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4.3 Agricultura sustentável e sustentabilidade na cafeicultura

4.3.4 Indicadores de Sustentabilidade em Agrossistemas (ISA)

O sistema de indicadores de sustentabilidade em agroecossistemas (ISA) foi desenvolvido pela EMATER e EPAMIG em parceria com o Instituto Estadual de Florestas (IEF), Embrapa Milho e Sorgo, Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e Fundação João Pinheiro (FJP). Sua metodologia foi apresentada como uma ferramenta de gestão para o produtor rural, cujo objetivo é realizar um diagnóstico dos balanços sociais, econômicos e ambientais da propriedade, apontando os pontos críticos e positivos, bem como as oportunidades de negócios. Essa metodologia gera uma série de informações úteis e auxilia o gestor público na identificação de vulnerabilidades socioeconômicas, fragilidades ambientais e potencialidades de atividades (FERREIRA et al., 2012).

O governo mineiro desenvolveu esse sistema com o intuito de promover e orientar os produtores em melhorar a gestão da produção e do espaço rural. O ISA é de aplicação simples, de baixo custo, pode ser realizado a partir de entrevistas, análises de imagens de satélite e de laboratório. O trabalho é desenvolvido no campo, laboratório e escritório. No campo são realizadas entrevistas, coleta de dados, solo e água, no laboratório são feitas as análises químicas e físicas do solo e da água, no escritório são interpretados os resultados das amostras de solo e água, bem como o geoprocessamento por meio de imagens de satélite, o processamento e interpretação dos dados (FERREIRA et al., 2012).

O sistema ISA baseou-se em diversos trabalhos sobre indicadores de sustentabilidade e sobre avaliação de impactos ambientais para o setor agropecuário e florestal (AHLERT, 2015; DEPONTTI; ECKERT; AZAMBUJA, 2002; FERREIRA et al., 2012; MASERA; ASTIER; LÓPEZ-RIDAURA, 1999; SOUZA, S. M. C. et al., 2013).

Os dados gerados por esse método permitem caracterizar e a avaliar o estabelecimento agrícola, destacando os sistemas de produção, a diversificação da paisagem agropecuária, os habitats naturais, o uso e a ocupação do solo, as estradas de acesso, entre outros. Consta um conjunto de 23 indicadores de sustentabilidade divididos em sete subíndices que são avaliados de 0 a 1, o sistema pontua o valor 0,7 como aquele em que o ambiente estudado apresenta-se

sustentável. Todos os dados obtidos são registrados e processados em uma planilha eletrônica padronizada, criada na plataforma Excel que avalia os indicadores descritos na Tabela 1 (COSTA et al., 2013; FERREIRA et al., 2012; PEREIRA et al., 2014).

Tabela 1 - Descrição dos sete subíndices e dos 23 indicadores, propostos no método ISA.

INDICADORES Balanço econômico

1 - Produtividade e preço de venda apurados 2 - Perfil e diversificação da renda

3 - Evolução patrimonial 4 - Grau de endividamento

Balanço social

5 - Serviços básicos disponíveis

6 - Segurança alimentar no entorno das residências 7 - Escolaridade/Cursos direcionados às atividades agrossilvipastoris

8 - Qualidade da ocupação e do emprego gerado

Gestão do estabelecimento rural

9 - Gestão do empreendimento 10 - Gestão da informação

11 - Gerenciamento de resíduos e efluentes

12 - Segurança do trabalho gestão uso agrotóxicos e prod.veterinários

Capacidade produtiva do solo 13 - Fertilidade do solo

Qualidade da água

14 - Qualidade da água superficial 15 - Qualidade da água subterrânea

16 - Risco de contaminação da água por agrotóxicos Manejo dos sistemas de produção

17 - Áreas com solo em estádio de degradação 18 - Grau de adoção de práticas conservacionistas

19 - Estado de conservação de estradas internas e externas Ecologia da paisagem agrícola

20 - Vegetação nativa - fitofisionomias e estado de conservação 21 - Áreas de Preservação Permanente (APPs)

22 - Reserva Legal (RL)

23 - Diversificação da paisagem agrícola

Fonte: Adaptado de Costa et al. (2013), Ferreira et al. (2012) e Pereira et al. (2014).

