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4 ANÁLISE DOS DADOS COLETADOS

4.2 INFORMAÇÕES SOBRE A CONTABILIDADE DOS RPPS

Esta seção relata como a Contabilidade Previdenciária é realizada e questiona a conduta dos contadores frente à normatização específica dos RPPS com o intuito de preservar a qualidade da informação contábil gerada (Parte II do questionário).

Os registros contábeis das operações envolvendo os recursos dos regimes próprios de previdência social e as demonstrações contábeis por eles geradas serão elaborados em observância à Lei nº 4.320/64, a Lei nº 9.717/98, a Lei n.º 101/00, as portarias e instruções normativas da Secretaria do Tesouro Nacional, em especial, os Manuais Técnicos de Contabilidade Aplicados ao Setor Público, a resolução CMN n.º 3506/2007, os Princípios de Contabilidade, as Normas Brasileiras de Contabilidade e as Normas do Ministério da Previdência Social aplicadas aos regimes próprios (Anexo IV da Portaria do MPS nº 95/07).

A tabela 4 expõe os dados relativos à obediência da escrituração contábil aos Princípios de Contabilidade e às Normas Brasileiras de Contabilidade emanadas dos órgãos competentes.

Tabela 4 - Obediência aos Princípios e Normas Brasileiras de Contabilidade

Afirmativas Frequência % Discordo 2 4,9 Indiferente 2 4,9 Concordo 10 24,4 Concordo Totalmente 27 65,9 Total 41 100,0

Fonte: Dados da pesquisa

A tabela 4 demonstra que 90,3% dos entrevistados responderam que obedecem aos princípios e às normas de contabilidade, contudo cerca de 10% dos contadores ainda não estão adequados de fato a elas. A observância da escrituração contábil do RPPS e suas Demonstrações Contábeis ao cumprimento dos Princípios de Contabilidade (Resolução 1.111/07) e Normas Brasileiras de Contabilidade aplicadas ao Setor Público – NBCASP está baseada na Lei Geral dos RPPS43, que determina que os RPPS deverão ser organizados

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baseados em normas gerais de contabilidade e atuária, de modo a garantir o seu equilíbrio financeiro e atuarial. Como os RPPS são classificados como uma entidade do setor público, uma vez que assumem a forma de autarquia, fundação ou fundos, devem observar as normas e as técnicas próprias da Contabilidade Aplicada ao Setor Público (NBC T 16.1).

Tabela 5 - Observância da Portaria 916/03 para elaboração das demonstraçõescontábeis

Afirmativas Frequência % Discordo 1 2,4 Indiferente 2 4,9 Concordo 4 9,8 Concordo Totalmente 34 82,9 Total 41 100,0

Fonte: Dados da pesquisa

Conforme dados observados na tabela 5, os respondentes em sua maioria observam a Portaria MPS nº 916/03 para a elaboração das demonstrações contábeis, esse fato se deve à exigência do Ministério da Previdência Social desde o exercício de 2007 (Portaria MPS nº 95/07, § único do artigo 1°). No entanto, ainda existem contadores, nesse caso três, que não estão observando os ditames legais. A Portaria MPS nº 916/03 apresenta quatro anexos: o Anexo I - Estrutura do Plano de Contas; o Anexo II - Função e Funcionamento das Contas; o Anexo III - Modelos e Instruções de Preenchimento das Demonstrações Contábeis; e o Anexo IV - Normas de Procedimentos Contábeis, os quais detalham todo o processo de escrituração contábil.

Tabela 6 - Registro da Provisão Matemática

Afirmativas Frequência %

Indiferente 2 4,9

Concordo 9 22,0

Concordo Totalmente 30 73,2

Total 41 100,0

Os dados da tabela 6 demonstram que os contadores estão realizando o registro da provisão matemática. Essa provisão corresponde ao passivo atuarial dos RPPS, ou seja, à totalidade dos compromissos líquidos futuros do plano com seus segurados (Valor Atual dos Benefícios Futuros menos Valor Atual das Contribuições Futuras). O registro desse valor é exigido pelo Conselho Nacional dos Dirigentes de Regimes Próprios de Previdência Social – CONAPREV, respaldado pela NBC T 19.7 que trata do registro das Provisões, Passivos Contingentes e Ativos Contingentes; bem como pela Lei 10.887/04; a Orientação Normativa da SPS 02/09; e os Princípios de Contabilidade, aplicando-se nesse caso os Princípios da Oportunidade e da Competência.

