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Incompatibilidades e perda do mandato

2. O PARLAMENTO

2.1. CONGRESSO NACIONAL

2.1.3. Incompatibilidades e perda do mandato

O artigo 54 da Constituição federal, prevê condutas conhecida pela doutrina como incompatibilidades, que impedem os congressistas após a diplomação ou a posse, de prática de determinados atos pelo eleito ou o exercício de determinados cargos, empregos ou funções públicos remunerados em razão da função de parlamentar, com a finalidade de resguardar a independência dos Poderes, vedando que exerçam outras funções nas quais poderiam atrapalhar o mandato legislativo.

Art. 54. Os Deputados e Senadores não poderão:

I - desde a expedição do diploma: a) firmar ou manter contrato com pessoa jurídica de direito público, autarquia, empresa pública, sociedade de economia mista ou empresa concessionária de serviço público, salvo quando o contrato obedecer a cláusulas uniformes; b) aceitar ou exercer cargo, função ou emprego remunerado, inclusive os de que sejam demissíveis "ad nutum", nas entidades constantes da alínea anterior;

II - desde a posse: a) ser proprietários, controladores ou diretores de empresa que goze de favor decorrente de contrato com pessoa jurídica de direito público, ou nela exercer função remunerada; b) ocupar cargo ou função de que sejam demissíveis "ad nutum", nas entidades referidas no inciso I, "a"; c) patrocinar causa em que seja interessada qualquer das entidades a que se refere o inciso I, "a"; d) ser titulares de mais de um cargo ou mandato público eletivo.

No estudo realizado por Marcelo Rocha Sabóia (2005, p.3) em decorrência de sua função de consultor legislativo na Câmara dos Deputados, ele sustenta que:

De maneira geral, as incompatibilidades parlamentares são tidas como corolário do princípio da separação dos poderes e, particularmente, de independência do Legislativo em relação à atuação governamental do Executivo e de seus órgãos - com efeito, salvo em parte no caso da proibição constante da alínea “d” do inciso II do art. 54 da CF, todas as demais proibições são tendentes a afastar o relacionamento promíscuo, por assim dizer, entre os Poderes Executivo e Legislativo, a nosso ver soando um tanto quanto ingênua a afirmação de que as incompatibilidades visam garantir “uma imagem positiva perante a opinião pública” dos Parlamentares. Independência é a palavra-chave na persecução da motivação principal do Legislador ao elencar as incompatibilidades parlamentares, que têm sua importância avultada num Presidencialismo exacerbado como o nosso.

Ressalta-se que a instituição das incompatibilidades foi uma forma de tentar estabelecer alguns limites aos parlamentares, pois, tendo em vista que com seu poder de

influência em relação a sociedade, poderia obter muitas vantagens se pudesse contratar, ou ainda exercer cargos no poder público.

No entanto, as vedações do artigo acima, não abrangem a família ou afins dos parlamentares, mas tão somente à ele, e além disso, não é proibido a contratação com pessoas jurídicas de direito privado não elencadas nos dispositivos constitucionais acima, ou com o poder público quando o contrato obedecer a cláusulas uniformes.

Por fim, a inobservância das vedações impostas acarretará a perda do mandato legislativo, de acordo com o artigo 55, inciso I, da Constituição Federal, conforme se verificará adiante.

As possibilidades em que os parlamentares poderão perder o mandato antes mesmo de acabar a legislatura, estão dispostas no artigo 55 da Constituição Federal:

Art. 55. Perderá o mandato o Deputado ou Senador:

I - que infringir qualquer das proibições estabelecidas no artigo anterior; II - cujo procedimento for declarado incompatível com o decoro parlamentar; III - que deixar de comparecer, em cada sessão legislativa, à terça parte das sessões ordinárias da Casa a que pertencer, salvo licença ou missão por esta autorizada; IV - que perder ou tiver suspensos os direitos políticos;

V - quando o decretar a Justiça Eleitoral, nos casos previstos nesta Constituição; VI - que sofrer condenação criminal em sentença transitada em julgado.

A doutrina divide as possibilidades entre Cassação, que serão as previstas nos incisos I, II e VI, e os casos Extinção do mandato, nos incisos III, IV e V.

