7. TRATAMENTO TRIBUTÁRIO DA PERDA
7.2. INDEDUTIBILIDADE TOTAL DAS PERDAS EM OPERAÇÕES
lucro real. Dessa forma, a totalidade das perdas deverá ser adicionada ao lucro líquido do respectivo período de apuração, para efeito de determinação do lucro real.
A indedutibilidade das perdas em operaçõesday tradenão alcança as opera-ções realizadas pelas entidades mencionadas na letra “a” do subitem 3.3.
7.3. EXEMPLO PRÁTICO
Admitamos uma pessoa jurídica enquadrada no lucro real trimestral que realize operações renda variável no 2º trimestre/2013 e apure os seguintes resultados:
Excesso de perdas apurado no 2º trimestre/2013:
R$ 572.330,00 – R$ 492.470,00 = R$ 79.860,00
Em decorrência da obrigatoriedade de apresentação do Livro Eletrônico de Escrituração e Apuração do Imposto sobre a Renda e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido da Pessoa Jurídica Tributada pelo Lucro Real (e-Lalur), criado pela Instrução Normativa 989 RFB/2009, ter sido adiada para o ano calendário de 2013 pela Instrução Normativa 1.249 RFB/2012, demonstramos a seguir, a transcrição dos ajustes ao lucro líquido através do modelo do Lalur instituído pela Instrução Normativa 28 SRF/78. Sendo assim, no encerramento do 2º trimestre/2013 a empresa procederá, no Lalur, da seguinte forma:
Na Parte “A”, pela adição do excesso de perdas:
REGISTRO DE APURAÇÃO DO LUCRO REAL
PARTE A – REGISTRO DOS AJUSTES DO LUCRO LÍQUIDO DO PERÍODO
DATA HISTÓRICO ADIÇÕES EXCLUSÕES
30-6-13 Ajustes do lucro líquido do 2º trimestre/2013 30-6-13 Contribuição Social s/Lucro Líquido
Valor da CSLL devida no 2º trimestre/2013 43.483,77 30-6-13 Perdas em Operações de Renda Variável
Valor excedente dos ganhos líquidos apurados neste trimestre
(R$ 572.330,00 – R$ 492.470,00) 79.860,00
30-6-13 Dividendos Recebidos
Valor recebido da Empresa CBO, computado como receita neste trimestre, conforme Lançamento na p. 163 do
Diário nº 6. 58.564,00
Total das Adições e Exclusões 123.343,77 58.564,00
30-6-13 Demonstração do Lucro Real Natureza dos Ajustes
1. Lucro líquido do ano após a CSLL 498.233,23
2. Mais: Adições
2.1. Contribuição Social s/ Lucro Líquido 43.483,77
2.2. Perdas em Operações de Renda Variável 79.860,00 (+)123.343,77 3. Menos: Exclusões
3.1. Dividendos Recebidos (–) 58.564,00
4. Lucro Real 563.013,00
Reconhecemos a exatidão desta Demonstração
Rio de Janeiro, 30 de junho de 2013
a) Diretor, Gerente ou Titular a) Contabilista CRC-RJ nº
Na Parte “B” o excesso de perdas será controlado do seguinte modo:
PARTE B – CONTROLE DOS VALORES QUE CONSTITUIRÃO AJUSTE DO LUCRO LÍQUIDO DE PERÍODOS FUTUROS CONTA: Perdas em Operações de Renda Variável
DATA DO LANÇAM.
(1)
HISTÓRICO (2)
PARA EFEITO DE CORREÇÃO MONETÁRIA CONTROLE DE VALORES MÊS DE 30-6-13 Valor das perdas em
operações de renda
em períodos subsequentes 79.860,00 79.860,00 C
8. CÔMPUTO DOS RESULTADOS EM MERCADO DE LIQUIDAÇÃO FUTURA
Para efeito de determinação das bases de cálculo do IRPJ e da CSLL, os resultados positivos ou negativos incorridos nas operações realizadas em mercados de liquida-ção futura, inclusive os sujeitos a ajustes de posições, serão reconhecidos por ocasião da liquidação do contrato, cessão ou encerramento da posição.
O resultado positivo ou negativo será constituído pela soma algébrica dos ajustes, no caso das operações a futuro sujeitas a essa especificação, e pelo rendimento, ganho ou perda, apurado na operação, nos demais casos.
Esse tratamento aplica-se, no caso de operações realizadas no mercado de balcão, somente àquelas registradas nos termos da legislação vigente.
9. CONTRIBUIÇÃO SOCIAL SOBRE O LUCRO LÍQUIDO
Os ganhos líquidos obtidos em operações de renda variável devem ser incluídos na base de cálculo da CSLL, qualquer que seja a forma de tributação adotada pela pessoa jurídica beneficiária.
