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Um conjunto de indicadores pode ser considerado o melhor exemplo de ferramentas para auxiliar no processo permanente de construção e reconstrução das realidades locais que buscam o tão sonhado desenvolvimento sustentável. De acordo com Guimarães e Magrini (2008), a utilização destas ferramentas para avaliar a sustentabilidade ambiental tem aumentado desde a década de 1990 por serem instrumentos que de forma simples expressam uma mensagem complexa, e que permitem a transmissão de informações técnicas resumidamente, preservando a originalidade dos dados, e usando apenas as variáveis que melhor refletem os objetivos desejados.

Sinteticamente, pesquisadores do Instituto Internacional para o Desenvolvimento Sustentável (IISD) consideram indicadores como unidades de informação que resumem as características de um sistema ou realçam alguns pontos dele, que podem ser encontrados em

todas as esferas e simplificar fenômenos complexos e que tem como função, facilitar o processo de comunicação sobre desenvolvimento sustentável, transformando o conceito em dados numéricos, medidas descritivas e sinais orientativos, atuando como ferramentas de auxílio à decisão, Van Bellen (2006), Magalhães Júnior (2007) e Ramos e Caeiro (2010). Além disso, são capazes de captar periodicamente os resultados positivos e negativos de ações implementadas em busca do desenvolvimento sustentável local, caracterizando as mudanças contínuas, (MASCARENHAS et al., 2010) e (SALES, 2014).

O termo indicador, indicare no latim, significa descobrir, apontar, anunciar, estimar. Desta forma, os indicadores podem ser utilizados para comunicar ou informar sobre o progresso em direção a uma meta, bem como deixar mais perceptível uma tendência ou fenômeno. Para a Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) eles servem como parâmetros que apontam e fornecem informações sobre o estado de um fenômeno. Para Van Bellen (2006), Tanguay et al. (2010) e Pires et al.(2017), além do estado, os indicadores informam as causas possíveis ou aquilo que está implícito, por isso, tornam-se um forte aliado no processo de gestão, daí sua relevância política.

Para Bartke e Schware (2015) e Pires et al. (2017) é mister considerar a opinião dos decisores ou utilizadores finais, tais como: instituições de gestão políticas, comitês de bacias hidrográficas, haja vista que alguns modelos de avaliação existentes não são utilizados pelos decisores por não abordarem aspectos de interesse local. Neste tocante, Bartke e Schware (2015) destacam que uma alternativa é a participação das partes interessadas através das abordagens top-down e bottom-up, com a participação de cientistas, decisores e público em geral, visto que entre estes existem diferentes prioridades de análise para a composição destas ferramentas de avaliação.

Quanto às características locais, segundo Cezare, Malheiros e Philippi Júnior (2007), cada município deve desenvolver suas próprias estratégias de desenvolvimento sustentável e escolher indicadores para sua avaliação, de acordo com as características locais. Segundo os autores, além de monitorarem as interações entre os componentes meio ambiente e socioeconômico, os indicadores servem como base de dados para planejamento estratégico e análise de políticas, permitem ajudar governos a formularem e monitorarem políticas econômicas com maior eficácia, a determinarem regulamentações ambientais estratégicas de

gestão de recursos mais eficazes e a utilizarem os impostos e subsídios com maior eficiência, representando uma forma de melhorar o diálogo político entre diferentes atores.

Já Mascarenhas et al. (2010) sugerem a elaboração de um conjunto comum de indicadores regionais que possam ser utilizados também em escala local evitando uma série de iniciativas de avaliações isoladas, que desconsidere o contexto regional. Segundo eles, a principal contribuição é envolver as partes interessadas na consecução de metas regionais e de monitoramento do desenvolvimento sustentável. Assim, com base neste conjunto de indicadores comuns, os recursos de um município podem ser comparados com os correspondentes em outros municípios.

Resultantes do cruzamento de pelo menos duas variáveis primárias, os indicadores, podem possuir valores de referência normativos ou científicos, mas também podem ser avaliados em termos de dinâmica temporal, Magalhães Júnior (2007). Como padrões de referência, expressam os limites nos quais sua ocorrência deve ser ou não nociva ao homem ou ao seu ambiente. Tanguay et al. (2010) explicam que quando são utilizados valores de referência baseados em territórios com características semelhantes, tem-se o desempenho relativo de um determinado território, ou seja, a distância em relação ao melhor ou pior desempenho.

Tal desempenho é geralmente utilizado nos casos em que não existem limites estabelecidos cientificamente ou valores consensuais. Sobre isso, Martins (2012) destaca a importância de estabelecer os limites relacionados à sustentabilidade, aspecto ainda pouco explorado, devido às dificuldades de definição. Pois estes, servem principalmente para a operacionalização dos indicadores em índices (entre 0 e 1), baseados em seus valores inferiores (mínimos) e superiores (máximos). Segundo Tanguay et al. (2010), os índices são utilizados para facilitar a compreensão e interpretação dos indicadores especialmente para o público.

Para Van Bellen (2006), os principais critérios que orientam a escolha dos indicadores são: relevância política; simplicidade; validade; série temporal de dados; disponibilidade de dados de boa qualidade; habilidade de agregar informações; sensitividade; confiabilidade. Associado a estes critérios, Tanguay et al. (2010) sugerem como estratégia a união entre os indicadores mais utilizados e aqueles que integram os componentes do desenvolvimento sustentável. Para Sales (2014), no processo de seleção, a utilização de um marco referencial é

mais uma opção, que serve para orientar a escolha de indicadores adequados a avaliação do cumprimento dos objetivos estratégicos, ou das metas acordadas de forma compartilhada.

No entanto, segundo Sales (2014), o maior problema para a maioria dos municípios brasileiros, especificamente os do Semiárido: é que eles não possuem nenhum instrumento ou marco referencial estratégico, nem plano de ação. Por este motivo, indica que esta construção deva partir daquilo que a sociedade almeja, para assim, estimar metas que possam ser monitoradas através do sistema.

Quanto aos recursos hídricos, Magalhães Júnior (2007) afirma que o monitoramento é um dos pilares de qualquer processo de gerenciamento, podendo assegurar o acompanhamento das pressões antrópicas, do estado da água e das respostas do sistema de gestão em termos de decisões e ações efetivadas no controle e proteção dos recursos hídricos. Neste âmbito surgem os indicadores de sustentabilidade hidroambiental, que de acordo com Carvalho et al. (2015), apresentam uma conotação de correlação entre os aspectos sociais, econômicos e ambientais e sua suposta relação com o recurso natural água.

Segundo Guimarães e Magrini (2008), o uso de indicadores em bacias hidrográficas organiza as informações de forma sistemática, ajuda no processo de tomada de decisão tanto para a gestão dos recursos hídricos quanto para o diagnóstico da bacia, além disso, fornece uma boa base para a preparação dos planos de bacia, para estruturação de sistemas de gestão, e padronização dos dados para fins de comparação. Por isso, na Política Nacional de Recursos Hídricos (PNRH), Lei n° 9.433/97, o monitoramento está na base de operacionalização de todos seus instrumentos.

Diante deste contexto, e considerando as diversas iniciativas de mensuração da sustentabilidade, em 1996, um grupo de especialistas e pesquisadores em avaliação se reuniram em Bellagio, na Itália, para revisar estas iniciativas que vem sendo implementadas em diferentes níveis para avaliar a performance do desenvolvimento, e estabeleceram critérios gerais para construção de modelos de avaliação, os denominados Princípios de Bellagio (VAN BELLEN, 2006).