No caso da cassação, será instaurado um processo político para a decretação da perda do mandato, e será a própria casa do parlamentar que vai decidir se vai haver ou não essa medida, por maioria absoluta, em votação ostensiva3, garantindo ao parlamentar a Ampla Defesa. A cassação poderá ocorrer nos casos em que o parlamentar infringir qualquer das vedações do artigo 54, quando o procedimento for declarado incompatível com o decoro parlamentar, e neste caso a própria Constituição Federal no parágrafo primeiro, do presente artigo, prevê que “§ 1º - É incompatível com o decoro parlamentar, além dos casos definidos no regimento interno, o abuso das prerrogativas asseguradas a membro do Congresso Nacional ou a percepção de vantagens indevidas”, e importante ressaltar que nesta hipótese o poder judiciário não poderá apreciar o mérito da decisão da Casa legislativa, pois se trata se matéria regimental na qual cabe a Casa do respectivo parlamentar decidir, conforme julgamento do MS 34.327/DF, cabendo ao Judiciário apenas a apreciação da legalidade.

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Ementa: DIREITO CONSTITUCIONAL. MANDADO DE SEGURANÇA. CASSAÇÃO DE MANDATO DE DEPUTADO FEDERAL. QUEBRA DE DECORO PARLAMENTAR. ALEGADAS NULIDADES. 1. O Supremo Tribunal Federal somente deve interferir em procedimentos legislativos para assegurar o cumprimento da Constituição, proteger direitos fundamentais e resguardar os pressupostos de funcionamento da democracia e das instituições republicanas. Exemplo típico na jurisprudência é a preservação dos direitos das minorias. Nenhuma das hipóteses ocorre no presente caso. 2. A suspensão do exercício do mandato do impetrante, por decisão desta Corte em sede cautelar penal, não gera direito à suspensão do processo de cassação do mandato: ninguém pode se beneficiar da própria conduta reprovável. Inexistência de violação à ampla defesa ou de direito subjetivo a dilações indevidas. O precedente formado no MS 25.579 MC, Rel. p/ o acórdão Min. Joaquim Barbosa, se referia a parlamentar afastado para exercer cargo no Executivo e responsabilizado por atos lá praticados. Naquele caso, aliás, a medida liminar foi indeferida, pois se reputou a infração enquadrada no Código de Ética e Decoro Parlamentar. 3. A alegação de que o relator do processo no Conselho de Ética estaria impedido por integrar o mesmo bloco parlamentar do impetrante, por pressupor debate sobre o momento relevante para aferição da composição dos blocos, não configura hipótese justificadora de intervenção judicial. Precedente: MS 33.729 MC, de minha relatoria. 4. Não há que se falar em violação ao contraditório decorrente do aditamento da denúncia, providência admitida até em sede de processo penal, uma vez que o impetrante teve todas as possibilidades de se defender, o que foi feito de forma ampla e tecnicamente competente. 5. Ausência de ilicitude na adoção da votação nominal do parecer no Conselho de Ética, forma que mais privilegia a transparência e o debate parlamentar, e adotada até em hipóteses mais graves do que a ora em discussão. Deferência para com a interpretação regimental acolhida pelo órgão parlamentar, inclusive à vista das dificuldades para aplicação do art. 187, § 4º, do RI/CD fora do Plenário da Câmara dos Deputados. Inexistência de vedação expressa e inocorrência de “efeito manada”. 6. Validade do quórum de instalação da sessão na Comissão de Constituição e Justiça. Não há nas Comissões suplentes vinculados a titulares, mas sim a partidos ou blocos, razão pela qual são computados. 7. Ordem denegada.4

E o último caso de cassação do mandato será quando o parlamentar for condenado criminalmente com sentença transitada em julgado, neste caso há uma grande divergência na doutrina e na jurisprudência. Discute-se sobre a possibilidade do parlamentar condenado perder automaticamente o mandato eletivo ou se depende de deliberação da Casa, sobre a matéria está pendente a análise de uma PEC5 no parlamento.

Já os casos de extinção do mandato será por mera declaração da Mesa da respectiva Casa, de ofício ou por provocação de qualquer de seus membros, ou ainda por partido politico com representação no Congresso Nacional, e poderá ocorrer quando o parlamentar deixar de comparecer, em cada sessão legislativa, à terça parte das sessões ordinárias da Casa a que

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SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL. MS 34.327/DF, rel. min. Roberto Barroso, julgamento em 8-9- 2016. Disponível em: < http://portal.stf.jus.br/processos/downloadPeca.asp?id=312301367&ext=.pdf> Acesso em: 30 out. 2018.

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PEC 313/2013. Altera o art. 55 da Constituição Federal para tornar automática a perda do mandato de parlamentar nas hipóteses de improbidade administrativa ou de condenação por crime contra a Administração Pública. Disponível em:< http://www.camara.gov.br/proposicoesWeb/fichadetramitacao?idProposicao=591925> Acesso em: 30 out. 2018.

pertencer, salvo licença ou missão por esta autorizada, quando perder ou tiver suspensos os direitos políticos ou quando o decretar a Justiça Eleitoral.

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