4.2 APRESENTAÇÃO DE RESULTADOS PROVENIENTES DO LMS
4.2.1 Informações Educacionais Comparativas do Experimento
O LMS Moodle, em parceria com as informações em associação ao Google Analytics, aumentam a quantidade de indicadores pertinentes de uma plataforma on-line. Segundo Spina (2017) o Google Analytics é um serviço gratuito do Google que consegue reunir informações sobre acessos, estatísticas de visitação, tempo de permanência em páginas e meios de acesso como dispositivo móvel ou desktop.
Estas informações são importantes para planejamento do professor, que pode se valer delas para verificar o andamento do processo ensino-aprendizagem, por meio de dispositivos digitais.
Como indicadores oriundos do Google Analytics, foi possível verificar que, durante o andamento do experimento, o número de sessões a plataforma foi de 532.
O número de sessões é o número de logins realizados na plataforma LMS de cada estudante. A turma 1 apresentou um número de sessões de 171 e a Turma 2, o grupo experimental, realizou 361 logins. A seguir é apresentado Quadro 10 com as informações de sessões em relação ao número de estudante de cada turma.
QUADRO 10 – NÚMERO DE SESSÕES – OFICINA DE INFORMÁTICA
TURMA NÚMERO DE SESSÕES NÚMERO DE
ESTUDANTES NÚMERO DE SESSÕES MÉDIAS
1 171 20 8,5
2 361 24 15
Fonte: O autor (2017).
O número médio de sessões realizadas pela turma experimental foi quase duas vezes maior que o grupo de controle. Sobre a Turma 1, o grupo de controle, foi possível verificar que 9 estudantes realizaram 10 ou mais acessos, enquanto que na Turma 2, grupo experimental, este número foi de 15 estudantes. Os estudantes com menos de três acessos somam 7 estudantes na Turma 1 e 2 estudantes na Turma 2.
A seguir será apresentado o Quadro 11, com a quantidade de acessos por estudantes, juntamente com o seu percentual em relação ao total de acessos de ambas as turmas.
QUADRO 11 – NÚMERO DE SESSÕES – OFICINA DE INFORMÁTICA
TURMA 1 TURMA 2
Estudantes Acessos Percentual Estudantes Acessos Percentual
Estudante 1 27 16% Estudante 1 36 10%
Fonte: O autor (2017).
É possível fazer uma relação entre o número de acessos e a evasão de cada turma, visto que o estudante evadido pode acessar inicialmente a plataforma, mas posteriormente abandona o curso. Uma forma de identificar o número de estudantes evadidos em relação ao acesso é o quantitativo de estudantes que se tornaram ativos para a plataforma, realizaram sessões no início do curso e não voltaram a acessar o sistema.
Nesta perspectiva, pode-se verificar que os estudantes considerados evadidos para a Turma 1 somaram 10 estudantes e, para a Turma 2, totalizaram 8 estudantes. A seguir, será apresentado o Quadro 12, com o número de estudantes e a relação com o total de estudantes evadidos do curso. Para este levantamento, não se evidenciou o momento de desistência do estudante, se nas fases iniciais do curso ou quando o curso estava em andamento, apenas se evidenciou o quantitativo de evasão para fins de análise.
QUADRO 12 – ESTUDANTES EVADIDOS EM RELAÇÃO AO TOTAL DE ESTUDANTES
TURMA ESTUDANTES
INSCRITOS ESTUDANTES EVADIDOS PERCENTUAL DE ESTUDANTES EVADIDOS
1 20 10 50%
2 24 8 33%
Fonte: O autor (2017).
Observa-se, portanto, que o número percentual de discentes evadidos foi menor na turma experimental em comparação a turma de controle.
Sobre os estudantes da Turma 1, verificou-se que dos 10 estudantes evadidos, 5 desistiram do curso sem ao menos realizar a primeira prova, enquanto na Turma 2 este número foi de 3 estudantes. Com estes resultados, é possível inferir que na turma onde havia possibilidade de interação entre os discentes com TIC, a evasão se deu de forma mais tardia e em menor número, em relação aos discentes da turma onde não se dispunha deste tipo de possibilidade.
As informações estatísticas levantadas sobre o experimento, corroboram com a teoria do pensamento complexo, pois segundo Petraglia (1998), a estrutura do pensamento Moriniano é pautada numa epistemologia da complexidade que compreende quantidades de unidades, interações diversas e adversas, incertezas, indeterminações e fenômenos aleatórios. Seu trabalho consiste na sistematização de crítica aos princípios, objetivos, hipóteses e conclusões de um saber fragmentado.
Ainda sobre a visualização de páginas, foi possível verificar a existência de 4.149 páginas acessadas pela Turma 1, enquanto a Turma 2 acessou 16.546 páginas no experimento e durante a realização da Oficina. A somatória de páginas visitadas apenas quantifica o número dos chamados page views, independente da existência de acesso anterior. A seguir, no Quadro 13, apresenta-se o quantitativo de views de páginas de ambas as turmas.
QUADRO 13 – NÚMERO DE SESSÕES – OFICINA DE INFORMÁTICA
TURMA 1 TURMA 2
Estudante Page
Views Percentual Estudante Page
Views Percentual
O Quadro 13, mostra um quantitativo de visitas de páginas quatro vezes maior da Turma 2 em relação a Turma 1. Este número corrobora com a ideia de que os discentes da turma com possibilidade de interação via TIC, se comportaram de forma mais ativa, no quesito acesso ao LMS, onde o conteúdo da disciplina estava postado.
A intenção de realizar a coleta das informações do andamento da disciplina
“Oficina de Informática”, tem o embasamento na Teoria do Pensamento Complexo, e a constatação da incerteza, entrelaçada nas relações humanas e também no processo de ensino-aprendizagem. Segundo Petraglia (1998) o pensamento complexo não propõe a eliminação da incerteza, mas sim, sugere a busca no processo de compreender a contradição e o imprevisível, a partir da convivência entre eles.
Petraglia (1998, p, 47) conclui que:
A dificuldade do pensamento complexo é justamente ter de enfrentar a confusão, a incerteza e a contradição e, ao mesmo tempo, ter que conviver com a solidariedade dos fenômenos existentes em si mesmo, pois concentra
fenômenos distintos e diversos, capazes de influir em suas ações e transformar-se, sempre, assim também é o conhecimento.
Assim, o processo de avaliação da aprendizagem, mediado por artefatos tecnológicos, também carrega em si o caráter da incerteza. Com a utilização de informações oriundas de sistemas tecnológicos, o professor tem acesso a uma gama de informações, úteis ou não, de como o acesso à tecnologia ocorreu em determinada disciplina. Estas informações dispostas, não conseguem em si, apresentar constatações pedagógicas subjetivas, porém, podem apresentar um cenário contundente de como as operações ocorreram estatisticamente.