CAPÍTULO I Das Disposições Gerais
INDEVIDA DE BENEFÍCIO FINANCEIRO OU TRIBUTÁRIO
Art. 10-A. Constitui ato de improbidade administrativa qualquer ação ou omissão para conceder, aplicar ou manter benefício fi nan-ceiro ou tributário contrário ao que dispõem o caput e o § 1º do art. 8º-A da Lei Complementar nº 116, de 31 de julho de 2003.
Comentários: O dispositivo foi incluído pela Lei Complementar nº 157, de 2016.
- O que diz o art. 8-a, caput e §1, da Lei Comple-mentar 116/2003?
30 31
d) ofensa aos princípios da Administração Pública. STJ. 1ª Turma. AgRg no REsp 1306817/AC, Rel. Min. Napoleão Nunes Maia Filho, julgado em 06/05/2014.
- O assédio moral, mais do que provocações no local de trabalho — sarcasmo, crítica, zombaria e trote —, é campanha de terror psicológico pela rejeição. A prática de assédio moral enquadra-se na conduta prevista no art. 11, caput, da Lei nº 8.429/92, em razão do evidente abuso de poder, desvio de fi nalidade e malferimento à impessoa-lidade, ao agir deliberadamente em prejuízo de alguém. STJ. 2ª Turma. REsp 1286466/RS, Rel.
Min. Eliana Calmon, julgado em 03/09/2013.
- Confi gura ato de improbidade administrativa a conduta de professor da rede pública de ensi-no que, aproveitando-se dessa condição, asse-die sexualmente seus alunos. Isso porque essa conduta atenta contra os princípios da adminis-tração pública, subsumindo-se ao disposto no art. 11 da Lei nº 8.429/1992. STJ. 2ª Turma. REsp 1255120-SC, Rel. Min. Humberto Martins, julgado em 21/5/2013 (Info 523).
- A tortura de preso custodiado em delegacia praticada por policial constitui ato de improbida-de administrativa que atenta contra os princípios da administração pública. STJ. 1ª Seção. REsp 1177910-SE, Rel. Min. Herman Benjamin, julgado em 26/8/2015 (Info 577).
- Se o relatório da sindicância administrativa ins-taurada contra servidor público federal concluir que a infração funcional em tese praticada está capitulada como ilícito penal, a autoridade com-petente deverá encaminhar cópia dos autos ao Ministério Público, independentemente da ime-diata instauração do processo disciplinar (art.
154, parágrafo único, da Lei nº 8.112/90). A auto-ridade que deixa de fazer esse encaminhamento incorre na prática de ato de improbidade admi-nistrativa prevista no art. 11, II, da Lei nº 8.429/92 (“retardar ou deixar de praticar, indevidamente, ato de ofício”). STJ. 1ª Turma. REsp 1312090/DF, Rel. Min. Ari Pargendler, julgado em 08/04/2014.
- A conduta de contratar diretamente serviços técnicos sem demonstrar a singularidade do objeto contratado e a notória especialização, e com cláusula de remuneração abusiva, fere o dever do administrador de agir na estrita legali-dade e moralilegali-dade que norteiam a Administra-ção Pública, amoldando-se ao ato de improbida-IX - deixar de cumprir a exigência de
requi-sitos de acessibilidade previstos na legis-lação.
X - transferir recurso a entidade privada, em razão da prestação de serviços na área de saúde sem a prévia celebração de con-trato, convênio ou instrumento congênere, nos termos do parágrafo único do art. 24 da Lei nº 8.080, de 19 de setembro de 1990.
Comentários: Dispositivo incluído pela Lei nº 13.650, de 2018. Cuidado com a diferença para o art. 10, incisos XI e XX.
Atenção: A doutrina indica uma nova modalida-de do art. 11, trazida pela Lei 13.425/2017, co-nhecida como “Lei Boate Kiss”: “Art. 13. Incorre em improbidade administrativa, nos termos do art. 11 da Lei nº 8.429, de 2 de junho de 1992 , o prefeito municipal que deixar de tomar as provi-dências necessárias para garantir a observância:
I - do disposto no caput e nos §§ 1º e 2º do art. 2º, no prazo máximo de dois anos, contados da data de entrada em vigor desta Lei”.
