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INCORPORAÇÃO DO MAPEAMENTO DE RISCO COMO INSTRUMENTO DE GESTÃO DE 

No documento CADERNO DE ATIVIDADES (páginas 94-97)

UNIDADE II  ‐ MOBILIZAÇÃO SOCIAL PARA AS AÇÕES DE DEFESA CIVIL 39

AULA 03  ‐ AVALIAÇÃO DOS RISCOS 88

1.  INCORPORAÇÃO DO MAPEAMENTO DE RISCO COMO INSTRUMENTO DE GESTÃO DE 

 

De acordo com a Estratégia Internacional de Redução de Risco de Desastre (EIRD), a gestão de  risco  se  define  como  um  conjunto  de  decisões  administrativas,  organizacional  e  de  conhecimento desenvolvido pela sociedade e comunidade no sentido de implementar políticas,  estratégias  e  fortalecer  capacidades  a  fim  de  reduzir  os  impactos  das  ameaças  de  riscos  naturais e tecnológicas. 

 

O processo de gerenciamento de risco envolve um conjunto de ações voltadas para a redução e  o  controle  do  risco.  A  possibilidade  de  mitigar,  reduzir,  prevenir  e  controlar  o  risco  se  fundamenta  em  uma  criteriosa  identificação  dos  fatores  de  risco,  suas  características  e  seu  entendimento  e  análise  aprofundada  do  processo  de  construção  social  do  risco.  Essa  construção social busca considerar cada um dos fatores de risco, os mecanismos diversos em  que o risco é construído, produto de práticas individuais e/ou coletivas do uso e transformação  do território.  

 

A  incorporação  do  mapeamento  no  processo  de  gerenciamento  de  risco  do  município  deve  levar em conta os seguintes pressupostos: 

 

9 A gestão de risco deve ser visto como um processo e não como um produto (fim);   

9 O mapeamento deve ser uma ferramenta de prevenção e redução de risco de caráter  permanente,  contínuo  e  com  a  necessária  revisão  a  cada  período  como  forma  de  garantir sua sustentabilidade;  

 

9 Deve promover a ativa participação social (em especial a população das áreas de risco)  no processo de gestão; 

9 A gestão de risco deve ter uma relação com o desenvolvimento territorial do município,  devendo  incorporar  transversalmente  todos  os  setores  que  estejam  direta  e  indiretamente relacionadas com a questão do risco.   

Os  planos  de  ação  de  redução  de  risco  não  se  devem  restringir  somente  às  comunidades  afetadas, que ocupam as áreas de risco, mas sim toda a cidade e sua periferia envolvendo, em  alguns casos, o meio rural. 

 

No  processo  de  gestão  de  risco  devem  estar  envolvidos  todos  os  órgãos  da  administração  pública  (especialmente  aqueles  vinculados  à  defesa  civil,  obras  e  serviços  urbanos,  planejamento,  habitação,  assistência  social,  saúde  e  educação),  a  Câmara  Municipal  o  Ministério Público e a sociedade civil organizada, em especial ênfase aos moradores das áreas  de  risco.  Neste  sentido,  o  envolvimento  da  comunidade  se  faz  com  o  objetivo  de  melhor  informar  e  orientar  os  moradores  dos  assentamentos  precários  sobre  as  situações  de  risco  existentes na sua comunidade, as condições de vulnerabilidades, as causas determinantes e os  fatores de agravamento do risco, as ações de minimização necessária para redução do risco e  as alternativas de obras.  

 

A  participação  da  população  no  processo  de  gestão  de  risco  representa  a  garantia  de  continuidade das políticas sociais, dificultando, com isso, os desvios no cumprimento de metas  ou  quebra  de  acordos  firmados.  Os  compartilhamentos  das  responsabilidades  de  monitoramento  e  de  ações  de  prevenção  junto  à  comunidade  são  condições  essenciais  para  redução de risco de desastres.   

