As três cidades observadas no ponto anterior provam a existência de modelos desenvolvidos para melhorar a dinâmica urbana e a qualidade de vida dos seus habitantes, como é o caso do programa POLIS e do PROCOM.
Neste momento, pode observar-se também, o impacto que a história tem na transformação urbana, sendo muitas vezes delimitadora da formalidade da urbe. Exemplo concreto disso mesmo são os edifícios que outrora serviam
funções reais e religiosas e hoje são museus e instituições de ensino. Tal como assinala Nuno Portas: “Cabe agora voltar atrás e equacionar a posição da
história como componente formal na teoria e nos ambientes arquitectónicos ou como necessidade cultural dos homens a que aqueles se destinam.”47
Algo que tem sido possível verificar é o carácter provisório que as componentes funcionais da cidade possuem devido há constante mutação urbana e social. As pragmáticas do desenvolvimento urbano vivem através do rigor do método, que se apoia nas hipóteses interdisciplinares de que dispomos.
Visível ainda, nestes três exemplos sem excepção, é a importância das acessibilidades internas e externas que envolvem as cidades. Com mais evidencia em Aveiro e Viseu, verifica-se como a estruturação inicial de vias e eixos de ligação delimitou a qualidade do zonamento. Sobre este aspecto Portas defende a necessidade em equacionar a visão arquitectónica no desenvolvimento das vias:
“A estratégia pode aconselhar que se destaque o sistema circulatório, a rede das comunicações, obviamente um elemento primário-chave de continuidade regional. Mas, ao contrário de uma engenharia de tráfego que nesse sistema veria a teia de auto- estradas urbanas, cremos que o arquitecto procuraria resolver em conjunto os circuitos de todos os meios de locomoção, privilegiando porventura os de maior rendimento colectivo, e, sobre os pontos de conexão, se desenharia a arquitectura dos complexos de serviços.”48
A estrutura urbana adquire uma potencialidade maior devido à capacidade de mobilidade que dispõe. As relações existentes entre os conjuntos de áreas urbanizadas, polarizações, são marcados pelas actividades aí presentes: áreas residenciais, mais ou menos urbanas; pólo cidade, valendo como sede de actividades terciárias; pólo industrial, acolhendo as actividades produtivas; e as áreas agrícolas, cujos trabalhadores se aproximam também do tipo de vida urbana,
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PORTAS, Nuno; A Arquitectura para Hoje; Evolução da Arquitectura Moderna em Portugal; Livros Horizonte; Lisboa; 2008; p. 84.
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como visto na cidade de Viseu, em que terrenos agrícolas se encontram entrelaçados com a malha urbana.
Ou seja, agora será possível uma situação inteiramente nova de liberdade de escolhas à escala da massa. Seja respeitante aos postos de trabalho ou ao local de residência. Uma liberdade que permite optar pela proximidade de ambas, o que um zonamento estrito dificultava.49
O objecto de uma análise funcional, de foro arquitectónico, como estudo das conformações espaciais para as funções humanas provém da noção de que existe uma relação homem-espaço, recíproca, que define e molda uma intenção espacial. O utente, nos seus momentos de existência, que são intenções, acções e realizações de aspectos vitais, sugere sempre uma dada vocação espacial.
Um método compreensivo ou integrante não é possível alcançar através de
“fugazes mimetismos formais”, como diz Portas, que surgem pela pressão da “sociedade da abundância” e desinteresse “pela relação estrutural entre as necessidades humanas (só aparente anuladas pela tecnologia do conforto artificial).”50
Integração não implica negar o zonamento funcional, até porque o cruzamento e a inter-relação de certos componentes funcionais enquadrados na formalidade urbana, leva-nos a não separar certas funções, podendo até verificar- se que em certas ocasiões uma pode ser condição de viabilidade de outra. Portas lembra, no entanto, que:
“A ênfase posta nas possibilidades do urbano como conceito integrador não significa que os problemas fiquem magicamente resolvidos; apenas permitirá não esquecer os complexos sistemas de relações entre as escalas de intervenção e, sobretudo, não intervir sem uma clara estratégia referida a um conceito forte e a um projecto de imagem global que possa exprimir a Dinâmica da sociedade e cultura urbanas.”51
49PORTAS, Nuno; Op. Cit.; p. 82. 50
PORTAS, Nuno; A Arquitectura para Hoje; Evolução da Arquitectura Moderna em Portugal; Livros Horizonte; Lisboa; 2008; p. 114.
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Todas as cidades têm planos específicos, destinados a melhorar a estrutura urbana, como foi possível observar aquando da análise incidente na cidade de Viseu. O mesmo se aplica às restantes e o desafio será, como referia Domingues, adaptar a regulação dos Planos a instrumentos de politica urbanística, conciliando os financiamentos e os planos públicos com as iniciáticas privadas.
Será necessário agir concretamente envolvendo as várias disciplinas em hipóteses integradoras na análise morfológica e tipológica para a interpretação e planificação estrutural e formal do território. Mantendo as necessidades e a mobilidade da população em primeiro plano é necessário pesquisar meios construtivos mais racionais e agir na formulação urbana, qualquer que seja o caminho a seguir.
“Manter-se-á a escola isolada no centro da residência ou articular-se-á com outros equipamentos, de tempos livres, trabalho ou compras dos pais? Manter-se-á o comercio disseminado pela residência, zonado e mal articulado com os transportes locais e regionais que o podem vitalizar e com as motivações dos tempos livres? Manter-se-á a residência separada das actividades colectivas, presa com uma duvidosa relação com a natureza ou, por artificioso celularismo, a conceitos de vizinhança, em modificação? Manter-se-ão as estações de transportes separadas por géneros de rodas quando o homem é o mesmo, o habitante da nova cidade- região que pode conhecer outra mobilidade e outra vida de centro para lá da do seu subúrbio, se o sub-sistema de transportes tiver eficazes-comutadores em centros direccionais de alcance regional? E assim sucessivamente.”52 Questiona Portas.
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