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CAPÍTULO 5 APLICAÇÃO DO MODELO AO ESTUDO DE CENÁRIOS

5.3. Influência do input lagunar (Ria de Aveiro)

Para estudar o efeito do input da ria de Aveiro aplicou-se na sua embocadura um caudal de 100m3/s, mantendo todos os outros elementos forçadores iguais aos usados no

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A Figura 49 mostra a evolução temporal de temperatura, NO3, Chl-a e OD para as

estações S1-S4.

Ao largo, as temperaturas à superfície são mais elevadas, 17-19ºC, na estação S2 e 19,5ºC na estação S4. Junto à costa, na estação S1, a temperatura é idêntica à temperatura ao largo, contudo na estação S3 a temperatura é cerca de 1,5ºC mais baixa (15-18ºC), nomeadamente no final do mês de Agosto quando o vento muda de direcção para Norte. Na camada intermédia e de fundo as temperaturas são mais baixas variando ente os 13ºC e os 14ºC. Em geral, a tendência da temperatura é crescente no tempo em todas as estações.

Os nitratos diminuem ao longo do tempo e apresentam as suas concentrações mínimas (praticamente nulas) à superfície e máximas no fundo, excepto na estação S3 onde a partir do dia 15 se observa um aumento, atingindo valores superiores a 1mmolN/m3. O

mesmo acontece na também na camada intermédia nesta estação.

A Chl-a é máxima junto ao fundo e quase nula à superfície, sobretudo na segunda metade do mês. Mais uma vez a estação S3 é uma excepção. Nos primeiros 15 dias a concentração máxima observa-se na camada intermédia, passando abruptamente para concentrações quase nulas na segunda metade de Agosto, acontecendo o mesmo para as concentrações de fundo. À superfície pelo contrário a concentração de Chl-a aumenta a partir da segunda metade do mês.

O OD, à superfície, apresenta uma tendência decrescente ao longo de tempo, mas é crescente na camada intermédia e de fundo. É também junto à superfície que as concentrações são mais elevadas (8.2-8.4mgO/l). Na estação S3 mais uma vês o comportamento é diferente das restantes estações, o OD parece acompanhar o decréscimo abrupto da Chl-a à e aumento de NO3, a partir do dia 15 de Agosto.

Em geral, os resultados são completamente distintos dos obtidos anteriormente sem considerar o input da Ria. Apenas na estação S3, e apesar da mudança brusca de concentrações é possível relacionar as diferentes variáveis e o forçamento pelo vento (Figura 49). Assim é visível que no final do mês a temperatura à superfície, junto à costa, diminui e os nutrientes aumentam a sua concentração, devido ao afloramento das águas mais frias. Por outro lado, a concentração de Chl-a aumenta à superfície devido à disponibilidade de nutrientes.

Aplicação do modelo ao estudo de cenários

Figura 49:Séries temporais de Temperatura, NO3, Chl-a e OD, simulados, para as estações S1 (F. Foz)

e S3 (V. Conde), junto à costa e as estações S2 (F. Foz) e S4 (V. Conde), ao largo, para o mês de Agosto de 2005 incluindo o input da Ria.

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(Figura 49). Assim é visível que no final do mês a temperatura à superfície, junto à costa, diminui e os nutrientes aumentam a sua concentração, devido ao afloramento das águas mais frias. Por outro lado, a concentração de Chl-a aumenta à superfície devido à disponibilidade de nutrientes.

NasFiguras 50e 51estão representadas, respectivamente, as distribuições horizontais e as secções verticais de temperatura, Chl-a, NO3 e OD, para 3 secções perpendiculares à

linha de costa, ((FF), (VC) e (Av)), para os dias 13 e 22 de Agosto.

A Figura 50(e) mostra que as correntes, se intensificam na zona da embocadura e desviam para oeste, (dia 22). Por outro lado, a temperatura é mais elevada cerca de 1ºC (15ºC) a sul de Aveiro relativamente ao norte (16ºC). Ao largo a temperatura é cerca de 2ºC superior em toda a costa representada (17-19ºC). No dia 13 o padrão de distribuição de temperatra é semelhante.

Ao longo da costa uma camada homogénea mais fria (15-16ºC) é estabelecida, enquanto que a uma camada de água mais quente, com uma espessura de cerca de 20m, se estabelece ao largo (Figura 51(a)). Nas estações Av e VC a espessura da camada é cerca de 40m, (Figura 51(b-c)). Esta água mais quente resulta provavelmente da intensificação da divergência associada ao transporte de Ekman, conduzida pelos ventos de nordeste.

Os nitratos à superfície na zona da embocadura são elevados cerca de 6mmolN/m3 e

espalham-se para o largo e para norte (dia 22) indicando um efeito induzido pelo caudal lagunar, como mostram as Figuras 50((b) e (f)) e 51(f). Nas outras duas secções as concentrações máximas de nutrientes localizam-se junto ao fundo (Figura 51(d-e)).

O máximo de Chl-a (na zona de Aveiro), surge junto à costa, à superfície (dia 13) e desloca-se para o largo (dia 22), indicando que a Chl-a é arrastada pelas correntes para o largo (Figura 50 e Figura 51(h)). Na Figueira da Foz as concentrações são mais elevadas no fundo que à superfície (Figura 51(i)). Em Vila do Conde, as concentrações máximas de Chl-a situam-se mais junto à costa (Figura 51(h)).

Aplicação do modelo ao estudo de cenários

Figura 50: Distribuição horizontal da temperatura, nitratos (NO3), clorofila-a (Chl-a) e oxigénio

dissolvido (OD) à superfície simulada pelo modelo, para o dia 22 de Agosto de 2005, considerando o input da Ria de Aveiro.

Na zona da embocadura da Ria de Aveiro o OD apresenta uma pluma de águas de concentrações mais baixas que se estende para o largo e para Norte, Figura 51 (d). As baixas concentrações, nessa zona, estarão provavelmente relacionadas com as condições fronteira na embocadura da Ria (Figura 50(d)), mas também com a escassez de fitoplâcnton nessa região como mostra o campo de Chl-a à superfície.

A Figura 51(k-l) mostra que os máximos de concentração em todas as secções se situam na camada subsuperficial e nas secções (VC) e (Av) as maiores concentrações ocorrem ao largo e próximo do fundo. (Figura 51(k) e (l)).

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Figura 51:Distribuição vertical da temperatura, nitratos (NO3), clorofila-a (Chl-a) e oxigénio dissolvido

(OD), para 3 secções verticais (W-E): (a) Figueira da Foz e (b) Vila do Conde, e (c) Aveiro, simulado pelo modelo, para o dia 22 de Agosto de 2005, considerando o input da Ria de Aveiro.

Podemos concluir que o input da Ria, influência a circulação na costa e provoca alterações na distribuição quer de nutrientes quer de biomassa fitoplanctónica, Como se pode ver os nutrientes são arrastados para a superfície e para largo possibilitando o desenvolvimento do fitoplâncton também ao largo.

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