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2. MATERIAL E MÉTODOS

3.2 Indicadores de risco dos projetos

Quando observados os coeficientes médios de risco (variância, desvio padrão e desvio médio absoluto), na Tabela 6, nota-se que sistema que apresentou o maior risco foi o de aspersão convencional, com um desvio padrão R$ 699,66 ha-1 ano-1.

1,32

1,62 1,61 1,60

1,40

1,64 1,63 1,62

1,3 1,4 1,5 1,6

MD TV TA TC

Relação Benecio/Custo

Bombeamento/Tarifação Aspersão Convencional Pivô Central

Marques, Marques e Frizzone (2006), ao compararem a viabilidade econômica de três sistemas de irrigação, pivô central, deslocamento linear e autopropelido, encontraram menor risco econômico para o primeiro sistema. Os resultados da presente análise e do estudo dos supracitados autores demonstram um menor risco para adoção da agricultura irrigada por meio do sistema do tipo pivô central, quando comparados a outros sistemas que também empregam o método de aspersão.

Tabela 6. Coeficientes de risco para os sistemas de irrigação, considerando o cultivo do tomate industrial do Agropolo Ibicoara-Mucugê, Bahia.

Valores Aspersão convencional Pivô central

Variância (R$2 ha-1 ano-1) 489.524,12 480.553,97 Desvio padrão (R$ ha-1 ano-1) 699,66 693,22 Desvio absoluto (R$ ha-1 ano-1) 573,28 568,37 3.3 Custos dos projetos

As distribuições de frequências relativa e acumulada da vida útil do sistema de irrigação e taxa de juros anuais são mostradas na Figura 4, divididas em cinco classes.

Figura 4. Distribuição de frequência dos dados simulados para as variáveis: taxa de juros anual (a) vida útil do sistema de irrigação do tipo pivô central (b) e aspersão convencional (c), para cálculo do custo fixo anual.

22,1

35,5

26,96

13,88 1,55 0

10 20 30 40 50 60 70 80 90 100

11 12 13 14 15

Probabilidade (%)

Vida útil (anos)

Frequência relativa (%) Frequência acumulada (%) (c) 11,96

32,25 30,59

18,69 6,51 0

10 20 30 40 50 60 70 80 90 100

3,9 5,7 7,5 9,3 11,1

Probabilidade (%)

Taxa de juros (% a.a.)

12,34

24,58 29,67 23,5

9,91 0

10 20 30 40 50 60 70 80 90 100

13 14 15 16 17

Probabilidade (%)

Vida útil (anos)

(a) (b)

Quanto à variabilidade da vida útil dos sistemas de irrigação (Figura 4b e 4c), esta ocorre em razão das condições físicas de operação, da manutenção e das horas que o sistema é usado a cada ano (SILVA et al., 2003).

Com taxa de juros anual de 5,7% e vida útil de 15 anos para o sistema do tipo pivô central e 12 anos para o sistema de aspersão convencional, obteve-se os custos fixos (Tabela 7), significando ser necessária a reposição monetária ou poupança anual por hectare de R$ 420,37 para aspersão convencional e R$

661,66 para pivô central para repor cada um dos dois sistemas no final das suas vidas úteis (FRIZZONE, 2005). Em relação aos custos totais da irrigação dos projetos, o maior valor anual encontrado está relacionado ao sistema de aspersão convencional, R$ 2.336,41 (Tabela 7), isso explica o fato do sistema apresentar nos itens anteriores menor lucro e menor relação B/C, quando relacionados ao sistema do tipo pivô central.

Tabela 7. Custos anuais advindos da irrigação, utilizando sistemas com bombeamento por meio de motor elétrico na tomaticultura do Agropolo Ibicoara-Mucugê, Bahia.

Valores (R$ ha-1 ano-1) Aspersão convencional Pivô central

Custo fixo 420,37 661,66

Custo variável 1.916,04 1.601,34

Custo total 2.336,41 2.263,00

A probabilidade de obtenção dos valores de custos fixos foi 9,57% para pivô central e 12,72% para aspersão convencional (Tabelas D1 e D2, Anexo D), ambas consideradas as maiores das probabilidades e provindas das combinações de 2000 valores através da simulação por Monte Carlo.

