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Pouts-Lajus e Riché-Magnier (1999) afirmam que a escola muda, evolui e a necessidade de se praticar pedagogias mais ativas são exigências da vida cotidiana que se transforma na medida em que o público das escolas vai se diversificando. Esta necessidade da evolução das práticas pedagógicas é que se configura como principal desafio ao uso das tecnologias na escola, pois estas permitem ajudar a reformar as práticas, pois colocam o aluno como protagonista da aprendizagem, colocando-a como centro da vida social, ou na afirmação de Delors (2003) em uma educação que aconteça durante a vida toda.

Entretanto, qualquer proposta de ensino deve levar em consideração o aspecto social da aprendizagem, ela não é um ato isolado, mas um processo mediado pela sociedade, sendo característica deste o trabalho em grupo, a interação, a troca de experiências, a partilha. Lucena (1997, p. 29-30) destaca que no processo de evolução tecnológica são construídas ferramentas que permitem interagir colaborativamente para o trabalho em grupo.

Ambientes tecnológicos para trabalho em grupo procuram desenvolver alguns elementos chaves do comportamento de grupos tais como conversas interpessoais e outras formas de interação social. Para que isto seja possível, é essencial compreender como indivíduos atuam com sucesso quando são membros de grupos e estão envolvidos em tarefas computacionais e ligados em rede.

Esta capacidade de trabalhar em grupo, Lucena (1997) considera como traço mais distintivo do ser humano, sua maneira de trabalhar em conjunto, por isso no desenvolvimento tecnológico são desenvolvidas ferramentas que promovam o trabalho intelectual em grupo, são listadas algumas ferramentas desde o quadro-negro, projetores de slides, alto-falantes, correio, telefone, até alcançar nesse momento o uso do computador com a internet na educação.

Segundo Pais (2008) o conhecimento social sempre esteve relacionado ao trabalho coletivo. Ao estudar a inserção dos computadores na escola, a diferença está na possibilidade de multiplicar as condições de organizar o trabalho coletivo através do uso de redes de computadores além de outras interfaces digitais. O que vislumbra explicitar a dimensão coletiva do trabalho e projetá-lo no quadro de uma ampliação dos atuais recursos educacionais.

Com o advento da internet como ferramenta de comunicação e informação a maneira de se trabalhar foi modificada e surgindo novas formas de trabalho. Uma nova forma é a existência de grupos de trabalho que transcendem o simples espaço do escritório da empresa, da escola, ou da própria residência. Surgem grupos de trabalho diferenciados com especialistas de diferentes áreas os quais podem contribuir para elaboração de um projeto que esteja fisicamente distante, mas que sua proposta esteja virtualmente presente na tela do computador, permitindo uma aproximação virtual bastante enriquecedora para aqueles que estão envolvidos.

São formados os chamados groupware, o qual é muito mais que um software para trabalho colaborativo, possibilitando que duas ou mais pessoas trabalhem conjuntamente com

editores de textos, planilhas, bancos de dados, programas, o que permite que ambientes de trabalho sejam implementados em redes de computadores para que grupos de pessoas trabalhem colaborativamente a distância um mesmo documento ou projeto, mas, um conceito de integração de várias tecnologias de modo que se adapte à realidade do trabalho, ou seja, o

groupware permite que a tecnologia esteja a serviço das pessoas (LUCENA, 1997).

Isto se deve as possibilidades trazidas pelo uso do computador para aumentar a capacidade humana de interagir com outros indivíduos, não apenas como inicialmente fora pensado para realizar complexos cálculos matemáticos que necessitavam de alguns meses para serem resolvidos por um pequeno grupo de gênios. Esta capacidade desta ferramenta pode ser percebida através das redes, mensagens eletrônicas, teleconferências e outros projetos realizados conjuntamente, apesar dos envolvidos estarem distante geograficamente.

Com a disseminação dos computadores nas empresas, residências, escolas ao modo de um dilúvio, na afirmação de Lévy (2007) surgem às condições para criação de um novo ambiente de trabalho, o trabalho eletrônico (LUCENA, 1997), um sistema institucional ou organizacional que pode ser distribuído por todo o mundo, em um processo que integra processamento de informações e a comunicação.

Pouts-Lajus e Riché-Magnier (1999, p. 38) destacam que:

As trocas contraditórias, quer se trate de discussões de grupos ou de tutorado, tal como se praticam tradicionalmente nas turmas de vários níveis, colocam o aluno em posição de exprimir as suas concepções , de as defender e de as transformar.

Como no caso das mensagens eletrônicas (e-mail), talvez a forma mais utilizada e mais útil devido às facilidades do seu aprendizado, o que permite a formação de listas ou grupos de mesmo interesse, ao mesmo tempo em que permite o gerenciamento da comunicação e de documentos, mantendo o registro e a memória do grupo por ser uma forma de comunicação assíncrona.

Para que se obtenham resultados satisfatórios no processo de comunicação e construção dos projetos é necessária ordenação destas informações compartilhadas (LUCENA, 1997), sendo importante para que se atinja sua eficácia em virtude do grande número de parceiros executando uma mesma tarefa, não descuidando das interações sociais, o que exige conhecimento do modo como as pessoas agem em grupo.

A internet viabiliza a comunicação e o relacionamento, em âmbito mundial, de diferentes pessoas e grupos mediados pelo computador, o que proporciona mais oportunidades para o uso desta ferramenta na educação, sendo um recurso a mais na sala de aula, por permitir ao professor e aos alunos acesso a recursos não disponíveis em sala de aula, mas presentes em outras partes do mundo e que podem ser acessados, desde que conectados à rede. Exemplo disso são bibliotecas, museus, pessoas que podem ser contatados ou acessados permitindo a troca de informações, imagens e programas de computadores até mesmo no momento da aula, possibilitando enriquecer este momento da aula, os projetos desenvolvidos em grupo, concretizando novas interações, trocas de ideias e propostas pelo encurtamento das distâncias.

Ao utilizar estas novas tecnologias no processo de ensino e aprendizagem oportuniza-se aos alunos o preparo para atuar em um meio no qual terão de evoluir na vida profissional e pessoal com as ferramentas e programas que irão encontrar nesse percurso na escola (DELORS, 2003; LÉVY, 2007; LUCENA, 1997; POUTS-LAJUS; RICHÉ-MAGNIER, 1999).

Entretanto na implantação de propostas na qual o computador seja utilizado como ferramenta no processo de ensino e aprendizagem deve se levar em consideração a parceria a ser formada com os professores e alunos, não apenas como uma imposição de governos e autoridades em relação ao desenvolvimento das escolas. Para Pouts-Lajus e Riché-Magnier (1999) o fracasso ou sucesso de qualquer plano que envolva esta tecnologia depende de fatores humanos, ou seja, dos professores em assumirem como próprias a ideia de uma educação renovada pelo uso do computador em sala de aula, opinião que é compartilhada por Peixoto (2006) e Martinez (2004).

As novas tecnologias podem contribuir como já o fazem, as ciências cognitivas, a pedagogia, lingüística, psicologia, biologia, ciência da informação e da comunicação no processo de ensino e aprendizagem vindo a somar para tenha sucesso tanto aquele que ensina quanto aquele aprende, a partir da especificidade de sua prática no contexto da escola, assumindo esta troca que há entre o mundo e escola, a tecnologia que faz parte do cotidiano de cada um e que deve ser utilizada, compreendida, reconhecendo seu significado na sociedade.

3.2 A INFORMÁTICA NA EDUCAÇÃO: UMA PROPOSTA DO CENTRO DE MÍDIAS