, jovens e adultos nas várias esferas da vida escolar (DUK, 2006, p. 112)

criança frequentar a escola com igualdade de oportunidade, encontra-se expresso no documento quatro (ARANHA, 2004d) a vinculação desse direito ao atendimento educacional especializado. A igualdade de participação e oportunidades de aprendizagem será dada ao aluno com necessidades educacionais especiais por meio desse atendimento, que deve ser preferencialmente na rede regular de ensino. O documento oito (BRASIL, 2006), menciona que:

Ora, é de conhecimento geral, na comunidade jurídica ou não, que educação é um direito humano fundamental e indisponível. E que é dever do Estado e da família. [...] Nossa intenção é demonstrar que não só as pessoas com deficiência têm esse direito, mas têm o direito de exercê-lo sem discriminações, ou seja, de ser recebidas e ensinadas no mesmo espaço (turma) que todos os demais educandos. Se necessitarem de atendimento educacional especializado, este pode ser oferecido à parte, como complemento, mas nunca de forma que impeça que tal aluno tenha acesso à sala de aula comum (BRASIL, 2006, p. 61). Portanto, segundo o documento oito, “uma escola que não seja inclusiva não atende os postulados constitucionais” (BRASIL, 2006, p. 62). E ainda “[...] a escola que se organiza para receber apenas alunos que atingem um determinado nível de desenvolvimento intelectual é uma escola que exclui até mesmo pessoas sem nenhum tipo de deficiência ou necessidade educacional especial” (BRASIL, 2006, p. 62). Dessa forma, o direito de todos à educação que desde a Constituição Federal de 1988 tem sido postulado, ainda não é cumprido, sendo que “parece então óbvio que as pessoas com deficiência também têm direito à educação, mas as estatísticas teimam em demonstrar que esse direito está muito longe de ser garantido” (BRASIL, 2006, p. 61). Contudo:

Sabemos que ninguém conscientemente nega às pessoas com deficiência o direito à educação, entretanto, diante das dificuldades práticas que se colocam, frequentemente admitem que esse direito estaria suprido se elas fossem educadas separadamente, apenas em ambientes especializados. Às vezes justificam que é para o seu próprio bem (BRASIL, 2006, p. 62).

O documento nove (FÁVERO; PANTOJA; MANTOAN, 2007) cita também que o direito à educação é um direito de todos e, segundo a constituição em vigor, será atendido quando “a) o ensino recebido visar o pleno desenvolvimento; b) se for ministrado em estabelecimentos oficiais; c) se tais estabelecimentos não forem separados dos grupos de pessoas. Esse tipo de

direito que as pessoas com deficiência também são titulares” (FÁVERO; PANTOJA; MANTOAN, 2007, p. 16). Continua afirmando que o atendimento educacional especializado, é um direto educacional dado às pessoas com deficiência, devendo ser aceito e não ferir os demais requisitos. Dessa forma, reitera que a educação segregada, ou a ausência de atendimento educacional especializado é um afrontamento ao direito constitucional. “O atendimento Educacional Especializado é uma forma de garantir que sejam reconhecidas e atendidas as particularidades de cada aluno com deficiência” (FÁVERO; PANTOJA; MANTOAN, 2007, p. 29). Ao contrário, é ali previsto como acréscimo e não como alternativa. “Portanto, o Atendimento Educacional Especializado será válido apenas e tão somente se levar à concretização do direito à educação (inclusiva)” (FÁVERO; PANTOJA; MANTOAN, 2007, p. 17). “Dessa maneira, o AEE, quando ministrado de forma a impedir ou restringir esse direito, fere o princípio da igualdade” (FÁVERO; PANTOJA; MANTOAN, 2007, p. 18).

O documento dez (BRASIL, 2007) afirma ainda que o direito à educação é direito social sendo o primeiro direito elencado pela constituição. Assim, “a segregação das pessoas com deficiência em escolas especiais ou em classes especiais, ainda que nas escolas regulares é uma forma de exclusão social” (BRASIL, 2007, p. 188).

Portanto, não há margem no texto constitucional para se admitir a possibilidade de exclusão de qualquer pessoa do sistema educacional. É um direito básico da pessoa humana o de fazer parte da sociedade (direito dirigido a todas as pessoas em decorrência da igualdade), de direito que significa não apenas a cidadania garantida no papel, mas a sua efetiva participação, sem ter de ser isolada ou privada do convívio social (BRASIL, 2007, p. 188).

Reitera ainda o documento dez (BRASIL, 2007), ao falar sobre o atendimento educacional especializado como um direito ao estudante com deficiência que vem garantir seu direito à educação, que “o atendimento educacional especializado não se constitui em um sistema paralelo de ensino, com níveis e etapas próprias” (BRASIL, 2007, p. 189). Cita que, segundo a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional de 1996, é uma modalidade da educação especial que deve perpassar todos os níveis de ensino, “[...] devendo ser oferecido em horário diverso [...] justamente para que os alunos nele atendidos possam frequentar as turmas de ensino regular, não podendo o mesmo

funcionar como substitutivo da educação escolar” (p.189). Enfatiza que “é importante se garantir que todos os alunos estudem juntos, que freqüentem o mesmo espaço escolar e participem de todas as atividades culturais e sociais da escola” (BRASIL, 2007, p. 189).

Essa formação proposta pelo Programa Educação Inclusiva: Direito à Diversidade em que a inclusão escolar é um direito que todo aluno possui de frequentar a escola comum e nela obter todos os recursos necessários para a sua aprendizagem, incluindo o atendimento educacional especializado, vem reforçar o que as políticas públicas educacionais já definem por meio da legislação (BRASIL, 1988; BRASIL, 1996b; BRASIL, 2001a; BRASIL, 2001b; BRASIL, 2008; BRASIL, 2009b; BRASIL, 2011). Estando em consonância com os autores estudados durante a realização desse trabalho como Anach (1997), Bueno (1993); Glat, Blanco (2007), Glat e Pletsch (2011), Mantoan (2003), Mendes (2006), Omote (2003). Assim, os documentos analisados reiteram a política nacional de inclusão, e não expõem novidade formativa, apresentando-se de forma a reforçar aos gestores e educadores o exercício da inclusão escolar como um direito já antes tutelado. Demonstrando que apesar de não ser novo, o discurso de inclusão é ainda uma necessidade frente à ausência de concretização efetiva.

Percebe-se também um vínculo entre o conceito de inclusão escolar com o direito de todos à educação e com a inclusão como acesso e garantia de educação de qualidade de todos os alunos. Isso se evidencia, pois para se cumprir o direito à educação é necessário se efetivar o acesso e garantia de educação de qualidade para todos os alunos. Caso contrário, estaremos falando somente em matrícula, ou em excluídos no interior da escola, uma exclusão funcional. Nesse sentindo, o documento cinco (BRASIL, 2005, p. 159) expressa que “a perspectiva de educação para todos constitui um grande desafio, pois a realidade aponta para uma numerosa parcela de excluídos do sistema educacional, sem possibilidade de acesso à escolarização”. O documento um (ARANHA, 2004a) salienta que esse é um princípio que está em nossa constituição desde 1988 e que ainda não se tornou realidade para milhares de crianças e jovens: meninas e adolescentes que apresentam necessidades educacionais especiais, vinculadas ou não à deficiência.

4.1.2 Inclusão escolar como acesso e garantia de educação de qualidade para

No documento PR FLAVIANE PELLOSO MOLINA FREITAS (páginas 106-110)