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O ser humano tem a capacidade de formar categorias e elaborar sistemas de classificação, como também, de que seus estímulos não idênticos, possam ser interpretados em uma organização de conceitos que torna a convivência em sociedade possível. Foi com o intuito em investigar o comportamento humano que Canter, Brown e Groat (1985) chegaram à compreensão de que o estudo da natureza e organização dessas categorias e conceitos é importante.

Apresentado como uma técnica de classificação, o Sistema de Classificações Múltiplas

(Multiple Sorting Procedure) visa, conforme Costa Filho (2012), diagnosticar o sistema de conceituação das pessoas, tendo como raiz a grade de repertório da Teoria do Constructo Pessoal11, criado pelo psicólogo George Kelly, em 1955.

O Sistema de Classificações Múltiplas se apresenta, de acordo com Canter, Brown e Groat (1985), com duas preocupações no campo da psicologia; uma é o significado da visão do entrevistado sobre o mundo e a outra é que a visão de mundo é construída em um padrão de categorização. Pode ser entendido como um procedimento de entrevista, tendo a flexibilidade tanto para a aplicação, como para as respostas em que incidam quantidades variadas de questões requeridas pela pesquisa.

Foi no reconhecimento de como as pessoas têm dificuldade de expressar seus sentimentos com relação ao meio ambiente, de forma verbalizada, que Herzog, Kaplan e

11 Uma pessoa antecipa os eventos quando ela constrói suas reproduções exatas. Isso significa que nós

construímos nossas antecipações usando nossa experiência passada. Somos criaturas fundamentalmente conservadoras; Esperamos que as coisas aconteçam exatamente como antes. (BOREE, 2013).

Kaplan (1982), perceberam que deveriam buscar outros procedimentos para amenizar essas dificuldades. Sugerem, assim, que os ambientes sejam apresentados às pessoas como cenas e com isso busquem os sentimentos por meio da pergunta do quanto gosta de cada um. Dessa forma, viram que há a possibilidade de se estudar as categorias ambientais selecionadas para estudo, assim como as preferências delas decorrentes, com a elaboração de um padrão de classificação de preferência.

No campo da psicologia ambiental, conforme Canter, Brown e Groat (1985), os suportes para as classificações por meio de ilustrações e outros recursos visuais, se adequam ao propósito do tipo de respostas requeridas pelo pesquisador desse campo de pesquisa. Discorrem que a técnica de classificação na psicologia ambiental, tanto pode ser elaborada por meio de matrizes de similaridade, como por associação do processo de classificação das imagens às descrições e explicações verbais na entrevista individualizada.

O SCM tem ampliado a sua aplicabilidade, possibilitando a análise do domínio do conteúdo proporcionado pela classificação de constructos pessoais pelos indivíduos. Conforme Costa Filho (2012), os indivíduos ao fazerem as suas escolhas, decorrentes do uso dos ambientes para executar atividades, formulam associações de categorias que agrupam os elementos e, com isso, constroem representações significativas.

De acordo com Costa Filho (2012), o ponto de partida para a elaboração da SCM é definir o elemento de estímulo e sobre ele aplicar o tratamento teórico que atenda ao interesse da pesquisa. Considera que essa técnica é muito vantajosa para o estudo do ambiente construído, por seu material de abordagem ser de expressão visual. Auxiliando a avaliação das experiências que as pessoas têm no lugar, sem prejuízo da elaboração de um leque de opção de imagens que apresentem as variáveis ambientais a serem estudadas.

Para a coleta de dados, as fotografias, como suporte, visam buscar dos participantes suas experiências no lugar, limitado pelo recorte espacial do estudo. Segundo Canter, Brown e Groat (1985), os conjuntos de estímulos proporcionados pela fotografia, devem ser criados com características ambientais que transmitam realismo à experiência local e que possibilite validar os aspectos de interesse da pesquisa.

Há dois procedimentos de classificações aceitos pelo SCM para a observação empírica. Um se refere à classificação dirigida, onde os participantes conduzem suas escolhas dentro de critérios pré-estabelecidos. O outro, é a classificação livre, em que a liberdade de expressão avaliativa do pesquisado não é delimitada por critérios.

