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4. RESULTADOS E DISCUSSÃO

4.2 Indicadores e resultados econômicos e financeiros

Os indicadores e resultados econômicos e financeiros são apresentados nos gráficos 13 a 15 e foram corrigidos pelo IGP/DI para julho de 2006.

Na composição da Renda Bruta (RB) por litro de leite, em números absolutos, verifica-se que ela está cada vez mais composta da receita do leite, em detrimento dos demais subprodutos. Em 1996 a RB estava constituída por R$ 0,56 pelo leite e R$ 0,45 pelos demais subprodutos, principalmente pela comercialização de animais machos. Nos últimos 3 anos a participação das rendas não proveniente do leite estão estabilizadas em valores bem inferiores

(R$ 0,04/litro), comparados aqueles de 1996. Isto confirma que, criar machos em propriedades leiteiras, não é bom negócio e os criadores estão cada vez mais se especializando na produção de leite. Ao fazer a mesma análise sob a ótica de sua participação percentual, no gráfico 13, 92,8% da RB da atividade provem do leite comercializado e, apenas, 7,2% se originam da venda de animais, no ano de 2004/05, comparado aos 55,4% e 44,6%, respectivamente, em 1996.

Todas estas variáveis econômicas, a partir de 2002/03, apresentam pouca variabilidade. Os custos variáveis, após este período de estabilização, tiveram uma pequena queda passando de 0,27 reais para 0,25 reais por litro, correspondendo a uma queda nestes custos de 3,3% (gráfico 15). Os custos totais de produção do leite (custos variáveis + custos fixos) tiveram uma variação decrescente de 0,40 reais por litro para 0,37 reais, totalizando uma queda de 4,5%. O lucro (renda bruta total menos os custos totais) flutuou entre 0,12 e 0,13 reais o litro de leite, o que é considerado muito bom para a atividade, correspondendo a uma participação na renda bruta de 30,8% a 34,0%.

GRÁFICO 15 - PARTICIPAÇÃO EM % DOS CV, CF, LUCRO NA RENDA BRUTA TOTAL DO LITRO DE LEITE

39,5%

30,9%

29,6%

47,8%

21,3%

30,8%

44,8%

22,9%

32,3%

44,5%

21,4%

34,0%

0%

20%

40%

60%

80%

100%

1996 02/03 03/04 04/05

GPL - Co m p o s ição d a Re n d a d a Ativid ad e Le ite ir a (%) - Su d oe s te /Pr

Cus to V ariáv el Cus to Fix o Luc ro

FONTE: EMATER - pesquisa de campo, 2006

O capital médio anual aplicado na produção de leite foi de 60.462,00 reais, correspondendo à aplicação de 1,04 reais para cada litro de leite produzido e 0,85 reais nos produtores mais eficientes.

O retorno sobre o capital (lucro/capital x 100) oscilou entre 9,20% e 20,7%. Esta rentabilidade supera a grande maioria dos investimentos no setor financeiro.

5. CONCLUSÕES

Fruto das análises dos dados de campo chegou-se às seguintes conclusões:

5.1. O leite na agricultura familiar do Sudoeste do Paraná, nos sistemas de produção analisados, mostrou-se lucrativo e apresentou índices competitivos de rentabilidade (retorno sobre o capital aplicado);

5.2. A maior produtividade por área foi obtida pelos produtores que tiveram maior lotação por área;

5.3. Os produtores mais eficientes tiveram um menor capital imobilizado por litro de leite produzido;

5.4. Com base no desempenho da atividade, o aumento do intervalo entrepartos provoca impacto econômico na produção, na seguinte proporção:

- Na produção de leite e na receita gerada. Para cada mês de aumento de intervalo em uma vaca que produz dez litros de leite diário, significa menos R$ 150,00 por mês de arrecadação, com o leite ao preço de R$ 0,50 o litro;

- O custo do capital imobilizado parado sem produzir, que é de 1% ao mês sobre o valor da vaca;

- Nos custos com o consumo da vaca sem produzir. Para cada mês de atraso no parto significa R$ 50,00 de custo de cada vaca, sem a contrapartida de receita;

- Na produção de bezerras. Cada mês de atraso no parto corresponde a 1/12 do valor do bezerro não produzido;

5.6. O atraso na primeira cria da novilha causa o seguinte impacto econômico na produção:

- Na produção de leite e na receita gerada causa impacto semelhante ao intervalo entrepartos citados no item anterior;

- No custo do capital parado. A novilha ao iniciar a produção tardiamente necessita um maior número de novilhas nas categorias inferiores para reposição. Como exemplo, se a primeira cria ocorrer aos 36 meses necessita uma categoria a mais no rebanho para reposição dos animais;

- Nos custos com o consumo da novilha sem produzir e de mais uma categoria de reposição;

- Na produção de bezerros, semelhante ao intervalo entre partos, citado anteriormente.

REFERÊNCIAS

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