4.4 Análise Estatística
5.1.2 Influência dos fatores de risco sobre a VFC
Esta secção tem o propósito de estudar a influência dos fatores de risco sobre aVFC. Esse estudo consiste em procurar evidências de grupos diferentes nos valores dos parâmetros daVFCe será feito com recurso a testes não-paramétricos para amostras independentes. O teste escolhido foi o de Mann-Whitney e na secção 2.9.4 pode encontrar-se uma descrição mais detalhada sobre este teste. Considerou-se haver evidência de distinção de subgrupos quando, simultaneamente, o valor U é inferior a 50 e op-value atinge significância estatística para rejeitar a hipótese nula.
5.1.2.1 Fatores de Risco Pré-operatório
Nesta subseção pretende-se determinar se os fatores de risco pré-operatório influ- enciam os parâmetros da VFC ao longo do período perioperatório. Os fatores de risco pré-operatório considerados são idade, género, doença cardiovascular, diabetes, hipertensão e escala ASA. A escala ASA foi considerada como tendo apenas os subgrupos II e III uma vez que havia apenas 1 doente classificado com escala I.
De seguida serão apresentados os resultados que atingiram significância estatística nos testes Mann-Whitney para cada fator:
• Doença Cardiovascular
Para o caso de doença cardiovascular, ao dia -1, os parâmetros rMSSD(U=19, p= 0,001), SD1 (U=19, p= 0,001), HF (U=28, p= 0,003), NN50 (U=29, p= 0,004) e SD1/SD2 (U=19, p= 0,004) e os parâmetrosLFn,HFn eLF/HF(U = 36 e p = 0,009) exibem evidência estatística. Depois, só ao dia 4 é querMSSDe SD1 voltam a atingir significância estatística, mas desta vez menos significativa (U = 28 e p = 0,04). Por fim, ao dia 5 a média RR,PSDe VLFcom U =15 e p = 0,05. Esta estatística permite inferir que, nos 3 primeiros dias pós-cirúrgicos, a doença cardiovascular aparenta ter menor influência sobre os valores dos parâmetros.
5 . 1 . A N Á L I S E E S TAT Í S T I C A D O S PA R Â M E T RO S DA V FC
Na figura 5.1 podem ser vistos os resultados dos parâmetros que atingiram signifi- cância estatística, com intervalos de confiança de 95%. Repare-se que os doentes com doenças cardiovasculares têm os parâmetrosrMSSD,HFn, SD1, NN50e SD1/SD2 com maior valor de mediana. Este resultado poder-se-á explicar pela permanência de extrassístoles não editadas na série temporal, mesmo após a utilização do filtro. A sua permanência leva a que haja um aumento tanto da potência das frequências altas (HFn) como da diferença entre intervalos adjacentes, que se traduz em valores altos derMSSD, de NN50 e da variabilidade a curto prazo (SD1).
• Hipertensão
Para a hipertensão, apenas ao dia 1 os parâmetros NN20(U = 24 e p = 0,017), LF
(U = 22 e p = 0,012),HF(U = 27 e p = 0,028), média RR, rMSSD, α1 e SD1 (U = 29 e p = 0,039) mostraram evidência estatística. Na figura5.2 podem ser vistos os resultados destes parâmetros com intervalos de confiança de 95%. Após a sua análise, repara-se que os doentes com hipertensão têm valores de mediana mais baixos, com exeção da média RR e α1. Uma maior média RR significa uma menor frequência cardíaca. Sabendo que a hipertensão inicia um reflexo parassimpático que resulta na diminuição da frequência cardíaca e daVFCde um modo geral, esta ação coincide com os resultados apresentados. Posto isto, infere-se que, ao dia 1, o stress cirúrgico aumenta a influência da hipertensão sobre os valores da VFC.
• ASA
Para a ASA, os parâmetrosLFn,HFn eLF/HFmostraram todos os dias significância estatística com máximo ao dia 4 (U=34 p= 0,005). Na figura 5.3 podem ser vistos os resultados obtidos para os 6 dias para cada escala, com intervalos de confiança a 95%. Durante todos os dias, a escala II mostra ter maior valor da mediana de LFn e a escala III maior valor de HFn. Assim sendo, infere-se que as limitações funcionais do doente, avaliadas pela escala ASA, influenciam continuamente os parâmetros de frequência da VFC.
