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SUMÁRIO

4. ESTUDO DE CASO

4.3 Instrumento de coleta de dados

A condução da pesquisa de campo do presente estudo de caso se deu por meio de um Roteiro de coleta de dados junto aos analistas (Apêndice B). A escolha deste instrumento híbrido de coleta de dados, uma combinação de questionário com entrevista, ocorreu pela possibilidade de que este instrumento oferece de obter um conjunto de dados que representam o estudo de usuários e seus respectivos comportamentos informacionais, a fim de validar as conjecturas apresentadas no referencial teórico e identificar as fontes de informação utilizadas pelos analistas, tendo em vista sua sistematização, de acordo com o objetivo geral desta pesquisa.

Somado a isto, a dificuldade de conciliar agendas em contrapartida com a possibilidade dos analistas responderem as questões em horário mais conveniente para estes e sem a necessidade de sua presença junto à pesquisadora, também foram razões que propiciaram na escolha deste instrumento de coleta de dados, entendendo que assim, os respondentes ficariam mais confortáveis em narrar suas experiências e opiniões sem a pressão do tempo ou do ambiente de trabalho.

À medida que os respondentes retornaram o roteiro respondido, atendendo o prazo estipulado em comum acordo com a pesquisadora, seguiu-se com a realização de entrevistas pontuais em função das respostas fornecidas, para seu melhor detalhamento ou esclarecimento de dúvidas que surgiram.

Para elaboração das questões do roteiro, foram utilizados como base os modelos de Pré- Teste e Roteiro de Entrevistas aplicados por Valente (2014, p.310-318), adaptando as questões para as necessidades desta pesquisa. Optou-se por perguntas abertas por permitirem respostas mais completas e sem direcionamento, com a finalidade de se compreender o universo da pesquisa a partir do ponto de vista do analista de investimento. Dessa maneira, foi pensado em um modelo de estudo que considerasse o contexto dos usuários, entendendo que a compreensão deste propiciasse a detecção de elementos que permitiriam definir com maior segurança quais informações ou conjunto de informações são relevantes para a tomada de decisão dos usuários no contexto e condições de uso da informação e, consequente a isso, quais fontes de informação melhor atendem a suas necessidades.

Seguindo esta proposta, o roteiro foi estruturado em três partes: (i) termo de consentimento; (ii) atividades específicas do investidor e (iii) sistema de informação. A primeira delas corresponde ao Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE), disponível no Apêndice A, onde estão descritos o propósito da pesquisa e os principais objetivos do estudo, além de garantir ao participante da pesquisa o sigilo e o anonimato das respostas fornecidas.

A segunda parte contém questões referentes as atividades exercidas pelos respondentes em seu contexto profissional, principalmente os passos que envolvem a análise de uma empresa com potencial de investimento. A principal finalidade das questões nesta seção, em acordo com os objetivos deste trabalho, foi compreender o contexto dos usuários e de que forma a informação está presente para subsidiar suas decisões.

A terceira parte refere-se ao sistema de informação utilizado pelos respondentes. São questões direcionadas a identificar os tipos mais comuns de informações que auxiliam os analistas no desenvolvimento de suas atividades e quais são os aspectos principais, na perspectiva dos respondentes, que garantem qualidade à informação consultada. As questões nessa seção também buscam investigar de que maneira os analistas obtém a informação desejada e quais as dificuldades que enfrentam durante o processo.

A partir das respostas fornecidas, por meio do roteiro e das entrevistas, pôde-se reconhecer fontes institucionais de informação utilizadas pelos usuários de maneira que pudessem ser sistematizadas a fim de melhorar suas condições de acesso pelos analistas de investimento e potencializar o atendimento promovido pelo serviço de informação, por meio de uma infraestrutura oferecida pelo mesmo serviço.

De forma resumida, o Quadro 8 apresenta a estrutura do Roteiro de coleta de dados junto aos analistas e o que se pretendeu investigar em cada questão. Para compreender de que

forma as questões abrangem o processo de análise de investimento, na última coluna também estão indicadas as etapas descritas por Boff et al (2006, p.175) e apresentadas na seção 3.5.1 deste trabalho, no que diz respeito as ações desenvolvidas pelos analistas durante a análise.