As empresas tributadas pelo lucro real, que pagam o IRPJ mensal com base na receita bruta e acréscimos, devem observar que embora os rendimentos e ganhos líquidos auferidos em operações de renda variável somente devam integrar a base de cálculo do imposto se não tiverem sido objeto de retenção na fonte ou recolhimento mensal em separado, para efeito de determinação da base de cálculo da CSLL estimada, em qual-quer caso, os mesmos devem ser obrigatoriamente computados.
10. TRANSFERÊNCIA DE TITULARIDADE DE AÇÕES
As entidades encarregadas do registro de transferência de ações negociadas fora de bolsa, sem intermediação, estão obrigadas a apresentar a Declaração de Transferência de Titularidade de Ações (DTTA), instituída pela Instrução Norma-tiva 892 RFB/2008, na hipótese de o alienante deixar de exibir o documento de arrecadação de receitas federais que comprove o pagamento do Imposto de Renda sobre o ganho de capital incidente na alienação ou a declaração de inexis-tência de imposto devido, em até 15 dias após vencido o prazo legal para o seu pagamento.
Para esse efeito, considera-se, conforme o caso, entidade encarregada do registro de transferência de ações:
– a companhia emissora das ações, quando a própria companhia mantém o livro de Transferência de Ações Nominativas;
– a instituição autorizada pela CVM a manter serviços de ações escriturais quando contratada pela companhia emissora para manutenção do livro de Transferência de Ações Nominativas;
– a instituição que receber a ordem de transferência do investidor, no caso de ações depositadas em custódia fungível.
O não cumprimento dessas regras sujeita o responsável à multa de 30% do valor do imposto devido.
10.1. DECLARAÇÃO DE INEXISTÊNCIA DE IMPOSTO
A declaração de inexistência de imposto será emitida conforme modelo a seguir, devendo a entidade encarregada do registro manter o documento arqui-vado enquanto perdurar direito de a Fazenda Pública constituir os créditos tri-butários decorrentes das operações a que se refiram.
DECLARAÇÃO (Lei nº 11.033, de 21 de dezembro de 2004, art. 5º, § 1º)
(Nome do alienante), com domicílio (endereço completo), inscrito no CPF/CNPJ sob o nº ..., declara a inexistência de Imposto sobre a Renda devido na transferên-cia de titularidade de ações negotransferên-ciadas fora do mercado de bolsa, sem intermedia-ção.
O signatário está ciente de que a falsidade na prestação destas informações confi-gura hipótese de crime contra a ordem tributária prevista no art. 2º da Lei nº 8.137, de 27 de dezembro de 1990, sem prejuízo das demais sanções cabíveis.
Local e data ...
__________________________________
Assinatura do Responsável
Abono da assinatura pela entidade encarregada do registro
11. OPERAÇÕES FINANCEIRAS REALIZADAS POR RESIDENTES OU DOMICILIADOS NO EXTERIOR
Ressalvado o regime especial examinado no subitem 11.1, os residentes ou domicilia-dos no exterior sujeitam-se às mesmas normas do Imposto de Renda estabelecidas para os residentes ou domiciliados no País. Portanto, exceto nos casos de investimen-tos realizados através dos fundos mencionados no subitem a seguir, os demais investi-dores estrangeiros estão obrigados a observar as regras constantes deste trabalho se auferirem ganhos líquidos em:
a) operações realizadas em bolsas de valores, de mercadorias, de futuros e asseme-lhadas;
b) alienações de ouro, ativo financeiro;
c) operações realizadas no mercado de liquidação futura, fora de bolsa.
11.1. INVESTIMENTOS SUJEITOS A REGIME ESPECIAL
Os rendimentos auferidos por investidor residente ou domiciliado no exterior, individual ou coletivo, que realizar operações financeiras no país de acordo com as normas e condições estabelecidas pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), sujeitam-se à incidência do Imposto de Renda às seguintes alíquotas:
a) 10%, no caso de aplicações nos fundos de investimento em ações, em ope-rações deswap, registradas ou não em bolsa, e nas operações realizadas em mercados de liquidação futura, fora de bolsa;
b) 15%, nos demais casos, inclusive em operações financeiras de renda fixa, realizadas no mercado de balcão ou em bolsa.
11.1.1. Base de Cálculo e Momento da Incidência
A base de cálculo do imposto, bem como o momento de sua incidência sobre os respectivos rendimentos auferidos, obedecerão às mesmas regras aplicáveis aos rendimentos de mesma natureza auferidos por residentes ou domiciliados no país, ressalvado o seguinte:
a) no caso de aplicação em fundos de investimento, a incidência do Imposto de Renda ocorrerá exclusivamente por ocasião do resgate de quotas;
b) na apuração do imposto mencionado no subitem 11.1 serão inde-dutíveis os prejuízos apurados em operações de renda fixa e de renda variável.
11.1.2. Não Incidência do Imposto
Não estão sujeitos à incidência do Imposto de Renda os ganhos de capital auferidos pelos investidores estrangeiros de que trata o subitem 11.1.
