TAXA DE FILTRAÇÃO GLOMERULAR
IV. MATERIAL E MÉTODOS
6. Instrumento utilizado e procedimentos para a recolha de dados
Para se avaliar os doentes com DRCT, foi criado um protocolo constituído por escalas de avaliação da depressão, declínio cognitivo, qualidade de vida, suporte social, fragilidade, comorbilidades e complexidade terapêutica.
Avaliação da depressão
a) GDS-15 – traduzida, aferida e adaptada à população portuguesa (Apóstolo et al., 2014). É uma escala de autoavaliação, construída inicialmente por Yesavage et al. (1982), e elaborada com o objetivo de ser utilizada, especificamente, para o
screening da sintomatologia depressiva nas pessoas idosas (Yesavage et al., 1982).
As respostas aos 15 itens refletem o modo como a pessoa se tem sentido nas duas últimas semanas. As pontuações de <5 indicam ausência de depressão, de 5 a 8 são sugestivas de depressão e ≥9 indicam presença de depressão.
b) BDI – versão portuguesa (Campos & Gonçalves, 2011). É um instrumento de autoavaliação utilizado no rastreio da sintomatologia depressiva em pessoas de idade ≥13 anos, através de sintomas de natureza afetiva, cognitiva, motivacional, física
e funcional. As respostas refletem o modo como a pessoa se tem sentido na última semana. As 21 questões têm pontuação de 0 – 3 em correspondência com a severidade da sintomatologia, com uma classificação máxima de 63, a qual reflete depressão severa (Beck et al., 1996).
Avaliação do declínio cognitivo
c) Mini-mental State Examination (MMSE) – versão portuguesa (Guerreiro et al., 1994). Trata-se de um instrumento criado no ano de 1975, sendo amplamente utilizado no rastreio de défices cognitivos. Avalia a capacidade cognitiva em diferentes áreas, como a orientação, retenção, atenção e cálculo, evocação, linguagem e habilidade construtiva (Folstein, Folstein, & McHugh, 1975). A pontuação é diferente para as pessoas analfabetas, com 1 a 11 anos de escolaridade e com escolaridade superior a 11 anos, considerando-se deterioração cognitiva os valores inferiores a 15, 22 ou 27, respetivamente.
d) Global Deterioration Scale (GDS*) – versão portuguesa (Leitão & Nina, 2008). É uma escala para avaliação de demência, desenvolvida por Reisberg (1982). Classifica a demência em 7 estádios, descritos a seguir: estádio 1 — normal, sem evidência objetiva ou subjetiva de défice cognitivo; estádio 2 — declínio cognitivo muito leve, considerado normal para a idade; estádio 3 — declínio cognitivo leve, com evidência objetiva de défice cognitivo; estádio 4 — declínio cognitivo moderado, suficiente para preencher critérios operacionais da demência; estádio 5 — declínio cognitivo moderadamente grave, no qual os défices do paciente interferem com o seu funcionamento independente; estádio 6 — declínio cognitivo grave, no qual os défices observados interferem com as ABVD; estádio 7 — declínio muito grave, no qual os défices observados interferem com todas as AVD (Reisberg, Ferris, de Leon, & Crook, 1982).
Avaliação da qualidade de vida
e) Kidney Disease Quality of Life Instrument (KDQOL) – versão portuguesa (Ferreira & Anes, 2010). É um instrumento criado por Hays et al. (1997), concebido para a avaliação da qualidade de vida dos doentes com DRCT em diálise. É constituído por duas partes: 1) uma parte específica da DR com itens específicos, distribuídos por 11 dimensões correspondentes que focam as preocupações particulares dos doentes com DRCT em HD (a presença de sintomas/problemas, os efeitos da doença renal na vida diária, o peso resultante da doença renal, e o impacto na atividade profissional, na função cognitiva, na qualidade da interação social, na função sexual e no sono. Engloba também três dimensões de qualidade de vida: o apoio social, o encorajamento do pessoal de diálise e a satisfação do doente com o tratamento) e 2) uma parte genérica de avaliação da qualidade de vida com 8 dimensões correspondentes à função física, ao desempenho físico, à dor, à saúde em geral, à função emocional, ao desempenho emocional, à função social e à vitalidade. As pontuações mais altas indicam melhor qualidade de vida ou ausência de problemas (Hays et al., 1997).
Avaliação do suporte social
f) Lubben Social Network Scale (LSNS-6) – versão portuguesa (Ribeiro et al., 2012). É um instrumento utilizado para avaliar a integração social e o risco de isolamento social em idosos residentes na comunidade. É constituído por dois conjuntos de questões que avaliam, por um lado, as relações familiares e, por outro, as relações de amizade. A pontuação total da escala varia entre 0 a 30 pontos e resulta do somatório dos 6 itens (Lubben et al., 2006).
Avaliação de fragilidade
g) Simple FRAIL scale – Esta escala é baseada nos critérios de fragilidade de Fried e considera as comorbilidades como parte da avaliação de fragilidade. É composta por 5 componentes: exaustão, resistência, deambulação, comorbilidades e perda de peso. Tem uma pontuação de 0 a 5, sendo que os resultados de 3 a 5 indicam fragilidade, de 1 a 2 pré-fragilidade e de 0 robustez (Morley et al., 2012).
Registo de comorbilidades
h) Charlson Comorbidity Index (CCI) – É um índice que avalia o risco de morte relacionado com a presença de 19 patologias pré-estabelecidas, podendo ser combinado com a idade. Considera-se a ausência de comorbilidade quando se obtém 0-1 pontos, comorbilidade baixa 2 pontos e comorbilidade elevada com valores iguais ou superiores a 3 pontos (Charlson, Pompei, Ales, & MacKenzie, 1987).
Avaliação da adesão terapêutica
i) ESRD-AQ – É um instrumento de autorrelato que avalia a adesão em todos os aspetos do plano terapêutico do doente com DRCT e a perceção do doente sobre a adesão. É composto por 46 itens com questões relativas à história clínica do doente, às sessões de HD, à adesão à medicação, à adesão à restrição de líquidos e à adesão às restrições dietéticas. A cotação mais alta no resultado final representa a maior adesão (Kim et al., 2010). Esta escala foi validada para Portugal no contexto desta investigação.
Avaliação da complexidade terapêutica
j) Medication Regimen Complexity Index (MRCI) - Trata-se de um instrumento utilizado para medir a complexidade da farmacoterapia, sendo composto por três secções: a secção A corresponde às informações sobre formas de dosagens; a secção B, às informações sobre frequências das doses; e a secção C corresponde às informações adicionais (horários específicos e uso com alimentos, entre outras). O índice de complexidade é obtido pela soma dos pontos das três secções (George et al., 2004).