1.2.1 Conceito, seu papel e como avaliá-las
São denominadas Instituições, as organizações ou mecanismos sociais que tem a função de controlar o funcionamento de uma dada sociedade e consequentemente, os indivíduos que a compõe. Na sequência conceitual, é a tradução de experiências quantitativas e qualitativas de uma série de processos sociais e econômicos. São ainda, organizadas sob regras e normas das mais diversas e que assim, tem o intuito de bem ordenar os indivíduos e a organização e vice e versa.
De acordo com Williamson (1998; 2012), as instituições têm o papel de organizar a sociedade de modo tal que favoreça à alocação racional de recursos que otimizem a satisfação das necessidades desses cidadãos.
Do ponto de vista teórico, as instituições são uma criação humana, evoluem e se alteram. Por consequência, a teoria deve se basear no indivíduo (NORTH, 1990, p.12-20).
O segundo elemento crucial na compreensão das instituições é o comportamento humano, em outros vocábulos, é necessário decifrar o meio ambiente em que o indivíduo está inserido. Para avaliar o comportamento humano é indispensável avaliar o passado, a rotina de seus comportamentos, sejam eles de formas regulares/irregulares e estáveis/instáveis. De modo que 90 por cento das ações não requerem muita reflexão (NORTH, 1990, p. 22).
Sendo assim, as instituições existem para reduzir as incertezas envolvidas na interação humana. Estas dúvidas surgem como uma consequência da complexidade do problema a ser resolvido por um indivíduo (NORTH, 1999, p. 25).
De acordo com Douglas North, a instituição é construída a partir de uma teoria do comportamento humano combinada à teoria dos custos de transação. Quando ajustadas, pode-se entender por que as instituições existem e qual o papel que desempenham no funcionamento das sociedades. Ao somar a teoria da produção, tem-se a possibilidade de analisar o papel das instituições no desempenho das economias. A assimetria de informação é a chave para os custos
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de transação, são os custos para medir os atributos de valor do que está sendo a troca e os custos de proteção dos direitos e policiamento e aplicação de acordos. Estes custos de medição e fiscalização são as fontes de instituições sociais, políticas e econômicas (NORTH, 1999, p. 27).
Mesmo se todos os indivíduos possuíssem o mesmo objetivo (por exemplo, em conjunto maximizar a riqueza de uma empresa que os emprega), haveria ainda os custos de transação envolvidos em adquirir a informação necessária isto é, ainda existe assimetria de informação que por sua vez é fundamental no estudo do comportamento dos indivíduos, para a teoria econômica e consequentemente, para o estudo das instituições (NORTH, 1999, p. 29-30).
Pode-se notar que o grau de complexidade do intercâmbio econômico é uma função do nível de contratos necessários para realizar trocas na economia. Quanto maior a especialização, o número e a variabilidade de atributos, maior deverá ser o peso colocado nas instituições que por sua vez, tem a função de diminuir ou eliminar as incertezas dos sujeitos (NORTH, 1999, p. 29-34).
É sabido que em todas as sociedades desde os mais primitivos até os dias atuais, os indivíduos apresentam limitações. Sob estas condições, de informação e capacidade limitada, os custos de interação humana também são limitados ao comparar-se com uma instituição (NORTH, 1999, p. 36).
Dessa forma, a estrutura de custos de transação oferece a promessa de explorar estas restrições. Embora as restrições informais institucionais não sejam diretamente observáveis, os contratos escritos e às vezes os custos reais de transações também, fornecem evidências e maior transparência aos sujeitos, diminuindo essas restrições (NORTH, 1999, p. 43).
Igualmente importante é o fato de que as restrições informais que são culturais não mudarão imediatamente em resposta às alterações nas regras formais. Como resultado, a tensão entre a alteração de regras formais e as limitações informais que persistem, produzem resultados que têm implicações importantes para alterar o desempenho econômico (NORTH, 1999, p. 45).
Cabe afirmar que a capacidade das sociedades em se desenvolver de forma eficaz, isto é, com baixos custos de execução dos contratos é a fonte mais importante para determinar a estagnação histórica de um país ou região e para o subdesenvolvimento contemporâneo (NORTH, 1999, p. 54).
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Os valores consistem em recursos necessários para medir os atributos legais em uma transação, os custos de policiamento, o cumprimento de um acordo, e se existem incertezas no estabelecimento de contratos, ou seja, assimetria de informação entre o ofertador de serviços e o que adquire estes serviços ou nas relações humanas (NORTH, 1999, p. 62).
Restrições informais podem assumir forma de acordar/estabelecer contratos com menores custos de transação (pesos e medidas padronizadas, por exemplo) (NORTH, 1999, p. 41). As imposições institucionais que definem a oportunidade de um conjunto de indivíduos são um complexo de restrições formais e informais. Essas formam uma rede interconectada que com várias combinações de formas de escolha. Assim, as instituições propiciam estabilidade e um leque maior de escolhas (NORTH, 1999, p. 67).
Ademais, as instituições impedem os atores de alcançar o resultado de maximização de suas necessidades e de zerar os custos de transação (NORTH, 1999, p. 107). Esta característica que algumas vezes não agrada todos os indivíduos - permite que o indivíduo procure outras maneiras de maximizar suas vontades, em que muitas vezes não se encontra dentro dos princípios de uma instituição formal, legal, recorrendo às suas próprias escolhas e também ao envolvimento com organizações mafiosas (NORTH, 1999, p. 110-111).
As instituições fornecem estrutura básica aos indivíduos através da história em que foram criados e assim, por meio delas, busca-se reduz a incerteza das trocas humanas. Juntamente com a tecnologia empregada, essas determinam os custos de transação e de transformação e, portanto, a rentabilidade e viabilidade de desenvolvimento da atividade econômica. Por meio delas, os indivíduos conectam- se o passado com o presente e o presente com o futuro - de forma que a história é de grande importância na evolução institucional. Isto é, são a chave para compreender a interrelação entre a política e a economia e as consequências dessa interrelação para o crescimento econômico (ou estagnação e declínio) (NORTH, 1999, p. 118). Desta forma, permite-se afirmar que a Máfia é uma instituição em meio a outras instituições sendo civis ou estatais e dada a importância desta no histórico da sociedade italiana que é moldada por estas instituições, viu-se necessário a exposição dessas no próximo capítulo.
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