O conjunto de indicadores que compõem o ISA avalia princípios e critérios que norteiam a transição de agroecossistemas atuais para um padrão de sustentabilidade maior. Nesse método são analisados indicadores relacionados ao balanço econômico, que avalia a produtividade, valor de venda dos produtos, renda do produtor na atividade agrícola e não agrícola dentro ou fora da propriedade, verifica a evolução ou regressão patrimonial, o grau de endividamento do produtor. Já em relação ao balanço social verifica-se a disponibilidade de bens e de serviços, disponibilidade de água em quantidade e qualidade, destino dos resíduos sólidos (lixo), energia elétrica, transporte escolar, serviço de saúde, segurança alimentar e outros, verificam o grau de escolaridade, acesso a cursos de capacitação, direito a

educação pelas crianças a educação e o cumprimento da legislação trabalhista (FERREIRA et al., 2012).

A gestão da propriedade é verificada por meio de instrumentos adequados e capazes de promover uma administração eficiente, como a participação em associações, cooperativas, se tem assistência técnica, tem controle de gastos entre outras, esta também avalia a gestão de resíduos gerados no estabelecimento, principalmente os defensivos agrícolas. A qualidade do solo e da água é analisadas por meio de análise químicas e físicas (FERREIRA et al., 2012).

O manejo nos sistemas de produção resulta num diagnóstico da capacidade do solo, sendo analisados: a degradação do solo, a erosão, o grau de adoção de medidas para a conservação e drenagem, estado de conservação das estradas, diversificação da paisagem rural, a conservação da vegetação nativa e áreas de preservação e se está em conformidade com o Código Florestal. Observa ainda o grau de adoção de práticas que auxiliam na biodiversidade agrícola, como a diversificação da paisagem, formação de corredores ecológicos interligando áreas de vegetação nativa com as propriedades vizinhas (FERREIRA et al., 2012).

Segundo Gavioli (2011), as metodologias empregadas para medir e apontar o grau de sustentabilidade, bem como a aplicação de indicadores permite conhecer os pontos críticos e o funcionamento do agrossistema, oferecendo um novo panorama de soluções e intervenções para o incremento de níveis de sustentabilidade.

Entender a sustentabilidade de maneira objetiva permite visualizar as oportunidades do meio rural, com a ótica da multifuncionalidade para ampliar as discussões das diferentes correntes de trabalho sobre a sustentabilidade (OSMOS; SANTOS, 2013). São vários os estudos que avaliam a sustentabilidade em sistemas agropecuários no Brasil e no mundo, como os trabalhos de Melo e Cândido (2013) analisaram o método IDEA (“Indicadores de Sustentabilidade das Explorações Agrícolas”) no município de Ceará - Mirim, o trabalho de Martins Neto (2009) que caracterizou e avaliou a sustentabilidade da cafeicultura na Chapada Diamantina - BA utilizando o método agroecológico rápido para avaliação da sustentabilidade de cafezais, Corrêa (2007) trabalhou com o MESMIS na região sul do Rio Grande do Sul. Benetti (2006) avaliou o (IDS) índice de desenvolvimento sustentável no município de Lages- SC, Ahlert (2015) avaliou a sustentabilidade em propriedades produtoras de leite na região do Vale do Taquari - RS, já Oliveira (2015) trabalhou com o método ISA em assentamento Roseli Nunes município de Mirrasol D´Oeste-MT, bem como outros pesquisadores e professores, que vêm trabalhando como outros métodos, que avaliam a sustentabilidade como Mesmis, IDS (Índice de Desenvolvimento Sustentável) e outros.

Já o método ISA avalia a sustentabilidade e permite que o entrevistador, enquanto agente externo possa conduzir o produtor ou grupo de produtores a uma reflexão proporcionando espaços para o diálogo, apontando a situação real da unidade de produção, quanto a sua sustentabilidade.

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