• Nenhum resultado encontrado

INFORMAÇÃO DO ESTRANGEIRO ESTADOS UNIDOS

No documento Revista Completa (páginas 120-124)

Doze estados norte-americanos e o Distrito de Colúmbia, abrangendo assim cerca de 43 % da população dos Estados Unidos, incluíram nos programas oficiais de ensino das suas escolas secundárias públicas um curso de aviação de acordo com o sistema do " Aviation Education Service", da Administração de Ae- ronáutica Civil dos Estados Unidos.

Desde o fim da guerra que os cursos de aviação já foram readaptados para fazer face às exigências de paz. Grande importância é agora comunicada à instrução geral da ciência da aviação nos seus aspectos sociais, políticos e econômicos.

Nos Estados de Massachussetts, 152 das suas 253 escolas secundárias públicas incluíram curso de aviação no ano escolar que teve início em setembro próximo passado, contando com cerca de

4.000 estudantes matriculados. Con- necticut e Rhode Island apresentam ainda maior percentagem nas matrículas, ainda que não sejam consideravelmente superiores.

Na maioria dos Estados há certa tendência a incluir experiência de vôo nos cursos que estão sendo dados, mas tal plano ainda não apresenta senão poucos exemplos concretos. Em Ten-nessee, no entanto, 371 estudantes secundários de 45 escolas estão fazendo estas experiências práticas, tendo ao fim do curso um total de quatro horas de vôo. O programa é financiado simultaneamente pelo Estado e pelos próprios estudantes. Recentemente foi aprovada uma lei estadual em Wis- consin que permite, às autoridades es- colares-secundárias arcar com as des- pesas totais das quatro horas de vôo com verbas provenientes do fundo escolar.

REVISTA BRASILEIRA DE ESTUDOS PEDAGÓGICOS Outros estados que no momento se

encontram esboçando planos para a chamada experiência de vôo ligada aos cursos de aviação instituídos nas escolas secundárias são os seguintes: Ala-bama, Califórnia, Colorado, Connecti-cut, Illinois. Michigan, Ohio, Pennsyl-vania. Texas e o Distrito de Colúmbia.

FRANÇA

O General De Gaulle, ao pronunciar um discurso por ocasião da reabertura solene das aulas da Universidade de Paris, : "O tempo corre. Vejo aqui uma prova de que o tempo é às vezes nosso amigo. Sem ser demasiadamente otimista e sem dar crédito excessivo, é mis-

notar, com efeito, tudo o que esta cerimônia revela de projetos que con- fortam. No ano passado, a Universida-de de Paris celebrava a reabertura so-lene em condições inteiramente outras. Na verdade, a liberdade reconquistada, a vitória obtida inspiravam, então, a todos muito ardor, muita confiança. Mas em meio às ruínas materiais, intelectuais e morais motivadas pela guerra através do mundo, a razão indagava : quando e como a Universidade de Paris reabriria suas aulas em condições de estabilidade e serenidade sem as quais seu ensino não poderia expandir-

se? Ora, creio que, se neste recinto nada, parece, bem ao contrario, de natu- reza a desencorajar o ardor e a confiança, a razão começa a se sentir justamente tranqüilizada. Por isso que, sob os aspectos majestosos e tradicionais, desta cerimônia, os mestres reunidos, os estudantes congregados, os poderes públicos presentes, os eminentes doutores vindos das nações amigas da nossa aos quais tenho a honra de cumprimentar, a Universidade de Paris nos mostra que, na verdade, tornou a soldar

os elos do tempo. Assim é também a França inteira que em todos os domínios pode reiniciar, normalmente e po- derosamente, a vida. Na verdade, as Faculdades, tal como a Pátria, enfrentam ainda muitos obstáculos na organização e no funcionamento da existência material, mas considerando o que acabam de levar de vencida, sentem-se elas capazes de vencer o caminho que ainda resta. Posso assegurar-vos os poderes públicos continuarão a vos auxiliar, convencidos em definitivo de que nada se faz de notável senão pelo espírito, cujo chama reanimais e que es-tá em jogo o futuro de um povo cuja inteligência, coragem, alma, mocidade deveis formar. E isso basta para dizer tudo o que a Nação espera da Universidade em sua missão difícil e magnífica cm pró! do renascimento francês".

INGLATERRA

Foram encerrados os trabalhos da Conferência Internacional de Educação, realizada recentemente em Londres. Para integrar o Comitê Executivo da Conferência, em 1946, a realizar-se em Paris, serão escolhidos representantes dos seguintes países : Estados Unidos, China, Inglaterra, França e Brasil.

URUGUAI

Freqüentaram as escolas públicas pri- marias do Uruguai, no ano de 1945, 192.150 alunos contra 163.382 cm 1934. A população total uruguaia é de pouco mais de 2 milhões de habitantes. Com a instrução primária, o Estado gastou 11.447.759 pesos-ouro (cerca de 120 milhões de cruzeiros) o ano passado. Em 1939, tinha gasto 7.267,151 pesos. No Uruguai, a instrução é gratuita, inclusive nos cursos secundários e superiores.

