O instrumento de coleta de dados foi utilizado questionário, que de acordo com Gil (2010, p. 102):
Por questionário entende-se um conjunto de questões que são respondidas por escrito pelo pesquisado. [...] o questionário constitui o meio mais rápido e barato de obtenção de informações, além de não exigir treinamento de pessoal e garantir o anonimato.
O questionário foi compostas de questões objetivas e abertas, a fim de conseguir recolher dados e saber a eficácia da proposta de intervenção didática. Foi feito a interpretação das respostas expressas pelos alunos, de acordo com a luz do referencial teórico da área de estudo.
28
4 RESULTADOS E DISCUSSÕES
Inicialmente, o instrumento de coleta de dados buscou respostas para os seguintes questionamentos: a) Períodos em que o participante estava cursando o curso; b) Qual a licenciatura que ele pertencia; c) Se já cursou a disciplina de Inclusão oferecida pelo curso; d) Se conhecia o recurso pedagógico da Prancha de Comunicação. Se sim, justificar; e) Como os sujeitos da pesquisa avaliam a proposta didática entre os itens; f) Se a Prancha de comunicação pode auxiliar o processo de ensino e aprendizagem de forma positiva. Justificativa; g) Se usaria no seu fazer docente como futuro professor (a) o recurso didático apresentado; h) Se a Prancha de Comunicação apresenta pontos positivos e negativos e quais são estes.
Gráfico 1: Porcentagem dos períodos em que os participantes estavam
Os alunos que estão no nono período são devido a um atraso no curso ou um prolongamento do mesmo, visto que o curso é composto por 8 períodos no turno integral. Em relação ao segundo questionamento, 100% dos alunos estão cursando o curso de Licenciatura em Química.
A respeito do terceiro questionamento, todos os sujeitos da pesquisa sinalizaram que já pagaram algum componente de educação inclusiva ofertada pelo curso. Ressalta-se que o investimento em cursos que vem a capacitar o educador para trabalhar com os alunos especiais é fundamental para que ele seja capaz de avaliar o processo de ensino-aprendizagem de outra forma (CAPOVILLA, 2011, apud SILVA, 2013, p. 21). Dessa forma, percebe-se a grande importância das
29
disciplinas de inclusão que o curso oferece, uma vez que, cresce a quantidade de alunos com algum tipo de deficiência matriculado em escolas regulares.
Em seguida serão apresentados os dados referentes ao conhecimento dos participantes da pesquisa sobre a prancha de comunicação.
Gráfico 2: Quantidade de alunos que conheciam o recurso pedagógico da Prancha de Comunicação.
Fonte: (Dados do autor 2019)
Os dados expressos no Gráfico 2 mostram que 20% dos sujeitos da pesquisa conheciam o recurso pedagógico da prancha de comunicação, enquanto 80%
sinalizaram que não conheciam. Os que conheciam justificaram que: “Conheci através de uma apresentação em projeto de pesquisa (Aluno A)” e “Através da disciplina de Educação Especial (aluno B)”.
Este recurso ainda é pouco explorado nos cursos de exatas, em virtude disso, poucos sujeitos da pesquisa afirmaram que já conheciam.
Na sequência os sujeitos da pesquisa responderam questionamento sobre a avaliação da proposta didática, os dados foram agrupados no Gráfico 3.
Gráfico 3: Como os sujeitos da pesquisa avaliam a proposta didática
Fonte: Dados do autor, 2019.
30
Os resultados expressos no Gráfico 3 mostra que 90% dos participantes da pesquisa afirmaram que a proposta didática é ótima, 10% dos sujeitos da pesquisa sinalizaram que a proposta didática apresentada é boa; 0% ruim; 0% regular.
A prancha de comunicação é um auxilio externo que destina-se a pessoas sem fala, sem escrita funcional ou a pessoas que por algum motivo possuem um atraso na habilidade de falar ou escrever (CLÍNICA CAUCHIOLI, 2017). Este recurso ainda pode ser aplicado em uma sala mista, onde possui mais de um tipo de deficiência na qual a PC pode abranger.
Em relação ao sexto questionamento, 100% dos sujeitos da pesquisa sinalizaram que a Prancha de Comunicação pode auxiliar o processo de ensino e aprendizagem de forma positiva.
A literatura tem pontuado que a Comunicação Suplementar e Alternativa envolve o uso de expressões faciais, gestos, símbolos gráficos (incluindo a escrita, desenhos, gravuras e fotografias) como resultado para efetuar a comunicação de pessoas que não conseguem expressar a linguagem verbal. A Comunicação Alternativa tem duplo propósito: facilitar a fala e suscitar uma forma alternativa que se compreenda um sujeito com dificuldade em produzir a fala (SILVA, 2013, p. 53).
Os sujeitos da pesquisa justificaram que: “Pois, com o auxílio das imagens, garante uma aprendizagem significativa através de recursos simples e dentro do cotidiano do aluno (Aluno a)”; “Por utilizar imagens, tendo em vista que o conteúdo de funções orgânicas é muito denso e o uso de imagens, aproximar do cotidiano do aluno aproximando a teoria e prática (Aluno B)” e “Pois, é uma didática com utilidade múltipla que abrange muitos tipos de deficiências e chama a atenção do aluno devido a facilidade de compreensão (Aluno C)”.
No sétimo questionamento, 100% dos sujeitos da pesquisa sinalizaram que Funções orgânicas, os resultados abaixo expressam as opiniões dos sujeitos.