Jurisprudência:
- Toda conduta ilegal é um ato de improbidade administrativa? Ilegalidade não é sinônimo de improbidade. O art. 11, de fato, fala que a viola-ção ao princípio da legalidade confi gura ato de improbidade administrativa. No entanto, para o STJ, não é possível fazer a aplicação cega e sur-da do art. 11 sur-da Lei nº 8.429/92 sob pena de tosur-da ilegalidade ser considerada também como im-probidade, o que seria absurdo. STJ. 1ª Turma.
REsp 1414933/RJ, Rel. Min. Napoleão Nunes Maia Filho, julgado em 26/11/2013. (Info 540).
- Para a confi guração dos atos de improbida-de tipifi cados no art. 11 da Lei nº 8.429/92, exi-ge-se que a conduta seja praticada por agente público (ou a ele equiparado), atuando no exer-cício de seu munus público, havendo, ainda, a necessidade do preenchimento dos seguintes requisitos:
a) conduta ilícita;
b) improbidade do ato, confi gurada pela tipicidade do comportamento, ajustado em algum dos incisos do 11 da LIA;
c) elemento volitivo, consubstanciado no DOLO de cometer a ilicitude e causar prejuízo ao Erário;
32
Aprofundando na jurisprudência:
- Competência em caso de verbas transferidas pela União ao Município: Nas ações de ressar-cimento ao erário e improbidade administrativa ajuizadas em face de eventuais irregularidades praticadas na utilização ou prestação de con-tas de valores decorrentes de convênio fede-ral, o simples fato das verbas estarem sujei-tas à prestação de consujei-tas perante o Tribunal de Contas da União, por si só, não justifi ca a competência da Justiça Federal. Igualmente, a mera transferência e incorporação ao patrimônio municipal de verba desviada, no âmbito civil, não pode impor de maneira absoluta a competência da Justiça Estadual. Se houver manifestação de interesse jurídico por ente federal que justifi que a presença no processo, (v.g. União ou Ministério Público Federal) regularmente reconhecido pelo Juízo Federal nos termos da Súmula 150/STJ, a competência para processar e julgar a ação civil de improbidade administrativa será da Justiça Federal. [...] Assim, em regra, compete à Justiça Estadual processar e julgar agente público acu-sado de desvio de verba recebida em razão de convênio fi rmado com a ente federal, salvo se houver a presença das pessoas jurídicas de di-reito público previstas no art. 109, I, da CF/88 na relação processual. STJ. 1ª Seção. CC 142354/BA, Rel. Min. Mauro Campbell Marques, julgado em 23/09/2015. STJ. 1ª Seção. AgRg no CC 133.619/PA, Rel. Min. Sérgio Kukina, julgado em 09/05/2018.
- Compete à Justiça Estadual (e não à Justiça Federal) processar e julgar ação civil pública de improbidade administrativa na qual se apure irregularidades na prestação de contas, por ex--prefeito, relacionadas a verbas federais transfe-ridas mediante convênio e incorporadas ao patri-mônio municipal. • Exceção: será de competência da Justiça Federal se a União, autarquia federal, fundação federal ou empresa pública federal ma-nifestar expressamente interesse de intervir na causa porque, neste caso, a situação se amoldará no art. 109, I, da CF/88. STJ. 1ª Seção. CC 131323-TO, Rel. Min. Napoleão Nunes Maia Filho, julgado em 25/3/2015 (Info 559).
- O membro do Ministério Público pode ser pro-cessado e condenado por ato de improbidade administrativa?SIM. É pacífi co o entendimento de que o Promotor de Justiça (ou Procurador da República) pode ser processado e condenado por ato de improbidade administrativa, com funda-mento na Lei 8.429/92. O membro do MP pode ser réu em uma ação de improbidade de que de administrativa tipifi cado no art. 11 da Lei de
Improbidade. É desnecessário perquirir acerca da comprovação de enriquecimento ilícito do administrador público ou da caracterização de prejuízo ao Erário. O dolo está confi gurado pela manifesta vontade de realizar conduta contrária ao dever de legalidade, corroborada pelos suces-sivos aditamentos contratuais, pois é inequívoca a obrigatoriedade de formalização de processo para justifi car a contratação de serviços pela Ad-ministração Pública sem o procedimento licitató-rio (hipóteses de dispensa ou inexigibilidade de licitação). STJ. 2ª Turma. REsp 1377703/GO, Rel.
p/ Acórdão Min. Herman Benjamin, julgado em 03/12/2013. STJ. 2ª Turma. REsp 1444874/MG, Rel.
