6 RESULTADOS E DISCUSSÕES
6.2 MAPA ESTRATÉGICO
6.4.1 Indicadores de defeitos no produto acabado
Primeiramente, a padronização da nomenclatura dos defeitos e definição destes foi realizada (tabela 4):
TABELA 4: NOMENCLATURA, DEFINIÇÃO E CAUSAS DOS DEFEITOS.
continua
NOME DEFINIÇÃO POSSÍVEIS CAUSAS
Banana Arqueamento lateral da madeira, observado no momento de
encaixe das peças.
Defeitos decorrentes da secagem
Buraco de bicho aberto
Buraco de bicho sem emassar Emassamento ineficiente, buraco de tamanho excessivo.
Capa vazada Capa lixada até a cola (faqueado), capa raspada até a
cola (HS)
Variação da espessura do compensado (ondulado),
raspagem incorreta.
Cavalo Lâminas encavaladas na hora da montagem/ prensagem do painel
Lâminas onduladas, montagem incorreta dos painéis.
Cor da madeira Cor diferente da cor padrão do produto
Inerentes à espécie Degrau Diferença de espessura entre as
peças, formando degraus no momento da montagem.
Variação de espessura do painel ou da lamela, material encanoado, empenado, lixamento
incorreto.
Desbitolamento Marcas e falhas na superfície da lamela, falhas de verniz nas
laterais e topo.
Pode ser ocasionadas na abertura do S4S em lamela,
espessura fina da lamela impedindo o acabamento, S4S
com variação de espessura.
Empenamento Arqueamento da madeira quando colocada em um plano.
Diferença de umidade entre painel e capa, lâminas com alta
variação de densidade.
Excesso de verniz
Acumulo de verniz nas laterais ou topos.
Falta de cuidade na linha de verniz.
Falha da contra capa (fotografado)
Desplacamento ou desfibramento de pedaços da contra capa.
Parte da contra-capa arrancada devido ao: desfibramento da madeira; parada na lixadeira ocasionando choques entre as
peças, linha de cola fraca.
Falha de capa lateral
Lamelas fora de esquadro, com diferenças de largura, ao coladas
o painel fica aparente.
Lamela com variação de largura, lamela colada fora de esquadro,
lamela com banana.
conclusão
NOME DEFINIÇÃO POSSÍVEIS CAUSAS
Falha de capa topo
Lamelas com diferenças de largura, ao coladas o painel fica
aparente.
Lamela com variação de largura, lamela colada fora de esquadro,
lamela com banana.
Falha de verniz no topo
Pequena falha/falta de verniz no topo.
Muita pressão no rolo oscilador, empenamento da peça.
Falha do tingimento na
lateral
Lateral com falha/ falta de tingimento.
Retirada do tingimento na lixadeira da linha de verniz devido a variação de espessura (no caso
de produtos tingidos a mão também pode ocorrer ao
manusear as peças).
Falha do tingimento no
topo
Topo com falha/ falta de tingimento.
Retirada do tingimento na lixadeira da linha de verniz pode ocoser devido ao empenamento (no caso de produtos tingidos a mão também pode ocorrer ao
manusear as peças).
Furinhos no acabamento
Pequenos orifícios no acabamento.
Espessura fina do material.
Lateral quebrada Lateral lascada, batida e com marcas.
Espécie da madeira fibrosa, falta de cuidado ao manusear o
produto.
Mancha da madeira
Manchas na madeira. Inerentes à espécie.
Mancha de verniz
Pingos ou riscos de verniz na superfície da peça, sujeira na linha, tingimento marcado.
Defeitos decorrentes da linha de verniz.
Parada da linha (lixadeira)
Marca do rolo da lixadeira. Peça empenada enrosca na máquina e ao parar a lixadeira a
peça fica embaixo do rolo ocasionando uma marca
(afundamento).
Parada da linha (verniz)
Marca do rolo na linha de verniz. Ao parar a linha de verniz, a peça ficou embaixo do rolo ocasionando uma marca.
Rachadura Fissuras na madeira quando ocorre a total ruptura (separação)
entre as partes.
Inerente à espécie, pode ser ocasionado durante a secagem,
emassamento ineficiente.
Reveso Grã irregular na madeira. Inerentes à espécie.
Topo amarelo Topo com tingimento falhado. Material empenado.
Topo quebrado Topo lascado, quebrado, batido e com marcas.
Espécie da madeira fibrosa, falta de cuidado ao manusear o
produto.
Trinca Fissuras na madeira quando não ocorre a ruptura total das partes.
Inerentes à espécie, pode ser ocasionado durante a secagem.
FONTE: O autor, 2017.
As classificadoras que farão o trabalho de levantamento dos dados no processo receberam um treinamento para ter ciência da padronização dos nomes.
Uma ficha de anotação (figura 6) foi criada para que sejam registradas as informações pertinentes para a realização dos indicadores como data, ordem de produção (OP) e produto. Nesta ficha será marcado a quantidade de peças de boa qualidade, o comprimento destas peças em pés e a quantidade de cada defeito encontrado neste lote.
Os lotes de madeira tem sua quantidade de peças padronizadas em 500 peças de cada comprimento. Os comprimentos destas peças variam de 1 a 7 pés.
Com base nisso, determinamos um percentual de 20% de peças amostradas por comprimento, ou seja, 100 peças de cada comprimento serão amostradas para o levantamento dos defeitos.
FIGURA 6: FICHA DE ANOTAÇÃO DOS DEFEITOS.