Com relação aos custos variáveis, a Figura 5 apresenta a distribuição de frequência da taxa de manutenção, da taxa de mão de obra (horas de trabalho por hectare por irrigação) e do custo da água. Estas duas distribuições triangulares dos dois fatores econômicos (5 classe para cada fator) foram encontradas para cada um dos dois sistemas/projetos. Para a taxa de manutenção encontrou-se o valor de 5% para o sistema do tipo pivô central (Figura 5a) e 2,5% para aspersão convencional (Figura 5c) com probabilidades de

34,86% e 36,04%, respectivamente. De acordo com Maya (2003) e Marques (2005) tais taxas de manutenção indicam uma fatia do investimento inicial feito no sistema de irrigação para manter o sistema em condições adequadas de uso.

Figura 5. Distribuição empírica dos dados simulados para as variáveis: taxa de manutenção e horas de trabalho para o sistema do tipo pivô central (a) e (b), para aspersão convencional (c) e (d) e custo da água (e), no cálculo dos custos variáveis anuais.

Já a taxa mão de obra calculada foi de 0,4 horas ha-1 irrigação-1 para o sistema do tipo pivô central (Figura 5b) e 2,5 horas ha-1 irrigação-1 para aspersão convencional (Figura 5d) na irrigação da área de cultivo do tomateiro industrial, com probabilidades 33,69% e 35,5%, respectivamente. O fato do sistema de aspersão convencional demandar de mais tempo de mão de obra (6,25 vezes as horas de trabalho com o pivô central) está ligado, de acordo com Marques (2005),

8,17

24,03 36,04

24,45 7,31 0

10 20 30 40 50 60 70 80 90 100

1,3 1,9 2,5 3,1 3,7

Probabilidade (%)

Taxa de manutenção (% a.a.)

7,58

24,99 35,5

23,55 8,38 0

10 20 30 40 50 60 70 80 90 100

1,7 2,1 2,5 2,9 3,3

Probabilidade (%)

Horas de trabalho (horas ha-1 irrigação-1)

(c) (d)

8,06

23,01 34,86

25,73 8,33 0

10 20 30 40 50 60 70 80 90 100

4,2 4,6 5,0 5,4 5,8

Probabilidade (%)

Taxa de manutenção (% a.a.)

(a)

7,53

25,73

33,69

24,67 8,38 0

10 20 30 40 50 60 70 80 90 100

0,2 0,3 0,4 0,5 0,6

Probabilidade (%)

Horas de trabalho (horas ha-1irrigação-1) (b)

12,92

34,06 29,10

17,14 6,78 0

10 20 30 40 50 60 70 80 90 100

0,04 0,06 0,08 0,09 0,11

Probabilidade (%)

Custo da água (R$ m-3)

Frequência relativa Frequência acumulada (e)

à razão deste sistema requerer movimentação das tubulações durante o processo de irrigação (mudanças de linhas laterais no decorrer da linha de derivação), o que promove menores custos fixos, mas implica em maiores custos com a mão de obra.

Quanto ao custo da água (Figura 5e), a probabilidade com maior valor na distribuição de frequência dos dados simulados (34,06%), indicou o custo de R$

0,06 m-3.

A Tabela 8 é referente aos percentuais do investimento feitos nos sistemas de irrigação e nos seus custos operacionais efetivos, computados a partir do requerimento bruto de água, considerando as despesas com mão de obra, energia elétrica, manutenção do sistema e custo da água. Os percentuais com os custos variáveis foram maiores que os dos custos fixos, para ambos os sistemas, com o bombeamento sendo o fator de maior participação para o sistema do tipo pivô central. O custo de mão de obra apresentou pouca influência com valor inferior a 6,4% do custo total da irrigação para o sistema do tipo pivô central, a mesma situação ocorre no estudo feito por Jobim (2007), Frizzone (2005) e Marques (2005). Para o sistema do tipo aspersão convencional, o custo de mão de obra ficou em primeiro lugar na participação dos custos totais, representando uma fatia de 38,79%.

Tabela 8. Participação percentual, no custo total, dos custos advindos da irrigação no cultivo do tomateiro industrial, utilizando motor elétrico no Agropolo Ibicoara-Mucugê, Bahia.