 

Por parte do município, a necessidade de controle e fiscalização do território, independente do  número  de  habitantes,  e  a  importância  de  elaborar  o  mapeamento  das  áreas  de  risco,  com  especial  foco  para  as  áreas  mais  vulneráveis  socialmente.  O  reconhecimento  destas  é  de  importância crucial para definir a estratégia de manejo e gerenciamento do risco, priorizando  ações de minimização e controle. Em contrapartida, as ações de gerenciamento de risco exigem  dos governantes o compromisso político de implementar políticas de ordenamento territorial,  determinado por legislação própria (Leis Ambientais e Plano Diretor da Cidade).     Segundo os princípios do Marco de Hyogo, a Gestão Integrada do Risco de Desastres envolve a  responsabilidade do poder público municipal nos seguintes aspectos:     1. O município tem a responsabilidade de identificar, avaliar e observar in loco os riscos a  que  está  exposto,  tendo  a  necessidade  de  possuir  instrumentos  de  monitoramento  e  alerta,  em  todo  seu  território,  com  especial  atenção  as  áreas  de  risco  onde  se  encontram  as  populações  mais  vulneráveis.  O  Programa  deve  ser  desenvolvido  em  conjunto com o Estado e a União;  

2. O município deve ter o compromisso humano e político de trabalhar para reduzir o risco  de  desastres,  institucionalizando  o  processo  de  gerenciamento  de  risco  como  prática  política obrigatória em todos os projetos de desenvolvimento rural e urbano; 

 

3. O  município  deve  garantir  a  participação  da  comunidade  e  oferecer  informações  relevantes  sobre  o  risco  de  desastres  e  meios  de  proteção,  em  especial  para  os  moradores que habitam nas áreas de risco. 

 

O  gerenciamento  de  risco  tem  como  objetivo  direcionar  ações  de  transversalidade  entre  diversas  secretarias  do  município  junto  à  Coordenadoria  de  Defesa  Civil  (COMDEC), 

incorporando  a  Redução  de  Risco  de  Desastres  (RRD)  no  processo  de  planejamento  e  ordenamento territorial.     Elaborar Plano Municipal de Redução de Risco é incluir o gerenciamento de riscos:     1. Nas políticas urbanas municipais;  2. No Orçamento Municipal Anual;  3. No Plano Diretor e Legislação Municipal;  4. No Plano Plurianual de Investimento Municipal;  5. Nos Programas de Urbanização e Regularização Fundiária de Assentamentos Precários;  6. Nos programas de recuperação de áreas degradadas.     Possíveis aplicações dos resultados do PMRR do poder público municipal:   

9 Escolha  das  áreas  mais  propícias  para  assentamentos  humanos,  em  especial  para  a  construção de habitações para famílias de baixa renda; 

 

9 Formulação  de  um  Programa  de  Gerenciamento  das  áreas  degradadas  e  das  mais  danificadas por inundação e alagamento; 

 

9 Elaboração  de  um  Projeto  de  Contenção  das  Inundações  ou  de  Prevenção  para  Evacuação e Socorro da População Afetada; 

 

9 Plano de drenagem urbana;   

9 Proposta  para  elaboração  de  Projeto  de  Mudança  Cultural:  inclusão  nos  currículos  de  programa de educação ambiental e prevenção; projeto de sensibilização, percepção de  risco, mobilização, organização e participação comunitária com ênfase na prevenção de  risco de desastres.    9 Proposta para elaboração de Projeto de treinamento do corpo técnico da Defesa Civil  Municipal e dos funcionários das diversas secretarias municipais diretamente ligados à  questão dos desastres;    9 Avaliação, intervenção, monitoramento e atualização sobre todas as situações de risco  de  forma  quantitativa  e  qualitativa,  principalmente  as  classificadas  como  risco  alto  e  muito alto; 

9 Implementação do PMRR como lei municipal vinculado ao Plano Diretor da Cidade;   

9 De  posse  do  PMRR,  o  Poder  Público  Municipal  disporá  de  um  Instrumento  como  condição  necessária  para  obter  recursos  junto  à  Defesa  Civil  Nacional  e  ao  Ministério  das  Cidades  para  projetos:  de  prevenção,  programas  de  urbanização,  regularização  e  integração  de  assentamentos  precários;  e  programas  de  recuperação  de  áreas  degradadas pelo desastre natural e antrópico.  

2.  O  PAPEL  DA  COMUNIDADE  NAS  AÇÕES  DE  PREVENÇÃO  E  NA  TOMADA  DE  DECISÃO  NO 

No documento CADERNO DE ATIVIDADES (páginas 94-97)

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