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INFORMAÇÃO DO ESTRANGEIRO

No documento Revista Completa (páginas 149-152)

ARGENTINA

O ensino primário, na Argentina, é ministrado por escolas organizadas e mantidas pelas províncias, e escolas or- ganizadas e mantidas pelo governo cen- tral, havendo, assim, como dois sistemas paralelos. Recentemente, porém, depois de entendimento com o Ministro da Jus- tiça e Instrução Pública e o Presiden- te do Conselho Nacional de Educação, o Ministro do Interior dirigiu-se aos Interventores federais nas províncias, recomendando adotem as medidas ne- cessárias para que o ensino primário, em todo o país, se realize de forma unificada, isto é, com os mesmos pro- gramas, processos de ensino e livros didáticos, e que deverão ser os atual- mente adotados nas escolas organizadas pelo governo nacional.

As medidas de reforma, que esse pla- no de unificação exigirá, serão, opor- tunamente, submetidas à ratificação pe- los órgãos legislativos das províncias.

CHILE

O Ministério de Saúde, Previdência e Assistência Social do Chile determinou que, dos fundos de que disponham as Juntas de Auxílio Escolar, que corres- pondem às caixas-escolares em nosso país, 90% sejam destinados a manter serviços de alimentação aos escolares.

COSTA RICA

Costa Rica, que se empenha em de- senvolver extenso plano de educação popular, criou recentemente um Depar- tamento de Missões Culturais, em sua Secretaria de Educação Pública. Os ob- jetivos desse Departamento são os de contribuir para a educação cívica e hi- giênica dos adultos, para a difusão de conhecimentos técnicos, que possam ele- var o padrão de vida das povoações rurais, e, ainda, para a divulgação da educação artística e encaminhamento profissional dos alunos nessas povoa- ções. O novo Departamento disporá de

REVISTA BRASILEIRA DE ESTUDOS PEDAGÓGICOS

um corpo de funcionários, para visita às escolas rurais, e estudo dos proble- mas peculiares de seu ensino.

ESTADOS UNIDOS O movimento do pensamento peda- gógico, nos Estados Unidos, tem apre- sentado, nos últimos tempos, algumas tendências no sentido de crítica e re- visão dos métodos educacionais da cha- mada "escola progressiva". A reação tem sido, por igual, muito enérgica, da parte de associações de educadores, cen- tros de investigação e de estudo social, e departamento de pedagogia em gran- des universidades. A Federação Ame- ricana de Professores (American Fe- deration of Teachers) em recente re- solução aprovada em seu último con- gresso, reunido em Chicago, denunciou as fontes reacionárias de onde certa campanha de imprensa tem tido ori- gem, e reafirmou, de modo veemente, que a " escola progressiva é a base de uma educação para a democracia, e da democracia na educação".

Em bem lançado artigo na revista Progressive Education, G. Baker apre- sentou, por sua vez, o que chamava de "teste rápido" para que a ele respon- dam os opositores da renovação esco- lar:

a) Concorda você em que devia exis- tir igualdade de oportunidade para to- das as crianças, sem diferença de ra- ça, religião ou condição econômica?

b) Aceita você que os programas escolares sejam organizados na base das necessidades da criança, e que de- vam considerar as mudanças da vida de hoje, mais que a tradição e o pre- conceito de que "o que foi bom para meu pai necessariamente será bom para mim"?

c) Aceita você que deva existir cooperação entre as escolas, institui-

ções de serviço social, igrejas, e outros órgãos existentes para a reconstrução da vida social, em melhores bases?"

As pessoas que responderem "sim", a essas três perguntas, podem dizer que estão no espírito da " escola pro- gressiva", qualquer que sejam as di- vergências quanto as minúcias de or- ganização escolar e de processos didá- ticos . O movimento " progressista" tem acentuado assim as suas tendências de renovação social, em face dos proble- mas do "após guerra", o que tem ex- plicado o ataque da parte de órgãos reacionários, como os jornais da orga- nização Hearst.

