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4 INTERAÇÕES DIALÓGICAS COM A PRODUÇÃO DE DADOS DA PESQUISA

4.1.3 Perfil das equipes gestoras de EI

4.1.3.3 Indicadores do trabalho

Ao se referirem à necessidade de levar trabalho para realizar em suas residências, 19 participantes (39,58%) confirmam a continuidade dessa demanda, enquanto 23 (47,92%) mencionam que realizam em casa apenas parte desse trabalho. Constata- se assim que trabalhar além da carga horária prevista é para elas uma necessidade, conforme informam 24 (50%) participantes, embora 20 (41,67%) considerem que ocupam apenas parte dessa carga.

Mais da metade das participantes, 27 (56,25%), afirma que, devido às muitas demandas, tem necessidade de replanejar diariamente a sua agenda de trabalho, mas 20 (41,67%) só replanejam em parte.

Sobre a formação dos profissionais, 11 participantes (22,92%) mencionam que o trabalho da equipe está vinculado à contratação de consultoria pedagógica externa, entretanto 12 (25,00%) informam que essa vinculação não é total. Questão

preocupante levantada por oito participantes (16,67%) diz respeito a essa consultoria, que fornece materiais (apostilas) para orientar o trabalho com as crianças. Acreditamos que uma das razões para a presença desses materiais nos municípios decorre de escolhas desencadeadas pela composição reduzida de integrantes na equipe e pela sobrecarga de trabalho e emergência de orientação das instituições. O material apostilado pode significar, no que tange à atuação das equipes gestoras e demais profissionais, um apoio cotidiano. Nesse conjunto, entretanto, pode muitas vezes comprometer o desenvolvimento do trabalho ativo relativo às práticas docentes com as crianças.

Os indicadores referentes ao trabalho se apresentam como desafio e assinalam rotinas complexas na atuação das equipes gestoras de EI. A intensidade de trabalho demanda que as participantes ultrapassem a carga horária diária que devem cumprir, a ponto de terem que dar continuidade à jornada em suas casas. Fica assim caracterizada uma jornada dupla para as participantes que atuam em período parcial, e até tripla para as que exercem suas funções em período integral, uma vez que elas destacam a sobrecarga de trabalho e o replanejamento das ações com elevada porcentagem. Assim, dois elementos importantes devem ser observados nas equipes gestoras de EI: a intensificação do trabalho, caracterizada por atividades extras, realizadas fora da jornada oficial de trabalho, ou mesmo a baixa remuneração, que exige a complementação salarial, por meio do compromisso com outras instituições, e a precarização do trabalho docente, que vem a ser a atribuição de novas funções e tarefas sem que sejam fornecidas as condições necessárias para o seu cumprimento (VIEIRA; OLIVEIRA, 2013).

Devido à intensificação e precarização do trabalho identificadas na atuação das equipes gestoras de EI, entendemos que a contratação de consultorias pedagógicas externas, conforme foi informado pelas participantes, pode ser uma das escolhas possíveis tanto da equipe como da administração, uma escolha que não prioriza as opções, mas a situação emergencial que está sendo vivenciada (KRAMER et al., 2005). Cremos assim que, como a contratação de consultoria para realização da formação, a aquisição de material (apostilas) para o trabalho com as crianças é uma das escolhas possíveis das equipes para garantir a formação continuada dos profissionais da educação, conforme prevista na legislação (BRASIL, 1996a). Ainda

que reconheçamos as particularidades e fragilidades dos processos engendrados na gestão, ao considerarmos a pesquisa em diferentes áreas do conhecimento, sabemos que a aprendizagem é materializada quando somos sujeitos do processo. Com a prática do uso de apostilas ocorre o engessamento desse mesmo processo, pois o planejamento dessa prática é reservado apenas aos que participam de sua elaboração, no caso os autores, excluindo-se assim todo protagonismo das crianças e também dos professores (MELLO, 2013).

Salientamos que se faz necessário o aprofundamento epistemológico conceitual pelas equipes gestoras de EI, para proporcionar uma formação continuada adensada na realidade do município, uma formação especialmente fundamentada nas DCNEI (BRASIL, 2010), para que, com base nos dois eixos, interação e brincadeiras, se garantam experiências e o desenvolvimento integral das crianças, primando-se assim pelo atendimento de qualidade na EI.

