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CAPÍTULO 2 A QUALIDADE DE VIDA

3.6 INQUÉRITO ONLINE COMO FERRAMENTA DE PARTICIPAÇÃO

Os trabalhos de investigação analisados, permitiram perceber perceber que o questionário é a ferramenta mais utilizada para aferir a dimensão subjectiva da percepção e opinião de cidadãos que é tão importante para o fortalecimento da democracia. É então evidente que muitos trabalhos sobre avaliação da Qualidade de Vida, quer a nível nacional quer a nível internacional, e que têm procurado incorporar nas suas análises, a participação dos cidadãos.

Contudo, dada a importância dessa participação, as novas Tecnologias da Informação e Comunicação podem tornar-se num auxiliar imprescindível à mesma. Com os esforços que têm sido realizados para dotar as nossas instituições de recursos electrónicos, bem como a massificação do uso da internet, só faz sentido que nos novos trabalhos de avaliação de Qualidade de Vida Urbana se opte por utilizar a internet como ferramenta primária, pois a Internet, como um meio de comunicação em expansão, pode oferecer diversas oportunidades para a realização de pesquisas.

Para Castells (2004) a comunicação é a base da atividade humana, e a Internet está a mudar o modo como comunicamos, dado que ela é o primeiro meio que permite a comunicação de muitos para muitos a uma escala global e no tempo escolhido pelas pessoas. Assim, diante do cenário de novas expressões da participação política dos jovens no espaço online é pertinente buscar em, termos metodológicos, recursos teórico-práticos que se adaptem às configurações provenientes de novas utilizações adequadas às tecnologias de comunicação e informação. Efectivamente as novas formas de sociabilidade humana sugerem novas configurações nos procedimentos metodológicos a fim de apreender fenómenos recentes.

Deste modo e após análise dos métodos que os trabalhos de avaliação da percepção de qualidade de vida utilizam, percebeu-se que o inquérito online ou questionário electrónico, não tem estado presente nessas investigações. O questionário eletrónico é aquele que utiliza um meio eletrónico para sua aplicação, neste caso através da Internet e que pode ser implementada de duas formas:

 Envio do questionário por e-mail: o questionário é enviado directamente para o participante da pesquisa. O questionário/inquérito pode ser enviado como um arquivo em anexo ou no próprio corpo da mensagem;

 Disponibilização do questionário numa página da Internet: o inquirido é informado sobre o endereço da página do questionário na Internet, através de um correio electrónico, carta

ou anúncio na Internet. Para responder deve aceder a homepage do questionário, responder e finalizar, clicando numa opção que envia as informações para o responsável pela pesquisa.

Esta recolha de dados, utilizando o e-mail ou disponibilização de inquérito online em homepage, pode proporcionar algumas vantagens como:

 Agilidade na aplicação, no controle e follow-up das respostas, além disso os questionários podem ser enviados quantas vezes forem necessárias com maior velocidade;

 Maior velocidade também na recepção e tratamento das respostas;  Facilidade de utilizar maiores amostras;

 Baixo custo de implementação;

 Flexibilidade e diversidade na elaboração das questões;

 Para os inquiridos, os questionários podem ser respondidos de acordo com a sua disponibilidade de tempo;

 Para o investigador, representa que os inquéritos terão respostas completas.

Para Vasconcelos e Guedes (2007) as vantagens para o inquirido dizem respeito, em geral, à rapidez do preenchimento, facilidade de leitura; atractividade proporcionada pela interactividade e “limpeza” do questionário, mas acima de tudo, pelo anonimato, permitindo desta forma uma participação mais livre, sem constrangimentos. Para o investigador, destaca-se o controle sobre o preenchimento incorreto do questionário, impedindo, por exemplo, que o inquirido avance para um item seguinte, se a questão presente não estiver respondida de modo correcto. Esse recurso pode ser vantajoso na aplicação de questionários compostos por itens que exigem diferentes comportamentos do inquirido, como a selecção de uma única alternativa, a obrigatoriedade de preenchimento de espaços em branco ou a ordenação de um conjunto de alternativas mediante atribuição de um ranking.

O inquérito online permite, ainda, ao investigador, o aumento na credibilidade e na velocidade de apuração dos dados recolhidos, pois pode ser é programado de modo que a tabulação seja automática, uma vez que as respostas são postadas directamente no servidor da entidade pesquisadora. Essa característica torna também inteiramente confiável a tabulação, reduzindo a zero a possibilidade de erro estatístico.

Uma das grandes desvantagens deste inquérito, realçada pelo Doutor Luís Delfim Santos24, pelo Doutor José Pires Manso25 e pelo Doutor Norberto Nuno Pinto dos Santos26, quando

inquiridos, sobre as vantagens desta metodologia, tem a ver com a percentagem de infoexcluídos existentes ainda no nosso país.

Numa sociedade da informação é suposto que todas as pessoas estivessem inseridas nela, contudo o acesso às tecnologias de informação e comunicação continua a ser desigual por motivos variadíssimos como a falta de instrução e conhecimento, a pobreza, ou a existência de deficiências físicas. Nada disto pode ser desmentido sendo que muitas destas pessoas não poderiam participar num projecto de monitorização da qualidade de vida, no entanto, observa-se também, que têm sido criados variadíssimos projectos que visam diminuir o número de infoexcluídos no país.

A solução passa por encontrar soluções simples para que todos possam participar activamente e possam exercer o seu direito à cidadania, conjugando métodos, práticos e flexíveis, para que participação cívica se torne uma realidade.

25 Professor Catedrático do Departamento de Gestão e Economia da Universidade da Beira Interior e Responsável pelo

3.7 SÍNTESE

A participação dos cidadãos envolvidos em processos de avaliação de qualidade de vida demonstra a importância de uma população participativa que contribui dessa forma para a melhoria da sua própria qualidade de vida através das suas opiniões ou percepções na avaliação da qualidade de vida.

De um modo geral, ficou esclarecida a pertinência do uso de dados subjectivos, de teor qualitativo, tendo sido apresentados vários trabalhos que a partir da utilização de questionários integraram já esse tipo de análises. Estas reflectem a procura de respostas para a resolução dos problemas de qualidade de vida com apoio na percepção da população. Contudo, foi possível constatar que estes trabalhos, recorreram à aplicação de questionários de tipo presencial, telefónico ou postal, todos eles com grandes desvantagens, as quais foram também evidenciadas.

Nesse sentido foi necessário demonstrar como as novas Tecnologias da Informação e Comunicação podem estar presentes em processos de participação dos cidadãos e explorar os conceitos de Ciberdemocracia e de participação através das TIC, para contextualizar devidamente a aplicabilidade do inquérito online, para o qual foram apresentadas as vantagens.

Depois de demostrar que os trabalhos existentes não recorrem às novas tecnologias, recorrendo apenas a métodos tradicionais e tendencialmente dispendiosos, a demonstração da importância das TIC afirmou-se fundamental. O inquérito online é mais uma ferramenta que as novas TIC disponibilizam e por isso deve, ou pode, ser integrado em processos de participação dos cidadãos que visem a melhoria da qualidade de vida (nomeadamente urbana) e a criação de cidades sustentáveis.

A aplicação prática que se segue no próximo capítulo é a concretização das teorias expostas, porque depois destas considerações apresenta-se o resultado da aplicação de um inquérito online.

CAPÍTULO 4 – APLICAÇÃO PRÁTICA