3. ASPECTOS ARQUITETÔNICOS DO PERÍODO NEOCOLONIAL
4.1 Instituto Baiano do Fumo - histórico da edificação
O fumo, com intenso cultivo e utilização, principalmente em Cruz das Almas, expandiu-se rapidamente entre os nativos. No início do século XVII na Bahia o fumo já era comercializado. O desenvolvimento do produto deu-se a partir do fomento dessa cultura, prosperando aqueles que tinham poder sobre o comércio. Com a produção em larga escala, durante esse período, o Recôncavo se tornou o principal produtor de fumo (BORBA, 1975).
Com intuito de fortalecer a produção de fumo em Cruz das Almas foi criado o Instituto Baiano do Fumo (IBF), inaugurado em março de 1935 (Figura 6) (SANTANA, 2012). O IBF tinha como objetivo central a difusão da cultura do fumo, bem como o comércio e sua industrialização. Para maior desenvolvimento das técnicas para cultura do fumo o IBF dispunha de laboratórios para pesquisas e campos de demonstração em Cruz das Almas e outros municípios do Estado, onde realizava diversas pesquisas em prol da melhoria da cultura. Esses conhecimentos eram difundidos através de assistência técnica, distribuição de sementes e eventos, como o 1º Congresso Nacional do Fumo, em 1952, quando foi publicado fascículo de autoria do então Presidente do Instituto a respeito da história do fumo (CUNHA, 1959).
Figura 6: Foto do antigo Instituto Baiano do Fumo.
Fonte: IBGE, 2018
30 Em junho de 1941, o Instituto ampliou sua funcionalidade e passou a ser denominado Instituto Baiano de Fomento Agrícola (IBFA), assumindo a responsabilidade por outras culturas (FONSECA, 2011).
Após anos de atuação, o IBFA cedeu lugar à Empresa Baiana de Desenvolvimento Agrícola (EBDA). Atualmente, sedia o espaço, o SETAF (Serviço Territorial de Apoio à Agricultura Familiar), unidade descentralizada da Secretaria de Desenvolvimento Rural (SDR) e vinculada à Secretaria de Administração do Estado da Bahia (SAEB).
O SETAF constitui-se em uma instituição de grande importância no âmbito do desenvolvimento rural uma vez que tem o propósito de reestruturar e efetivar de maneira organizada os sistemas produtivos no que se diz respeito à agricultura familiar (SILVEIRA, 2017).
Figura 7 – Vista aérea da área do antigo IBF (atual SETAF).
Fonte: Silveira (2017).
Neste mesmo período, outro instituto foi criado na cidade: o Instituto Agronômico do Leste (IAL), posteriormente denominado, Instituto de Pesquisas Agropecuárias do Leste (IPEAL) – atual Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (EMBRAPA), privilegiando Cruz das Almas e, consequentemente, o Recôncavo da Bahia (BAIARDI, 2012).
31 4.2 Sistema Construtivo
Sobrado de uso institucional, implantado totalmente isolado no lote, elevado do solo, com base em alvenaria e cercado por grande vegetação. Grande parte do terreno é contornada por muro baixo, com uma estrutura de alvenaria na entrada, composta por um grande portão central para acesso de carros e dois pequenos portões laterais para acesso de pedestres (Figura 8).
Figura 8: Entrada principal.
Fonte: SETAF, 2017.
A imponente edificação expõe os traços marcantes da arquitetura neocolonial, com a presença de arcos, faixa de azulejos, estrutura rebuscada, frontão com volutas, detalhe de pedras no terço inferior das paredes, esquadrias tipo guilhotina, etc. A construção tem dois pavimentos, com área construída de 412,48 m2. As paredes são largas, possuindo em média, espessura de 30 centímetros.Todas as portas são em pranchas de madeira, sendo as externas em duas folhas. As janelas são do tipo guilhotina com caixilho de vidro. Todos os vãos possuem vergas retas (Figuras 9, 10, 11 e 12).
