Este item trata da inserção e da participação do/a assistente social nos processos de trabalho desenvolvidos na Atenção Básica. Considera, para tanto, as atividades realizadas pela categoria profissional que está submetida a um conjunto de determinações sociais articuladas ao trabalho no modo de produção capitalista, bem como às condições de vida impostas por esse sistema, determinadas pelo “[...] trabalho assalariado, o controle da força de trabalho e a subordinação do conteúdo do trabalho aos objetivos e necessidades das entendidas empregadoras” (MOTA, 2008, p. 306).
O trabalho do assistente social, ao se vincular à realidade do trabalho, passa por um processo de organização das atividades desenvolvidas no cotidiano profissional. Assim, o exercício profissional do assistente social está articulado às circunstâncias históricas e sociais identificadas na sociedade, pois a inserção do Serviço Social nos diversos processos de trabalho encontra-se vinculada aos estabelecimentos que empregam a sua força de trabalho, bem como as relações sociais identificadas na sociedade. “O significado do trabalho no processo de constituição do indivíduo social e na produção da vida material, nos marcos da
sociedade capitalista, como base que fundamenta a leitura do trabalho do assistente social em tempo de capital fetiche” (IAMAMOTO, 2014, p. 339).
O Serviço Social é considerado “trabalho” pela sua ação interventiva que provoca transformação na natureza do ser social, possuindo os elementos constitutivos dos processos de trabalho que se determinam por meio da força de trabalho, da matéria-prima, do objeto de trabalho, dos meios e instrumentos de intervenção. Sendo assim, o trabalho, sob os condicionantes postos pelo capitalismo, mantém articuladas todas as formas de trabalho, ou seja, há uma transformação sobre a realidade social mesmo não havendo a utilidade de instrumentos para provocar essas mudanças.
O Serviço Social é uma profissão que se encontra inserida na divisão social e técnica do trabalho, e tem como objeto de trabalho as expressões da questão social, sendo esta matéria prima de intervenção. Assim, a questão social é compreendida a partir da contradição entre o capital e o trabalho, bem como pela geração expressiva das desigualdades sociais identificadas diante da realidade social.
As demandas de trabalho apresentadas à profissão são oriundas desse conflito entre o capital e o trabalho por intermédio da exploração, desemprego, violência, violação dos direitos, entre outras expressões identificadas na realidade social, as quais promovem a exclusão social. Nesse sentido, os profissionais do Serviço Social possuem respaldo ético para intervir diante da realidade identificada, que pressupõe um compromisso ético-político a partir dos princípios que constam no Código de Ética dos Assistentes Sociais, intitulado em 1993, bem como na Lei 8.662, de 7 de junho de 1993, que dispõe sobre a profissão do Assistente Social e dá outras providências.
O objetivo de intervenção do Serviço Social tem como pressuposto a ampliação e a consolidação da cidadania, devendo ser considerada primordial aos sujeitos, tendo em vista garantir o acesso dos direitos civis, políticos e sociais da população. Precisamente, o Serviço Social está interligado à construção da cidadania por causa da mediação do conflito capital e trabalho, também pelos impactos de globalização que causam várias modificações nas sociedades e na dimensão social que apresenta a cidadania.
Segundo Coutinho (2000, p. 51),
[...] a cidadania não é algo dado aos indivíduos de uma vez para sempre, não é algo que vem de cima para baixo, mas é resultado de uma luta permanente, travada quase sempre a partir de baixo, das classes subalternas, implicando assim um processo histórico de longa duração.
As políticas de proteção social são consideradas “[...] produto histórico das lutas do trabalho, na medida em que respondem pelo atendimento de necessidades inspiradas em princípios e valores socializados pelos trabalhadores e reconhecidos pelo Estado e pelo patronato” (CAMARGO, 2009, p. 20). Diante desse contexto de produção e reprodução das relações sociais há um movimento de ação contraditória na sociedade, uma vez que as políticas de proteção social são criadas como estratégias da classe dominante, visando, de certa forma, se “manter no poder” e “amenizar” a revolta dos trabalhadores.
O trabalho em equipe proporciona melhor acompanhamento do usuário. A relação com a rede de serviços proporciona qualidade nos atendimentos, bem como é um importante aliado na garantia de direitos dos usuários. “O profissional precisa ter clareza de suas atribuições e competências para estabelecer prioridades de ações e estratégias, a partir de demandas apresentadas pelos usuários, de dados epidemiológicos e da disponibilidade da equipe de saúde para ações conjuntas” (BRASIL, 2009, p. 43).
A rede é considerada, portanto, como “sistemas organizacionais capazes de reunir indivíduos e instituições, de forma democrática e participativa, em torno de objetivos ou realizações comuns” (NEVES, 2009, p. 149).
O trabalho em equipe é definido a partir das concepções de diferentes saberes utilizados pelos profissionais, constituindo uma rede interligada de ações desenvolvidas. A articulação do trabalho em rede se constitui mediante a promoção e a articulação dos atendimentos das demandas que abrangem o sistema de proteção, evidenciando as possibilidades de ações conjuntas nos referidos procedimentos.
4 ANÁLISE DOS DADOS E RESULTADOS ENCONTRADOS
Este capítulo busca dar visibilidade aos dados coletados a partir da pesquisa realizada sobre o trabalho do/a assistente social na Rede de Prevenção à Violência a partir da secretaria municipal de saúde do município de Crissiumal/RS, apresentando os resultados encontrados quanto às contribuições para o fortalecimento do trabalho interdisciplinar. Ressalta-se que os resultados da pesquisa apresentada são caracterizados como provisórios, pois estão em constante transformação, considerando que a realidade da sociedade encontra-se em movimento contribuindo para possíveis alterações dos dados encontrados.