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4. ANÁLISE DOS DADOS

4.3 A INSERÇÃO DA EaD NA UFPE

Procurando compreender o processo de inserção da UAB na UFPE, vimos a necessidade de realizarmos um levantamento sobre as primeiras ações envolvendo educação a distância na instituição, pois em nossa visão, a forma como a EaD vem se desenvolvendo no seio da universidade ao longo do tempo, tem como consequência o direcionamento dado a UAB.

Assim, durante nossa pesquisa, chegamos a compreender que a EaD, enquanto possibilidade de educação inicial e continuada não figurava até recentemente no horizonte da UFPE. Faltando inclusive memórias que venham a explicar o loci da instituição no cenário nacional da EaD. O que tivemos foram ações de outras universidades desenvolvidas na UFPE, nas quais os professores figuravam em sua maioria como convidados, não tendo nenhuma relação institucional, conforme afirma a coordenadora de Coordenação de Educação a Distância(CEAD) da UFPE

Quando a gente entrou aqui não havia uma instância de EaD. Foi com (o reitor) Amaro que começou isso, então foi criada a coordenação de EaD. E eu acho que o que a gente tinha, tava em curso aquela coisa do Pró-Licenciatura onde a UFPE entrou como um polo de um curso da UFRN, não era oferecido pela UFPE. Era um curso que a UFRN oferecia as licenciaturas e a UFPE era polo.

Complementando o exposto de que as ações envolvendo EaD na instituição foram de natureza externa, quer dizer, os movimentos internos não trabalhavam de forma articulada, temos a fala da coordenadora da CEAD quando questionada sobre o desenvolvimento de iniciativas envolvendo EaD na instituição.

O curso de Lea (Fagundes)20 não foi dado pela UFPE não. Esse curso foi certificado pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). Lea era coordenadora do curso, ele tinha docentes de várias instituições do país e eu me lembro que nos ficamos aqui. Eu coordenei uma sala ambiente, de conhecimento de ciências e a gente montou aqui uma equipe. Então tinha professores da Rural, de outros departamentos da UFPE. Eu participei como convidada, para fazer parte de um corpo docente, não foi a instituição, não teve nenhum consórcio, acordo, nada.[...] O curso aconteceu durante o desenvolvimento do ambiente, ao mesmo tempo construíamos e usávamos o ambiente, numa ação muito interessante, muito rica. Foi uma ação da SEED/MEC, certificada pela UFRGS, que contou com Lea e participação dos cursistas que eram professores das diversas redes do país, senão me engano eram 200 cursistas de várias secretarias municipais e estaduais de educação.

20 O curso referido foi a Formação Continuada em Serviço de Multiplicadores do Programa Nacional de Informática na Educação (PROINFO/MEC), o qual possuía como coordenadora pedagógica a Professora. Dr.ª Lea Fagundes. Essa iniciativa se tratou de uma ação que tinha entre seus objetivos atender a demanda do PROINFO/SEED/MEC de formação tanto dos especialistas já formados como de outros professores de modo a fortalecer os Núcleos de Tecnologia Educacional (NTE). O curso teve suas atividades desenvolvidas por meio de ambiente virtual de aprendizagem de maio a agosto no ano 2000, atendendo cerca de 250 professores da educação básica em exercício em escolas públicas brasileiras ligadas a Internet. Coordenado pela UFRGS, contou com a participação de professores de diversas instituições brasileiras. Da UFPE, participaram os professores Sérgio Sette e Sônia Sette ambos do Departamento de Informática, a professora Márcia Ângela Aguiar, do Departamento de Métodos de Técnicas de Ensino. Disponível em:

Dessa forma, o caráter isolado das ações e projetos em EaD tão comumente apresentado nas diversas IFES do país, também aparece como elemento constituidor da trajetória da modalidade aqui na UFPE. Contudo isso também evidencia a existência de um movimento interno, mesmo que incipiente, no qual os professores interessados em pesquisas no campo da EaD na medida em que não contavam com apoio institucional local, eram incentivados por meio dos programas e projetos desenvolvidos pela SEED/MEC a aprofundar a criação de novas formas de ensinar e de aprender via modalidade a distância.

Vianney (2003) localiza o papel de destaque da UFPE no desenvolvimento de ambientes próprios para a EaD, ou seja, no final dos anos 90, um grupo de professores, através de ação pioneira, criou estratégias próprias para o uso da Internet como mídia educacional qualificada. Tratava-se do Projeto Virtus que possuía entre seus objetivos pesquisar e produzir ambientes para flexibilizar, pela internet, o acesso dos alunos presenciais aos conteúdos e atividades de disciplinas regulares, e, em seguida, utiliza as plataformas desenvolvidas para ‘virtualizar’ as disciplinas regulares e oferecer programas exclusivamente a distância em diversas áreas.

O Projeto Virtus surgiu através da preocupação de sistematizar algumas das questões introduzidas pelo estabelecimento do ciberespaço. Instituído oficialmente na UFPE em maio de 1997, através do esforço conjugado de um grupo transdisciplinar de pesquisa que reunia professores dos Departamentos de Comunicação Social, de Biblioteconomia e de Teoria da Arte. Então era um projeto integrado de pesquisa- com infraestrutura básica instalada, pesquisadores (professores e estudantes) e, sobretudo, como não poderia deixa de ser, um aparato experimental na Internet. O Virtus foi criado como um site acadêmico, isto é, como um instrumento de ensino, de pesquisa e de extensão.

Inicialmente, o entendimento do grupo era de que a virtualização das disciplinas deveria ocorrer como forma de ampliar as possibilidades educativas e principalmente por proporcionar novas maneiras de aprender, nessa perspectiva acreditavam que o ensino superior deveria ocorrer apenas na presencialidade. Com o Projeto Virtus se pretendia consolidar uma experiência pedagógica considerada inovadora para o Brasil que seriam as Comunidades Virtuais de Estudo (CVE) as quais possuíam marcos teóricos afastados tanto dos conceitos de educação a distancia – pois os idealizadores do projeto viam a modalidade inserida em discursos salvacionistas, como também da educação continuada, a qual ainda é

voltada para reciclagens e ajuste da mão de obra. As CVE seriam então um instrumental para que a Universidade usasse o ciberespaço para melhorar sua capacidade de ensino, pesquisa e extensão.

O Projeto Virtus, recentemente, foi subdivido em 3 subprojetos: Ensinar, cujos focos são questões ligadas à documentação digital e educação apoiada pelo computador; Kimera, que tem como objetivo investigar questões ligadas às narrativas e imagens digitais e Líber que tem como objetivo resgatar e promover o conhecimento através das tecnologias da informação.

O depoimento da coordenadora da CEAD resume o projeto

Com relação ao Virtus não tem nada com a SEED/MEC e foi uma ação voltada para a criação de um ambiente de aulas e disponibilizado para uso dos docentes, mas nunca ouvi nem tenho ouvido uma formação, um curso. Era um ambiente, mas nunca tive participação. Pode ser uma iniciativa pensando em EaD por iniciativa da UFPE.

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