Quadro 8 – Estrutura do Roteiro de coleta de dados junto aos analistas

Divisão Questão Propósito Ações do analista Boff et al (2006)

(i) Termo de consentimento livre e esclarecido

Texto apresentando o propósito da pesquisa e os principais objetivos do estudo

Garantir sigilo das respostas e anonimato dos

participantes

(ii) Atividades específicas do investidor

Como você chega à conclusão de que determinada empresa pode se tornar uma oportunidade de investimento atrativo (“vendável”)?

Entender como o analista de investimento seleciona uma empresa com potencial de investimento, quais indícios (e possíveis fontes de informação) geram essa demanda inicial

1. Identifica uma oportunidade de investimento no mercado

Uma vez escolhida a empresa, como segue sua análise até a indicação de uma oportunidade interessante de investimento?

Compreender o fluxo das atividades que o analista percorre para análise de uma oportunidade de

investimento, quais passos segue e quais sinais e indicadores se baseia 2. Confronta a situação com o seu conhecimento e experiência 3.Planeja a análise identificando as informações que possui e quais são necessárias Quais os principais problemas e

dificuldades que você encontra para o desenvolvimento dessas atividades? E quais estratégias você adota para superar estes problemas e dificuldades?

Identificar as barreiras que o analista se depara durante a análise do investimento e quais as estratégias mais comuns que utiliza para superá-las. Evidenciar as principais necessidades de referências/informações externas para adquirir maior conhecimento para a análise

(iii) Sistema de informação

Quais as fontes que você utiliza para a obtenção de informações para sua análise e oferta como opção de investimento? Como você as acessa?

Reconhecer as fontes mais consultadas pelos analistas e, com isso, os tipos de informação mais utilizados para subsidiar suas análises e decisões. Entender como se dá o acesso à essas fontes e informações

4. Inicia a análise com informações e parâmetros internos ou busca de informações externas 5. Seleciona e interpreta as informações Quais os principais obstáculos

que você encontra para uso e acesso às fontes de informação necessárias às suas atividades?

Explorar as dificuldades que o analista esbarra para obter a informação desejada e para dar significado a ela - torná-la útil para o exercício de suas atividades

Você faz uso de informações compartilhadas por seus colegas, tanto internos quanto externos? Que tipo de informação normalmente vocês compartilham?

Identificar diferentes tipos de fontes de informação utilizadas pelo analista, seja interna ou externa e formal ou informal e quais informações mais consultadas Quando você utiliza a informação

de uma dada fonte, quais aspectos você privilegia: Forma de apresentação; Abrangência (conteúdo); Grau de detalhamento; Volume de informações divulgadas; Periodicidade de publicação; Tempo de atualização; Período coberto; Outros aspectos, quais? :

Diferenciar aspectos relacionados as fontes de informação segundo sua importância na perspectiva do analista de investimento e de que forma esses aspectos atribuem relevância à informação

6. Compara as

informações e utiliza-as para fazer projeções e avaliar a empresa 7. Busca novas informações e continua a análise 8. Toma a decisão e elabora um relatório de recomendação sobre o investimento

Que parâmetros você utiliza para atribuir confiabilidade no conteúdo veiculado por uma fonte?

Distinguir elementos que conferem mais credibilidade e segurança no uso das fontes de informação pelos analistas na análise do investimento e tomada de decisão

Quais as vantagens, desvantagens, potencialidades e limitações das Demonstrações Financeiras para análise de investimento?

Conhecer a opinião dos analistas sobre o uso de Demonstrações Financeiras como fonte de informação e confirmar os pressupostos do referencial teórico

Fonte: Elaborado pela autora com base em Valente (2014, p.310-318) e Boff et al (2006, p.175).

Nas próximas seções são discutidos os resultados obtidos e a análise que pode ser feita sobre eles.