Min. Herman Benjamin, julgado em 03/02/2015.
- Para a confi guração dos atos de improbida-de administrativa que atentam contra os prin-cípios da administração pública (art. 11 da Lei 8.429/1992), é DISPENSÁVEL a comprovação de efetivo prejuízo aos cofres públicos. STJ. 1ª Tur-ma. REsp 1192758-MG, Rel. originário Min. Na-poleão Nunes Maia Filho, Rel. para acórdão Min.
Sérgio Kukina, julgado em 4/9/2014 (Info 547).
- Confi gura ato de improbidade administrativa a contratação temporária irregular de pessoal (sem qualquer amparo legal) porque importa em violação do princípio constitucional do concur-so público. STJ. 1ª Turma. REsp 1403361/RN, Rel.
Min. Benedito Gonçalves, julgado em 03/12/2013.
Anotações sobre os artigos anteriores:
32 33
- É possível a abertura de inquérito civil pelo Ministério Público objetivando a apuração de ato ímprobo atribuído a magistrado mesmo que já exista concomitante procedimento disciplinar na Corregedoria do Tribunal acerca dos mesmos fatos, não havendo usurpação das atribuições da Corregedoria pelo órgão ministerial investigante.
A mera solicitação para que o juiz preste depoimento pessoal nos autos de inquérito civil instaurado pelo Ministério Público para apuração de suposta conduta ímproba não viola o disposto no art. 33, IV, da LC nº 35/79 (LOMAN). STJ. 1ª Turma. RMS 37151-SP, Rel. Min. Napoleão Nunes Maia Filho, Rel. para acórdão Min. Sérgio Kukina, julgado em 7/3/2017 (Info 609).
Anotações gerais sobre os artigos anteriores:
Para Fixação:
1. Ano: 2019 / Banca: CESPE / Cargo: TJ-PR Conforme a Lei de Improbidade Administrati-va, para a configuração de um ato de improbi-dade por dano ao erário, é imprescindível que haja, além do efetivo prejuízo,
A) culpa do agente, ao menos.
B) dolo genérico do agente, ao menos.
C) dolo específico do agente.
D) ilegalidade na conduta, independentemen-te do elemento subjetivo do agenindependentemen-te.
trata a Lei 8.429/92 e, ao fi nal, ser condenado à perda do cargo mesmo sem ser adotado o pro-cedimento da Lei 8.625/93 e da LC 75/93? SIM.
O STJ decidiu que é possível, no âmbito de ação civil pública de improbidade administrativa, a condenação de membro do Ministério Público à pena de perda da função pública prevista no art.
12 da Lei 8.429/92. A Lei 8.625/93 (Lei Orgânica Nacional do MP) e a LC 75/93 preveem uma série de regras para que possa ser ajuizada ação civil pública de perda do cargo contra o membro do MP. Tais disposições impedem que o membro do MP perca o cargo em ação de improbidade?
NÃO. Segundo o STJ, o fato de essas leis preverem a garantia da vitaliciedade aos membros do MP e a necessidade de ação judicial para a aplicação da pena de demissão não signifi ca que elas proíbam que o membro do MP possa perder o cargo em razão de sentença proferida na ação civil pública por ato de improbidade administrativa. Essas leis tratam dos casos em que houve um procedimento administrativo no âmbito do MP para apuração de fatos imputados contra o Promotor/Procurador e, sendo verifi ca-da qualquer ca-das situações previstas nos incisos do § 1º do art. 38, deverá obter-se autorização do Conselho Superior para o ajuizamento de ação civil específi ca. Desse modo, tais leis não cuidam de improbidade administrativa e, portanto, nada interferem nas disposições da Lei 8.429/92. Em outras palavras, existem as ações previstas na LC 75/93 e na Lei 8.625/93, mas estas não excluem (não impedem) que o membro do MP também seja processado e condenado pela Lei 8.429/92.
