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2. Revisão da Literatura e Referencial Teórico

2.2. Segurança de processo

2.2.3. Indicadores de Segurança de processo segundo a API-754

O objetivo principal da utilização de indicadores é proporcionar um meio de monitorização do desempenho e da eficiência em um sistema de gerenciamento de segurança de processos. As medições geram indicadores de tendência de desempenho que são cruciais para a capacidade de uma instalação determinar se os incidentes de segurança de processo são suscetíveis de ocorrer e alcançar uma melhoria contínua da segurança de processo (CCPS, 2014).

A seleção eficaz de indicadores é um desafio, particularmente os indicadores que visam identificar proativamente as deficiências do sistema de barreira de proteção que contribuem para eventos na segurança do processo.

A Prática Recomendada do American Petroleum Institute API 754 (2010) pode ser considerada um marco no que se refere a métricas de indicadores de segurança de processos. A norma aproveitou os conceitos e as lições aprendidas de publicações anteriores para estabelecer uma forma clara e objetiva para classificação de indicadores de processos (CABETE, 2014).

As métricas para Segurança de Processos Químicos, segundo CCPS (2011), são classificadas nas seguintes categorias:

 Métricas “Reativas” – um conjunto retrospectivo de métricas que são baseadas em incidentes que se encontram no limiar da gravidade e que devem ser relatados como parte da métrica de segurança de processo em todas as indústrias.

 “Atuações dos Sistemas de Segurança, Eventos de Quase Perdas” e outras Métricas Internas Reativas – a descrição de incidentes menos graves (isto é, abaixo do limiar para inclusão na métrica reativa industrial) ou condições inseguras que ativaram uma ou mais camadas de proteção. Embora esses eventos sejam eventos reais (isto é, métricas “reativas”), eles são geralmente considerados como bons indicadores de condições que possam levar a um incidente mais grave.

 Métricas “Proativas” – um novo conjunto de métricas que indicam o desempenho dos principais processos de trabalho, disciplina operacional ou camadas de proteção que previnem incidentes.

A API 754 utiliza da pirâmide de segurança de processos para introduzir o conceito de níveis de classificação para eventos de segurança de processos (ESP). Esses níveis foram divididos conforme apresentado na Figura 2.

A pirâmide de segurança de processos representa dois conceitos-chave. Um deles é que os acidentes de segurança podem ser colocados em uma escala representando o nível de consequência, e o segundo é o de que vários incidentes precursores de menores consequências ocorrem antes de um acidente de maiores consequências. Os indicadores proativos, portanto, podem ser usados para identificar uma fraqueza que pode ser corrigida antes que ocorra um evento de maior consequência.

Figura 2 - Pirâmide de indicadores de segurança de processo

Fonte: Baseado em API RP 754 (API, 2010).

Nas plantas industriais, três tipos de entradas são identificados pela API 754 (2014) para serem usados em conjunto no auxílio à identificação das camadas críticas que são fracas ou sujeitas à rápida deterioração:

 Identificação proativa de camadas ou processos críticos: faz uso do Processo de Análise de Riscos (PHA) e outras técnicas de avaliação de risco para identificar causas iniciadoras, consequências, probabilidades e camadas de prevenção e mitigação.

 Identificação reativa de camadas ou processos críticos: faz uso de análise de causa raiz de investigações de incidentes para identificar pontos fracos ou a falta de camadas de proteção e mitigação ou procedimentos para prevenção de eventos em processos críticos. Auditorias internas ou externas regulares também podem contribuir para a identificação reativa de camadas críticas.

 Identificação externa de camadas ou processos críticos: faz uso de experiência e informações em fontes externas, tais como a avaliações comparativas, apresentações em conferências e em publicações textuais, para identificar as boas práticas da indústria.

Selecionados, definidos e entendidos adequadamente, os indicadores podem dar a confiança de que os parâmetros corretos estão sendo gerenciados e monitorados. Isto exige o desenvolvimento do conhecimento e compreensão do controle de risco.

Os resultados desse processo de identificação, seleção e aplicação dos indicadores devem ser revistos periodicamente com grupos de lideranças selecionadas em vários níveis dentro da organização com a finalidade de traçar planos de melhoria em desenvolvimento, estabelecer metas e garantir recursos estratégicos apropriados. Para isso a API 754 (2010) sugere que a metodologia aplicada siga os cinco passos simplificados, conforme descrito abaixo:

 Estabelecer sistemas para recolher sistematicamente dados de indicadores para análise;

 Selecionar os dados para análises mais profundas e determinar a agregação adequada para tendências, incluindo a revisão da gestão;  Analisar periodicamente os dados e resultados da revisão e realizar

recomendações para melhorias;

 Comunicar as recomendações aos líderes e atribuir responsáveis para planos de ação específicos;

 Fiscalizar a coleta de dados e processo de análise para oportunidades de melhoria.

Segundo a API 754 (2010), um indicador proativo de Nível 3 representa a detecção de vulnerabilidade do sistema de barreira de segurança de processo, mas que ainda não representa como consequência uma perda de contenção primária caracterizadas como Nível 1 ou 2, e nos fornece um mapeamento de onde os sistemas de gestão da segurança precisam ser reforçados.

Os indicadores proativos representam um evento real ou a descoberta de uma situação de alto risco potencial. Um grande número, ou uma tendência crescente desses eventos, poderia ser visto como um indicador de alto potencial para um evento ainda maior. Esses indicadores são relativamente fáceis de definir e identificar e muitos sistemas de controle de processo podem coletar estes dados automaticamente (CCPS ,2011).

Operadores e mantenedores podem muitas vezes responder diretamente e prontamente ao desvio identificado em um indicador proativo (por exemplo: parâmetros de processo acima de um limite seguro, reparo ou calibração de instrumentação ou equipamentos), enquanto a causa subjacente da vulnerabilidade detectada do sistema de segurança é analisada (API 754, 2010).

Recomenda-se que as empresas estabeleçam métodos internos para coletar, agregar e analisar dados de tendência de indicadores de eventos de segurança de processo Nível 3. Alguns desses indicadores são sugeridos e exemplificados na API 754 (2010):

 Excursões de variáveis fora dos limites operacionais seguros;

 Resultados de testes de inspeção de contenção primária fora dos limites aceitáveis;

 Demandas dos sistemas de segurança;

 Outros eventos de perda de contenção primária (LOPC) não classificados como Nível 1 ou 2.

De acordo com os objetivos desta pesquisa, estamos particularmente interessados no que se refere às demandas dos sistemas de segurança projetados para prevenir ou mitigar as consequências de eventos de LOPC.

Um evento de segurança de processo (PSE) Nível 3 pode ser contado para cada demanda do sistema de segurança quando ocorrer:

 Ativação do SIS;

 Ativação de um sistema de parada mecânica;

 Ativação de um dispositivo de alívio de pressão (PSV) não computado como evento Nível 1 ou 2.

Uma demanda resultante de ativação intencional do sistema de segurança durante o período de testes do equipamento, ou ativação manual como parte de um processo normal de parada da unidade, não deve ser computada como um evento Nível 3.

A contagem de demandas de um Sistema de Segurança é tipicamente segregada por tipo (SIS, PSV, parada mecânica). Algumas companhias consideram a taxa de demandas por tipo de sistema de segurança como um indicador mais útil que uma simples contagem.

A comparação da quantidade de demandas com as taxas projetadas e documentadas através de análise de riscos é uma das contribuições pretendida com o presente trabalho e requer um trabalho organizado de coleta e tratamento dos dados de diversos sistemas ligados a segurança de processos.