5.6 INSTRUMENTO PARA COLETA DE DADOS E PROCEDIMENTOS
Após autorização da UBS para a realização da coleta de dados para fins deste estudo, houve reunião com a gestora e demais componentes da equipe da UBS, a fim de planejar os procedimentos e evitar prejuízo aos trabalhos da referida unidade de saúde.
Os dados foram obtidos utilizando-se uma Ficha para Coleta de Dados em prontuários, (a pesquisadora não teve contato com as gestantes, apenas com os prontuários ) previamente elaborada para esta finalidade (APÊNDICE 4), envolvendo questões relativas a:
- alguns dados sociodemográficos das gestantes (idade e estado civil).
- os principais sintomas psíquicos relatados por estas no período gestacional.
- relatos de uso de medicamentos psicofármacos, alopáticos, fitoterápicos (plantas medicinais) ou homeopáticos no período gestacional, com destaque para os psicofármacos.
- relatos de prática de automedicação, utilização de métodos de prevenção do uso de medicamentos e da saúde mental da grávida.
- relato de encaminhamento para acompanhamento psicológico das gestantes que apresentaram sintomas psíquicos.
Todos os medicamentos em uso pelas gestantes foram identificados pelos seus respectivos fármacos (princípios ativos), por meio do Bulário Eletrônico da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA), do Ministério da Saúde. Posteriormente, esses fármacos serão classificados de acordo com a Anatomical Therapeutic Chemical (ATC).
Todos os dados obtidos foram conferidos e tabulados para análise descritiva simples.
6 RESULTADOS E DISCUSSÃO
O estudo avaliou 35 prontuários (N = 35) de mulheres gestantes, que realizaram o acompanhamento pré-natal em uma Unidade Básica de Saúde (UBS) do município de Ji-Paraná - RO.
Os dados sociais e da saúde das gestantes contemplaram a idade, o estado civil, os sintomas psíquicos no decorrer da gestação, além do uso de medicamentos, suas classes terapêuticas, seus fármacos e os trimestres da gestação envolvidos.
Do total de prontuários avaliados, observou-se maior número de gestantes entre a faixa etária de 19 a 24 anos (60%), conforme apresentado na Tabela 1.
TABELA 1 - Distribuição das frequências absoluta (n) e relativa (%) das gestantes que realizaram acompanhamento pré-natal, de acordo com a faixa etária.
Ji-Paraná - RO, 2016 dispõe do objetivo 4.2.1 referido na página 37.
Fonte: Próprio autor (2019).
As Tabelas 2, 3 e 4 demonstram que o percentual do estado civil e o total e tipos de sintomas psíquicos. O total de mulheres casadas e de mulheres com união estável é o mesmo (34%), e com pouca diferença do percentual de gestantes solteiras
(32%). Não houve gestantes divorciadas. As Tabelas 3 e 4 apresentam a quantidade e a classificação dos sintomas psíquicos que foram observados nos prontuários das gestantes. Do total de gestantes, 22% relataram dois ou três sintomas psíquicos cada e 33% não relataram sintomas emocionais.
O meio familiar é essencial para que o indivíduo tenha uma saúde mental satisfatória. O estado civil tem influências significativas no equilíbrio da ansiedade da mulher no período gestacional, portanto, exerce influências diretas na promoção e preservação da saúde mental da mãe e no desenvolvimento biopsicossocial em todo o ciclo vital do bebê. Este sintoma psíquico foi o mais elevado nesta pesquisa, onde 31% das mulheres relataram sintomas de ansiedade durante a consulta do pré-natal.
O nível de ansiedade elevado na mãe aumenta a produção do hormônio cortisol, o que neurologicamente pode influenciar negativamente no desenvolvimento biopsicossocial da criança, como na ansiedade, bem-estar social, depressão e agressividade. Atualmente no Brasil o número de mulheres que gestam em período fértil e obtém uma independência financeira vem aumentando. No entanto, a chamada produção independente, ou seja, quando a mulher opta por gestar e não envolver o pai em uma estrutura familiar e no processo da criação da criança, não é favorável para a preservação da sua própria saúde mental bem como no bom desenvolvimento da criança em diversos fatores, dentre eles, os acima citados.
