1 CONSTRUÇÃO TEÓRICA
1.4 INDICADORES DE SUSTENTABILIDADE
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eficácia econômica, com gastos ecológicos mínimos para a sociedade atual e futura e a participação com equidade de todos os agricultores, independente da escala, nos frutos do desenvolvimento de um território. A combinação harmoniosa destas três dimensões em um sistema técnico-econômico coerente constitui a essência da sustentabilidade em um determinado agroecossistema.
O objetivo da sustentabilidade da agricultura e (ou) ainda das agriculturas ecologizadas amplia o papel reservado à agricultura, em especial à agricultura familiar, nos processos de desenvolvimento rural sustentável e nas respectivas políticas públicas. Em primeiro lugar, essa noção tende a valorizar a agricultura realizada em base familiar. Em segundo lugar, ela parte da crítica do modelo produ-tivista e incorpora, para além dos aspectos restritos à produção agrícola, as potencialidades locais-regionais em termos materiais (produção agrícola e serviços ligados à agricultura) e nos aspectos sociais culturais, ambientais e territoriais. Em terceiro lugar, ela potencializa os termos do contrato social que une os agricultores ao conjunto da sociedade.
Neste trabalho a relação entre o PRONAF e a sustentabilidade da agri-cultura e (ou) a multidimensionalidade do agroecossistema será avaliada em nível da unidade de produção agropecuária da agricultura familiar, por meio de um conjunto de indicadores de sustentabilidade, em um espaço delimitado que é o Território do Vale da Ribeira.
1.4 INDICADORES DE SUSTENTABILIDADE
A elaboração de uma grade de indicadores é um exercício de explicitação do conceito da sustentabilidade da agricultura em suas diferentes dimensões, o que explica toda sua importância pedagógica e multidisciplinar. Pensar no problema da escolha dos indicadores para a avaliação de Programas como o PRONAF em uma determinada unidade de produção agropecuária e ou em um conjunto delas, conduz
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a especificar, com o maior rigor, o que se fala realmente quando se evoca a sustentabilidade do desempenho da agricultura familiar em toda a sua diversidade.
As dimensões econômica, social e ambiental podem subdividir-se em um conjunto de práticas que podem ser quantificadas por um conjunto de indicadores em relação a uma escala de sustentabilidade.
A avaliação da sustentabilidade dos sistemas de produção (agroecossis-temas) pode estar baseada numa avaliação quantitativa de práticas julgadas favoráveis ao meio biofísico e social. Os itinerários técnicos (alternâncias, rotações, fertilizações,...), as práticas sociais de qualidade de vida (habitação, água, sanea-mento, energia elétrica, bens de consumo duráveis, segurança alimentar, educação, lazer,...) e territoriais da produção, podem ser quantificados por "unidades de susten-tabilidade" positivas ou negativas, e proporcionais aos impactos sobre as diferentes características ambientais e sociais do meio.
De acordo com Masera, Astier e López-Ridadura (1999) in VERONA (2008), o MESMIS (Marco para a Avaliação de Sistemas de Manejo de Recursos Naturais Incorporando Indicadores de Sustentabilidade) é uma ferramenta que colabora na avaliação da sustentabilidade de sistemas de manejo de recursos naturais, com ênfase no contexto da agricultura familiar e no âmbito local, desde a parcela até a comunidade. A avaliação da sustentabilidade é valida para situações definidas em um determinado espaço geográfico, sistema de manejo, contexto social e político, escala espacial (parcela, unidade de produção, comunidade, bacia hidrográfica), e em uma escala temporal. Busca entender de maneira integral os fatores limitantes e as possibilidades para a sustentabilidade dos sistemas de manejo que surgem da intersecção de processos ambientais com o âmbito social e econômico.
OMESMIS é uma ferramenta que promove uma reflexão crítica destinada a melhorar as possibilidades de êxito das propostas de sistemas de manejo alternativos. Os autores citados salientam que é essencial evitar que a avaliação de sustentabilidade proporcione simplesmente uma classificação dos sistemas em uma
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escala de sustentabilidade. Destacam que na aplicação do método MESMIS é necessária a adaptação metodológica das ferramentas e dos parâmetros da avaliação para cada caso em estudo.
Na avaliação de sustentabilidade denominada MESMIS, os critérios para avaliação de sustentabilidade de agroecossistemas devem contemplar as dimensões ambiental, econômica e social. Tais critérios necessitam de um conjunto de indicadores que permitam uma avaliação qualitativa e quantitativa. Sendo assim, o indicador não é apenas uma informação numérica, ele deve descrever um processo específico ou um processo de controle específico para cada sistema estudado, relacionado diretamente com a escala espacial em estudo (VERONA, 2008).