BIBLIOGRAFIA

BENJAMIN H. HUNNICUTT, Brasil looks forward, Rio de Janeiro. 1945, Serviço Gráfico do I.B.G.E.,

522 págs.

Esta obra foi escrita para o fim especial de apresentar aos leitores da língua inglesa e, mais especialmente, aos dos Estados Unidos, uma visão clara dos problemas atuais e futuros de nosso país. Mas, sem dúvida alguma, é trabalho que também interessa aos brasileiros. Composto por um professor norte- americano que, há quase quarenta anos, conosco tem convivido, representa valioso conjunto de dados e impressões, e, afinal, depoimento sincero sobre a evolução nacional, nas últimas décadas. Circunstâncias especiais a isso o habi- litaram. Vindo ao Brasil, em 1907, para organizar e dirigir a Escola Agrícola de Lavras, no Estado de Minas Gerais, aí exerceu fecunda atividade, na introdução de novas idéias e processos do trabalho rural. Mas, desde logo, interessou-se também por problemas de mais ampla organização, razão pela qual tornou-se, logo depois, diretor do Instituto Gammon, na mesma cidade. Em 1934, foi chamado a presidir o Instituto Ma-ckenzie, de São Paulo, grande organização educacional a que vem prestando os melhores serviços. Num ou noutros desses postos, o Professor Hunnicut tem tido oportunidade de viajar por todo o país, de conviver com a mocidade e de estar em permanente contato com representantes de nossas atividades, de

nossa cultura e da administração pú- blica.

Havendo podido assistir às profundas transformações operadas na vida nacional, durante trinta anos, nos processos de trabalho, na educação, na vida política, que sempre procurou examinar com o maior senso de objetividade, esse educador chegou a concluir que "os brasileiros" e, portanto, "o Brasil, olha para o futuro". A justificação dessa afirmativa, tão simpática, senão amável, dá o tema ao livro, que se desdobra por trinta e um capítulos, dos mais vivos e interessantes. Os três primeiros examinam, de modo geral, o povo e a terra, salientando o perigo dos " espaços" vazios, no centro-oeste e na Amazônia. Os doze seguintes caracterizam a indústria agrícola e extrativa, de forma sempre documentada. Vários outros tratam da produção mineral, da indústria fabril, do comércio exterior. E, enfim, os dez últimos focalizam os problemas humanos, salientando a vida da3 cidades, os transportes e comunicações, a organização educativa e cultural.

Todos os assuntos, embora tratados de forma profunda, e com observações da maior importância, são apresentados, de forma sempre agradável, em linguagem singela, a que não falta, porém, vigor e graça. Certos títulos sugerem o tratamento dado ao conteúdo: " Geo-graphically Speaking", " Farming under the Southern Cross", "The World's Coffee Cup", ''The Little C's" (cane,

REVISTA BRASILEIRA DE ESTUDOS PEDAGÓGICOS cocoa, cassava, carnaúba, caroá), " Oran-

ges and Bananes", " Green Oceans", "Made in Brazil"...

Nos dois capítulos finais, o A. traça conclusões sobre o intercâmbio comercial e cultural entre as duas partes do hemisfério, e, mais especialmente, entre os Estados Unidos e o Brasil. E merecem elas a maior atenção, tanto da parte de nossos políticos e administradores, como também dos que educam a juventude nacional. Com a franqueza que, aliás, caracteriza todo este belo estudo, o Professor Hunnicut examina o dilema "competição e cooperação". E o faz, à vista da própria documentação anterior, de maneira a mais feliz. "O desenvolvimento do mundo, na época atual, exige conclusões sérias, baseadas em conhecimento e pesquisa; exige ação firme, dirigida para objetivos definidos, com o emprego de todos os recursos que nos levem aos fins desejados. O Brasil e os Estados Unidos têm idênticas possibilidades na atual situação do mundo, como sejam a manutenção do território, da liberdade individual e da liberdade econômica. Por tudo isso, a

mútua cooperação é de necessidade evi- dente por si mesma".

Não se poderia dizer mais, em poucas palavras. E esse pensamento, afinal, é o que anima todas as páginas deste livro, escrito com a intenção de servir, clara e lealmente, a esse espírito de sadia cooperação.

Presta, assim, o A. excelente serviço ao entendimento crescente entre os dois povos. E a edição, com que se representa o trabalho, compilada no Serviço Gráfico do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, não poderia ser mais adequada nem mais perfeita. Além da impressão, realmente primorosa, há a notar a reprodução de fotogravuras, desenhos e esquemas, do mais expressivo sentido.

Obras como esta, sem qualquer sentido de conclusões preconcebidas, por-que fundadas em dados objetivos e im- pressões sinceras, merecem a mais ampla divulgação e o conhecimento da parte dos educadores. Na verdade, "o Brasil olha para a frente". Mas há de ser sempre pela obra de seus mestres que ele poderá conservar essa atitude de renovação e de progresso.

No documento Revista Completa (páginas 120-124)