Esta pesquisa utiliza o procedimento de classificação dirigida, por meio de uma escala com níveis de preferências definida na pesquisa. O entrevistado é convidado a classificar

fotografias de ambientes de uso comum do edifício do CAC, elaboradas sob os critérios das relações entre as variáveis descritas na sentença estruturadora geral para avaliação da QVP, realizando seus julgamentos dentro do estabelecido pela escala de interesse da pesquisa.

Foram definidos os ambientes de uso comum como os explorados para a pesquisa, por não se considerar os postos de trabalho do edifício, situação que haveria restrição de utilização por categoria de usuário do edifício. As cenas mostradas nas fotografias captaram a presença de ambientes com cadeiras, locais em que as pessoas permanecem por mais tempo e também de livre circulação, sem a presença de assentos. As fotos dos ambientes internos e externos do CAC foram tiradas em períodos diurnos, dessa forma, foram direcionadas para avaliação aos usuários desses turnos.

A seleção das fotografias ficou a cargo de três pessoas. A pesquisadora, que realizou a captura das imagens, um Arquiteto, convidado para apreciação e seleção das fotos e o Arquiteto orientador da pesquisa, que validou o trabalho de seleção.

Com cenas de ambientes reais, contendo combinações das variáveis delineadas na pesquisa, as fotografias são utilizadas como elementos de estímulo para a avaliação emocional pelos participantes da pesquisa. O quantitativo de fotos ficou definido pela relação combinatória entre as variáveis selecionadas na sentença estruturadora, resultando em 18 fotos. (Figuras 4 A/C).

Figura 4A – Cenas do CAC representando as relações entre as facetas de conteúdo: tipo de espaço, contraste e complexidade

TIPO DE ESPAÇO (A) CONTRASTE (B) COMPLEXIDADE (C)

A1 Interno B1 Contraste baixo C1 Complexidade mínima B2 Contraste médio C2 Complexidade moderada A2 Externo B3 Contraste alto C3 Complexidade máxima

Cena do CAC 1 (A1 B1 C1) Cena do CAC 4 (A1 B2 C1)

Fonte: a autora (2018). Fonte: a autora (2018).

Cena do CAC 2 (A1 B1 C2) Cena do CAC 5 (A1 B2 C2)

Fonte: a autora (2018). Fonte: a autora (2018).

Cena do CAC 3 (A1 B1 C3) Cena do CAC 6 (A1 B2 C3)

Figura 4B – Cenas do CAC representando as relações entre as facetas de conteúdo: tipo de espaço, contraste e complexidade

TIPO DE ESPAÇO (A) CONTRASTE (B) COMPLEXIDADE (C)

A1 Interno B1 Contraste baixo C1 Complexidade mínima B2 Contraste médio C2 Complexidade moderada A2 Externo B3 Contraste alto C3 Complexidade máxima

Cena do CAC 7 (A1 B3 C1) Cena do CAC 10 (A2 B1 C1)

Fonte: a autora (2018). Fonte: a autora (2018).

Cena do CAC 8 (A1 B3 C2) Cena do CAC 11 (A2 B1 C2)

Fonte: a autora (2018). Fonte: a autora (2018).

Cena do CAC 9 (A1 B3 C3) Cena do CAC 12 (A2 B1 C3)

Figura 4C – Cenas do CAC representando as relações entre as facetas de conteúdo: tipo de espaço, contraste e complexidade

TIPO DE ESPAÇO (A) CONTRASTE (B) COMPLEXIDADE (C)

A1 Interno B1 Contraste baixo C1 Complexidade mínima B2 Contraste médio C2 Complexidade moderada A2 Externo B3 Contraste alto C3 Complexidade máxima

Cena do CAC 13 (A2 B2 C1) Cena do CAC 16 (A2 B3 C1)

Fonte: a autora (2018). Fonte: a autora (2018).

Cena do CAC 14 (A2 B2 C2) Cena do CAC 17 (A2 B3 C2)

Fonte: a autora (2018). Fonte: a autora (2018).

Cena do CAC 15 (A2 B2 C3) Cena do CAC 18 (A2 B3 C3)

Com a definição dos elementos de estímulo em cenas fotografadas do edifício do CAC, variáveis que compõem a sentença estruturadora, o projeto de pesquisa aprovado na Qualificação do Mestrado foi submetido à apreciação do Comitê de Ética em Pesquisa da UFPE (CEP), para a autorização dos procedimentos para a coleta de dados.