C. A educação de excepcionais
2.3.4. Iniciativas no Paraná
Neste tópico proceder-se-á a análise de Currículos de de?
cursos de Habilitação ao Magistério de 1^ a 4^ série, a nível de 29 grau, pretendendo-se com isso verificar a abordagem feita ao excepcional, nas disciplinas e/ou conteúdos relacio
nados .
Na análise de tais currículos, o critério foi levantar:
1) a existência ou não de disciplina específica sobre o
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H E C / C E N E 5 P . D i r e t r i z e s b á s i c a s p a r a a ç ã o do C E N E S P , 1 9 7 4 . p . 30 P A R A N A . S e c r e t a r i a de E s t a d o da E d u c a ç ã o - D e p a r t a m e n t o de
E d u c a ç ã o E s p e c i a l . D i v u l g a ç ã o , 1981 [ m i m e o g r a f a d o )
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excepcional;
2) a existência ou não de objetivos direcionados ao as
sunto;
3) abordagem explícita ou inferida sobre o excepcional ou conduzente a isso.
Das doze* instituições que mantêm curso para habilitação ao magistério, a nível de 29 grau, de Curitiba, foram anali
sados os currículos de sete estabelecimentos de ensino. Além desses, foram analisados currículos de estabelecimentos de
três municípios: Piraquara, Araucária e Londrina.
Da análise do quadro 6 â página 63, ê possível estabele
cer os seguintes comentários:
a) em nenhum estabelecimento há disciplina específica relativa ao excepcional;
b) as disciplinas nas quais o assunto aparece explícita ou implicitamente, são: Psicologia Especial e Geral, Psico
logia do Desenvolvimento, Psicologia Educacional, Fundamen
tos Biopsicolõgicos da Educação, Didática Geral, Psicologia da Aprendizagem;
c) objetivos específicos em relação a excepcionalidades são encontrados em sete currículosj
d) em oito currículos há tópicos específicos relativos ao excepcional e em todos, os mesmos poderão levar aquela abordagem.
. Do éxposto pode-se concluir que:
1) não há sistematização para o assunto;
* D a d o s f o r n e c i d o s p e l a 1? I n s p e t o r i a R e g i o n a l de E n s i n o .
são desta abordagem, no seu currículo.
Assim mais se evidencia a necessidade da proposição con
tida neste trabalho.
2.4. SUPORTE TEÕRICO ■
A necessidade de sensibilização dos professores das clas
ses regulares é básica para maior amplitude da ação docente desses mestres, de forma a permitir a pronta identificação de problemas de excepcionalidade, quer sejam desvios acima ou abaixo do padrão. Essa pronta identificação permitirá maior efetividade do rendimento escolar e a longo nrazo, possivel
mente, redução nos custos da própria escolaridade.
A análise dos currículos de Curços de Habilitação ao Ma
gistério, a nível de 29 grau, (Quadro 6) permite verificar a inexistência de tratamento sistematizado ao excepcional nes
ses cursos. Verificou-se ainda, ficar a cargo de cada escola estabelecer o critério quanto a abrangência a ser dada ao assunto; na maioria delas, enfocam-se aspectos isolados de uma área de excepcionalidade, sem se t.e.r idéia global desejá
vel para o conhecimento do excepcional e dos meios para seu atendimento. Em muitos casos, por inferência percebe-se pos
sibilidade de o assunto ser tratado, ficando isto a critério dos professores das diversas d i s c i p l i n a s .
As concepções de currículo como Desenvolvimento de Pro
cessos Cognitivos e Auto-Atualização, (ver Quadro 5),
escla-. r* 'i
E S C O L A
recem a função do currículo, isto ê, no primeiro caso, desen
volver conjunto de habilidades cognitivas aplicáveis à solu
ção de qualquer problema, e no segundo caso, ser provedor de experiências pessoalmente satisfatórias para cada aluno. Es
sas funções delineam o comportamento do es t u d a n t e , que deverá descobrir coisas por si mesmo, orientado e incentiveido nelo professor, por meio de estratégias instrucionais direcionadas a esse propósito.
A teoria de aprendizagem de GAGNfi indica, além das es
tratégias instrucionais a serem utilizadas, os desempenhos cio aluno ao final da aprendizagem, com ênfase na generalização e transferência do conhecimento, pois esta se realiza com a fi
nalidade de estabelecer capacidades de utilidade duradoura para o indivíduo, no futuro.