Para efeito da não incidência, consideram-se ganhos de capital, os resultados positivos auferidos:
a) nas operações realizadas em bolsas de valores, de mercadorias, de futuros e assemelhadas, inclusive quando se tratar de cotas de fundo de índices, com exceção das operações conjugadas men-cionadas na letra “e” do subitem 2.1.3 deste trabalho.
b) nas operações com ouro, ativo financeiro, fora de bolsa.
Não se aplica a esses ganhos de capital a igualdade de tratamento tri-butário entre residentes no País e não residentes.
11.2. INVESTIMENTOS EXCLUÍDOS DO REGIME ESPECIAL
O regime de tributação examinado nos itens 11 a 11.1.2 não se aplica a investi-mento, em conta própria ou em conta coletiva, proveniente de país ou depen-dência com tributação favorecida, o qual sujeitar-se-á às mesmas regras esta-belecidas para os residentes ou domiciliados no País, a partir da data da entrada em vigor do ato da Secretaria da Receita Federal do Brasil que relacio-nar países ou dependências com tributação favorecida.
São considerados países ou dependências de tributação favorecida aqueles constante do subitem 2.1.2 deste trabalho.
A equiparação do investidor estrangeiro ao nacional, para fins de Imposto de Renda, ocorre em relação às operações de aquisição de títulos e valores mobi-liários, inclusive quotas de fundos de investimento, realizadas a partir da data da entrada em vigor do ato que relacionar países ou dependências com tributa-ção favorecida, independentemente da data de aquisitributa-ção.
Operações em Mercados de Liquidação Futura Referenciados em Produtos Agropecuários
Os ganhos líquidos ou perdas decorrentes de operações realizadas por investido-res investido-residentes ou domiciliados em país de tributação favorecida nos mercados de liquidação futura referenciados em produtos agropecuários, nas bolsas de futuros e de mercadorias, serão apurados em Dólares dos Estados Unidos e convertidos em Reais pela taxa de câmbio para venda de moeda estrangeira do último dia útil do mês de apuração, divulgada pelo Banco Central do Brasil (PTAX).
Custo de Aquisição das Ações
No caso de ações negociadas no mercado à vista de bolsa de valores ou no mercado de balcão organizado, para fins de apuração da base de cálculo do Imposto de Renda, o custo de aquisição para apuração do ganho líquido será constituído pela diferença positiva entre o valor de alienação do ativo e o seu custo de aquisição, calculado pela média ponderada dos custos unitários.
FUNDAMENTAÇÃO LEGAL:
– Lei Complementar 123, de 14-12-2006 – artigo 13 (Informativo 50/2006);
– Lei 5.172, de 25-10-1966 (Código Tributário Nacional – CTN);
– Lei 9.959, de 27-1-2000 – artigos 6º a 9º, 12 e 13 (Informativo 04/2000);
– Lei 10.426, de 24-4-2002 (Informativo 17/2002);
– Lei 11.033, de 21-12-2004 (Informativo 52/2004);
– Lei 11.051, de 29-12-2004 – artigo 32 (Informativo 53/2004);
– Lei 11.053, de 29-12-2004 (Informativo 53/2004);
– Lei 11.196, de 21-11-2005 (Informativo 47/2005);
– Lei 12.350, de 20-12-2010 (Fascículo 51/2010);
– Medida Provisória 2.159-70, de 24-8-2001 – artigo 2º (Informativo 35/2001);
– Medida Provisória 2.189-49, de 23-8-2001 (Informativo 34/2001);
– Decreto 3.000, de 26-3-99 – Regulamento do Imposto de Renda – artigos 249, 250, 758 a 767, 770 a 775, 777, 778, 783, 852, 853 e 859 (Portal COAD);
– Instrução Normativa 93 SRF, de 24-12-97 (Informativo 53/97);
– Instrução Normativa 1.022 RFB, de 5-4-2010 (Fascículo 14/2010);
– Instrução Normativa 1.037 RFB, de 4-6-2010 (Fascículo 23/2010);
– Instrução Normativa 1.045 RFB, de 23-6-2010 (Fascículo 25/2010);
– Instrução Normativa 1.236 RFB, de 11-1-2012 (Fascículo 02/2012);
– Instrução Normativa 1.290 RFB, de 06-9-2012 (Fascículo 37/2012);
– Instrução Normativa 1.303 RFB, de 30-11-2012 (Fascículo 49/2012);
– Ato Declaratório Executivo 3 RFB, de 25-3-2011 (Fascículo 13/2011);
– Ato Declaratório Executivo 10 RFB, de 24-6-2010 (Fascículo 26/2010);
– Ato Declaratório Executivo 11 RFB, de 24-6-2010 (Fascículo 26/2010);
– Ato Declaratório Executivo 22 RFB, de 30-11-2010 (Portal COAD);
– Ato Declaratório Executivo 60 Codac, de 17-8-2007 (Fascículo 34/2007);
– Ato Declaratório Executivo 63 Codac, de 30-8-2011 (Fascículo 35/2011);
– Perguntas e Respostas – RFB/2013.