Em artigo recentemente publicado no "New York Herald Tribune", mani- festou o Sr. James Marshall, do "Board of Education" da cidade de Nova York, sua opinião a propósito da projetada organização de um instituto internacional de educação.

Segundo o Sr. Marshall, vem esse projeto merecendo nos Estados Unidos o apoio de figuras representativas do Governo, do mundo financeiro, comer- cial, operário, religioso e educativo por considerarem que o programa da paz será incompleto se deixar de colocar a educação de paridade com a organiza- ção política, com distribuição de maté- rias primas, a estabilização da moeda e o melhoramento dos standards de saúde. Uma organização internacional de educação poderá ser instrumento de re- lações mais perfeitas entre os povos. Poderá inspirar melhores atitudes e correntes de pensamento mais sólidas. Poderá trazer uma noção da realidade que desmanchará receios e prevenirá gestos agressivos. Poderá tornar cons- ciente a interdependência dos homens como vizinhos, como nacionais, como cidadãos do mundo.

Todos sabemos que segurança, for- ças construtivas em ação e paz dura-

doura não dependem somente de poder e riqueza. Sabemos disso instintiva- mente quando nos exprimimos em ter- mos de religião e ética; sabemos disso socialmente quando falamos em termos de educação; sabemos disso cientifica- mente quando nos manifestamos em termos de psicologia.

Ao se iniciar a guerra atual muito desiguais eram as oportunidades educa- tivas entre as nações e dentro das pró- prias nações. Há regiões onde é ine- xistente mesmo a instrução elementar, devido à falta de comunicação e trans- porte. Quanto à educação secundária e universitária, era, em quase todo o mun- do, privilégio dos afortunados.

Cita o Sr. Marshall, como exemplo dessa desigualdade nas oportunidades dentro de um país, os próprios Estados Unidos, onde mesmo nas épocas de maior prosperidade grande número de jovens não possuíam meios para se ins- crever em escolas superiores.

Além do mais, há a tendência de tornar a educação provinciana, regiona- lista c expressão de correntes políticas e emoções nacionais. Tende cada nação a ser exagerada no ensino da sua histó- ria, afim de exaltar seus triunfos e aviltar inimigos reais ou supostos. Mes- mo nações sem política exterior agres- siva adquirem hábitos de pensamento isolacionistas.

Continua o Sr. Marshall dizendo não deverem os Estados Unidos supor que, num empreendimento desse gênero, só teriam a dar e nada a beneficiar. Muito ao contrário: dos ingleses têm muito que aprender em matéria de direito ci- vil ; dos chineses em educação para os adultos; dos franceses, suíços e russos

quanto a relações internacionais; dos alemães em treinamento técnico, e assim por diante.

Sendo o trabalho em conjunto dos meios mais eficientes para a promoção de um melhor conhecimento mútuo, ad- voga o Sr. Marshall a criação de um

Instituto de Educação Internacional, onde grupos de todas as nações, de todas as raças e de todos os credos trabalhem para uma causa comum; dessa iniciativa poderão advir relações

mais duradouras e seguras entre os povos.

Para levar avante esse propósito, foi organizada a American Association for an International Office for Education.

MÉXICO

O Governo do Estado mexicano de Oaxaca destinou a soma de 50.000 pe- sos para premiar os três municípios que mais eficientemente colaboraram na campanha contra o analfabetismo, em- preendida, recentemente, pelo Governo central. O primeiro prêmio consiste na construção de um aqueduto; o segundo, na dotação para o instrumental de uma banda de 35 músicos, e o terceiro em um auxílio para atividades educativas.

REPÚBLICA DOMINICANA No correr do ano de 1944, criou o Go- verno dominicano numerosas escolas de emergência para desenvolvimento da campanha de alfabetização em que se vera empenhando. Funcionaram, em todo o país, 2.007 escolas, entre ofi- ciais e particulares, com a matrícula de 210.602, e, as escolas de emergência. com a matrícula de 79.43.3.

BIBLIOGRAFIA

No documento Revista Completa (páginas 149-152)