Tabela 7 - Conferência dos dados da Avaliação Atuarial

Afirmativas Frequência % Discordo Totalmente 1 2,4 Indiferente 3 7,3 Concordo 13 31,7 Concordo Totalmente 24 58,5 Total 41 100,0

Fonte: Dados da pesquisa

A tabela 7 apresenta que 10% dos contadores não estão fazendo a conferência dos dados da Avaliação Atuarial. Segundo orientação do Ministério da Previdência Social, o contador deverá verificar se a avaliação atuarial do regime foi elaborada em conformidade com a Portaria MPS nº 403/2008, se é assinada por profissional ou empresa devidamente registrado no Instituto Brasileiro de Atuária – IBA, e, ainda, se os dados cadastrais e financeiros contemplados no cálculo atuarial conferem com aqueles existentes no ente federativo na respectiva data-base utilizada na Avaliação.

A Avaliação Atuarial é o documento contábil hábil usado pelo profissional da área contábil para efetuar o registro da Provisão Matemática Previdenciária, sendo importante que o contador verifique na Avaliação a análise comparativa entre os resultados das três últimas avaliações, objetivando compor as notas explicativas que acompanharão as demonstrações contábeis publicadas pelo RPPS ao final do exercício.

Tabela 8 - Avaliação da carteira de investimento a valor de mercado Afirmativas Frequência % Discordo Totalmente 1 2,4 Discordo 2 4,9 Indiferente 10 24,4 Concordo 10 24,4 Concordo Totalmente 18 43,9 Total 41 100,0

Fonte: Dados da pesquisa

Os dados da tabela 8 evidenciam que cerca de 70% dos respondentes estão avaliando a carteira de investimentos a valor de mercado. Esse item baseia-se no anexo IV da Portaria MPS nº 95/07 que afirma que a carteira de investimentos em títulos mobiliários mantidos pelo RPPS deverá refletir o seu respectivo valor de mercado, sendo a aplicação desses recursos regulada pela Resolução CMN nº 3.506/07. De acordo com essa resolução os recursos podem ser investidos em ativos de renda fixa, variável ou em imóveis.

Os recursos resultantes das aplicações financeiras da carteira de investimentos dos RPPS têm como destinação garantir a manutenção do regime, pois, havendo necessidade, devem ser transferidos para o pagamento de benefícios. Essa característica lhes confere o papel de ativo financeiro, inclusive para os investimentos em títulos públicos, tratados habitualmente na Administração Pública como inversões financeiras.

Tabela 9 - Constituição de provisão para perdas sobre os investimentos

Afirmativas Frequência % Discordo Totalmente 5 12,2 Discordo 6 14,6 Indiferente 4 9,8 Concordo 10 24,4 Concordo Totalmente 16 39,0 Total 41 100,0

Fonte: Dados da pesquisa

Com base nos dados da tabela 9, foi demonstrado que 26,8% dos contadores não estão constituindo provisão para perdas sobre os investimentos, esse fato vai de encontro ao

Princípio da Prudência, uma vez que essa provisão tem como objetivo suportar eventuais aplicações ou investimentos malsucedidos. Baseada na NBC T 4 – Da Avaliação Patrimonial, as provisões para perdas no valor dos investimentos são constituídas com base em perdas potenciais. A instituição administradora da carteira de ativos financeiros dos RPPS apresentará um relatório detalhado, contendo as informações sobre a rentabilidade e o risco das aplicações. Essa informação é fundamental para que sejam efetuados os registros contábeis de atualização da carteira de ativos financeiros, bem como da constituição da provisão para perdas em investimentos.

Tabela 10 - Registro das valorizações e desvalorizações dos investimentos

Afirmativas Frequência % Discordo Totalmente 4 9,8 Discordo 4 9,8 Indiferente 3 7,3 Concordo 13 31,7 Concordo Totalmente 17 41,5 Total 41 100,0

Fonte: Dados da pesquisa

De acordo com os dados apresentados na tabela 10, 73,1% dos contadores estão realizando o registro das valorizações e desvalorizações dos investimentos. Contudo 26,9% dos contadores não estão fazendo o registro contábil dessa informação. Essa prerrogativa consubstancia nas Portarias MPS nº 916/03 e nº 402/2008; na NBC T 4 – Da Avaliação Patrimonial; e nos princípios da Competência e da Oportunidade. O Princípio da Oportunidade refere-se ao processo de mensuração e apresentação dos componentes patrimoniais para produzir informações íntegras e tempestivas. Os registros desses procedimentos têm a função de apreender as variações do patrimônio e evidenciar seu oportuno reconhecimento, que é a base indispensável à integridade e à fidedignidade dos processos de reconhecimento, mensuração e evidenciação da informação contábil, e dos atos e dos fatos que afetam ou possam afetar o patrimônio da entidade pública.

