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METODOLOGIA DA PESQUISA

1.2 Instrumento da pesquisa

As contribuições das pesquisas sobre educação superior do GEPES foram de grande valia para este trabalho, destacando-se: Tendências Curriculares na formação do universitário: a visão dos docentes das instituições educacionais brasileiras4, realizada no período de 2009/2011, e a pesquisa Tendências Curriculares na Formação do Universitário: a visão dos estudantes da Unicamp5, realizada no período de 2010/2011,

O principal propósito da pesquisa foi o de levantar as atuais visões e preocupações que os docentes da Unicamp expressavam quanto à estruturação curricular de seus cursos com vistas a reconhecer qual era a ideia de formação do estudante universitário que apresentava o corpo docente da Universidade e, assim, entender como é concebida essa importante função social. Considerando que a concepção que se tem de algo, determina uma direção para a sua consecução (CONNOR, 1992), a concepção que se tem de currículo leva ao direcionamento da ação pedagógica com significativa consequência sobre a formação do estudante e futuro profissional.

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O projeto teve como objetivo pesquisar as visões curriculares do corpo discente dos diferentes cursos oferecidos pela universidade. O interesse em pesquisar a opinião dos discentes está na importância que eles exercem na dinamização do que é intencionado através do currículo dos cursos, bem como na relevância de se conhecer se os currículos vêm ao encontro das intencionalidades que os estudantes têm para com a formação que recebem durante a graduação. Por serem os estudantes considerados na literatura atual da área de currículos, agentes das atividades curriculares, e por se entender que todos os agentes desempenham papel significativo nessa dinamização, o conhecimento sobre as concepções que os discentes têm a respeito da finalidade da sua formação, da adequação curricular para esta formação e acima de tudo, sobre a abrangência do currículo, torna-se de relevância para a área de pesquisa sobre currículos da educação superior.

ambas com auxílio de agências de fomento e das quais pudemos participar. Nesta pesquisa, o instrumento de coleta de dados (Apêndice 3) inspirou-se naqueles que foram testados e utilizados nas duas pesquisas referidas.

Para o levantamento dos dados da pesquisa foi elaborado questionário piloto, inicialmente com perguntas abertas na fase de pré-teste e, num segundo momento, com base na análise de conteúdo das respostas abertas (BARDIN, 1977), foram levantadas as alternativas às características positivas e negativas do curso, e demais perguntas, originando as questões fechadas. O questionário piloto foi aplicado a 30 egressos para avaliação da compreensão das perguntas e do tempo necessário para respondê-las, discutindo-se depois com o grupo de pesquisadores do GEPES, chegando-se à versão final do instrumento, adotando-se questionário misto, com a inclusão de 2 perguntas abertas.

O questionário, segundo Lakatos e Marconi (2001, p. 201) é um “instrumento de coleta de dados constituído por uma série ordenada de perguntas que devem ser respondidas por escrito e sem a presença do entrevistador”. O objetivo do instrumento consistiu na caracterização dos sujeitos da pesquisa e na visão da formação proporcionada pela IES e na desejada, por meio de perguntas fechadas. No mesmo questionário, duas questões abertas proporcionaram mais liberdade de expressão sobre assuntos não abordados nas demais perguntas.

Considerando a relevância da participação dos ex-alunos nas discussões acerca da estruturação curricular dos cursos de graduação, nosso interesse fixou-se em conhecer as visões dos egressos do curso de Direito que ingressaram nos quadros da Ordem dos Advogados do Brasil no período de 10 anos.

O questionário pautou-se na possibilidade dos egressos expressarem o que pensavam acerca do currículo de seu curso, enquanto fundamentação teórica na formação universitária e também como preparador das expectativas profissionais que atendam às demandas sociais do século XXI.

A elaboração do instrumento baseou-se no questionário utilizado na pesquisa realizada pelo GEPES, como dito anteriormente e, como tal, levantou a opinião acerca do currículo em duas dimensões: a recebida e a desejada. A primeira parte do questionário buscou identificar o perfil dos egressos – ano de conclusão do curso; instituição pública ou privada; idade; razões da escolha do curso e da IES; atuação profissional; quando prestou o

exame de Ordem; grau de satisfação com o curso; características positivas e negativas; o que pensa acerca do atual Exame de Ordem. Na segunda parte – dimensão de formação desejada pelos egressos, foi apresentada uma Escala de Atitudes (BEST, 1970), na qual foram adaptadas quarenta e cinco assertivas validadas em pesquisa realizada pelo GEPES – Grupo de Estudos e Pesquisas em Educação Superior, da Faculdade de Educação da Unicamp, e adaptada da pesquisa realizada junto aos graduandos da Unicamp, no período de agosto/2010 a julho/2011, sob coordenação da Profa. Dra. Elisabete Pereira, com auxílio da FAPESP. As assertivas abordaram as três principais ênfases curriculares tidas na literatura como as que têm orientado todos os currículos de cursos superiores de graduação – Formação Geral, Formação Profissional, Formação Básica (BOK, 1988).

As três ênfases aqui referidas, encontram-se assim definidas: a) Formação Geral: caracterizada por uma preocupação em favorecer ao aluno uma perspectiva do conhecimento como cultura, fazendo com que a especificidade do conteúdo da área profissional se faça sobre uma base ampla de conhecimentos gerais (HARVARD, 2004); b) Formação Profissional: busca formar o aluno com conhecimentos científicos e específicos da área profissionalizante e toda a grade curricular é voltada para disciplinas e conteúdos que atendam especificamente a esse fim; c) Formação Básica: tem enfoque nas habilidades e capacidades tidas como necessárias ao aluno universitário para desenvolver a pesquisa, a criatividade, a criticidade, o autoconhecimento, a autonomia intelectual, a condição da argumentação e da capacidade de comunicação (PEREIRA, 2011).