A TEORIA DAS REPRESENTAÇÕES SOCIAIS
3.4. Instrumento de Coleta de Dados
Para que a pesquisa pudesse atingir seus objetivos, optei pela utilização de um questionário com questões abertas e fechadas, para o qual foram sistematizados alguns tópicos com diferentes perguntas, conforme se verifica no Anexo I.
Na primeira parte do questionário foram utilizadas as palavras indutoras: “ensinar”, “aprender” e “professor”, ao que cada um dos professores deveria mencionar quatro palavras que lhes vinham à mente ao ouvir cada uma das palavras geradoras (Anexo III). Dessas quatro palavras, o professor deveria escolher duas de maior importância e numerá-las na ordem de preferência, colocando “1” para a de maior importância e “2” para a segunda mais importante.
A tabela do Anexo IV contemplou as duas palavras consideradas mais importantes pelos professores, dentre aquelas quatro palavras que citaram e que foram dispostas na tabela do Anexo III, porém, diante do número reduzido de participantes da pesquisa, deixarei para tratar sobre os dados nela contidos em outra oportunidade.
Constata-se, assim, que também utilizei como instrumento de coleta de dados as técnicas projetivas de associação livre. Nessa esteira, a contribuição que se pretendeu com este estudo foi possibilitar a compreensão:
1) De como tem evoluído o ensino jurídico no Brasil; 2) De como se desenvolvem as representações sociais;
3) Do papel do professor de Direito em nossa sociedade, constatando, inclusive, a percepção dos sujeitos investigados acerca do exercício da docência, incentivando a reflexão sobre as políticas e práticas atuais relacionadas à formação dos professores de Direito no Brasil.
Para possibilitar a análise desses dados obtidos, elaborei uma tabela contendo um mapeamento relativo às quatro respostas dadas pelos professores ao ouvirem cada palavra indutora (Anexo III). Separadamente, transcrevi as duas palavras consideradas de maior importância para cada professor, as quais foram extraídas da primeira tabela elaborada, formando uma nova tabela (Anexo IV).
Para cada palavra indutora e para cada participante da pesquisa, obtive quatro palavras induzidas numa pequena ficha, que são substantivos, adjetivos e expressões. Uma vez reunida a lista das palavras suscitadas por cada palavra indutora, sendo este o primeiro trabalho de classificação.
Antes de qualquer agrupamento por classificação é necessário reunir e descontar as palavras idênticas, sinônimas ou próximas a nível semântico.
Posteriormente, convém classificar as unidades de significação, criando categorias, introduzindo uma ordem suplementar reveladora de uma estrutura interna. Conforme Laurence Bardin (1977) , “Um sistema de categorias é válido se puder ser aplicado com precisão ao conjunto da informação e se for produtivo no plano das inferências.”79
A segunda parte do questionário comporta questões fechadas e abertas. Inicialmente, as questões fechadas contemplaram uma parte que buscou levantar dados pessoais dos docentes, como tempo de docência e graduação. Nas questões abertas, elaborei perguntas que suscitassem os aspectos do objeto da representação em níveis mais concretos. Observe-se que os questionamentos se detiveram sobre o exercício da docência e sobre a percepção de cada sujeito enquanto professor de Direito.
Além disso, questionei os saberes que esses professores julgam necessários ao exercício da docência e o modo como analisam e interpretam seus próprios alunos em relação às suas dificuldades.
Considerando o reduzido número de professores que concordou em participar da entrevista, não foi possível utilizar nenhum software para tratamento dos dados. Sendo assim, os dados coletados foram examinados tendo como referência os princípios e pressupostos da metodologia de análise de conteúdo, a partir da minha leitura sobre as respostas, o que permitiu reorganizá-las em algumas categorias.
É preciso esclarecer que a análise dos discursos oriundos das questões abertas foi realizada de acordo com o que ensina BARDIN (1977). Dessa forma, embora tenha utilizado questionário com questões predominantemente fechadas, também coletei material espontâneo, induzido por 3 (três) questões abertas.
Segundo BARDIN (1977), o terreno, o funcionamento e o objetivo da análise de conteúdo, podem resumir-se da seguinte forma:
Um conjunto de técnicas de análise das comunicações visando obter, por procedimentos sistemáticos e objetivos de descrição do conteúdo das mensagens, indicadores (quantitativos ou não) que permitam a inferência de conhecimentos relativos às condições de produção/recepção (variáveis inferidas) destas mensagens. (op. Cit. P. 42)
Nesse sentido, a mensagem é o ponto de partida na análise de conteúdo, pois, no dizer de Maria L.P.B. Franco (2005)80 “o que está escrito é o ponto de partida, a interpretação é o processo e a contextualização o pano de fundo que garante a relevância”.
A análise de conteúdo leva em conta a interpretação daquele que analisa a mensagem. Em relação à interpretação, BARDIN (1977) ensina o seguinte:
O que é passível de interpretação? Mensagens obscuras que exigem uma interpretação, mensagens com duplo sentido cuja significação profunda (a que importa aqui) só pode surgir depois de uma observação cuidada ou de uma intuição carismática. Por detrás do discurso aparente, geralmente simbólico e polissêmico, esconde-se um sentido que convém desvendar”. (op. Cit. P. 14)
Na análise das respostas, utilizei números para identificar a fala e as respostas de cada professor. A opção por números justifica-se diante da necessidade de não identificar os professores que responderam ao questionário, preservando sua identidade e garantindo o sigilo.
Resta esclarecer, ainda, que os números utilizados não possuem qualquer caráter valorativo; a cada professor foi atribuído um número aleatoriamente, apenas para facilitar a transcrição dos dados sem identificá-los pelos seus nomes.
Quanto aos dados obtidos, optei por organizá-los em dois capítulos. No capítulo IV, a análise recaiu especificamente sobre as questões fechadas, valendo-me de gráficos para facilitar a visualização e compreensão dos dados ali descritos.
No capítulo V discorri acerca dos resultados obtidos em relação às questões abertas, apresentando, ao final, uma discussão sobre as representações sociais auferidas junto ao grupo de professores que participou da pesquisa, conforme a seguir.
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O caminho que o professor escolheu para aprender foi ensinar. No ato do ensino ele se defronta com as verdadeiras dificuldades, obstáculos reais, concretos, que precisa superar.”
Álvaro Vieira Pinto
CAPÍTULO IV
COMPREENDENDO O PROFISSIONAL DOCENTE: PERFIL,