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AS INSTITUIÇÕES DE ENSINO NORMAL NORTE-RIO-GRANDENSES NO CONTEXTO DAS REFORMAS EDUCACIONAIS NOS ANOS 1940 E

2 A INSERÇÃO DO CENTRO

2.1 AS INSTITUIÇÕES DE ENSINO NORMAL NORTE-RIO-GRANDENSES NO CONTEXTO DAS REFORMAS EDUCACIONAIS NOS ANOS 1940 E

1950

A Constituição Federal de 1946 determinou a normatização do Ensino Normal brasileiro. Desse direcionamento, teve origem a Lei Orgânica do Ensino Normal (Decreto-Lei n. 8.530 de 2 de janeiro de 1946). Esse decreto instituiu as diretrizes de funcionamento das escolas normais, em nível nacional. Tinha-se como pretensão dar uniformidade para a formação de professores no país, pela definição de princípios e normas referentes a regime de estudo, conteúdos programáticos, métodos e processos didáticos. Com relação aos estabelecimentos de ensino normal, essa Lei, em seu artigo 4º, determinou três modalidades de instituições de ensino normal: o Curso Normal regional, a Escola Normal e o Instituto de Educação. Segundo a Lei Orgânica, o Ensino Normal corresponderia a um curso de formação profissional, em nível secundário.

Conforme a referida Lei, o Curso de Formação de professores de ensino primário de 1º ciclo, com duração de quatro anos deveria funcionar nas Escolas Normais Regionais; o Curso de Formação de professores de ensino primário de 2º ciclo, com duração de três anos, nas Escolas Normais; e nos Institutos de Educação além dos cursos de formação de professores e de especialização para professores primários e curso de habilitação para administradores escolares, cursos pré-primário e primário (BRASIL, 1946). Em conformidade a essa legislação federal, o Rio Grande do Norte elaborou a sua Lei Orgânica de Ensino Normal de número 684, de 10 de fevereiro de 1947, que procurou obedecer às mesmas diretrizes. Nesse sentido, a aplicabilidade dessa Lei, se processou em consonância às condições econômica e política locais.

Nesse estado, até os anos 1920, a oferta de Ensino Normal se restringia a Escola Normal de Natal56 e a Escola Normal de Mossoró, esta criada pelo Decreto n.

165 de 19 de janeiro de 1922, como Escola Normal Primária destinada, especialmente, ao preparo de professores para as escolas isoladas, rudimentares e ambulantes do interior do estado. Para Maria Aurélia Sarmento (2013, p.80), “na

prática os professores formados por essa escola foram os mestres dos grupos escolares que se expandiram para o interior do Estado”.

Na década de 1930, teve impulso a expansão do Ensino Normal na forma de adaptação e equiparação de Escolas Normais particulares às Escolas Normais Oficiais, processo já desencadeado, nos estados de Pernambuco, Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Goiás e São Paulo, impulsionado pelas demandas dos municípios, pelo direito de ministrar o ensino normal, bem como pela necessidade de expandir este ensino, no interior do Estado (TANURI, 2000).

Nessas circunstâncias, no Rio Grande do Norte, a expansão do Ensino Normal configurou-se na oferta dos Cursos de Regentes de Ensino Primário ministrados por instituições religiosas57 e equiparados à Escola Normal de Natal, nas cidades de

Ceará Mirim, Açu e Caicó (MEDEIROS NETA, AQUINO, 2013). Também a Escola Normal de Mossoró foi equiparada à Escola Normal de Natal, pelo decreto de n. 698, de 16 de junho de 1934, para, a partir de então, ter condições de emitir os diplomas aos formandos (SARMENTO, 2013).

Nos anos de 1940, em prosseguimento à normatização desse ensino foram instituídos os Cursos Normais Regionais por meio do Decreto-Lei n. 204, de 7 de dezembro de 1949, no governo de José Augusto Varela (1947-1951). Na perspectiva de ampliação da oferta para formação de professores primários, foram regulamentados para funcionar em 14 cidades do estado a partir da Lei Estadual n. 621, de 06 de dezembro de 1951, no governo de Silvio Pizza Pedroza (1951-1956). No ano seguinte, as escolas funcionavam nas seguintes cidades: Acari, Alexandria, Angicos, Apodi, Assú, Ceará-Mirim, Currais Novos, Florânia, Jardim do Seridó, Macau, Martins, Nova Cruz, Parelhas, Pau dos Ferros e Santa Cruz (MEDEIROS NETA, AQUINO, 2013).

Na cidade de Caicó, o Curso de Regente do Ensino Primário foi criado pelo Decreto n. 2.463, de 26 de fevereiro de 1954, para funcionar no Ginásio Diocesano Seridoense (RIO GRANDE DO NORTE, 1954). No ano seguinte, foi transformado em Curso Normal Regional58 e para Curso Pedagógico Estadual de 2º Ciclo, em 1958.

57 Autorizado ao Colégio N. S. das Vitórias (Lei nº 82 de 10 de dezembro de 1936); ao Colégio Santa Águeda (Lei 105 de 20 de outubro de 1937) e Colégio Diocesano Seridoense (este último exclusivo para funcionamento da Escola Normal de Caicó, criada pelo Decreto n. 2.463, de 26 de fevereiro de 1954).

