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Os instrumentos de coletas de dados utilizados na pesquisa possibilitam ao

pesquisador obter informações necessárias para a realização da pesquisa. A

escolha dos instrumentos é de fundamental importância para o andamento da

pesquisa, dessa forma, o pesquisador deve fazer a escolha dos instrumentos,

buscando alcançar o objetivo da pesquisa. Dessa maneira, os instrumentos

escolhidos para esta pesquisa foram: o Questionário e o roteiro para a realização do

Grupo Focal (GF).

Na primeira fase da pesquisa aplicou-se um questionário sobre a percepção

dos discentes em relação à automutilação e ideação suicida em discentes do EMI do

Ensino Médio Integrado do Instituto Federal da Paraíba, Campus Cabedelo (EMI /

IFPB – CB).

Em seguida, realizou-se um Grupo Focal, a fim de compreender as

impressões acerca do tema estudado, incluindo relatos de experiências das

discentes.

3.3.1 Questionário sobre a percepção discente acerca da automutilação e

ideação suicida

Nesta pesquisa, foi utilizado um questionário contendo 35 (trinta e cinco)

afirmações do tipo múltipla escolha, elaboradas pela pesquisadora com base nos

estudos relacionados ao tema. O instrumento foi construído a partir da escala de

Likert, que consiste em estudar um fenômeno e desenvolver afirmações, para as

quais os participantes da pesquisa emitiram respostas, mediante o grau de

concordância, que varia entre cinco pontos: desde discordo totalmente até concordo

totalmente, atribuída a cada afirmação (SILVA e COSTA, 2014). Para Gil (2017), a

construção do questionário consiste em explicar os objetivos da pesquisa em itens

bem elaborados. Para isso, não existe uma normatização rígida, entretanto, algumas

regras práticas precisam ser observadas (GIL, 2017).

Inicialmente, na fase de pré-teste do instrumento, o questionário foi aplicado

aos 11 discentes do 3º período do curso técnico em Química (Subsequente) e aos

11 discentes do 6º período do curso superior em Biologia, incluindo discentes do

sexo feminino e masculino. As 35 (trinta e cinco) afirmações que compõem o

questionário permitem verificar a percepção dos participantes em relação ao tema

automutilação e ideação suicida. A escolha pelo curso de Biologia segue os critérios

de orientação definidos por Marconi e Lakatos (2003), quando afirmam que o

pré-teste “deve ser aplicado em populações com características semelhantes, mas

nunca naquela que será alvo de estudo” (p.203). O pré-teste é imprescindível para o

melhoramento do questionário, com vistas a atingir da melhor forma o objetivo da

pesquisa. Segundo Chagas (2000):

É importante a realização de um pré-teste por que é provável que

não se consiga prever todos os problemas e/ou dúvidas que podem

surgir durante a aplicação do questionário. Sem o pré-teste, pode

haver grande perda de tempo, dinheiro e credibilidade caso se

constate algum problema grave com o questionário já na fase de

aplicação. Nesse caso o questionário terá que ser refeito e estarão

perdidas todas as informações já colhidas (p.12).

Verificadas as falhas, propostas pelos respondentes do pré-teste, elaborou-se

a versão final do questionário aplicado aos sujeitos da pesquisa, discentes do sexo

feminino e masculino das 3 turmas do EMI oriundos dos primeiros, segundos e

terceiros anos dos três tipos de cursos existentes no campus Cabedelo.

O questionário teve como objetivo verificar a percepção dos discentes a

respeito de temas que evolvem a prática da automutilação e ideação suicida. O

referido instrumento está localizado no apêndice “B” deste trabalho.

3.3.2 Técnica do Grupo Focal (GF)

O instrumento Grupo Focal é considerado uma técnica de pesquisa qualitativa

rápida e de baixo custo, utilizada para coletar informações, opiniões, percepções e

comportamentos relativos a um determinado estudo. Assim,

Os procedimentos qualitativos têm sido utilizados quando o objetivo

do investigador é verificar como as pessoas avaliam uma

experiência, ideia ou evento; como definem um problema e quais

opiniões, sentimentos e significados encontram-se associados a

determinados fenômenos (LERVORLINO e PELICIONI, 2011, p.

