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Informação essencial do ECOCG na IC

No documento Candidatura ao Título de Especialista (páginas 68-71)

A UTILIDADE DA ECOCARIOGRAFIA NA IC

2. Informação essencial do ECOCG na IC

A incapacidade de o coração manter o DC exigido pelo organismo resulta, geralmente, do comprometimento progressivo, isolado ou combinado, das suas funções mecânicas (sistólica e diastólica), o qual tem por base uma condição patológica ou um distúrbio funcional do próprio órgão e que resultam na IC.

Posto isto, o ECOCG na IC deve compreender várias fases:

 A recolha de medidas pertinentes (standard), a fim de poderem ser utilizadas na quantificação da patologia e em comparações futuras;

 O reconhecimento dos padrões ecocardiográficos primários de resposta – disfunção ventricular, dilatação de cavidades e hipertrofia de paredes;

 A identificação de lesões específicas responsáveis pelo padrão de resposta observado;

 O estabelecimento de correlações entre os achados ECOCG e de outros exames, permitindo uma avaliação integrada do paciente.

2.1. Avaliação da (dis)função ventricular

O coração é o órgão muscular encarregado de bombear o sangue para todo o organismo. Uma boa função cardíaca exige que tanto a sístole quanto diástole estejam normais – esta situação resulta de um processo complexo que envolve a contração coordenada das fibras musculares subendocárdicas, miocárdicas e subepicárdicas.

Essas fibras estão arranjadas de forma helicoidal complexa. Na zona média do VE, as fibras miocárdicas estão orientadas circunferencialmente; a contração dessas fibras contribui principalmente para o decréscimo da dimensão no eixo menor do ventrículo e é responsável por grande parte do volume ejetado.

As fibras orientadas longitudinalmente no subendocárdio e no subepicárdio contribuem para o encurtamento do eixo longo, logo, para o volume sistólico. Além disso, o ápex do VE gira no sentido anti-horário durante a contração, e a base gira no sentido horário.

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Esse “twist” cardíaco, assim como o encurtamento da fibra, parecem ser influenciado pelo estado contrátil do miocárdio; em consonância com esses aspetos, o engrossamento parietal contribui para o deslocamento de volume e a geração de débito cardíaco.

Para o melhor entendimento dessa integração dinâmica entre estrutura cardíaca, volemia e vasculatura, é interessante definir alguns conceitos.

Stress parietal: é definido como a força exercida numa área seccional transversa de determinada estrutura. Devido à geometria bastante complexa do VE, existem inúmeros componentes de stress dentro da parede; possuem fórmulas matemáticas para os respetivos cálculos a partir de parâmetros obteníveis pela ECOCG. Recentemente, alguns autores têm preconizado o emprego do chamado

“midwall stress”, que implica a avaliação das fibras internas do miocárdio. A determinação do stress parietal requer a avaliação da pressão de VE no final da sístole.

Pré-carga: é a força (carga) que atua para estirar a miofibrila em repouso, devendo ser normalizada para cada área de secção transversa do músculo e expressa como stress diastólico final. Essa força, que age para o estiramento do músculo, defronta-se com a resistência decorrente da rigidez do mesmo; assim, a extensão que uma fibra miocárdica é estirada depende da interação entre a pré-carga e a rigidez muscular, influenciando o desempenho ventricular (mecanismo de Frank-Starling).

Pós-carga: pode ser considerada como a força desenvolvida pelo miocárdio após o início da contração. Como descrito pela lei de Laplace, a pós-carga (stress parietal sistólico) é diretamente relacionada à pressão sistólica de VE e ao seu raio, e inversamente proporcional à espessura parietal. A pós-carga varia no decorrer do ciclo cardíaco, podendo ser calculada em qualquer momento durante a sístole, embora usualmente seja estimada no seu final. Existe uma relação inversa entre a pós-carga e o encurtamento da fibra muscular; portanto, é possível, na presença de elevação da pressão sistólica ou dilatação aguda da cavidade de VE (aumento da pós-carga), que se evidencie uma função ventricular deprimida na presença da capacidade contrátil do miocárdio normal.

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Contractilidade: é uma capacidade intrínseca da fibra miocárdica podendo ser definida como uma qualidade do músculo cardíaco que determina o desempenho independente das condições de carga. Em muitas doenças cardíacas, as anormalidades da função de bomba do VE podem ser decorrentes de alterações de carga, depressão da contractilidade, ou de ambas. Como, algumas vezes, essa distinção não é fácil, tem-se tentado criar índices que possam, de alguma forma, analisar a contractilidade independentemente da influência de carga.

2.1.1. (Dis) Função sistólica

A avaliação da função sistólica do VE é particularmente importante, pois é a principal determinante do resultado na maioria das doenças cardíacas e um dos principais determinantes da capacidade funcional e tolerância ao esforço.

São os índices de desempenho global de VE que utilizam parâmetros adquiridos durante a ejeção ventricular. Embora esses índices sejam dependentes da pré e pós-cargas, da FC e da geometria ventricular, além da contractilidade miocárdica, alguns deles estão entre os mais populares e utilizados clinicamente, contribuindo com importantes informações prognósticas. Dentre os mais comummente utilizados, devemos considerar a fração de encurtamento (FENC), a fração de ejeção (FEVE), o débito cardíaco (DC), o volume sistólico (VS) e a velocidade de encurtamento circunferencial. O desempenho ventricular medido por esses métodos tem como denominador comum a estimativa do volume sanguíneo ejetado ou as relações entre as dimensões do VE no final da diástole e da sístole.

Existem técnicas para avaliar o índice de desempenho, como por exemplo, através da FEVE e da FENC.

E embora a FENC, medida a partir do MM, para estimar a FEVE seja um parâmetro válido, implica que exista uma contração simétrica, sem qualquer variabilidade regional e, portanto, é inadequada para os ventrículos remodelados.

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Avaliação da fração de ejeção (FEVE)

A FEVE segue o mesmo princípio da fração de encurtamento, sendo o cálculo porém baseado nos volumes ventriculares. É talvez o mais conhecido dos índices de desempenho ventricular. Vale ressaltar que como os cálculos são volumétricos baseados em fórmulas que se utilizam dos diâmetros ventriculares, as variabilidades ou erros de medidas são elevados ao cubo.

O cálculo para a fração de ejeção resulta da seguinte fórmula:

No documento Candidatura ao Título de Especialista (páginas 68-71)

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