Participação no custo total da irrigação com motor elétrico (%)

Aspersão convencional Pivô central

Custos fixos 18,00 29,29

Custos variáveis 82,00 70,71

Mão de obra 38,79 6,33

Manutenção 3,74 13,67

Bombeamento 22,50 33,20

Água 16,97 17,51

Para o motor a óleo diesel, os custos da irrigação e sua participação percentual no custo total da irrigação são apresentados nas Tabelas 9 e 10. Em

relação aos custos variáveis (Tabela 9) os valores são superiores aos obtidos por motor elétrico (Tabela 7), como observado por Marques (2005) e Frizzone (2005), isso ocorreu devido ao alto custo do óleo diesel e da não possibilidade de desconto através da tarifa reduzida, que se dá quando se utiliza de motor elétrico.

Os custos com bombeamento representam as maiores participações no custo total da irrigação, chegando a um valor percentual altíssimo de 45,17% para aspersão convencional e 49,63% para o sistema do tipo pivô central, do custo total com a irrigação (Tabela 10), dessa forma, o custo de bombeamento destaca-se destaca-sempre como o fator de maior influência para o motor a diedestaca-sel. Já o fator de menor influência, para o sistema do tipo pivô central foi, o custo de mão de obra (4,77%), estando esse fator para o sistema de aspersão convencional em segundo lugar, ficando logo depois do custo de bombeamento com 27,45%.

Tabela 9. Custos anuais advindos da irrigação, utilizando sistemas com bombeamento por meio de motor a óleo diesel, na tomaticultura do Agropolo Ibicoara-Mucugê, Bahia.

Valores (R$ ha-1 ano-1) Aspersão convencional Pivô central

Custo fixo 420,37 662,93

Custo variável 2.881,42 2.339,90

Custo total 3.301,79 3.002,83

Tabela 10. Participação percentual, no custo total, dos custos advindos da irrigação no cultivo do tomateiro industrial, utilizando motor a óleo diesel no Agropolo Ibicoara-Mucugê, Bahia.

Participação no custo total da irrigação com motor a diesel(%)

Aspersão convencional Pivô central

Custos fixos 12,73 22,08

Custos variáveis 87,99 77,91

Mão de obra 27,45 4,77

Manutenção 2,64 10,31

Bombeamento 45,17 49,63

Água 12,73 13,20

Na Tabela 11, são analisados os custos de bombeamento em função do tipo de motor e de tarifa. Nota-se que os maiores custos estão associados ao motor a diesel (ALVES JÚNIOR et al., 2004; MARQUES; MARQUES; FRIZZONE, 2006). Scaloppi (1985), analisando as demandas de energia para irrigação, verificou que o custo da energia requerida no bombeamento para os motores acionados a óleo diesel representou cerca de seis vezes o custo dos motores elétricos. Nestas análises para irrigação de áreas de cultivo do tomateiro industrial, o custo de bombeamento utilizando motor a diesel, representou aproximadamente 2,46 e 1,98 vezes o custo do bombeamento com motores elétricos, utilizando o sistema de aspersão convencional e pivô central, respectivamente (Tabela 11), Souza et al. (2013) encontraram o custo da energia com o acionamento a diesel 100,6% maior do que o elétrico.

Tabela 11. Custo do bombeamento para os sistemas de irrigação em função do tipo de motor e de tarifa no cultivo do tomateiro industrial no Agropolo Ibicoara-Mucugê, Bahia.

Custo do bombeamento (R$ ha-1 ano-1)

Aspersão convencional Pivô central

Motor diesel 1.291,42 1.490,30

Motor elétrico 525,81 751,75

Tarifa verde 512,16 747,02

Tarifa azul 524,75 749,36

Tarifa convencional 540,54 758,85

Em se tratando do motor elétrico, a tarifa convencional, que não contempla tarifas diferenciadas para o horário de funcionamento (período de ponta, fora de ponta e horário reservado), apresentou os maiores custos. A tarifa verde apresentou o menor valor de custo anual, R$ 512,16 ha-1 e R$ 747,02 ha-1, para os sistemas de aspersão convencional e pivô central, respectivamente.

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