2 PROCESSO DE PROJETOS DE ARQUITETURA
2.4 QUALIDADE DO PROJETO
2.4.2 Informações de Projeto
2.4.2.1 O desenho como meio de informação
Para execução de cada edifício é necessário um grande volume de informações gráficas e não gráficas, como características, especificações e planos de execução, descritos em documentos e que devem ser compartilhados entre os participantes do empreendimento (CALDAS e SOIBELMAN, 2001).
O desenho é o principal meio de comunicação no setor de AEC e melhorar a sua qualidade, com capacidade para transportar informações precisas e claras a serem compartilhadas entre os processos e sub-processos, é importante para maior capacidade de colaboração no desenvolvimento de projetos. A melhora da qualidade dos desenhos é resultado da implantação de um sistema de qualidade e da gestão de documentos, recursos humanos e processos (PANIZZA, 2004).
As informações são geradas em variados formatos em diferentes arquivos de dados, que dificulta a sua indexação e busca. Para execução de um componente na obra, as informações provavelmente estarão distribuídas nos arquivos CAD, arquivos de texto, sistemas gerenciadores de projeto, planilhas de texto, entre outros sistemas. Para ter acesso a estes arquivos, é necessário saber o nome, local de armazenamento e diferentes graus de agregação de informação. Juntamente com os arquivos é reunida uma série de informações nem sempre necessárias, que também dificultam o acesso (CALDAS e SOIBELMAN, 2001).
O processo de projeto é uma atividade de processamento de informação. O projetista recebe determinadas informações, cria novas informações durante o projeto e produz outras informações como resultado (FROESE, 2002, apud KIVINIEMI et al., 2004).
Os projetos devem disponibilizar informações em quantidades, qualidades e no momento exigido, que atendam às necessidades e expectativas dos clientes e usuários, aos objetivos estratégicos das empresas de projetos e empreendimentos de construção (OLIVEIRA e MELHADO, 2005), um desafio para o setor culturalmente avesso às mudanças no modus operandis e que dá pouca importância aos projetos (FABRICIO e MELHADO, 1998).
Desenhos com maior capacidade para transportar informações, podem diminuir consideravelmente a necessidade de instrumentos externos de controle de documentação dos projetos, além de melhorar a clareza e precisão da informação compartilhada, justificando a existência do controle do fluxo de informações (PANIZZA, 2004).
Segundo OLIVEIRA e MELHADO (2005), as informações se classificam conforme Figura 2.10.
FIGURA 2.10 – CLASSIFICAÇÃO DAS INFORMAÇÕES
PLANTAS CROQUIS DOCUMENTOS IMPRESSOS INFORMAÇÕES FÍSICAS
ARQUIVOS DE PLANTA DOCUMENTOS MENSAGENS DE E-MAIL INFORMAÇÕES DIGITAIS
REUNIÕES CONVERSAS INFORMAIS INFORMAÇÕES VERBAIS
FONTE: OLIVEIRA; MELHADO, 2005.
2.4.2.2 Informações gráficas e não-gráficas
Um projeto desenvolvido no CAD não necessariamente é representado somente com informações visuais, ou gráficas, mas também com informações ocultas ou não-gráficas (RISCHMOLLER et al., 2006).
A cada projeto de edifícios, as características, especificações e projetos de construção são descritos em grande número de documentos, como desenhos, especificações, planilhas e estimativas de custo. Estes documentos consistem de informações gráficas e não-gráficas que devem ser compartilhados entre todos os envolvidos no empreendimento (CALDAS et al., 2002).
Os novos sistemas CAD, como o conceito CAVT (Computer Advanced Vizualization Tools), defendido por RISCHMOLLER et al., (2006), estão causando grande impacto no processo de projeto. O CAVT aumenta significativamente a geração, qualidade, agilidade e acesso às informações de projeto, conforme ilustrado no Quadro 2.6.
QUADRO 2.6 – GERAÇÃO DE INFORMAÇÕES
Parâmetro Método tradicional CAVT
Geometria: comunicar informações gráficas necessárias para obter uma representação gráfica de uma realidade inexistente que precisa ser materializada.
Desenhos bidimensionais, feitos
manualmente ou no CAD 2D. Transformação de um croqui básico para uma representação digital inteligente e completa do modelo 3D do produto.
Especificações: comunicar todas as informações não-gráficas relacionado aos elementos de projeto.
Livros e documentos impressos contendo informações das especificações.
Especificações são armazenadas em um banco de dados no computador e podem ser visualizadas através de uma interface ligada aos elementos do modelo 3D. É possível obter 100% das especificações não-gráficas.
FONTE: adaptado de RISCHMOLLER et al., 2006.
Segundo RISCHMOLLER et al., (2006); MARIR (1998); CALDAS et al., (2002); USUDA (2003), as informações gráficas e não-gráficas são classificadas conforme Quadro 2.7.
QUADRO 2.7 – INFORMAÇÕES GRÁFICAS X NÃO-GRÁFICAS
Informações gráficas Informações não gráficas
Geometria do desenho Especificações
Memoriais Relatórios
Fabricante do material Preço
Planilhas
FONTE: RISCHMOLLER, 2006; MARIR, 1998; CALDAS et al., 2002; USUDA, 2003.
A geometria do desenho, que representa graficamente o projeto, é uma informação visual, portanto informação gráfica. Já as informações não gráficas são informações ocultas nos arquivos digitais de desenhos, mas que podem ser extraídas e gerar outros documentos, tais como especificações, memoriais, relatórios, fabricantes dos materiais, preços, planilhas, entre outros.
2.4.2.3 Integração de informações gráficas e não-gráficas
Os sistemas de desenho e projeto auxiliados por computador (CAD) genéricos (seção 3.3) adotados por muitos, mesmo com capacidade limitada para gerenciar informações não-gráficas, são usados como prancheta eletrônica, e não são explorados na sua total capacidade. Informações não-gráficas poderiam ser associadas a atributos dos elementos gráficos e extraídas facilmente. Para ANUMBA
(2000), estes sistemas são deficientes por não levar em conta que atributos não-gráficos são uma parte integrada do processo de pensamento do arquiteto e que eles capacitam a transformação de uma representação conceitual para uma representação material combinando as composições funcionais e físicas de um modelo com suas representações topológicas e geométricas.
Novos sistemas CAD, que descrevem todas as informações pertinentes ao edifício, conhecido como BIM – Building Information Modeling (BAZJANAC, 2004), permitem criação de modelos geométricos, mas com a vantagem que as variáveis paramétricas, associadas com propriedades não-gráficas, fornecem informações, armazenadas em um banco de dados e ligadas a elementos gráficos do modelo 3D (ANUMBA, 2000), possibilitando análise do projeto, desempenho da edificação e simulações.
Essa integração de informações gráficas e não-gráficas permite ampliar as possibilidades dos sistemas CAD para uma ferramenta realmente inteligente e poderosa para desenvolvimento de projetos e que permite ir muito além da representação gráfica (USUDA, 2003).