• Nenhum resultado encontrado

CAPÍTULO III – MATERIAL E MÉTODOS

3.4. Instalação do ensaio

3.4.1. Recolha, caracterização e preparação do solo

O solo usado na experiência foi obtido na Quinta Nossa Senhora de Lurdes pertencente à UTAD. Para proceder à análise de solo, fez-se a colheita de três amostras obedecendo a um traçado em «estrela». Procedeu-se à abertura de covas à profundidade de 30 cm, e recolheu-se cerca de 500 g de terra para dentro de sacos de plástico. Conforme o Quadro 5, a análise de solo realizada no laboratório da UTAD revelou os seguintes resultados: classe de textura franco-arenosa, baixo teor de matéria orgânica, reação de solo pouco ácida e teores de P2O5 e de K2O assimiláveis médios.

Quadro 5. Análise do solo usado na experiência.

Parâmetro Resultado Unidades Classificação *

Análise sumária:

Classe de textura Franco-arenosa ---

pH(H2O) 5,8 --- Pouco ácido

pH(KCl) 4,5 ---

Matéria Orgânica 1,7 % Baixo

Fósforo extraível 63,5 ppm P2O5 Médio

Potássio extraível 98,4 ppm K2O Médio

Complexo de troca Bases de troca: Cálcio (Ca++) 6,1 cmol(+)/kg Magnésio (Mg++) 1,0 Potássio (K+) 0,2 Sódio (Na+) 0,2 Acidez de troca 0,04 Análise granulométrica (% p/p) Areia grossa 390,9 g/kg Areia fina 337,8 Limo 178,5 Argila 92,8

*De acordo com o Manual de Fertilização, Quelhas dos Santos, 2012

Primeiramente, para se proceder ao enchimento dos vasos, dois dias antes de se recolher o solo, fez-se uma lavoura ao terreno com uma charrua de aivecas a uma profundidade de 30 cm. Recolheu-se o solo a uma profundidade de 0-30 cm, e posteriormente peneirou-se num crivo de 5 mm e adicionou-se areia numa proporção de 2,67:1 (solo:areia). A mistura foi posteriormente homogeneizada, usando um homogeneizador mecânico de grandes dimensões (betoneira). Os vasos utilizados tinham 11 L de capacidade, 26 cm de diâmetro no topo, 19

36 cm de diâmetro na base e 28 cm de altura, com quatro furos na base para que a água em excesso fosse drenada (Figura 12).

Figura 12. Vaso usado na experiência.

No total prepararam-se trinta e seis vasos, contendo cada um a mesma quantidade da mistura solo e areia.

3.4.2. Determinação da capacidade de campo

A capacidade de campo pode ser definida como sendo a quantidade máxima de água retida pelo solo em condições naturais após este ter sido saturado e o excesso de água drenado pela força da gravidade.

A determinação da capacidade de campo foi efetuada antes da sementeira recorrendo-se a um método expedito que permitiu uma estimativa desse parâmetro. Para tal, seis vasos contendo solo foram durante dois dias ‘saturados’ com água e posteriormente deixados a drenar cerca de 24h com a superfície coberta com um plástico (para minimizar a evaporação) para que se atingisse a capacidade de campo. Colocou-se 0,5 L de água nos vasos durante dois dias, três vezes por dia, de manhã, à tarde e à noite. Dois dias foi o suficiente para se ‘humedecer’ totalmente o solo, com a libertação gradual de 0,5 L, três vezes por dia. Estes vasos não foram nenhum dos 36 vasos usados na experiência. Utilizou-se água destilada para este procedimento. Os vasos foram colocados sobre um suporte de ferro a 95 cm do chão, como se pode ver na Figura 13.

37

Figura 13. Vasos com solo colocados no suporte de ferro para determinação da capacidade de campo.

Posteriormente os vasos foram pesados, e para se determinar a capacidade de campo procedeu-se da seguinte forma:

1. Pesou-se o vaso e registou-se (o valor médio foi de 355 g);

2. Pesou-se o vaso mais o solo molhado no máximo da capacidade de campo (o valor médio foi de 13 415,67 g);

3. Colocou-se o solo molhado na estufa a 105º C até peso constante e voltou a pesar-se o solo seco;

O teor de água no solo (TAS) corresponde a 100% da capacidade de campo foi calculado através da seguinte fórmula:

TAS = [(vaso vazio + solo molhado) – (vaso vazio + solo seco)] / [(vaso vazio +solo molhado) – (vaso vazio)] × 100

O resultado indicou que a capacidade do campo correspondeu a um conteúdo de água de cerca de 22,42 g de água por 100 g de solo húmido.

A seguinte fórmula permite determinar a percentagem de humidade do solo num dado momento relativamente à capacidade de campo:

% humidade do solo em relação à capacidade de campo = 100 x [(vaso vazio + solo num dado momento) – (vaso vazio + solo seco)] / [(vaso vazio +solo molhado) – (vaso vazio + solo seco)]

38 Para, além disso, o teor de água inicial da mistura ‘solo:areia’ foi estimado usando três vasos e verificou-se ser 3,40 g de água por 100 g de solo.

Em relação aos 36 vasos, depois de se ter colocado a mistura de solo + areia, estes foram pesados em intervalos de dois dias e foram regados para se atingirem 70% da capacidade de campo.

3.4.3. Sementeira

De modo a garantir uma razoável emergência das sementes (por exemplo, 50% da variedade Fradel não emergiu), semearam-se, em cada vaso, cinco feijões, com 10 cm de espaçamento e 3 cm de profundidade. A sementeira foi efetuada manualmente na manhã do dia 9 de junho de 2014. A emergência das sementes ocorreu entre 3 e 5 dias após a sementeira.

Quinze dias após a sementeira, retiraram-se plantas dos vasos que continham mais plantas e transplantaram-se para os que tinham menos, ficando assim, duas plantas por vaso. Aquando da transplantação, as plantas estavam no estádio das três folhas trifoliadas e mantiveram-se as duas plantas mais uniformes de cada genótipo. Após a transplantação, regou-se. Não se efetuou nenhum tratamento às sementes.

3.4.4. Operações culturais

Dez dias após a sementeira, aplicou-se um fertilizante azotado (20,5% N, 60 kg N / ha), tendo sido distribuído 2,1 g N por vaso. Considerou-se importante a aplicação deste fertilizante, pois permitiu evitar eventuais efeitos de stresse hídrico sobre as bactérias do género Rhizobium que se encontram nas raízes do feijão-frade.

A humidade do solo de todos os vasos foi mantida em 70% da capacidade de campo até 30 dias após a sementeira. Nesta altura, já as plantas tinham as folhas primárias completamente desenvolvidas. A partir desta data, iniciaram-se os tratamentos de stresse hídrico.

Por volta dos 30 dias após a sementeira, os feijoeiros foram atacados por afídeos ou pulgões

(Aphis fabae). Para combater esta praga aplicou-se o inseticida de nome comercial Pirimor

(50-75 g/hl) e cuja substância ativa é pirimicarbe. Aplicou-se duas vezes, segundo as indicações do rótulo do fitofármaco.

39