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2.3 CARGA DE TRABALHO

2.3.2 Instrumento NASA – TLX

Segundo Hart (2006), NASA-TLX é uma escala multi-dimensional projetado para obter estimativas de carga de trabalho de um ou mais operadores, enquanto eles estão realizando uma tarefa ou imediatamente depois. Essa ferramenta que tem provado ser razoavelmente fácil de usar e fiável a manipulações sensíveis experimentalmente importantes ao longo dos últimos 20 anos. Seu uso se espalhou muito além do seu pedido original (aviação), o foco (complemento de tripulação) e linguagem (em Inglês).

Em um levantamento de 550 estudos feitos por Hart (2006) em que NASA-TLX foi utilizado, foi realizado uma revisão para fornecer um recurso para uma nova geração de usuários. Este instrumento foi desenvolvido pelo Grupo de Performance Humana na NASA Ames Research Center ao longo de um ciclo de desenvolvimento de três anos, que incluiu mais de 40 simulações em laboratório (NASA, 1986). E uma recente pesquisa para “NASA- TLX” no Google Scholar revelou mais de 4.820 artigos. Estas estatísticas destacam a grande influência que o NASA-TLX teve em pesquisa de Fatores Humanos.

O instrumento NASA- Task Load Index (NASA-TLX), segundo Diniz (2003, p.86), é tido como “um resultado de pesquisas teóricas e empíricas para a definição de fatores que são

relevantes para experiências subjetivas relacionadas à carga de trabalho e para uma avaliação formal desta carga ao longo de uma variedade de atividades”. Originalmente foi proposto para avaliar a carga de trabalho mental por meio de escalas multidimensionais, no entanto, de acordo com Guimarães (2004), o NASA-TLX não avalia apenas a carga mental, mas a carga de trabalho de um modo geral, uma vez que as subescalas abordam aspectos gerais do trabalho.

Carga de trabalho é um termo que representa o custo de realizar os requisitos da missão para o operador humano. Se as pessoas pudessem realizar tudo o que se espera que façam com rapidez, precisão e confiabilidade utilizando os recursos disponíveis, o conceito teria pouca importância prática (HART, 2006). Portanto, o custo humano (por exemplo, fadiga, estresse, doenças e acidentes) de manter o desempenho é inaceitavelmente alta, os designers, fabricantes, gerentes e operadores, que são, em última análise interessados no desempenho do sistema, precisam de respostas sobre a carga de trabalho do operador em todas as fases de concepção e operação do sistema. Logo, as muitas definições que existem na literatura psicológica são uma prova da complexidade da construção, assim como o crescente número de causas, consequências e sintomas que foram identificados (HART, 2006).

Diante dessa confusão entre os “especialistas”, parece igualmente provável que as pessoas que são convidadas a fornecer classificações terão uma gama semelhante de opiniões e aplicarão a mesma etiqueta (carga de trabalho) para diferentes aspectos de suas Experiências.

Por esta razão, o índice de carga NASA-TLX é composto por seis sub-escalas que representam agrupamentos pouco independentes de variáveis: exigência mental, exigência física, exigência temporal, frustração, esforço e desempenho. O pressuposto é que alguma combinação dessas dimensões são susceptíveis de representar a “carga de trabalho” vivida pela maioria das pessoas que executam a maioria das tarefas (HART, 2006). Estas dimensões foram selecionadas após uma extensa análise dos principais fatores que definem a experiência subjetiva da carga de trabalho para pessoas diferentes que executam uma variedade de atividades que vão desde tarefas simples de laboratório, a tarefas como pilotar uma aeronave. Coincidentemente, estas dimensões também correspondem a várias teorias que equivalem a carga de trabalho com a magnitude das exigências impostas ao operador, respostas físicas, mentais e emocionais a essas demandas ou a capacidade do operador para atender a essas demandas (HART, 2006).

foi traduzido em mais de uma dúzia de idiomas, também foi modificado de várias maneiras e submetido a avaliações, constatando sua confiabilidade, sensibilidade e utilidade em comparação com outros métodos de medição de carga de trabalho. Segundo Hart (2006), a maioria dos estudos que incluem NASA – TLX foram para medidas de desempenho, sendo também utilizado para medidas fisiológicas.

A maioria dos estudos realizados abordou algum tipo de pergunta sobre design de interface ou avaliação: Visual e / ou monitores auditivos (31%), vocal e / ou dispositivos de entradas manuais (11%), virtuais ou visão aumentada (6%). Além disso, estes e outros estudos também examinaram o impacto dos sistemas subjacentes, como aparelhos de automação e de decisão (26%), de enlace de dados digitais (3%), cautela, sistemas de aconselhamento e de aviso (4%), e novos tipos de informações sobre carga de trabalho do operador (HART, 2006).

