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2.2 INFORMAÇÃO, CONHECIMENTO E COMPETÊNCIA:

2.2.1 Informação e Conhecimento

Informação e conhecimento advêm da necessidade do indivíduo em intervir na realidade. Antes de atribuir uma significação ao vocábulo realidade, torna-se necessário abordar a palavra mundo, pois ambos estão relacionados na construção de seus conceitos, conforme Duarte Junior (1984, p. 12-22):

[...] o homem é o construtor do mundo, o edificador da realidade. Esta é construída, forjada ao encontro incessante entre os sujeitos humanos e o mundo onde vivem. [...] mundo é o que pode ser dito. Mundo é o conjunto ordenado de tudo aquilo que tem nome. As coisas existem para mim através da denominação que lhes empresto [...] só podemos pensar nas coisas através das palavras que as representam.

Mundo e realidade são construídos pelo e para o homem: “[...] podemos perceber que, se ele [mundo] é ordenado e significado através da linguagem, consequentemente a realidade será também

fundamentalmente estabelecida e mantida por ela [linguagem]” (DUARTE JUNIOR,1984, p. 24). Dito isto, a realidade é percebida e consequentemente edificada com o uso da linguagem.

Para Chaui (2000, p. 137): “A linguagem é, assim, a forma propriamente humana de comunicação, da relação com o mundo e com os outros, da vida social e política, do pensamento e das artes”. Por meio da linguagem o mundo ganha significação para o ser humano, e provoca a construção da realidade, criando-se regras, princípios, a própria política que permeia a relação dos homens na sociedade.

Para tanto, o ato de intervir na realidade, remonta às fases de transformação da evolução dos dados ao conhecimento. Conforme Michaud (2006, p. 216): “A realidade é percebida por meio de dados, que são meras sequências de símbolos quantificados quantificáveis expressos por conjuntos de sinais. Textos, fotografias, números, sons e outras tantas variáveis.”

Segundo Miranda (1999, p. 286), dado: “é o conjunto de registros qualitativos ou quantitativos conhecido que organizado, agrupado, categorizado e padronizado adequadamente transforma-se em informação”. Nesta mesma linha de pensamento, sob a perspectiva do gerenciamento da informação (captura, armazenamento de dados e comunicação), Davenport (2002, p. 19) define dados como “observações sobre o estado do mundo”. Segundo o autor, os dados são facilmente estruturados e quantificados por pessoas ou por uma tecnologia adequada.

Quanto ao conceito de informação, pode ser entendido como: “conjuntos significantes com a competência e a intenção de gerar conhecimento no indivíduo, em seu grupo, ou a sociedade.” (BARRETO, 1999). Assim, os dados precisam de atributos humanos, como a relevância e propósito para se obter ou extrair informação. Exige a mediação humana (DAVENPORT, 2002).

Do mesmo modo que os dados, quando dotados de relevância geram informação, esta por sua vez, também necessita da assimilação pelo ser humano para cumprir sua finalidade:

[...] um processo de interação entre o indivíduo e uma determinada estrutura de informação, que vem a gerar uma modificação em seu estado cognitivo, produzindo conhecimento que se relaciona diretamente com a informação recebida (BARRETO, 1999).

Consequentemente, o conhecimento está sujeito à significação e interpretação da informação pelo ser humano. Segundo Davenport (2002, p. 19) o conhecimento é uma informação valiosa da mente, a qual inclui reflexão, síntese, contexto: “[...] alguém refletiu sobre o conhecimento, acrescentou a ele sua própria sabedoria”.

Em um estágio superior, conforme Wilson (2006), o conhecimento constantemente se modifica a medida que o indivíduo adquire ou se expõe a novas informações sobre o mundo. Esta transformação decorre também da necessidade do indivíduo em tentar obter informações quando o mesmo constata que o seu estado de conhecimento é deficiente ou anômalo, ou já não é mais suficiente para ampará-lo diante de situações ou condições. Na busca por mais informação, esta ação resulta em um novo estado de conhecimento (LE COADIC, 2004). “Se partirmos do pressuposto de que o conhecimento só reside na cabeça das pessoas e é, por natureza, implícito, chegamos a conclusão que ele sempre se comunica por meio de informações” (MICHAUD, 2006, p. 233).

Esta afirmação aciona outro conceito de informação:

Um conhecimento inscrito (registrado) em forma escrita (impressa ou digital), oral ou audiovisual em um suporte. A informação comporta um elemento de sentido. É um significado transmitido a um ser consciente por meio de uma mensagem inscrita (LE COADIC, 2004, p.4).

O conjunto de informação descrito em determinado suporte (livros, documentos, entre outros), revela o conhecimento explícito, o saber disponível sobre um tema específico (MIRANDA, 1999). Conhecimento que também poderá ser expresso conforme intenção do indivíduo por meio de mensagens: oral, escrita, gráfica, gestual ou até por meio de linguagem corporal (WILSON, 2006). Além da possibilidade de comunicação, Miranda (1999) traz o conceito de conhecimento tácito como: “o acúmulo de saber prático sobre um determinado assunto, que agrega convicções, crenças, sentimentos, emoções e outros fatores ligados à experiência e à personalidade de quem o detém” (MIRANDA, 1999, p. 287).

Conforme os autores supracitados, o processo, dados – informação – conhecimento, é realizado por intermédio da intervenção humana. Davenport (2002) ilustra a distinção destes elementos:

Quadro 1 - Dados, Informação e Conhecimento

Fonte: Adaptado de Davenport (2002)

Ademais, a relação do ser humano com a realidade constantemente produz dados, informação e conhecimento. Aquele diferencia-se dos outros seres vivos no planeta, graças ao seu interesse em não só conviver com a realidade, conforme figura 1, mas adequando esta realidade às suas necessidades, gerando formas de alterá-la (MICHAUD, 2006).

Figura 1- Realidade e indivíduo

Fonte: Adaptado de Michaud (2006)

Para Michaud (2006) dentre as características do conhecimento, está o vínculo estreito com os conceitos de objetivos, finalidades, decisão e ação.

Podemos dizer que comporta a adição do elemento competência, meio necessário para enfrentar, alterar ou resolver determinada situação ou problema. Na próxima subseção são apresentados conceitos e elementos caracterizadores da competência.

DADOS INFORMAÇÃO CONHECIMENTO

Simples observações sobre o estado do mundo. Dados dotados de relevância e propósito. Informação valiosa da mente humana.

Inclui reflexão, síntese. Facilmente estruturado. Facilmente obtido por máquinas. Requer análise. Exige consenso em relação ao significado. De difícil estruturação. De difícil captura em máquinas. Frequentemente quantificado. Exige mediação humana. Frequentemente tácito, R e a lid a d e Alteração pela Dados Informação Indivíduo