A indústria têxtil brasileira foi um dos primeiros setores industriais a surgir no Brasil, sendo implantada por volta de 1844. Porém, foi a partir da década de 1970 que o setor se consolidou e se tornou importante para a economia brasileira tanto na geração de empregos como também no volume de receitas.
Em 2007, a indústria têxtil confeccionista brasileira participou com 5,2% do faturamento total da indústria de transformação, gerando 17,3% do emprego total da indústria de transformação nacional. (IEMI, 2008, p. 25),
Para Baptista (2005), a atividade têxtil assume uma grande importância na economia do país, principalmente pela sua alta capacidade de gerar empregos. A partir da década de 1990, com a abertura do mercado brasileiro e avanço da globalização, houve uma elevação dos níveis de concorrência internacional neste setor. Essa concorrência passou a exigir das empresas maiores habilidades de gestão, com objetivo de melhorar seu desempenho produtivo e assegurar sua competitividade, tanto no mercado nacional como no mercado internacional.
Nesse período, o setor sofreu um forte impacto negativo, levando as empresas menos preparadas em termos de gestão e de inovação a abandonar suas atividades. Contudo, as empresas mais preparadas investiram na sua modernização, reduziram seus custos e melhoraram sua competitividade com o objetivo de enfrentar a concorrência internacional.
Para Gorini (2000), a cadeia produtiva têxtil está dividida em 5 segmentos principais:
a) fiação;
b) tecelagem;
c) malharia;
d) acabamento e beneficiamento;
e) confecção.
O objeto de estudo deste trabalho focaliza a última fase da cadeia, ou seja, a indústria da confecção, embora para tanto, seja necessário fazer apontamentos da cadeia têxtil num contexto geral.
A indústria confeccionista é encontrada na maioria das cidades brasileiras. O porte desta indústria varia de acordo com o posicionamento mercadológico das empresas, sendo que normalmente há uma predominância de micro e pequenas empresas com características de gestão familiares. A tecnologia em termos de máquinas não difere de forma significativa de uma empresa para outra. Uma característica marcante da indústria confeccionista é a heterogeneidade dos seus produtos ofertados e a sua relação direta com as tendências da moda. O ramo confeccionista é intenso em mão-de-obra, razão pela qual proporciona uma grande geração de empregos em torno de si. Isso tem incentivado municípios pequenos a apoiarem iniciativas dos empresários desse segmento, uma vez que se torna numa importante ação de geração de empregos dessas cidades. Na tabela 1 é demonstrada a distribuição da mão-de-obra gerada pela indústria confeccionistas nas regiões brasileiras.
TABELA 1 - MÃO DE OBRA EMPREGADA NA INDÚSTRIA CONFECCIONISTA POR REGIÃO GEOGRÁFICA DO BRASIL
ANOS REGIÃO
2003 2004 2005 2006 2007
NORTE 12.035 12.537 10.337 8.191 8.254
NORDESTE 160.399 162.526 178.776 184.266 191.527
SUDESTE 653.690 674.844 617.429 616.002 625.917
SUL 257.530 259.032 333.883 331.090 341.385
C. OESTE 62.946 62.619 55.889 54.369 56.779
TOTAL 1.146.600 1.171.558 1.196.311 1.193.918 1.223.862 Fonte: IEMI, 2008, p. 83 Adaptado pelo autor.
Obs. Foram considerados os segmentos: vestuário, meias, linha lar e artigos técnicos.
