Foram muitos os comentários sobre o fato de a Escola de Assuntos Internacionais Woodrow Wilson, dedicada — segundo as palavras de Jesse Jones — "a quem sacrificou sua vida pela paz mundial", haver sido estabelecida na Universidade que Thomas Jefferson fundou. Porque Jefferson foi um dos primeiros americanos que reconheceram a importância dos problemas mundiais em relação à vida e destino de todos cs americanos.
O Sr. Jones expressou a esperança de que essa escola dê às novas gerações dê
americanos uma apreciação mais viva do interesse vital e das grandes res- ponsábilidades dos Estados Unidos no
mundo exterior. Acrescentou que se, depois da primeira guerra mundial "os ideais de cooperação mundial, expres-
sados por Wilson tivessem sido apro- veitados, teríamos evitado a segunda ESTADOS UNIDOS
Na histórica Universidade de Virgínia, será estabelecida, por uma doação de 300 mil dólares (6 milhões de cruzeiros), do Sr. Jasse H. Jones, financista do Texas e ex-secretário de Comércio e chefe da Reconstruction Fi-nance Corp., no governo do Presidente Roosevelt, uma Escola de Assuntos Internacionais em memória de Woodrow Wilson, que foi presidente dos Estados Unidos durante a primeira guerra mundial .
A Universidade de Virgínia, rica em tradições e reputada entre as melhores instituições educacionais do país, foi fundada por um dos primeiros líderes da República norte-americana — Tho-mas Jefferson, autor da Declaração da Independência e terceiro presidente dos Estados Unidos.
guerra mundial co:n seus efeitos de- vastadores sobre a Humanidade .
INGLATERRA
Um novo plano de grande alcance para intensificar o entendimento franco-britânico foi concebido pelo Ministério da Educação da Inglaterra. Esse plano será executado através das escolas e será apoiado por dois esquemas. O primeiro será a ligação entre alunos nos dois países, pela troca de correspondência, e o segundo o estabelecimento de relações entre escolas semelhantes, com o fim de fazer intercâmbio de alunos e possivelmente de professores.
De acordo com o primeiro esquema, todas as escolas secundárias da Inglaterra e de Galei, cujas alunas desejem manter correspondência cont estudantes franceses, serão convidadas a notificar o Ministério da Educação, informando sobre os interesses e tendências dos alunos e sobre adiantamento em francês. Essas informações serão, então, enviadas ao Departamento de Correspondência Escolar Internacional da França e os alunos poderão entrar cm contacto direto com os estudantes franceses que tenham o mesmo interesse. Esse departamento francês já recebeu milhares de pedidos de estudantes franceses que estão ansiosos por estabelecerem relações com seus colegas britânicos.
De acordo com o segundo esquema, será estabelecida, por intermédio do Ministério da Educação da França, ligação entre as escolas francesas e britânicas que tenham interesses ou disposições semelhantes. Por exemplo: escolas situadas em portos marítimos se-
rão ligadas com escolas situadas em portos marítimos franceses, escolas situadas em zonas mineiras com outras estabelecidas em zonas semelhantes na França, etc.
MÉXICO
As bibliotecas oficiais da Capital do México contam atualmente mais de 700.000 volumes.
Em 1942, a Biblioteca Nacional, que tem, nas suas coleções, incunábulos preciosíssimos, dispunha de 343.000 volumes, 112.000 manuscritos e 1.200 mapas.
Organizadas pela Secretaria de Educação, funcionavam na cidade do México 59 bibliotecas especializadas e populares, algumas das quais ao ar livre, semi-fixas e ambulantes. Estas, também providas de aparelhos de rádio e de cinema, depositam, em cada subúrbio que visitam, uma coleção de livros, periodicamente renovados.
Há nos Estados Unidos uma biblio-teca mexicana, instalada em San Antônio, no Texas.
Foram editados no México, em 1941, "17 livro, e em 1942, 1.043.
PARAGUAI
Encontram-se, atualmente, no Paraguai, os seguintes professores brasileiros, que integram, no momento, a missão cultural do Brasil naquela República vizinha: Noemi Silveira Rudol-fer, de Psicologia Educacional; Jovino Guedes de Macedo, de Estatística Edu- cacional ; Guy de Hollanda, de História da América; Yolanda Caçapava da Gama, de Português e Hortência de Holanda, também de Português.
BIBLIOGRAFIA
EMILE PLANCHARD, A pedagogia
escolar contemporânea (Segunda
edição, ampliada), Coimbra Editora Ltda., Coimbra, 1946.