116,).

Segundo Bardin (2016), as abordagens quantitativa e qualitativa diferem em

relação ao campo de ação. A primeira coleta informações por meio de dados

estatísticos, sendo mais rígida em relação à qualitativa. Esta corresponde a um

processo intuitivo, maleável, adaptável, não previsto, permitindo inferência precisa.

O grupo Focal consiste na interação entre os participantes e o pesquisador,

que tem a intenção de coletar informações a partir da discussão baseada em tópicos

específicos, considerando as experiências do próprio participante. O papel de

moderador do GF foi realizado pela pesquisadora, que apresentou comportamento

discreto e firme, de maneira menos diretiva (LERVORLINO; PELICIONI, 2011).

Ao utilizar Grupos Focais, os pesquisadores encontram neles uma técnica

que os ajuda na “investigação de crenças, valores, atitudes, opiniões e processos de

influência grupal, bem como dá suporte para a geração de hipóteses, a construção

teórica e a elaboração de instrumento.” (GONDIN, p.160, 2003).

Nesse sentido, pode-se dizer que:

os grupos focais são uma técnica de coleta de dados em pesquisas

qualitativas, apropriada para avaliação de produtos e serviços;

pré-testes de embalagens, mensagens e programas promocionais;

identificação de necessidades e expectativas de grupos minoritários

ou de parcelas do público-alvo; avaliação de usabilidade de

interfaces; definição de novos requisitos de produtos e serviços;

geração de novos conceitos e ideias; e entendimento de motivações

(OLIVEIRA, FILHO, RODRIGUES, 2007, p.14).

O convite para a participação do GF foi realizado pela pesquisadora nas salas

dos discentes que responderam o questionário, aplicado na primeira fase desta

pesquisa. Foram convidados para participar do GF dois discentes por turma, do sexo

feminino e masculino, dentre aqueles que haviam inicialmente respondido ao

questionário, totalizando 12 discentes. Entretanto, compareceram ao GF apenas 07

discentes, todas do sexo feminino, com idades entre 17 e 19 anos: duas alunas do

terceiro ano da Turma do Curso Técnico em Meio Ambiente; duas discentes do

terceiro ano da turma do Curso Técnico em Multimídia; e três alunas do terceiro ano

da turma do Curso Técnico em Recursos Pesqueiros. O tamanho ótimo para

realização do GF é aquele que propicie aos participantes a discussão harmoniosa

sobre o assunto (PIZZOL, 2004).

Para nortear o grupo focal, esta pesquisadora utilizou um roteiro

semiestruturado (Apêndice C), construído após a etapa anterior (aplicação dos

questionários). A partir das respostas dos questionários, os participantes puderam

se familiarizar com o tema da pesquisa e, consequentemente, refletir sobre os itens

respondidos nesta fase. Desse modo, pretende-se, através do Grupo Focal,

compreender as impressões acerca do tema estudado, incluindo relatos de

experiências das discentes.

O grupo focal (GF) ocorreu no dia 27 de novembro de 2019, em sala de aula

e horário agendados previamente, junto à coordenação do campus, tendo duração

de 1 hora. Inicialmente, foi explicado as participantes o objetivo da pesquisa, assim

como o respeito ao código de ética. Posteriormente, realizou-se uma roda de

apresentação, em que cada discente dizia seu nome, idade e turma. Foi informado

aos participantes que todas as alunas presentes tinham como pré-requisitos terem

respondido ao primeiro questionário, e que todo o material transcrito só seria

utilizado para fins desta pesquisa. As cadeiras foram colocadas em círculo, para

facilitar o contato visual com todas as integrantes. Inicialmente, a pesquisadora

informou o tema da pesquisa e a obediência em relação às questões éticas para a

realização da pesquisa, afirmando que a conversa seria gravada para posterior

transcrição, de modo que nenhuma informação fosse perdida, pedindo a

colaboração dos participantes para que obedecessem ao sigilo da conversa. Para

garantia do anonimato, durante as transcrições, os nomes das participantes foram

substituídos pela letra “M”, seguida do número sequencial; a pesquisadora, por sua

vez, foi identificada pela letra “P”.