QUANTIFICAÇÃO E QUALIFICAÇÃO DOS DEFEITOS
RESPONSÁVEL: CLASSIFICADORAS DATA:
PRODUTO E DIMENSÃO: OPP:
EXTRA
DEFEITOS PÉS
Banana
Bolha na capa
Buraco de bicho
Capa vazada
Cavalo
Cor da madeira
Degrau
Desbitolamento
Empenamento
Excesso de verniz
Falha da capa lateral
Falha da capa topo
Falha da contra capa
Falha de verniz topo
Falha do ting. na lateral
Falha do ting. no topo
Furos no acabamento
Lateral quebrada
Mancha da madeira
Mancha linha de verniz
Parada da linha (lixa)
Parada da linha (verniz)
Rachadura
Reveso
Topo amarelo
Topo quebrado
Trinca
Outros:
____________________________
FONTE: A autora, 2017.
Para a montagem dos indicadores, as fichas de anotações foram realizadas em um período de 1 mês e agrupada entre espécies e linhas de produto. Visto que a madeira tem muitos defeitos que são inerentes à espécie e ao tipo de beneficiamento.
Após o lançamento destas fichas em uma planilha, compilando a quantidade de peças amostras e a quantidade e tipos de defeitos obtemos:
FIGURA 7: INDICADOR - LAMELA
FONTE: A autora, 2017.
A figura 8 é um indicador que relaciona a porcentagem de defeitos com a espécie da madeira. Este indicador contribuirá para melhorar o aproveitamento da matéria-prima.
As linhas de produtos (Lamela, Supreme e Faqueado) devem ser explanadas separadamente, pois o beneficiamento da madeira difere entre elas e alguns defeitos são gerados no processo de beneficiamento.
Para o piso do tipo LAMELA, a espécie que mais ocasionou defeito foi o Jatobá natural, seguido do Cumaru e da Peroba. Estas espécies em questão, normalmente não possuem histórico de defeitos inerentes á espécie devido á experiência dos operadores quanto a sua trabalhabilidade.
FIGURA 8: INDICADOR - FAQUEADO
FONTE: A autora, 2017.
O indicador do faqueado (outra linha de piso), figura 9, mostra que a Cabreúva apresentou 20% de peças defeituosas contra apenas 6% do Amendoim. Segundo o Instituto de Pesquisas Tecnológicas, 2017 a madeira de Cabreúva é difícil de ser trabalhada, mas apresenta bom acabamento. Embora não possua sílica, provoca desgaste nas ferramentas. Estes desgastes das ferramentas poderia ocasionar em uma má qualidade e uma incerteza no processo de beneficiamento desta madeira.
FIGURA 9: INDICADOR - SUPREME
FONTE: A autora, 2017.
A figura 10 exemplifica os defeitos da linha Supreme. Esta linha não recebe material de revestimento sobre sua base compensada e recebe um tratamento rústico, justificando as altas porcentagens de defeito. Visto que é um material de acabamento de demolição.
FIGURA 10: INDICADORES – DEFEITOS CRÍTICOS
FONTE: A autora, 2017.
O indicador apresentado na figura 11, nos mostra a média dos defeitos críticos encontrados em cada linha. Este indicador nos permite rastrear em qual setor o erro ocorreu, pois ao padronizar a nomenclatura de cada defeito, levantamos também as suas possíveis causas.
Na linha Faqueada, o defeito de desbitolamento que é a falta de calibração precisa do painel, foi o mais relevante. Esta linha tem a espessura nominal de 7 mm, sendo esta espessura difícil de ser calibrada de maneira precisa, todas as variações do painel são retratadas no piso acabado.
Na linha Lamela, o defeito que se destacou foi cor da madeira, este defeito é inerente à espécie. A madeira por ser um material heterogêneo possui uma variação natural de cores e texturas, muitas vezes estas não são aceitas pelos consumidores finais e desta forma, devem ser retiradas do processo. O segundo defeito que se destacou foi o reveso, que também é um defeito inerente à espécie, ou seja, uma irregularidade da grã da madeira que dificulta a trabalhabilidade e o acabamento do produto final. Alguns defeitos são decorrentes de outro, como por exemplo, o topo
amarelo, quando o defeito de empenamento (arqueamento da madeira) é evidenciado, ao passar as réguas na linha de verniz, as suas pontas da régua de madeira não recebem um bom acabamento ocasionando em um defeito de topo amarelado (tinta mal aplicada, lixa que retira o acabamento da ponta).
O defeito de destaque na linha Supreme foi o desbitolamento, que é a irregularidade da espessura, como este produto é de acabamento de demolição, sua superfície acaba sendo irregular, impedindo uma calibração exata ao longo da régua de madeira.
FIGURA 11: INDICADORES: DEFEITOS CRÍTICOS - LAMELA
FONTE: A autora, 2017.
A figura 12 e 13 nos mostra quais espécies geraram os defeitos mais críticos na linha Lamela.
FIGURA 12: INDICADORES: DEFEITOS CRÍTICOS - SUPREME E FAQUEADO
FONTE: A autora, 2017.
Como já citado o topo amarelo muitas vezes é gerado pelo empenamento, através do gráfico podemos observar que as três espécies que apresentaram defeito de empenamento, também apresentaram defeito de topo amarelo. Ou seja, aplicando uma ação para melhoria do empenamento, automaticamente o defeito de topo amarelo será solucionado.
O desbitolamento é um defeito com bastante incidência no processo, sabemos que a madeira é um material heterogêneo e possui grande variação dimensional, desta forma parâmetros de espessura e largura muitas vezes são difíceis de ser controlados.
Através de todos os indicadores sabemos que ações tomar para que a melhoria seja feita no processo. Para que os indicadores sejam mantidos, as classificadoras continuarão fazendo este trabalho diariamente e estarão envolvidas de maneira direta com as melhorias que estes indicadores trarão.