32 Figura 9: Fachada principal
Fonte: SETAF, 2017.
Figura 10: Vista do frontão e painel de azulejos.
Fonte: próprio autor, 2018.
33 Figura 11: Detalhe das pedras na fachada.
Fonte: próprio autor, 2018.
Figura 12: Esquadrias de guilhotina.
Fonte: próprio autor, 2019.
O telhado é composto de seis águas, duas no pavimento superior e quatro no térreo.
(Figura 13). O telhado foi, originalmente, coberto por telhas francesas, sendo substituído por telhas coloniais na última intervenção (Figura 14, 15).
Figura 13: Vista da cobertura.
Fonte: Google Earth, 2019.
34 Figura 14: Telha francesa. Figura 15: Telha colonial.
Fonte: próprio autor, 2018. Fonte: próprio autor, 2018.
A fachada frontal tem um eixo central marcado por um frontão recurvado na platibanda, ornado com volutas, frisos e cimalha, tendo ao centro a sigla da antiga instituição “IBF”, no pavimento superior. Varandas complementam a construção, tanto no pavimento superior quanto no térreo, partes com colunas e outras com arcos plenos. Os três acessos ao imóvel estão distribuídos ao longo da fachada principal, precedidos por escadas de quatro degraus (Figura 16).
Figura 16 – Fachada frontal do antigo IBF, atual SETAF.
Fonte: Próprio autor, 2018.
35 Nas placas comemorativas fixadas no imóvel, pode-se constatar a restauração realizada pelo Governo do Estado da Bahia, em março de 1994 (Figura 17) e a sua reinauguração, após nova intervenção, com o atual nome da instituição – SETAF - através da Secretaria de Desenvolvimento Rural (SDR), em 2015 (Figura 18).
Figura 17: Placa da reconstrução. Figura 18: Placa da inauguração.
Fonte: Próprio autor, 2018. Fonte: Próprio autor, 2018.
No imóvel as características estruturais originais foram mantidas, apenas algumas modificações foram feitas, para adaptação da nova instituição, onde encontram-se divisórias em madeira (Figura 19). Na fachada posterior estão distribuídas janelas tipo guilhotina em caixilho de vidro, mesmo tipo da fachada principal porém maiores, possuindo grades de ferro como proteção (Figura 20). No fundo da edificação existe uma rampa, segundo relatos de funcionários, esta rampa permitia o acesso de carros, para algumas atividades da antiga instituição. Atualmente a rampa permanece, porém o acesso foi obstruído (Figura 21).
Figura 19: Detalhe das divisórias.
Fonte: próprio autor, 2019.
Figura 20: Esquadria da fachada posterior.
Fonte: próprio autor, 2019.
36 Figura 21: Rampa na parte traseira da edificação.
Fonte: próprio autor, 2018.
As formas e funções da edificação ainda são preservadas, pois correspondem aos seus usos originais, ou seja, foram projetadas inicialmente para servir como instituição e ainda mantêm o uso primário.
O piso, anteriormente em ladrilho cerâmico sextavado na cor vermelha foi totalmente substituído por lajota cerâmica cinza. O ladrilho sextavado apenas foi encontrado na edificação ao lado da edificação de estudo(Figura 22 e 23).
Figura 22: Piso antigo – ladrilho sextavado. Figura 23: Piso atual – cerâmica
Fonte: próprio autor, 2018. Fonte: próprio autor, 2018.
37 4.3 Descrição da edificação
A construção apresenta espaço amplo e bem divido. No térreo, existem 11 salas e 3 conjuntos de sanitários. Toda a parte de serviços da instituição está instalada no durante o período em que funcionava o Instituto Baiano do Fumo (IBF), atualmente serve como depósito para armazenamento de vários materiais em desuso e/ou inúteis. O acesso é difícil por causa do grande acúmulo de materiais. Este pavimento é composto por sala grande, sanitário e varanda.
38 Figura 25: Pavimento superior.
Fonte: próprio autor, 2019.