• Restantes fatores Os fatores idade, género e diabetes não atingiram significância estatística em nenhum dia do perioperatório não mostrando influência aparente.
5.1.2.2 Fatores de Risco Intraoperatório
Nesta subseção pretende-se determinar se os fatores de risco intraoperatório influ- enciam os parâmetros da VFC ao longo do período pós-operatório. Os fatores de risco intraoperatório considerados são: abordagem cirúrgica, tipo de anastomose e perda de vo- lume sanguíneo intraoperatório. O fator complicações intraoperatórias não teve número de observações suficientes para se realizar o teste de hipóteses. De seguida serão apresentados os resultados que atingiram significância estatística nos testes Mann-Whitney para cada fator:
(a) rMSSD (U=19, p= 0,001) (b) SD1 (U=19, p= 0,001)
(c) HF (U=28, p= 0,003) (d) NN50 (U=29, p= 0,004)
(e) SD1/SD2 (U=19, p= 0,004) (f) LFn (U = 36 e p = 0,009)
(g) HFn (U = 36 e p = 0,009) (h) LF/HF (U = 36 e p = 0,009)
Figura 5.1: Resultados dos parâmetros que atingiram significância estatística para o fator Doença Cadiovascular ao dia -1.
5 . 1 . A N Á L I S E E S TAT Í S T I C A D O S PA R Â M E T RO S DA V FC
(a) NN20 (U = 24 e p = 0,017) (b) LF (U = 22 e p = 0,012)
(c) HF (U = 27 e p = 0,028) (d) Média RR (U = 29 e p = 0,039)
(e) rMSSD (U = 29 e p = 0,039) (f) SD1 (U = 29 e p = 0,039)
(g) α1 (U = 29 e p = 0,039)
Figura 5.2: Resultados dos parâmetros que atingiram significância estatística para o fator Hipertensão para o dia 1.
(a) LFn ASA II (b) LFn ASA III
(c) HFn Asa II (d) HFn ASA III
Figura 5.3: Resultados dos parâmetros que atingiram significância estatística em todos os dias para o fator ASA .
• Perda de Volume Sanguíneo Intraoperatório
A perda de volume sanguíneo intraoperatório ao Dia -1 atinge significância estatística em apenas um parâmetro, o NN50(U=48 e p=0,032) e ao Dia1 em diferentes parâ- metros: NN20(U=23,5 e p=0,005),rMSSD,HFe SD1 (U=34 e p=0,02), SD1/SD2 (U=37 e p=0,029) e NN50 (U=37,5 e p=0,03). Na figura 5.4 podem ser vistos os resultados obtidos para estes parâmetros, com intervalos de confiança de 95%. Os doentes que perderam mais de 100ml apresentam, de um modo geral, valores mais altos da mediana.
• Tipo de Anastomose O fator tipo de anastomose ao Dia 5 mostrou significância estatística em diversos parâmetros:LF (U = 15 e p = 0,009),NN20(U =16,5 e p = 0,012), rMSSD,HF, e SD1 (U=20 e p=0,025),SDNN e NN50 (U=21 e p=0,03) e, por fim, SD2 (U=23 e p=0,044). Na figura5.5podem ser vistos os resultados obtidos para estes parâmetros, com intervalos de confiança de 95%. De um modo geral, os doentes a quem foi feito anastomose mecânica distinguem-se por terem medianas mais altas.
5 . 1 . A N Á L I S E E S TAT Í S T I C A D O S PA R Â M E T RO S DA V FC
(a) NN20 (U=23,5 e p=0,005 (b) rMSSD (U=34 e p=0,02)
(c) HF (U=34 e p=0,02) (d) SD1 (U=34 e p=0,02)
(e) SD1/SD2 (U=37 e p=0,029) (f) NN50 (U=37,5 e p=0,03)
Figura 5.4: Resultados dos parâmetros que atingiram significância estatística para o fator Perda de Volume Sanguíneo Intraoperatório para o dia 1.
• Abordagem Cirúrgica O fator abordagem cirúrgica não atingiu significância estatística em nenhum dia do perioperatório não mostrando influência aparente.