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3 METODOLOGIA 55

3.3 Instrumento de coleta de dados 57

O presente trabalho combina a pesquisa bibliográfica/documental com entrevistas, seguindo um roteiro com questões semiestruturadas. Os dados secundários foram obtidos por meio de banco de dados com informações estatísticas junto a entidades representativas e complementados com materiais bibliográficos diversos. Ressalta-se que a pesquisa bibliográfica ou documental envolve, segundo Godoy (1995), a análise de materiais escritos, como jornais, revistas, obras literárias, científicas e técnicas, relatórios e outros textos, com o objetivo de dar aporte teórico para explicar o problema de estudo.

Já os dados primários foram coletados com a realização de entrevistas, por meio do processo de amostragem não probabilística de caráter intencional. De acordo com Mattar (1996), a amostra não probabilística é aquela em que a relação dos elementos da população para compor a amostra depende, ao menos em parte, do julgamento do pesquisador ou do entrevistador de campo. Ela é caracterizada como intencional ou por julgamento, devido ao fato de o processo de amostragem acontecer por conveniência, com base no julgamento do pesquisador que escolhe os elementos para a amostra considerando sua representatividade da população de interesse.

Como instrumentos de coleta dos dados primários foram desenvolvidos três questionários semiestruturados (anexo A, B e C), distintos para cada grupo de agentes do agronegócio de flores: produtores de flores e plantas ornamentais, e floriculturas e agentes organizacionais. Assim, o processo de definição da amostragem baseou-se nesses agentes identificados.

O questionário direcionado aos produtores de flores e plantas ornamentais era composto por três partes. Na primeira parte, tratava-se de questões relacionadas com a caracterização dos produtores, destacando aspectos como perfil do produtor, unidade produtiva rural, área destinada à produção de flores e plantas ornamentais, bem como as variedades comercializadas e a quantidade de funcionários, entre outros. Na segunda parte havia questões relacionadas com o processo de comercialização, incluindo informações referentes aos produtos vendidos, o perfil do consumo, os principais mercados e regiões atendidos, os períodos em que ocorrem as maiores demandas e as principais barreiras enfrentadas para ampliar o consumo na microrregião de Barbacena. Por fim, na terceira parte, as questões eram relacionadas com o processo de interação entre os agentes, as estratégias de comercialização utilizadas pelo produtor e a percepção deste em relação às ações estratégias utilizadas por agentes do agronegócio de flores na microrregião de Barbacena.

De acordo com estimativas do diagnóstico do SEBRAE (2005) acerca do complexo agroindustrial de flores na microrregião de Barbacena, existem em torno de 35 produtores de flores e plantas ornamentais na região, dos quais 60% cultivam especificamente rosas. Tendo estes dados como referência, entrevistaram-se 25 produtores de flores e plantas ornamentais, conforme dados da Tabela 1.

Tabela 1 Localização dos produtores de flores e plantas ornamentais

Localidade dos produtores Quantidade %

Barbacena 6 24%

Alfredo Vasconcelos 13 52%

Ressaquinha 2 8%

Carandaí 3 12%

Senhora dos Remédios 1 4%

O segundo questionário foi direcionado para as floriculturas da microrregião de Barbacena, sendo composto por três partes. Na primeira parte abordavam-se questões relacionadas com a caracterização das floriculturas, destacando informações como tempo de atividade da loja, como funciona o processo de compras e qual o foco de atuação, entre outras. Na segunda parte, as questões estavam ligadas ao processo de comercialização, destacando-se o perfil do consumo, os períodos em que ocorrem as maiores demandas, as maiores barreiras encontradas para comercializar na microrregião de Barbacena e também a avaliação do mercado fornecedor de flores e plantas ornamentais da região. Na terceira parte, as questões relacionavam-se com o processo de interação entre os agentes, as estratégias de comercialização utilizadas e a percepção em relação às ações estratégicas utilizadas por agentes do agronegócio de flores na microrregião de Barbacena.

Dentro do grupo de floriculturas mapeadas, procurou-se entrevistar o maior número possível de estabelecimentos identificados em Barbacena e região, conforme detalhado na Tabela 2.

Tabela 2 Localização das floriculturas

Localidade das floriculturas Quantidade %

Barbacena 8 67%

Alfredo Vasconcelos 1 8%

Carandaí 2 17%

Barroso 1 8%

Total 12 100%

O terceiro e último questionário foi desenvolvido especificamente para os agentes organizacionais da microrregião de Barbacena, sendo também composto por três partes. Na primeira parte abordaram-se questões relacionadas ao foco de atuação dos agentes organizacionais, a investigação acerca da existência de ações específicas para o setor de floricultura na região e a percepção destes agentes quanto aos fatores que geram competitividade para o

agronegócio de flores. Na segunda parte, as questões eram ligadas à percepção do cenário atual e à relevância do mercado de flores e plantas ornamentais para a economia local, além de identificar, pela ótica dos agentes organizacionais, as principais barreiras para o aumento do consumo de produtos de floricultura. Na terceira parte, continha questões relacionadas com o processo de interação entre os agentes e a percepção referente às ações estratégicas utilizadas por agentes do agronegócio de flores na microrregião de Barbacena, segundo a ótica dos agentes organizacionais.

Destaca-se que o processo de identificação dos agentes que compõem o ambiente organizacional do agronegócio de flores da microrregião de Barbacena foi baseado na pesquisa de Vencato et al. (2006). Nesta pesquisa ficou demonstrado que o setor de floricultura mineiro tem o acompanhamento de universidades, do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (SEBRAE), do Instituto Mineiro de Agropecuária (IMA), da Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (EPAMIG), da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater-MG), do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) e do Instituto Estadual de Florestas (IEF), entre outras instituições.

Ao final da pesquisa, os agentes tinham, ainda, a oportunidade de fazer observações a respeito dos assuntos que haviam sido abordados nos questionários. Tais argumentações foram utilizadas como complemento e/ou depoimento, dentro da análise dos dados levantados.

A coleta de dados junto aos agentes da cadeia produtiva (produtores e floriculturas) ocorreu de 10/12/2012 a 06/01/2013. Para os agentes organizacionais, aconteceu de 20/12/2012 a 10/01/2013.

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