Focalizando a frequência de periodicidade e a frequência de intensidade de atuação das equipes gestoras de EI quanto à participação e ao desenvolvimento de atividades, apresentamos o panorama desse movimento a partir de agrupamentos, considerando as mais indicadas pelas participantes da pesquisa.

Quanto à frequência de periodicidade com que a maioria das equipes gestoras desenvolvem atividades:

 Anualmente (aproximadamente três atividades):

a) organização de seminários, simpósios, jornadas e outros eventos de formação mais ampliados;

b) definição dos materiais da EI para compra;

c) elaboração de documentos orientadores do trabalho na EI (diretrizes e proposta pedagógicas, planos de ação e similares).

 Mensalmente (aproximadamente cinco atividades): a) participação em eventos nas instituições e no município;

b) desenvolvimento da formação continuada de grupos de profissionais da EI; c) acompanhamento/assessoramento nas instituições;

e) reunião com pedagogos, diretores e professores.  Semanalmente (aproximadamente uma atividade):

participação em reuniões internas na secretaria e/ou equipe.

 Diariamente (aproximadamente três atividades): a) atendimento a profissionais, famílias e comunidades; b) atendimento a professores e outros profissionais;

c) elaboração de documentos administrativos (memorandos, solicitações, informes, entre outros).

 Esporadicamente (aproximadamente duas atividades): a) acompanhamento de Programas do Governo Federal; b) participação em eventos políticos.

Quanto à frequência de intensidade com que as equipes gestoras de EI participam/desenvolvem as atividades:

 Sempre (até oito atividades):

a) desenvolvimento da formação continuada de grupos de profissionais da EI; b) acompanhamento/assessoramento nas instituições;

c) atendimento a profissionais, famílias e comunidades; d) atendimento a professores e outros profissionais;

e) participação em estudos na Secretaria e/ou na equipe de EI; f) participação reuniões internas na secretaria e/ou equipe; g) reunião com pedagogos, diretores e professores e

h) elaboração de documentos orientadores ao trabalho na EI (Diretrizes e Proposta pedagógicas, Planos de ação e outros similares).

 Muitas vezes (até duas atividades):

a) participação em eventos nas instituições e no município;

b) elaboração de documentos administrativos (memorandos, solicitações, informes, entre outros).

a) organização de seminários, simpósios, jornadas e outros eventos de formação mais ampliados;

b) definição dos materiais da EI para compra;

c) acompanhamento de Programas do Governo Federal.

 Raramente (uma atividade): participação em eventos políticos.

Mediante o confronto das frequências apresentadas no panorama que reunimos, conseguimos sistematizar o perfil das equipes que estivemos apresentando ao longo deste subtópico e percebemos que as demandas de trabalho se avolumam à medida que são detalhadas as atividades em que essas equipes estão envolvidas. Nesse apontamento, conseguimos compreender a circularidade com que a formação e a atuação das participantes se mobilizam.

Percebemos que o que mais parece investir tempo são os encontros com os pares em reuniões semanais da equipe, especialmente os atendimentos tanto a profissionais da educação como à comunidade. Essa atividade parece alavancar demandas outras diárias, como o registro desse atendimento, a elaboração de memorandos e solicitações, entre outras, que proporcionam cotidianos que exigem mais tempo para os encaminhamentos pertinentes.

Mesmo quando informam a frequência de uma atividade desenvolvida mensalmente pela equipe, ao indicarem a frequência da atuação, participação/desenvolvimento nessa mesma atividade, as participantes marcam a opção muitas vezes. Esse movimento muito nos diz, pois evidencia que há possivelmente investimento diário no desenvolvimento dessa atividade, mesmo que ela seja realizada mensalmente. Mais uma vez se confirma a sobrecarga, intensificação e precarização dessa atuação, que se constitui de diferentes modos e, mesmo que consigamos enxergar possíveis (in)gerências de tempo no que tange ao trabalho, ainda assim não é possível precisar as atividades que de fato são desenvolvidas, tamanha a complexidade que envolve o cotidiano de atuação das equipes gestoras de EI.

Apresentadas as nuances pessoal e profissional das participantes e as nuances das