2 O PERCURSO METODOLÓGICO, OS CONTRATEMPOS E
2.2 O contexto da pesquisa
2.2.2 Instrumento e procedimentos de coleta de dados
Determinados os sujeitos, é chegado o momento da escolha de um instrumento para a coleta de dados para a pesquisa. Optou-se inicialmente pelo grupo focal por esta ser uma técnica de investigação social que combina elementos, de um modo próprio, para produzir uma situação discursiva adequada para a investigação. Conforme Araújo e Melo (2010) o grupo focal:
[...] constitui-se uma técnica importante para o conhecimento das representações, percepções, crenças, hábitos, valores, restrições, preconceitos, linguagens e simbologias prevalentes no trato de uma dada questão por pessoas que partilham alguns traços em comum, relevantes para o estudo do problema visado (ARAÚJO; MELO, 2010, p.03).
A escolha desta técnica para a coleta de dados junto aos jovens estudantes ocorreu em razão da crença de que este pudesse ser o caminho para alcançar os objetivos específicos desta pesquisa, que são: a) contextualizar Juventudes, Educação Profissional no Brasil e a modalidade Integrada desta ao Ensino Médio; b) traçar um perfil dos estudantes dos cursos de Ensino Médio Integrado à Educação Profissional do Instituto Federal Farroupilha Câmpus São Vicente do Sul; c) identificar a concepção e as expectativas dos jovens estudantes do Ensino Médio Integrado à Educação Profissional em relação ao futuro; e, d) identificar o significado do curso para os jovens estudantes.
No contato inicial, o convite feito aos jovens foi no sentido de formar grupos para que a coleta de dados fosse realizada através da técnica de grupo focal. Esse convite foi reforçado em dois outros momentos, porém a adesão de poucos jovens e a dificuldade de reuni-los em um horário comum, inviabilizou a realização de grupo.
Por este motivo foi necessário uma mudança de plano no que diz respeito à coleta de dados com os sujeitos, partindo-se então para a ideia de realização de entrevistas individuais com aqueles que haviam aceitado o convite anterior. Informados da mudança necessária, nove jovens concordaram em participar. Agendaram-se datas e horários para a realização das entrevistas de acordo com as possibilidades dos mesmos.
A entrevista é uma estratégia muito utilizada no trabalho de campo, tanto em seu sentido amplo, o de comunicação verbal, quanto restrito, o de coleta de informações (MINAYO, 2007). Para esta autora, a entrevista é uma conversa que se inicia a partir da iniciativa do entrevistador e que objetiva construir informações pertinentes para o objeto ao qual irá pesquisar. Considera ainda que ela não é uma técnica rígida, pode sim ter variações de acordo com a finalidade e a sua organização.
A entrevista permite ainda acessar dados ditos secundários, que são aqueles que também poderiam ser obtidos por meio de censos, certidões, entre outros
documentos, bem como dados primários, que são “informações diretamente
construídas no diálogo com o indivíduo entrevistado e tratam da reflexão do próprio
sujeito sobre a realidade que vivencia” (MINAYO, 2007, p.65).
Entendida como uma forma de interação social, a entrevista reflete uma
dinâmica da realidade, por isso, “quando analisada, precisa incorporar o contexto de
sua produção” (MINAYO, 2007, p. 66). Conforme a autora, este contexto inicia-se com a entrada do entrevistador no campo de pesquisa.
Para que a entrevista atinja os resultados esperados do ponto de vista científico, Minayo (2007) refere ser imperioso seguir alguns passos, não necessariamente na ordem apresentada: a) a apresentação do entrevistador ao campo e aos sujeitos através de um líder de confiança do entrevistado; b) que o entrevistador faça uma breve apresentação ao entrevistado da importância da pesquisa e menciona a qual instituição a pesquisa está vinculada para dar maior segurança ao entrevistado; c) que o entrevistador apresente uma credencial da instituição sobre a permissão de entrevista com seres humanos e peça assinatura do entrevistado para validar a sua participação; d) explicar os motivos da pesquisa; e) justificar a escolha dos entrevistados; e) garantir o anonimato e o sigilo do
entrevistado; e f) criar um clima tranquilo para a conversa, ou seja, “quebrar o gelo”.
Os passos apontados por Minayo (2007) foram observados na realização desta pesquisa, dispensando apenas o primeiro, tendo em vista que a pesquisadora, por ser servidora da Instituição, já era conhecida pelos sujeitos que seriam entrevistados.
Para a entrevista propriamente dita, utilizou-se um roteiro pré-definido de questionamentos que pode ser consultado no Apêndice D desta dissertação. Tal
como é possível observar no roteiro, a primeira parte apresenta perguntas pontuais, tais como idade, sexo, etnia, renda familiar, entre outras, que objetivaram configurar o perfil dos jovens entrevistados. A segunda parte foi composta por questões cujas respostas foram formuladas pelos respondentes a partir das suas reflexões a respeito, permitindo a expressão da compreensão dos mesmos sobre a questão proposta.
A ordem das perguntas não foi seguida de forma rígida, pois na medida em que as respostas eram dadas e surgia a oportunidade de introduzir os questionamentos, estes eram realizados. Nem todas as perguntas precisaram ser feitas para todos os entrevistados porque algumas delas foram respondidas espontaneamente através dos comentários dos estudantes durante as entrevistas.
A adesão à entrevista foi livre e consentida. Levando em consideração que os sujeitos entrevistados eram menores de dezoito na data da entrevista, foi necessária a autorização da participação por um responsável, mediante assinatura do termo de consentimento informado (Apêndice B). Mesmo autorizados, os entrevistados assinaram o termo de assentimento que os deixa cientes do processo da pesquisa (Apêndice C). Primou-se por preservar a identidade dos sujeitos identificando-os apenas por nomes fictícios. As entrevistas foram gravadas em áudio e posteriormente transcritas para leitura dos dados.
Ressalta-se que todas as etapas da pesquisa foram regidas pelos princípios da ética e responsabilidade da pesquisadora em não revelar dados que comprometam a imagem ou índole dos sujeitos da pesquisa e da Instituição onde ela foi realizada, e que este projeto passou pela apreciação do Comitê de Ética em Pesquisa (CEP) da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM) cujo entendimento é de que [...] “toda pesquisa envolvendo seres humanos deve ser submetida a uma reflexão ética no sentido de assegurar o respeito pela identidade, integridade e
dignidade da pessoa humana e a prática da solidariedade e da justiça social”
(UNIVERSIDADE FEDERAL DE SANTA MARIA, 2014, p. 01).
Com os dados em mãos passou-se para o processo de análise dos mesmos. O caminho de análise está descrito e fundamentado na seção seguinte a fim de dar suporte às reflexões suscitadas pela pesquisa.