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5 JOGO SIMBÓLICO E LINGUAGEM INFANTIL

7.2 INSTRUMENTO E PROCEDIMENTO

A pesquisa foi desenvolvida em duas etapas. 1ª. Etapa

Foram realizadas observações das crianças em diferentes situações do cotidiano escolar (sala de aula, recreio etc.). Nessa etapa, os pesquisadores procuraram estabelecer vínculos com os participantes, constituídos de crianças pequenas, criando uma proximidade que permitiu à criança se sentir à vontade e poder se envolver, de forma espontânea, na 2ª etapa do trabalho. A seguir, foi realizado o sorteio, com a participação de todas as crianças da turma, para a escolha dos participantes.

2ª. Etapa

Essa etapa foi desenvolvida em seis encontros, com intervalos de quinze a vinte dias entre eles.

Em cada encontro, com duração de aproximadamente trinta minutos, foram realizadas atividades em dois momentos.

No primeiro, com duração de aproximadamente dez minutos, antes de cada sessão de vivência na Oficina de Jogo Simbólico era realizada uma Roda de Conversa (WARSCHAUER, 1993), na qual eram fornecidas explicações sobre o momento de jogo e os limites de tempo e espaço. A pesquisadora mostrava um relógio analógico grande e, concretamente, ilustrava o tempo de duração do jogo. Essa estratégia teve a função de promover a autorregulação das crianças quanto aos limites temporais sem que os pesquisadores precisassem exercer um papel excessivamente centralizador, passível de suprimir a espontaneidade dos participantes. No primeiro encontro, durante a roda de conversa as crianças foram questionadas sobre sua percepção a respeito do jogo simbólico com as seguintes perguntas: Você sabe brincar de faz-de-conta? Como se brinca de faz-de-conta? Estes questionamentos tiveram como objetivo investigar o conhecimento prévio e a percepção dos participantes sobre o jogo simbólico, e garantir que todos compreendessem o que era esperado deles no segundo momento. Informou-se aos participantes que estariam sendo filmados por duas câmeras de áudio e vídeo, e que não poderiam mexer nas câmeras e nos microfones que estavam afixados em pontos estratégicos. Antes do primeiro encontro foi realizada uma sessão para que os equipamentos fossem testados e as crianças se ambientassem à Oficina de Jogo Simbólico, aos equipamentos e à nova situação. A partir do segundo encontro, as crianças eram lembradas dos limites de tempo e espaço, e convidadas a ir ao banheiro e beber água antes do início do jogo, para que não houvesse interrupções durante a filmagem da vivência na Oficina de Jogo Simbólico.

No segundo momento, com duração de vinte minutos, foram realizadas oficinas nas quais as crianças foram convidadas a brincar, utilizando os seguintes objetos: mesa, quatro cadeiras, sofá, mesinha de centro, colchão com travesseiro, roupa de cama, penteadeira com espelho, fogão, utensílios de cozinha, telefone antigo, bloco de recados, lápis e canetas, arara com roupas, fantasias e acessórios (bolsas, sapatos, bijuterias, gravatas, etc.), bonecas e animais de pelúcia. Esses objetos foram organizados inicialmente de forma a simular o ambiente interno de uma casa (Fotografia 1). As crianças brincaram o mais livre e espontaneamente possível, sem a interferência dos pesquisadores. Essa organização do espaço e dos objetos foi inspirada na proposta denominada Cantos das Bonecas e nos junkyard

(depósito de sucatas) dos kibutzim em Israel, conforme descrito na introdução desse trabalho.

FOTOGRAFIA 1 – LOCAL DA REALIZAÇÃO DAS OFICINAS DO JOGO SIMBÓLICO COM OS OBJETOS SIMULANDO UMA CASA.

A partir do segundo encontro, a equipe de pesquisa acrescentou à Oficina de Jogo Simbólico novos objetos que pudessem estimular o jogo simbólico e a linguagem das crianças, conforme ilustrado na Fotografia 2. A equipe de pesquisa, conjuntamente com o orientador, observou que no primeiro encontro, principalmente as meninas do grupo de participantes, ocupavam com muita freqüência o papel de gato no jogo, emitindo sons do animal e verbalizando parcimoniosamente, o que poderia comprometer os dados obtidos para análise. Decidiu-se, então, oferecer novos elementos para que pudesse haver maior circulação de papéis, possibilitando assim novas interações verbais. Os seguintes elementos foram incluídos:

Segundo encontro: arara com diversas fantasias e acessórios como roupa de feiticeiro, chapéu de feiticeiro, roupa de bailarina, colete de couro, jaleco branco. Terceiro encontro: jaleco de médico, estetoscópio plástico, termômetro, seringa de injeção e algumas embalagens vazias de medicamentos.

Quarto encontro:banheirinha plástica, duas pequenas bonecas, sabonetinho e toalha.

Quinto encontro: mesinha, embalagens vazias de produtos de mercado conhecidos das crianças, cédulas de dinheiro em miniatura.

Sexto encontro: novas embalagens de produtos de mercado e mais cédulas de dinheiro em miniatura.

FOTOGRAFIA 2 – LOCAL DA REALIZAÇÃO DAS OFICINAS DO JOGO SIMBÓLICO, COM O ACRÉSCIMO DE OBJETOS A PARTIR DO SEGUNDO ENCONTRO.

Todos os encontros foram registrados em áudio e vídeo, sendo que as cenas foram tomadas por duas câmeras fixas, posicionadas em ângulos diferentes, que registraram todos os movimentos e as verbalizações das crianças. Para esse procedimento, a pesquisadora e dois assistentes de pesquisa5 permaneceram na sala onde foi organizada a Oficina de Jogo Simbólico, mantendo-se fora do ambiente reservado ao jogo. Desta forma, permaneciam na sala no máximo três pesquisadores, que observavam a ação das crianças e registravam momentos significativos, que poderiam não ser identificados na transcrição dos dados. Os

5 O grupo de assistentes de pesquisa era formado por quatro estudantes de Psicologia que se revezaram a cada

técnicos de filmagem instalavam os equipamentos, e se retiravam do espaço, para que houvesse o mínimo de interferência possível.

No planejamento desta dissertação, é importante ressaltar que foram levados em consideração todos os aspectos éticos e científicos. Portanto, foi dada a devida importância aos padrões vigentes da Resolução nº 196/1996 do Ministério da Saúde – MS (BRASIL,1996) e da Resolução nº 016/2000 do Conselho Federal de Psicologia – CFP (BRASIL, 2000), referentes às diretrizes e normas regulamentadoras de pesquisas envolvendo seres humanos. O projeto deste trabalho foi avaliado e aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa do Centro de Ciências da Saúde da UFES (Apêndice C).

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