Alves et al (2018) apontam que mulheres casadas apresentaram traço e estado de ansiedade e hostilidade menor que mulheres solteiras ou de união estável.
Isto ocorre devido a diversos fatores, dentre eles, o conforto psíquico que a mãe tem em saber que tem um companheiro para apoiar durante as mudanças neste processo, fatores econômicos bem como fatores sociais que a mulher está inserida. Lorenzo et al (2015) relata que a gestação neste contexto exercem influências sociais e antropológicas no sujeito, interferindo diretamente no bem estar biopsicossocial e está além da saúde mental, interferindo também na qualidade de vida social, na promoção e preservação da constituição moral do indivíduo. Ademais, de acordo com Jordão et al (2018) este fator influência no tipo de instituição escolhida pela mãe para a realização do parto quanto na própria escolha do tipo de parto pela gestante.
TABELA 2 - Distribuição das frequências absoluta (n) e relativa (%) das gestantes que realizaram acompanhamento pré-natal, de acordo com o estado civil.
Ji-Paraná - RO, 2019.
Fonte: Próprio autor (2019).
TABELA 3 - Quantidade de sintomas psíquicos apresentados pelas gestantes.
Ji- Paraná - RO, 2016.
Fonte: Próprio autor (2019).
A Tabela 4 apresenta os relatos mais frequentes: ansiedade (31%), medo e insegurança (17%), desânimo (12%) e indiferença com familiares (5%). Contudo, nos prontuários não havia descrição de encaminhamento dessas gestantes para atendimento psicoterapêutico durante a gestação.
TABELA 4 - Distribuição das frequências absoluta (n) e relativa (%) dos sintomas psíquicos apresentados pelas gestantes durante a gestação. Ji-Paraná - RO, 2016.
Fonte: Próprio autor (2019).
O acompanhamento psicológico oferecido para a mãe e a criança e seus acompanhantes no período gestacional e puerpério é pressuposto essencial do processo de humanização em saúde no Brasil como preceitua as legislações atuais.
A atenção à mulher deveria ser integral, voltada ao aperfeiçoamento do controle pré-natal, do parto e puerpério, bem como na assistência para concepção e contracepção (BRASIL, 2013).
Os resultados apontam que os medicamentos utilizados pelas gestantes nos três trimestres da gestação tiveram seus fármacos (ou princípios ativos), e respectivas classes terapêuticas, identificados por meio do Bulário Eletrônico da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA), do Ministério da Saúde.
As Tabelas 9, 10 e 11 apresentam a quantidade de fármacos de cada classe terapêutica contida nos medicamentos utilizados pelas gestantes, respectivamente, no primeiro, segundo e terceiro trimestres da gestação.
Destacam-se os fármacos antianêmicos, sobretudo, as formulações contendo ferro, utilizadas nos três trimestres da gestação. Por outro lado, o uso de psicofármacos (ou fármacos psicoativos) foi relatado por apenas uma gestante e no primeiro trimestre da gestação e o mesmo não estava especificado no prontuário, portanto, não identificou o tipo de psicoativo utilizado.
As Tabelas 5 e 6 mostram que 97% das mulheres usaram algum tipo de medicamento em um ou mais trimestres da gestação, de tal modo que, 83% fizeram uso no primeiro trimestre gestacional, 51% no segundo trimestre e 26% no terceiro trimestre.
TABELA 5 - Quantidade de gestantes que usaram medicamentos durante a gestação. Ji-Paraná - RO, 2016.
TABELA 6 - Quantidade de gestantes que usaram medicamentos nos três trimestres da gestação. Ji-Paraná - RO, 2016.
Fonte: Próprio autor (2019).
A Tabela 7 relata a duração do tratamento medicamentoso (em dias) das gestantes. Observa-se que 60% delas fizeram uso de medicamentos por mais de 60 dias e 20% durante 11 a 30 dias.
