UNIDADE II ‐ MOBILIZAÇÃO SOCIAL PARA AS AÇÕES DE DEFESA CIVIL 39
AULA 03 ‐ AVALIAÇÃO DOS RISCOS 88
1. INCORPORAÇÃO DO MAPEAMENTO DE RISCO COMO INSTRUMENTO DE GESTÃO DE
De acordo com a Estratégia Internacional de Redução de Risco de Desastre (EIRD), a gestão de risco se define como um conjunto de decisões administrativas, organizacional e de conhecimento desenvolvido pela sociedade e comunidade no sentido de implementar políticas, estratégias e fortalecer capacidades a fim de reduzir os impactos das ameaças de riscos naturais e tecnológicas.
O processo de gerenciamento de risco envolve um conjunto de ações voltadas para a redução e o controle do risco. A possibilidade de mitigar, reduzir, prevenir e controlar o risco se fundamenta em uma criteriosa identificação dos fatores de risco, suas características e seu entendimento e análise aprofundada do processo de construção social do risco. Essa construção social busca considerar cada um dos fatores de risco, os mecanismos diversos em que o risco é construído, produto de práticas individuais e/ou coletivas do uso e transformação do território.
A incorporação do mapeamento no processo de gerenciamento de risco do município deve levar em conta os seguintes pressupostos:
9 A gestão de risco deve ser visto como um processo e não como um produto (fim);
9 O mapeamento deve ser uma ferramenta de prevenção e redução de risco de caráter permanente, contínuo e com a necessária revisão a cada período como forma de garantir sua sustentabilidade;
9 Deve promover a ativa participação social (em especial a população das áreas de risco) no processo de gestão;
9 A gestão de risco deve ter uma relação com o desenvolvimento territorial do município, devendo incorporar transversalmente todos os setores que estejam direta e indiretamente relacionadas com a questão do risco.
Os planos de ação de redução de risco não se devem restringir somente às comunidades afetadas, que ocupam as áreas de risco, mas sim toda a cidade e sua periferia envolvendo, em alguns casos, o meio rural.
No processo de gestão de risco devem estar envolvidos todos os órgãos da administração pública (especialmente aqueles vinculados à defesa civil, obras e serviços urbanos, planejamento, habitação, assistência social, saúde e educação), a Câmara Municipal o Ministério Público e a sociedade civil organizada, em especial ênfase aos moradores das áreas de risco. Neste sentido, o envolvimento da comunidade se faz com o objetivo de melhor informar e orientar os moradores dos assentamentos precários sobre as situações de risco existentes na sua comunidade, as condições de vulnerabilidades, as causas determinantes e os fatores de agravamento do risco, as ações de minimização necessária para redução do risco e as alternativas de obras.
A participação da população no processo de gestão de risco representa a garantia de continuidade das políticas sociais, dificultando, com isso, os desvios no cumprimento de metas ou quebra de acordos firmados. Os compartilhamentos das responsabilidades de monitoramento e de ações de prevenção junto à comunidade são condições essenciais para redução de risco de desastres.
Por parte do município, a necessidade de controle e fiscalização do território, independente do número de habitantes, e a importância de elaborar o mapeamento das áreas de risco, com especial foco para as áreas mais vulneráveis socialmente. O reconhecimento destas é de importância crucial para definir a estratégia de manejo e gerenciamento do risco, priorizando ações de minimização e controle. Em contrapartida, as ações de gerenciamento de risco exigem dos governantes o compromisso político de implementar políticas de ordenamento territorial, determinado por legislação própria (Leis Ambientais e Plano Diretor da Cidade). Segundo os princípios do Marco de Hyogo, a Gestão Integrada do Risco de Desastres envolve a responsabilidade do poder público municipal nos seguintes aspectos: 1. O município tem a responsabilidade de identificar, avaliar e observar in loco os riscos a que está exposto, tendo a necessidade de possuir instrumentos de monitoramento e alerta, em todo seu território, com especial atenção as áreas de risco onde se encontram as populações mais vulneráveis. O Programa deve ser desenvolvido em conjunto com o Estado e a União;
2. O município deve ter o compromisso humano e político de trabalhar para reduzir o risco de desastres, institucionalizando o processo de gerenciamento de risco como prática política obrigatória em todos os projetos de desenvolvimento rural e urbano;
3. O município deve garantir a participação da comunidade e oferecer informações relevantes sobre o risco de desastres e meios de proteção, em especial para os moradores que habitam nas áreas de risco.
O gerenciamento de risco tem como objetivo direcionar ações de transversalidade entre diversas secretarias do município junto à Coordenadoria de Defesa Civil (COMDEC),
incorporando a Redução de Risco de Desastres (RRD) no processo de planejamento e ordenamento territorial. Elaborar Plano Municipal de Redução de Risco é incluir o gerenciamento de riscos: 1. Nas políticas urbanas municipais; 2. No Orçamento Municipal Anual; 3. No Plano Diretor e Legislação Municipal; 4. No Plano Plurianual de Investimento Municipal; 5. Nos Programas de Urbanização e Regularização Fundiária de Assentamentos Precários; 6. Nos programas de recuperação de áreas degradadas. Possíveis aplicações dos resultados do PMRR do poder público municipal:
9 Escolha das áreas mais propícias para assentamentos humanos, em especial para a construção de habitações para famílias de baixa renda;
9 Formulação de um Programa de Gerenciamento das áreas degradadas e das mais danificadas por inundação e alagamento;
9 Elaboração de um Projeto de Contenção das Inundações ou de Prevenção para Evacuação e Socorro da População Afetada;
9 Plano de drenagem urbana;
9 Proposta para elaboração de Projeto de Mudança Cultural: inclusão nos currículos de programa de educação ambiental e prevenção; projeto de sensibilização, percepção de risco, mobilização, organização e participação comunitária com ênfase na prevenção de risco de desastres. 9 Proposta para elaboração de Projeto de treinamento do corpo técnico da Defesa Civil Municipal e dos funcionários das diversas secretarias municipais diretamente ligados à questão dos desastres; 9 Avaliação, intervenção, monitoramento e atualização sobre todas as situações de risco de forma quantitativa e qualitativa, principalmente as classificadas como risco alto e muito alto;
9 Implementação do PMRR como lei municipal vinculado ao Plano Diretor da Cidade;
9 De posse do PMRR, o Poder Público Municipal disporá de um Instrumento como condição necessária para obter recursos junto à Defesa Civil Nacional e ao Ministério das Cidades para projetos: de prevenção, programas de urbanização, regularização e integração de assentamentos precários; e programas de recuperação de áreas degradadas pelo desastre natural e antrópico.
2. O PAPEL DA COMUNIDADE NAS AÇÕES DE PREVENÇÃO E NA TOMADA DE DECISÃO NO