Com a finalidade de estabelecer uma definição operativa do conceito de sustentabilidade, é preciso identificar uma série de propriedades ou atributos gerais dos agroecossistemas sustentáveis. Esses atributos servirão de guia para análise dos aspectos relevantes do agroecossistema e para derivar indicadores de sustentabilidade durante o processo de avaliação.
Para que o marco de avaliação MESMIS seja consistente teoricamente, propõe-se que os atributos partam de propriedades sistêmicas fundamentais e que estas cubram os diferentes aspectos que são necessários a fim de que um sistema de manejo seja sustentável. Sobre essa base e tomando em conta os atributos identificados por outros autores no MESMIS, propõem-se sete atributos básicos de sustentabilidade: Produtividade, Confiabilidade, Estabilidade, Resiliência, Adaptabilidade, Equidade e Autodependência ou Autogestão.
Com base nesses atributos podemos definir os sistemas de manejo sus-tentável como aqueles que permitam:
conseguir um alto nível de produtividade mediante o uso eficiente e sinérgico dos recursos naturais e econômicos;
proporcionar uma produção confiável, estável (não decrescente) e resiliente a perturbações maiores no transcurso do tempo, assegurando
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o acesso e a disponibilidade dos recursos produtivos, o uso renovável, a restauração e a proteção dos recursos locais, uma adequada diver-sidade temporal e espacial do meio natural e das atividades econô-micas, e mecanismos de distribuição de risco;
brindar flexibilidade (adaptabilidade) para amoldar-se a novas condições do entorno econômico e a aceitação cultural dos sistemas propostos;
distribuir equitativamente os custos e benefícios do sistema entre diferentes grupos e gerações envolvidas, assegurando o acesso eco-nômico e a aceitação cultural dos sistemas propostos;
possuir um nível aceitável de autonomia, autodependência (autogestão) para responder e controlar as mudanças induzidas desde o exterior, mantendo sua identidade e seus valores.
A partir dessa definição o ponto de partida para a derivação de indicadores dependerá de satisfazer nas diferentes dimensões de sustentabilidade cinco atributos gerais dos agroecossistemas:
1) produtividade - avalia a eficiência do uso dos recursos e o rendimento do trabalho;
2) estabilidade, confiabilidade e resiliência - a capacidade do agroecossis-tema de absorver perturbações sem sofrer alterações substanciais em sua estrutura, mantendo a sua produtividade;
3) equidade - forma de distribuição dos recursos no ecossistema e entre os agricultores ao nível da família e do território;
4) adaptabilidade - capacidade de um agroecossistema adaptar-se a novas condições do entorno econômico e biofísico, por meio de processos de inovação e aprendizagem, assim como do uso de opções múltiplas; e 5) autonomia - grau de controle e capacidade de administrar o
funciona-mento dos agroecossistemas.
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Para a avaliação das limitações e potencialidades dos agricultores famili-ares nas dimensões econômicas, sociais e ambientais, propõe-se um conjunto de indicadores nestes diferentes atributos, para a avaliação quantitativa de práticas julgadas favoráveis ou limitantes a agricultura sustentável nas diferentes Unidade de Produção Agropecuária.
Os indicadores exercem uma função fundamental na geração de dados para a avaliação de sustentabilidade, ao apontar a direção, a prioridade das mudanças e direcionando um caminho de propostas para contribuir com um desenvolvimento sustentável dos diferentes sistemas de produção. Sendo assim, um estudo com indicadores não apenas proporciona a construção de propostas de agroecossistemas mais adequados, por meio da transformação de dados em relevantes informações, mas também informações para a construção de estratégias políticas e de plane-jamento para um desenvolvimento sustentável (VERONA, 2008).
Em resumo, o marco metodológico proposto para avaliar a sustentabilidade das Unidades de Produção Agropecuária nesta tese parte das seguintes premissas estabelecidas pelo MESMIS:
1) O conceito de sustentabilidade em termos das dimensões social, econômica e ambiental se define a partir de cinco atributos gerais dos agroecossistemas: a)produtividade; b) estabilidade, confiabilidade e resiliência; c) adaptabilidade; d) equidade; e) autonomia, autodepen-dência e autogestão;
2) A avaliação da sustentabilidade se dará no nível das Unidades de Produção Agropecuária dos Agricultores Familiares;
3) A avaliação segue uma escala de tempo (ano agrícola) e permitirá comparar diferentes tipologias de agricultores e possíveis correlações entre Indicadores Agregados de Sustentabilidade nas diferentes dimensões ambiental, social e econômica.
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