TABELA 7 - Duração do tratamento medicamentoso (em dias) das gestantes.
Ji- Paraná - RO, 2016.
Fonte: Próprio autor (2019).
A Tabela 8 demonstra que apenas 14% das grávidas realizaram a prática de automedicação, e 86% não relataram tal prática. Ainda, as gestantes não relataram
se receberam orientações para prevenção da automedicação durante as consultas de pré-natal ou se foram encaminhadas para participação de atividades com este objetivo.
TABELA 8 - Quantidade de gestantes que praticaram automedicação durante a gestação. Ji-Paraná - RO, 2016.
Fonte: Próprio autor (2019).
A tabela 9 apresenta os resultados para os tipos de medicamentos utilizados pelas gestantes, no entanto, apesar da prevalência do uso de medicamentos menos nocivos na gestação, o ácido fólico e o sulfato ferroso pode desencadear dentro das reações adversas a pirose que consiste em uma sensação de dor epigástrica semelhante a uma queimadura, acompanhada de regurgitação de suco gástrico para dentro do esôfago, popularmente, o efeito azia. Vômitos e náusea são sintomas adversos mais presentes. Ainda, podem apresentar constipação, episódios de diarreia, odinofagia que consiste na dor durante o processo de engolir, flatulências devido a produção de gases e alterações no intestino e disfagia que é a alteração no processo de engolir.TABELA 9 - Quantidade de fármacos e respectivas classes terapêuticas, segundo Bulário ANVISA, dos medicamentos utilizados pelas gestantes no primeiro trimestre de gestação. Ji-Paraná - RO, 2019.
Fonte: Próprio autor (2019).
TABELA 10 - Quantidade de fármacos e respectivas classes terapêuticas, segundo Bulário ANVISA, dos medicamentos utilizados pelas gestantes no segundo trimestre de gestação. Ji-Paraná - RO, 2016.
Fonte: Próprio autor (2019).
TABELA 11 - Distribuição das frequências absoluta (n) e relativa (%) da quantidade e da classe dos medicamentos utilizados pelas gestantes no terceiro trimestre de gestação. Ji-Paraná - RO, 2016.
Fonte: Próprio autor (2019).
7 CONSIDERAÇÕES FINAIS
Esta amostra total de gestantes de uma Unidade Básica de Saúde (UBS) revela que as gestantes eram muito jovens consideradas dentro da média brasileira do período fértil.
No entanto, ansiedade foi o sintoma psíquico mais frequente entre as gestantes, porém, a UBS não apresenta o devido acompanhamento psicoterapêutico e mesmo as gestantes relatando os sintomas psíquicos não foram encaminhadas para o psicólogo ou programas de cuidados de saúde mental como estabelece as diretrizes dos SUS bem como da Constituição de 1988.
O uso de medicamentos ocorreu nos três períodos gestacionais, sobretudo, para tratamento de anemias e com duração maior que 60 dias. No entanto, mesmo que para este tipo de tratamento que oferece poucos riscos, a gestante pode sofrer alterações em sua saúde física. Contudo, o uso de psicofármacos não foi frequente na gestação e a prática da automedicação em gestantes não foi bem caracterizada, em função da ausência de relato.
É possível que a prescrição de psicofármacos para gestantes em acompanhamento pré-natal na UBS deve seguir critérios de racionalidade compatíveis com a segurança terapêutica necessária durante a gestação.
O estudo estabelece um perfil do uso psicofármacos entre gestantes, e a ausência do acompanhamento psicológico no período gestacional, agregando novos conhecimentos a respeito do comportamento em relação a cuidados específicos em relação à saúde neste grupo populacional. Além disso, o estudo poderá contribuir com informação e educação em saúde, voltadas à farmacoterapia e aos riscos do uso de psicofármacos e da automedicação, a partir do material educativo a ser desenvolvido e disponibilizado a todas as gestantes atendidas nas UBS do referido município, bem como, a todos os profissionais de saúde envolvidos no acompanhamento pré-natal e outros tipos de atividades em saúde, aumentando assim o potencial de divulgação dessas informações em saúde.
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