De acordo com o Instituto de Estudos e Marketing Industrial (IEMI), “no período de 2003 a 2007, o número de empresas em atividades nos segmentos têxteis cresceu 14,3%, enquanto que nos segmentos de confecção o crescimento foi de 31,0%. Em volume de mão-de-obra houve aumento de 13,3% nos segmentos têxteis e de 6,7% nos confeccionados.” (IEMI, 2008, p.32). Uma característica marcante desse ramo é que a medida que se avança para o final da cadeia
produtiva, há um aumento do número de empresas e maior utilização da mão-de-obra. O setor confeccionista, indiscutivelmente, é o setor que mais gera empregos nessa cadeia produtiva têxtil. Segundo Lupatini (2004), a abertura do mercado interno à concorrência internacional e a política macroeconômica adotada na década de 1990, voltada para a estabilização monetária, forçou os empresários do ramo de confecções a adotarem novas estratégias empresarias que os permitissem competir nesse novo cenário, principalmente com os países asiáticos. Porém, a frágil estrutura de muitas empresas, tanto em termos de gestão, defasagem nas máquinas e equipamentos, defasagem tecnológica e falta de capital para investimento, acabou reduzindo o número de empresas confeccionistas no país nesse período. Uma outra mudança significativa desse período relaciona-se às mudanças na estrutura de mercado consumidor, que passou a ser mais exigente em termos de qualidade e variedade dos produtos. Esse novo cenário levou as médias e grandes empresas a buscarem a flexibilização de sua produção, principalmente da costura para empresas faccionistas, através da terceirização dos serviços. Com a concorrência internacional, as empresas confeccionistas foram obrigadas a se adaptarem às novas exigências do mercado. Isso se traduziu na modernização do parque industrial, redução de custos e melhoria na qualidade dos produtos, como forma de competir principalmente com os países asiáticos. De acordo com o IEMI, no período de 1990 à 2007 foram investidos aproximadamente US$ 12,0 bilhões na aquisição de máquinas e equipamentos. Isso permitiu que o setor se tornasse moderno e competitivo, mas ainda não conseguiu resolver os problemas da modesta escala produtiva das empresas brasileiras, em especial, no setor confeccionista, em que 97% das empresas são de pequeno e médio porte (até 99 empregados). (IEMI, 2008, p.32)
TABELA 2 - DISTRIBUIÇÃO DAS UNIDADES FABRIS POR PORTE DAS EMPRESAS, MÃO DE OBRA EMPREGADADA E PRODUÇÃO
Continua
ANOS PORTE DAS EMPRESAS
2003 2004 2005 2006 2007
PEQUENAS
No de Fábricas 12.586 13.494 14.583 15.250 16.201
Mão de Obra 307.832 322.632 318.107 312.842 319.258
Produção ( mil) 1.738.410 1.774.258 1.723.790 1.804.639 2.091.141
MÉDIAS
No de Fábricas 4.834 4.906 5.567 5.915 6.274
Mão de Obra 440.264 451.896 475.440 478.712 491.130
Produção ( mil) 3.463.782 3.368.037 3.467.462 3.507.088 3.696.258
PORTE DAS EMPRESAS ANOS
O ramo de confecções não exige o investimento de capital elevado para o início de suas atividades, e também não apresenta barreiras à entrada. Isso torna o setor atrativo para novos investidores que não dispõem de altos níveis de capital para investir. Isso explica também a predominância de micro e pequenas empresas nesse ramo.
Um estudo desenvolvido por Noronha & Turchi (2005), identificou que a terceirização inicialmente foi favorável para ambas as empresas (fornecedora dos produtos e a faccionista), porém, com o passar do tempo surgiram problemas de qualidade dos serviços, atrasos nas entregas e infidelidade na relação fornecedor-cliente.
No que se refere à produção mundial, a partir da década de 1980, com o avanço da globalização, houve uma migração da produção de artigos têxteis e confeccionados dos Estados Unidos, União Européia e Japão, para os países emergentes da Ásia, Leste Europeu, Norte da África e Caribe, modificando o mapa da produção mundial. Na seqüência apresentaremos dados da atual produção mundial de têxteis e vestuário e os principais países exportadores e importadores desses produtos.
TABELA 3 - PRINCIPAIS PAÍSES PRODUTORES DE ARTIGOS DO VESTUÁRIO EM 2006
PAÍS TON (mil) %
TABELA 4 - PRINCIPAIS PAÍSES EXPORTADORES DE ARTIGOS DO
Fonte: OMC – Organização Mundial do Comércio apud IEMI, 2008., p. 29.
TABELA 5 - PRINCIPAIS PAÍSES IMPORTADORES DE ARTIGOS DO VESTUÁRIO EM 2006
Fonte: OMC – Organização Mundial do Comércio apud IEMI, 2008., p. 30.