Os dois sistemas convivem harmonicamente. Um não exclui o outro. Se o membro do MP prati-cou um ato de improbidade administrativa, ele poderá ser réu em uma ação civil e perder o cargo?SIM. O membro do MP que praticou ato de improbidade administrativa poderá ser réu em uma ação civil e perder o cargo. Existem duas hipóteses possíveis: • Instaurar o processo admi-nistrativo de que trata a lei da carreira (LC 75/93:
MPU / Lei 8.625/93: MPE) e, ao fi nal, o PGR ou o PGJ ajuizar ação civil de perda do cargo contra o membro do MP. • Ser proposta ação de improbi-dade administrativa, nos termos da Lei 8.429/92.
Neste caso, não existe legitimidade exclusiva do PGR ou PGJ. A ação poderá ser proposta até mes-mo por um Promes-motor de Justiça (no caso do MPE) ou Procurador da República (MPF) que atue em 1ª instância. STJ. 1ª Turma. REsp 1191613-MG, Rel.
Min. Benedito Gonçalves, julgado em 19/3/2015 (Info 560).
34
( )Errado
4. Ano: 2019| Banca: CESPE | Cargo: MPE-PI Prefeito de determinado município deixou de cumprir obrigação legal de prestar contas à respectiva câmara municipal. O Ministério Pú-blico estadual ajuizou ação de improbidade administrativa pelo ato praticado pelo prefeito no exercício de seu mandato. Nessa situação hipotética, de acordo com a Lei de Improbida-de Administrativa e com a jurisprudência dos tribunais superiores,
A) não caberia a ação de improbidade por se tratar de ato do prefeito de natureza omissiva.
B) não caberia a ação por improbidade, porque os prefeitos se submetem apenas à legislação específica sobre crimes de responsabilidade.
C) caberia a ação por improbidade, desde que observado o foro especial por prerrogativa de função para o seu ajuizamento.
D) caberia a ação por improbidade, uma vez que o ato do prefeito atentou contra os princí-pios da administração pública.
E) caberia a ação por improbidade, que deveria ser proposta dentro do prazo prescricional pre-visto em lei específica para as faltas disciplina-res puníveis com demissão.
5. Ano: 2019 | Banca: FCC | Cargo: Justiça Fe-deral (técnico)
Ademar, ocupante de cargo em comissão em em-presa pública, recebia pagamentos para não certi-fi car o inadimplemento de entidades conveniadas que não apresentavam prestação de contas na forma convencionada, o que seria obrigação do servidor. Com isso, as entidades em questão não eram intimadas a devolver os recursos recebidos.
Independentemente do vínculo jurídico fi rmado entre a empresa pública e as entidades menciona-das,
A) o servidor público pode ser responsabilizado por ato administrativo que gera prejuízo ao erário, 2. Ano: 2019 | Banca: FCC | Cargo: TJ-AL
Suponha que tenha sido interposta ação de im-probidade administrativa em face de diretor de uma empresa na qual o Estado do Alagoas de-tém participação acionária minoritária, apon-tando a ocorrência de prejuízos financeiros à companhia em face da realização de investi-mentos em projetos deficitários. A inicial da ação judicial aponta, ainda, a responsabilida-de responsabilida-de Secretários responsabilida-de Estado na formatação responsabilida-de tais projetos e possível conluio com o diretor da companhia para as aprovações societárias correspondentes. Considerando as disposi-ções da legislação aplicável, a referida deman-da afigura-se
A) cabível, tanto em face do diretor como dos Secretários de Estado, limitando-se a sanção patrimonial à repercussão do ilícito sobre a contribuição dos cofres públicos à companhia.
B) cabível apenas em face dos Secretários de Estado, dada a necessária condição de agentes públicos, respondendo o diretor da companhia exclusivamente na esfera civil.
C) descabida, eis que não se verifica prejuízo a entidade pública ou a empresa na qual o poder público detenha a maioria do capital social.
D) cabível apenas em face do diretor da com-panhia, nos limites da conduta lesiva apurada, não alcançando os Secretários de Estado, os quais poderão responder por crime de respon-sabilidade.
E) cabível apenas se apurada conduta dolosa dos imputados, eis que o elemento volitivo do-loso é determinante para a caracterização de atos de improbidade, que não admitem moda-lidade culposa.
3. Ano: 2019| Banca: MPE-SC | Cargo: MPE-SC Para caracterização de ato de improbidade previsto no art. 10 da Lei n. 8.429/1992, nos ca-sos de dispensa indevida ou fraude a procedi-mento licitatório o dano ao erário prescinde de comprovação.
( ) Certo
34 35
CAPÍTULO III