’ No que diz respeito ã legislação, ela oferece base le
gal para a elaboração da proposta, pois das abordagens fei
tas, constata-se, em relação aos currículos, a flexibilidade da Lei n9 5692/71, pois, para a composição dos mesmos, não há disposições rígidas; procura-se, pelo contrário, atender ãs diferenças: 1) regionais; 2) do estabelecimento de ensino, e
3) do aluno. (Artigo 49). Também o Parecer 349/72 do Conse
lho Federal de Educação, fixa os mí n i m o s * a serem exigidos para habilitação específica ao magistério e, como recomendação final, enfatiza a flexibilidade da estrutura curricular, pos
sibilitando a escolha de outras opções quando necessário.* 0 Conselho Estadual de Educação do Paraná, estabelece conteúdos obrigatórios para aquela habilitação, porém, em artigo pró
** G r i f o s da a u t o r a .
6 5
prio, defino que tais proposições têm caráter experimenta 1.*
(Deliberação 022/79, artigo 39).
Quanto ao excepcional, sua educação é garantida na De
claração Universal dos Direitos Humanos, da O N U e, na atual legislação educacional, Lei 5692/71, por seu artigo 99.
A conceituação e características do excepcional e da Edu
cação Especial, vistos em tópicos anteriores, esclarecem as
pectos ainda interpretados equivocamente. O primeiro relacio
na-se a abrangência do termo, pois refere-se ele tanto a de
ficiências intelectuais, físicas, auditivas, visuais, como a superdotados, portadores de problemas de aprendizagem e de problemas de conduta. Em segundo lugar há o fato-de haver, além de diferentes tipos de excepcionalidade, diferentes
graus, isto e, em cada tipo hã diferenças quanto ao grau de intensidade do desvio. Assim, quanto mais prõximo da norma
lidade for o desvio, provavelmente mais tardiamente será de
tectado, portanto, o aluno primeiro ingressa no ensino regu
lar, para sé então ser percebido o seu problema. .
Além disso, os princípios de normalização e integração esclarecem uma. das finalidades de educação especial, que 6 a integração do excepcional ao meio em que vive; ela é, pois, um mecanismo para se chegar a isso. Os referidos princípios esclarecem pontos importantes como por exemplo: normalizar não se refere a tornar o excepcional normal, mas sim, refere- se â necessidade de se lhe oferecerem condições de vida e o portunidades idênticas ãs que outras pessoas recebem, possi
bilitando-lhes desenvolvimento compatível ao seu potencial e
* G r i f o da a u t o r a .
67
â.s suas necessidades
Os conhecimentos sobre a Educação Especial auxiliarão o professor no encaminhamento do.aluno aos diversos serviços, como também indicam os tipos de ajuda de que pode dispor.
Em síntese, é oportuna e necessária a inclusão de disci
plina específica sobre o excepcional na grade curricular dos Cursos de Habilitação ao Magistério, a nivel de 29 grau, de forma a garantir a sistematização desejada ao assunto, para atuar como um dos fatores provocadores da sensibilização do futuro professor em relação ao excepcional, para seu pronto encaminhamento e/ou atendimento.
Uma vez que a preocupação desta proposta curricular re
pousa no excepcional, suas características e sua educação, é percebida sua orientação predominantemente de base psicopeda- gogica. Eis porque sugere-se nomear a disciplina a ser in
corporada â grade curricular dos Cursos de Magistério, a ní
vel de 29 grau, de Psicopedagogia do Excepcional.
Em função dos aspectos teóricos relacionados aqui, são pressupostos â proposta curricular:
-1 - Existe, entre todos os tipos de excepcionalidade, um grau de õbsvio muito atenuado, que aproxima a criança, â media do grupo padrão, portanto, só depois de ingresar na escola, se
rá notado esse desvio.
2 - Existem programas especiais para alunos excepcionais, desde os graus mais profundos aos mais leves de excepcionali
dade.
-3 - Todo excepcional pode e deve receber educação, seja
tendidos ou encaminhados pelo professor de classe do ensino regular, em tempo hábil e com ensino remediativo possível de ser executado por ele.
5 - Os currículos de Cursos de Magistério, a nível dc 29 grau, poderão ser elaborados de forma a garantir ao futuro professor do ensino regular, instrumental necessário para o atendimento e/ou encaminhamento de excepcional.
CAPÍTULO III
PROPOSTA CURRICULAR PARA SEUSIRILIZAÇÃO DE ALUNOS DE CURSO