Tabela 11 - Realização de reavaliações dos bens imóveis Afirmativas Frequência % Discordo Totalmente 9 22,0 Discordo 4 9,8 Indiferente 16 39,0 Concordo 7 17,0 Concordo Totalmente 5 12,2 Total 41 100,0

Fonte: Dados da pesquisa

Em relação à realização de reavaliações dos bens imóveis, os dados apresentados na tabela 11 evidenciam que 31,8% não estão realizando, enquanto que 39% não se posicionaram em relação ao tema e 29,2% realizam. Para que ocorra a reavaliação dos bens imóveis, primeiramente deverá haver um registro analítico de cada um dos bens de caráter permanente, com indicação dos elementos necessários para a perfeita caracterização de cada um deles e dos agentes responsáveis pela sua guarda e administração. Em seguida deve ser feito um levantamento geral dos bens móveis e imóveis com base no inventário analítico de cada unidade administrativa e dos elementos da escrituração sintética na contabilidade, para que assim possam ser realizadas as avaliações e reavaliações periódicas dos imóveis cadastrados pelo RPPS, a fim de que os valores apurados estejam em consonância com o mercado imobiliário. A Base legal é a Lei nº 4.320, que desde 1964 já fazia referência a esse procedimento contábil, ao estabelecer que ―poderão ser feitas reavaliações de bens móveis e imóveis‖ (art. 106, § 3°); as Portarias MPS n. 916/03 e n. 402/08, bem como a NBC T 16.10 – Avaliação e Mensuração de Ativos e Passivos em Entidades do Setor Público.

Tabela 12 - Registro individualizado das contribuições

Afirmativas Frequência % Discordo Totalmente 3 7,3 Discordo 2 4,9 Indiferente 2 4,9 Concordo 10 24,4 Concordo Totalmente 24 58,5 Total 41 100,0

Na tabela 12 estão apresentados os dados referentes ao registro individualizado das contribuições, os quais mostram que 17,1% dos entrevistados não estão registrando as contribuições de forma individualizada. Esse item tem por base a Lei nº 9.717/98, a qual exige o registro contábil individualizado das contribuições de cada servidor e dos entes estatais. Os RPPS são financiados pelas contribuições dos segurados e do ente federativo, o que torna essencial o controle detalhado desses valores, bem como o devido repasse dessas contribuições, com o intuito de manter o equilíbrio financeiro e atuarial, uma vez que os RPPS possuem caráter contributivo e solidário, mediante contribuição do ente federativo, dos servidores ativos, inativos e pensionistas.

Tabela 13 - Registro das depreciações

Afirmativas Frequência % Discordo Totalmente 14 34,1 Discordo 7 17,1 Indiferente 8 19,5 Concordo 8 19,5 Concordo Totalmente 4 9,8 Total 41 100,0

Fonte: Dados da pesquisa

Na tabela 13 foi questionado se os contadores estão registrando os valores das depreciações dos seus bens. 51,2% responderam que não estão registrando, outros 19,5% não opinaram e apenas 29,3% estão realizando o registro. Assim como a reavaliação, a prerrogativa de registro da depreciação dos bens, também já contemplada pela Lei nº 4.320 desde 1964, estatui em seu art. 108 (para as autarquias e outras entidades) que ―as previsões para depreciação serão computadas para efeito de apuração do saldo líquido das mencionadas entidades‖. A Portaria MPS nº 916/03 determina que ―as depreciações e amortizações deverão ser efetuadas utilizando-se os parâmetros e índices admitidos pela secretaria da receita federal, adequando-os às peculiaridades inerentes a cada regime próprio‖. A matéria também já foi regulamentada pelo Conselho Federal de Contabilidade, por meio da Resolução CFC nº 1.136/08, responsável pela aprovação da NBC T 16.9, que trata da depreciação, amortização e

exaustão. Sendo assim, o fato de não estar sendo realizado o registro das mutações dos elementos patrimoniais compromete de forma significativa a continuidade da entidade.

Tabela 14 - Constituição de reservas com as sobras da taxa de administração

Afirmativas Frequência % Discordo Totalmente 9 22,0 Discordo 4 9,8 Indiferente 8 19,5 Concordo 10 24,4 Concordo Totalmente 10 24,4 Total 41 100,0

Fonte: Dados da pesquisa

Com relação à constituição de reservas com as sobras da taxa de administração verificou-se na tabela 14 que 31,8% dos entrevistados não realizam tal procedimento. A Portaria MPS nº 402/08 estabelece que para o custeamento das despesas necessárias à organização e ao funcionamento da unidade gestora do RPPS poderá ser instituído uma taxa de administração de até 2% sobre o valor total das remunerações, proventos e pensões dos segurados vinculados ao regime. Prevê, ainda, que o RPPS poderá constituir reserva com as sobras do custeio das despesas do exercício, cujos valores serão utilizados para os fins a que se destina a Taxa de Administração.

Diante do exposto, observa-se que as práticas contábeis não estão sendo realizadas, em sua totalidade, consoante os princípios e as normas regulamentadoras da matéria, contribuindo, de forma significativa, para uma evidenciação precária do patrimônio e das mutações patrimoniais dos RPPS, haja vista que a informação contábil gerada, em especial aquela contida nas demonstrações contábeis, deve ser revestida dos atributos de confiabilidade, tempestividade, compreensibilidade e comparabilidade.