O movimento de renovação pedagógica encontra em Emile Planchard, professor da Universidade de Coimbra, expositor sereno, muito bem informado e sempre equilibrado. Esse movimento estava em germe em autores e educadores do passado. Para realizar-se, só estava a espera de condições favoráveis, que foram citadas, enfim, cm nossa época, pelo extraordinário desenvolvimento científico e a atual organização social. Há, assim, uma evolução natural que precisa ser bem compreendida, evitando-se os excessos, no sentido de "conservar'' o que já não cabe em nosso tempo, c no de propug-nar por medidas radicais, para as quais ainda não haja ambiente propício, ou fundamentos indiscutíveis. Dentro desse ponto de vista, o ilustre autor procura oferecer uma síntese dos conhecimentos da educação moderna, aplicada à vida escolar, donde o título do volume. Deliberadamente, explica, pós de parte a "pedagogia familiar'' a "pedagogia social" e outras espécies, se bem que a distinção seja por vezes arbitrária, pois a educação é processo total que a tudo envolve.
O trabalho compreende três partes, assim tituladas: " O conteúdo das ciências pedagógicas", "Balanço atual da pedagogia cientifica", e " Prática escolar atual".
Na primeira, examina-se a pedagogia, como "ciência e arte da educação". E' a educação definida como capaci-
dade de " modificar o homem em de- terminado sentido", razão pela qual envolve sempre conceitos práticos e conceitos de ordem filosófica, apresen- tando conteúdo vasto e geralmente con- fuso. Convirá compreender que há uma pedagogia " teleológica" e uma pedagogia "técnica", ou seja o estudo dos "fins" da educação e o estudo dos "meios". Na organização destes últimos é que surge a pedagogia científica, porque apoiada na psicologia, na sociologia, na medicina, na estatística, de contar ainda com Os subsídios da
Para sua perfeita organização, haverá
ainda com os subsídios da história da educação, e cora os recursos da pedagogia experimental, isto é, do controle científico dos, fatos da educa-
ção, como tais considerados. fixado o conceito geral dos pedagógicos, e examinadas as bases de onde podem eles provir, para desenvolvimento objetivo, passa o autor a descrever o movimento cientí- fico na educação atual. Depois de aludir às origens do estudo da criança, mostra a importância dos centros de investigações e estudos pedagógicos em vários países, a contribuição biológica e médica, a da sociologia e, por fim, da psicologia. Nesta última se detém, para salientar a importância dos estudes genéticos e, enfim, a das diferenças individuais. Um belo capítulo é também dedicado à psicologia do professor, com referência ao problema da orientação e da seleção dos mestres.
A última parte estuda a prática escolar, expondo os aspectos gerais de sua renovação, e detendo-se no exame de
contar
Assim estudos
de seus princípios. A realização de um ensino interessante " há de situar o con- creto antes do abstrato, a ação mais do que as palavras, o novo mais do que o já conhecido, o agradável e o útil". Examina o papel do ensino intuitivo, a exploração do meio concreto, com as lições de coisas e as excursões, que podem ser agora estendidas, com o emprego do cinema e do disco. Salienta a necessidade da " concentração" e da " coordenação" dos assuntos, expondo as bases dos "centros de interesse" e das "unidades de trabalho". E explica, enfim, o sentido funcional da atividade, a significação de trabalho ma- nual e de jogo.
Nos capítulos finais, volta o Professor Planchard a ocupar-se das "diferenças individuais", agora sob o aspecto prático. Não se pode suprimir o ensino coletivo, mas dois recursos de organização escolar lhe observam as dificuldades: o dos " grupos homogêneos" e o dos processos didáticos menos rígidos. Outros tipos de individua-lização do ensino são apresentados, em breve revista, como o plano Dalton, e o de trabalho por equipes. De qualquer forma, porém, não haverá a escola de esquecer a sua função social. A individualização aparece justamente para que melhor se adaptem de indivíduos à existência coletiva, e na qual os problemas da liberdade e da autoridade
continuam como fundamentais. Na ver- dade, no justo equilíbrio entre esses dois termos, é que, afinal, deverá residir todo o trabalho construtivo da educação.
No prefácio, salienta o autor que não tem a pretenção de trazer novidades, mas, somente síntese "provisória" da pedagogia escolar atual; e, provisória, explica, porque as ciências pedagógicas estão em evolução permanente, e exigem, portanto, análises freqüentes. Deve-se afirmar, entretanto, que o livro é mais do que isso, pois que expõe com clareza os fundamentos da obra educativa, e os seus rumos, no estado atual dos conhecimentos, com comentários e considerações originais, sempre cuidadosamente fundamentadas.
Referência especial merece ainda a bibliografia juntada ao volume, e clas- sificada por assuntos gerais e problemas particulares. E' com prazer que aí vemos citados muitos trabalhos de autores brasileiros, pesquisas do Instituto Nacional de Estudos Pedagógicos, e. ainda, artigos publicados nesta "Revista". Sobre o seu valor intrínseco, tão considerável, esta obra contribui, assim, para o maior intercâmbio entre educadores portugueses e brasileiros, tão necessário sempre, ao desenvolvimento cultural das duas nações.