2.2 QUALIDADE DE VIDA
2.2.2 Indicadores de Qualidade de Vida
Segundo Helou Filho e Otani (2007), indicadores são funções que permitem obter dado ou informação numérica sobre as medidas relacionadas a um sistema, um processo, um produto ou uma grandeza, sendo utilizados para acompanhar e melhorar os resultados do objeto de estudo ao longo do tempo. Herculano et al. (2000) se refere aos indicadores como sendo informações condensadas, simplificadas, quantificadas, que facilitam a comunicação, comparações e o processo de decisão.
Demonstram-se, no Quadro 3, alguns dos modelos mais utilizados para medir a Qualidade de vida com os seus indicadores determinantes.
Quadro 3 - Modelos de QV e seus indicadores determinantes
Autor dos Modelos Indicadores Determinantes Indicador de Qualidade
de Vida da OMS (1992)
Domínio físico, domínio psicológico, nível de independência, relações sociais, ambiente e aspectos espirituais/religião/crenças pessoais.
Índice de
Desenvolvimento Humano - IDH (1990)
Renda, longevidade e educação. Indicadores de
Qualidade de Vida Calvert – Henderson (2000)
Educação, emprego, energia, meio-ambiente, saúde, direitos humanos, renda, infraestrutura, segurança nacional, segurança pública, lazer e habitação.
Indicador de Felicidade Interna Bruta - FIB (1972)
Bom padrão de vida econômica; boa governança; educação de qualidade; saúde; vitalidade comunitária; proteção ambiental; acesso à cultura; gerenciamento equilibrado do tempo e bem-estar psicológico.
Fonte: Alves, 2011, p. 17.
Indicador de Qualidade de Vida segundo a Organização Mundial da Saúde – (OMS): A Organização Mundial da Saúde, a partir de 1990 constatou
que as medidas de qualidade de vida são revestidas de particular importância na avaliação da saúde, tanto dentro de uma perspectiva individual como social;
(FLECK; CHACHAMOVICH; TRENTINI, 2003, p. 2) na ausência de um instrumento que avaliasse a qualidade de vida dentro de uma perspectiva internacional, fez com que a OMS formasse um Grupo de Qualidade de Vida (Grupo World Health Organization Quality of Life - WHOQOL); assim, foi desenvolvido um instrumento que abrangesse a complexidade do construto, inter-relacionando o meio ambiente aos aspectos físicos, psicológicos, grau de independência, relações sociais e crenças pessoais. (FLECK, 2000, FLECK, et al, 1999).
O WHOQOL-100 é um instrumento que possui seis domínios (psicológico, físico, grau de independência, relações sociais, ambiente e espiritualidade). Esses domínios são divididos em 24 facetas e cada um é formado por facetas que são avaliadas por quatro questões. Assim, o Instrumento é composto por 24 facetas específicas. (FLECK, 2000).
Índice de Desenvolvimento Humano – IDH: Desenvolvimento
Humano tem o objetivo de verificar as características sociais, culturais, ambientais, saúde, comunidade, educação e políticas que interferem na qualidade da vida. Não pode somente ser visto como uma forma de dimensão econômica, já que trata do potencial humano, centrado no bem-estar da pessoa. (SANDRO; RODRIGUES NETO; 2014).
Ao pensar no desenvolvimento humano, surgiu o Índice de desenvolvimento humano, originado em 1990 pela Organização das Nações Unidas e desenvolvido por Mahbub ul Haq com a colaboração do economista indiano Amartya Sen, ganhador do Prêmio Nobel de Economia de 1998. A construção desse indicador de desenvolvimento reflete a estreita relação com os debates em torno da mensuração da qualidade de vida. O IDH não avalia a economia humana, sua grande questão está voltada ao grau de prosperidade ou qualidade de vida de um país, região ou município. (SCARPIN; SLOMSKI, 2007; BRASIL, 2015). O objetivo da criação do IDH foi o de oferecer um contraponto a outro indicador muito utilizado, o Produto Interno Bruto (PIB) per capita, que considera apenas a dimensão econômica do desenvolvimento. O IDH não abrange todos os aspectos de desenvolvimento e não é uma representação da "felicidade" das pessoas, nem indica "o melhor lugar no mundo para se viver". (BRASIL, 2015).
[...] o progresso de um país ou município não pode ser mensurado apenas pelo dinheiro que seus cidadãos possuem (ou carecem), mas também pela sua saúde, a qualidade dos serviços médicos e a educação. Essas medidas devem ser consideradas não só pela disponibilidade, mas pela qualidade. (SCARPIN; SLOMSKI, 2007, p 911).
Minayo, Hartz e Buss (2000) relatam que o IDH está amparado em três âmbitos: renda, saúde e educação. A renda é avaliada pelo PIB real per capita. A educação está focada na taxa de alfabetização de adultos e de matrículas nos níveis primários, secundários e terciários. E, por último, a saúde, sendo focada pela esperança de vida ao nascer, expectativa de vida, dotada de uma vida longa. (MINAYO; HARTZ; BUSS, 2000; BRASIL, 2015). Todos os três domínios são mensurados juntamente para ser obtido o IDH, de modo a chegar a uma medida sobre o desenvolvimento humano.
Indicadores de Qualidade de Vida Calver: Os Indicadores de
Qualidade de Vida Calvert-Henderson surgiram da relação entre uma futuróloga internacional, Hazel Henderson e a empresa de gerenciamento de ativos financeiros, o Calvert Group. Contribuir para os esforços mundiais no sentido de desenvolver estatísticas abrangentes de bem-estar nacional que possam ir além dos indicadores macroeconômicos tradicionais. Seu conteúdo é composto por 12 indicadores, isto é: educação, emprego, energia, ambiente, saúde, direitos humanos, renda, infraestrutura nacional, segurança pública, lazer e habitação. (LOUETTE, 2009).
Indicador de Felicidade Interna Bruta: Desenvolvido em Butão, localizado na Ásia, teve apoio do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD). O termo foi criado pelo rei do Butão – Jigme Singye Wangchuck, em 1972, em resposta às críticas sobre a economia do seu país que crescia miseravelmente. Enquanto os modelos tradicionais de desenvolvimento têm como objetivo primordial o crescimento econômico, o conceito de FIB está baseado no princípio de que o verdadeiro desenvolvimento de uma sociedade humana emerge quando o desenvolvimento espiritual e o material são simultâneos, assim se complementando e reforçando mutuamente. (SILVA, 2012).
Esses indicadores consistem em ferramentas de trabalho importantes para medir a qualidade de vida, envolvendo o progresso econômico
e social de determinado país. Os resultados obtidos por essas ferramentas são fundamentais à consolidação e sustentação da sociedade. Segundo Alves (2011), a respeito dos indicadores, expõe que esses instrumentos detêm o reconhecimento nacional e internacional, necessitando de mais estudos complementares. Nessa temática - indicadores de Qualidade de Vida -, o grande desafio é justamente estabelecer uma sistematização na medida de QV, atendendo aos interesses práticos dos pesquisadores, o que inclui a demonstração da utilidade dessa ferramenta no sentido de aprimorar diagnósticos e avaliar a eficácia de suas aplicabilidades.