Teve como primeiro diretor, Pe. José Celestino Galvão e o vice Moacyr Lucena. (MEDEIROS, 2006, p. 142-144). Posteriormente, neste tópico, retornaremos à história dessa instituição.

Contudo, consideramos pertinente ressaltar a oferta do Ensino Normal no estado, os anos de 1950, pelas instituições: a Escola Normal de Natal, Escola Normal de Mossoró e os Cursos Normais Regionais, cuja distribuição de atendimento, está ilustrada na Figura 26.

Figura 26- Distribuição do Ensino Normal no RN (anos 1950).

Fonte: Elaboração da autora a partir de dados da Enciclopédia dos municípios brasileiros (IBGE, Vol. XVII, RJ, 1960) e da Lei Estadual 621/1951, sobre base do IDEMA (2004).

Em se tratando da modalidade Instituto de Educação, proveniente da Lei Orgânica do Ensino Normal brasileiro, anos 1940, o governo de Ubaldo Bezerra de Melo (1946-1947) estabeleceu para a construção do prédio escolar na capital do estado, no ano de 1946, convênio com a União por intermédio do INEP/MEC. Tal Instituto teve sua construção iniciada naquele mesmo ano, sendo somente concluído em 1954. Importante frisar a participação de Anísio Teixeira nesse processo, à medida em que foi com sua chegada na direção do INEP, em 1952, quando estendeu a distribuição dos recursos financeiros destinados para construção de prédios escolares

ao Ensino Primário, também para as edificações prediais do Ensino Normal, que se impulsionou a conclusão da obra do Instituto de Educação do Rio Grande do Norte. Na inauguração desse Instituto de Educação, em 11 de março de 1954, esteve presente o então diretor do INEP Anísio Teixeira. (ARAÚJO, 2006; AQUINO, 2007). Por força de questões econômicas e políticas do estado, o prédio do Instituto de Educação do Rio Grande do Norte foi instalado com este nome e para fins previstos na Lei Orgânica de Ensino Normal, n.684 de 10 de fevereiro de 1947, de funcionamento das escolas normais. Contudo, para lá foram transferidos o Atheneu- norte-rio-grandense e a Escola Normal de Natal.

Como já mencionamos anteriormente, sobre esta situação Magalhães (2004) aponta que, na compreensão historiográfica de instituições educativas, inclui-se o entendimento de entrosamento de políticas normativas em estrutura educativa de dimensão nacional e internacional. Nessas circunstâncias, as instituições educativas são compreendidas como organismos vivos, “fator de conflito entre os campos de liberdade, criatividade, sentido crítico e autonomização dos atores e o normativo burocrático e político-ideológico estruturante” (MAGALHÃES, 2004, p. 124).

Ainda em conformidade com a Lei Orgânica de Ensino Normal do estado, na Reforma do Ensino Primário e Normal (Lei nº 2. 171, de 6 de dezembro de 1957, Artigo 19, alíneas a, b, c) foram instituídos, além do Instituto de Educação do Rio Grande do Norte, os Centros Educacionais de Formação de Magistério, de Mossoró e Caicó, e os Cursos Normais Regionais existentes (conforme distribuição ilustrada na Figura 26Contudo, consideramos pertinente ressaltar a oferta do Ensino Normal no estado, os anos de 1950, pelas instituições: a Escola Normal de Natal, Escola Normal de Mossoró e os Cursos Normais Regionais, cuja distribuição de atendimento, está ilustrada na Figura 26.

Figura 26). Dentre estes, a implantação do Centro Educacional de Formação de Magistério de Caicó, objeto de nossa investigação.

Diante do exposto, observamos como elemento marcante da década de 1940, para o campo educacional, os dispositivos da Lei Orgânica do Ensino Normal (Decreto-Lei n. 8.530 de 2 de janeiro de 1946), a refletir os direcionamentos da Constituição Federal de 1946 que, para Maria Lúcia A. Aranha (1989), foi um reflexo dos ideais democráticos presentes no Manifesto dos Pioneiros de 1932. Segundo essa autora:

A Constituição Federal de 1946 reflete a redemocratização buscada após a queda da ditadura de Vargas. Em oposição à Constituição outorgada de 1937, retoma os valores defendidos pelos “pioneiros” da educação e que já tinham sido defendidos pela Constituição de 1934 (ARANHA, 1989, p. 249).

Os direcionamentos educacionais da Constituição Federal de 1946 estabeleceram, assim, para o país, concepções de educação que foram efetivadas, considerando as condições locais e pelos instrumentos legais elaborados pelos estados. Entre essas concepções, ressaltamos as acepções de sistema de ensino que contemplaram diferentes diretrizes, a exemplo das configurações de espaço adotadas nos diferentes níveis do ensino brasileiro. Elemento não contemplado nos formatos anteriores de funcionamento e estrutura do ensino no Brasil, a configuração espacial das instituições para formação de professores assumiu caráter proeminente nas novas proposições encaminhadas pela Constituição Federal de 1946. Essa nova estrutura organizacional se adapta à expressão modernista de arquitetura, assunto que trataremos posteriormente.

2.2 AS INSTITUIÇÕES DE FORMAÇÃO DE PROFESSORES: ESPAÇOS