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2. FUNDAMENTEÇÃO TEÓRICA DA PESQUISA

2.1 Gestão de Stock na Cadeia de Fornecimento

2.1.6 Indicadores de Desempenho de Gestão de Stock

Um sistema de gestão de stock deve cumprir o objetivo estratégico de servir bem os seus clientes, isto é, ser capaz de oferecer um elevado nível de serviço, ao mesmo tempo que os custos globais de gestão devem ser mantidos ao nível mais baixo possível. Assim, Assis (2004) destaca que uma gestão bem-sucedida depende de se conseguir conciliar por compromisso estes dois objetivos antagónicos entre si.

Ao longo do tempo, para saber se estes objetivos estão sendo atingidos, é necessário um meio rápido, periódico e eficaz de medir o desempenho do sistema. Para tal, deve-se recorrer a informações de síntese designadas como indicadores de desempenho, na medida em que espelham a eficiência dos procedimentos e decisões de planeamento e controlo de stock atotadas, e, consequentemente o desempenho da empresa nesta área em concreto e no mercado. São eles:

a) Taxa de rotação de stock

Este indicador traduz a relação entre o consumo e o stock médio detido, ou seja, traduz o número de vezes que o stock se renova. Quanto mais elevada for esta taxa tanto melhor é a gestão adotada.

Jacobsen (2006 apud FILIPI 2007, p. 28) considera que

“em qualquer tipo de empresa há um espaço de tempo considerado normal para que os materiais possam ser produzidos ou adquiridos (para venda ou consumo interno) e convertidos em capital e serviço. Se os itens forem mantidos em

stock além deste período, a empresa está incorrendo num acréscimo dos custos

e na diminuição da velocidade de retorno do investimento feito, resultando em prejuízo ou deixando, na melhor das hipóteses, de remunerar melhor seu capital.”

Para Roldão (2002), “[…] o aumento da rotação de stock pode conseguir-se através do aumento das saídas anuais ou por redução das existências médias em posse[...].” No entanto, acrescenta o autor que, uma diminuição muito forte das existências médias em posse poderá aumentar o índice de rutura e diminuir o nível de serviço, refletindo negativamente no desempenho da empresa.

Souza et al (2009)13 comentam que quanto maior for a frequência de entregas dos fornecedores, logicamente em menores lotes, maior será o índice de rotação de stock. Os autores consideram que um alto índice de rotação do stock é fator fundamental na redução da necessidade de investimento em capital de giro para um determinado nível de vendas.

A taxa de rotação de stock calcula-se através da seguinte equação:

Equação 2.12 - Cálculo da Taxa de Rotação de Stock

Fonte: Cencal (s.d., p.132)

13

SOUZA, Lucas P. N. et al (2009). A Importância da Gestão de Estoque no Resultado Gerencial. Disponível em: <http:// www.unisalesiano.edu.br/encontro2007/trabalho/aceitos/CC25582320881O.pdf >.

b) Taxa de cobertura

A taxa de cobertura de stock traduz o número de meses de consumo assegurado pelo

stock médio, ou seja, o tempo médio que o stock poderá abastecer a procura sem que se

façam novas encomendas.

Quanto menor for o stock em relação à projeção de vendas menor a cobertura em dias, semanas, entre outros. Isto significa que se corre o risco de faltar mercadoria para atendimento ao cliente quando a cobertura de stock for muito baixa, mas, no caso contrário, com o índice de cobertura muito alto, também se corre o risco de ter stocks obsoletos em face das mercadorias "saírem de moda" ou por perderem qualidade com o tempo de exposição na loja ou de permanência em depósito.

Podemos obter a taxa de cobertura de stock da seguinte fórmula:

Equação 2.13 - Cálculo da Taxa de Cobertura de Stock

Fonte: Cencal, (s.d., p.132)

c) Taxa de ruptura

A Taxa de rutura de stock dá indicação da percentagem de ruturas de stock em armazém. Segundo Veludo (2004, p. 86) “rutura de stock em armazém ocorre quando qualquer solicitação de material não for satisfeita na sua totalidade.”

Da definição de rutura fica explícito que esta ocorre quando uma solicitação não for atendida totalmente, isto é, mesmo que tenha sido parcialmente satisfeita é considerada rutura.

Importante será realçar que por outro lado, conforme Veludo (loc. cit.),

“se o stock de um artigo estiver a zero, (potencialmente em rotura) mas se até à entrada do próximo reaprovisionamento em armazém não existirem requisições para esse artigo, não ocorre a rutura, o que quer dizer que poderão existir itens com existência a zero, sem contudo originarem ruturas.”

A Taxa de rutura de stock calcula-se através da seguinte fórmula:

Equação 2.14 - Cálculo da Taxa de Rutura de Stock

Fonte: Veludo (2004, p. 87)

Por fim, será importante realçar que um dos aspetos mais importantes para o bom desempenho de um sistema de gestão de stock, será sem dúvida a manipulação dos dados e a informação gerados pelo sistema, de onde partirá todo o processo de decisão e execução. Assim sendo, é importante para as empresas a busca de um sistema de informação capaz de prover informações válidas, confiáveis, apropriadas e económicas.

Um sistema de informação capaz de interligar as diferentes partes da empresa pode fazer com que a consequência de uma decisão seja refletida no controlo e gestão do resto da empresa, permitindo integração entre as áreas operacionais e gerenciais, e padronização dos sistemas das diferentes áreas da empresa. Este tipo de sistema de informação é capaz de contribuir para a redução do stock de segurança, uma vez que possibilita troca de informações entre fornecedor, cliente e consumidor provocando a redução da falta de visibilidade na cadeia de fornecimentos sobre a real procura dos consumidores finais, fator que influencia diretamente a formação do stock de segurança.