Ainda Segundo Hart (2006), no mesmo ou em diferentes estudos, a relação entre as anotações do NASA-TLX e outros fatores também relevantes para o desempenho bem sucedido foram avaliados, tais como: Trabalhos (6%), tamanho da tripulação (1%), fadiga (2%), o stress (3%), confiança (2%), a idade (1%), Personalidade (2%), experiência (4%), e da deficiência / doença (1%). Existem tipos comuns de atividades humanas que são de interesse na avaliação da carga de trabalho, elas incluem tarefas manuais de controle, tais como voar (14%), a condução (9%), e entrada de dados (10%), monitoramento visual e auditiva (3%), tomada de decisão (3%), trabalho em equipe (6%), comunicações (2%) e assim por diante.

A covariável mais popular foi a percepção das situações - PS, citado em 7% dos estudos. PS é uma construção descritiva e praticamente útil como é a própria carga de trabalho. No entanto, as correlações entre PS e carga de trabalho encontrados em diferentes estudos foram positivos, negativos ou nenhum. Na verdade, foi sugerido que PS é simplesmente uma consequência da carga de trabalho e não um fenômeno independente (HENDY, 1995 apud HART, 2006).

Apesar da existência superior a vinte anos de uso, NASA-TLX continua sendo usado como ponto de referência em relação a outras medidas. Descrito em livros de faculdades, ensinado em cursos universitários, e recomendado para diversas situações, como por exemplo, a certificação dos aviões, salas de controle de energia e nuclear, website e design. A série de contínuas avaliações, modificações e extensas aplicações para várias situações parecem o estar mantendo mais jovem.

onde se pode ter idéia o que cada componente/demanda da carga abrange, bem como os níveis mínimo e máximo de cada demanda.

Quadro 4 – Definição dos fatores de carga do NASA-TLX. FATORES DE CARGA VALORES EXTREMOS Descrição Demanda Mental Baixa /Alta

Atividade mental requerida para a realização do trabalho (tomada de decisões, memorização, raciocínio, etc.); o trabalho envolve tarefas simples ou complexas, fáceis ou exigentes?

Demanda Física

Baixa /Alta

Quanta atividade física é requerida (p.ex.puxar, empurrar, virar, controlar, ativar, etc.). Atarefa é lenta ou rápida, leve ou pesada, tempausas ou não?

Demanda

Temporal Baixa /Alta

Quanta pressão de tempo você sente devidoafrequência em que a tarefa ou os elementos ocorrem? Ritmo lento e tranquilo ou rápido e frenético?

Desempenho Bom / Ruim

Com quanto sucesso você acha que conseguiu atingir os objetivos da tarefa? Está satisfeito com o seu desempenho?

Esforço Baixo / Alto

Quanto esforço (mental e físico) você despendeu para alcançar seu nível de desempenho?

Nível de frustração

Baixo / Alto

Quanto inseguro, desestimulado, irritado, estressado, aborrecido versus seguro, satisfeito, contente, relaxado e tolerante você se sente durante a tarefa?

Fonte: DINIZ, 2003.

De acordo com Diniz (2003), a ferramenta NASA – TLX compõe-se de duas etapas:

1. Avalia a importância subjetiva de cada fator por meio da técnica da comparação aos pares, que fornece os pesos de importância de cada um;

2. Obtenção do grau de intensidade de cada fator em uma escala contínua, de acordo com a percepção do respondente, obtendo-se assim, um índice de carga separado para cada componente.

Dessa forma , a soma dos índices de todos os fatores representa, então, o índice global de carga (DINIZ, 2003). Neste estudo foi utilizado o NASA-TLX, adaptado por Diniz e Guimarães (2004), já validado e em função da forma subjetiva como a mensuração e avaliação da carga foi obtida.

3 PROCEDIMENTO METODOLÓGICO

Tendo como base a importância da epistemologia na condução das pesquisas em qualquer área de estudo e seu conhecimento por parte dos pesquisadores, a abordagem epistemológica refere-se à fundamentação das escolhas utilizadas na pesquisa e define-se a partir de uma rede de pressupostos ontológicos e da natureza humana que definem o ponto de vista do pesquisador e orientam seu estudo à opção para método, metodologia e técnicas de pesquisa (RICHARDSON, 2011).

Conforme coloca Daniellou (2004), a reflexão epistemológica tem por objeto as provas às quais devem se submeter, as pesquisas, as teorias e os modelos que queiram merecer o adjetivo “científico”. A compreensão de questões atuais, complexas, exige novas possibilidades de pesquisa que permitam um pensamento multidimensional capaz de entender a amplitude dos seres humanos para enfrentar os desafios correntes, portanto, é evidente que algumas das dificuldades epistemológicas com que se debate a ergonomia são comuns a todas as disciplinas que tratam do ser humano.