31
Tabela 1: Pontos positivos da utilização da Prancha de comunicação nas aulas de Química
Abrange diversos tipos de deficiências, é uma didática prática de fácil aplicação, chama a uma análise dos resultados num teste de associação de palavras. “[...] Um conjunto de instrumentos metodológicos cada vez mais subtis em constante aperfeiçoamento, que se aplicam a discursos (conteúdos e continentes) extremamente diversificados (1977, p. 09)” A Prancha de Comunicação permite o desenvolvimento do educando, sendo confeccionadas por meio de gravuras, símbolos, números ou palavras.
Porém, como destacam alguns alunos, a uma certa dificuldade em confeccionar as PC, devido a busca das melhores imagens , símbolos ou outras formas de representação de um conceito. Porém, como destaca Silva (2013, p. 22) “Os recursos alternativos e suplementares de comunicação contribuem para inclusão dos alunos especiais e proporcionam novas oportunidades aos que necessitam de uma atenção especial”. Essa metodologia, como citado pelos sujeitos da pesquisa, pode ser aplicada a mais de um tipo de deficiência.
32
5 CONSIDERAÇÕES FINAIS
O processo de inclusão de pessoas com deficiência não é um processo simples, pois neste passa pela etapa da aceitação, de novas formas de vida e valores e os resultados ainda são modestos, que a literatura sinaliza para uma longa jornada em busca da Inclusão da sociedade e sobre tudo da escola.
Para tanto se faz necessário o desenvolvimento de materiais adaptados e novas metodologias de ensino que venham a contribuir com alunos que possuam dificuldades na comunicação. Sendo assim, é válido ressaltar a importância da Comunicação Suplementar e Alternativa (CSA) no ensino de Química, sendo esta considerada uma possibilidade de contribuição no processo de construção dos conceitos científicos.
Os participantes da pesquisa afirmaram que a CSA é um recurso pedagógico que apresenta grande potencial devido seu envolvimento como o uso de imagens, gestos, desenhos, símbolos, dentre outras formas de comunicação para pessoas que possuam algum déficit da comunicação verbal.
Os dados deste trabalho mostraram que a prancha de comunicação que se enquadra na CSA, constitui um recurso didático de grande importância para facilitar o processo de ensino-aprendizagem dos alunos com necessidades educativas especiais na comunicação.
As pranchas de comunicação desenvolvidas nesta pesquisa constitui ainda um recurso com um alto potencial a ser utilizado nas aulas de Química orgânica, em particular, nas aulas de funções orgânicas.
33
REFERÊNCIAS
ALENCAR, G. A. R. O direito de comunicar, por que não? Comunicação Alternativa e ampliada a pessoas com necessidades educacionais especiais no contexto de sala de aula. Dissertação de Mestrado defendida no Programa de Pós-Graduação em Educação da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), Rio de Janeiro, 2002.
BARDIN. L. Análise de conteúdo. Lisboa: Editora Edições 70, 1977.
BRASIL. A inclusão escolar de alunos com necessidades educacionais especiais: Deficiência física. Brasília, 2006.
_____. Lei de diretrizes da Educação Nacional. Lei n. 9.394, 20 de dezembro de 1996. Brasília: Ministério da Educação, 1996.
_____. Constituição da República Federativa do Brasil. Brasília: Senado Federal, 1988.
_____. Legislação Informatizada – Lei n. 9.394, 20 de dezembro de 1996. Brasília:
Ministério da Educação, 1996. Brasília: Ministério da Educação, 2015. Disponível em: < https://www2.camara.leg.br/legin/fed/lei/1996/lei-9394-20-dezembro-1996-362578-publicacaooriginal-1-pl-html >.Acesso em: 2 de no. 2019.
CAPOVILLA, F. C. Comunicação alternativa: modelos teóricos e tecnológicos, filosofia educacional e prática clínica. In: CARRARA, K. Universidade, sociedade e educação. Marília: Unesp-Marília-Publicações, 2001.
CLINICA CAUCHIOLI. Prancha de Comunicação. Disponível em: <
clinicacauchioli.com.br>. Acesso em: 02 de nov. 2019.
DELIBERATO, D. ; MANZINI, E. J. Análise de processos comunicativos utilizados por uma criança com paralisia cerebral espástica. In: MANZINI, E. J.
Educação Especial: temas atuais. Marília: Unesp Publicações, 2000.
DELLANI, M. P.; MRAES, D. N. M. Inclusão: Caminhos, encontros e descobertas.
Revista Rei: revista de educação do ideal, v. 7, n° 15, s.n. Rio de Janeiro, 2012.
DINIZ, D. O que é deficiência. São Paulo: Brasiliense, 2007, coleção primeiros passos 324.
FERNANDES, R. F.; MÓL, G. S. Da exclusão à inclusão: uma longa jornada. In:
MÓL, G. (Org.). O ensino de Ciências na Escola Inclusiva. Campos dos Goytacazes, RJ: Brasil Multicultural, 2019. Cap. 1, p. 14-39.
GIL, C., G. Como elaborar projetos de pesquisa. 4. Ed.- 12. Reimpressão. São Paulo: Atlas, 2009.
_____.Como elaborar projetos de pesquisa. 5. Ed. São Paulo: Atlas, 2010.
GLAT, R.; FERNANDES, E. M. Da Educação Segregada à Educação Inclusiva: uma Breve Reflexão sobre os Paradigmas Educacionais no Contexto da Educação Especial Brasileira. Revista inclusão, n° 1, 2005, MEC/SEESP.
GLAT, R.; NOGUEIRA, M. L. L. Políticas educacionais e a formação de professores para a educação inclusiva no Brasil. Comunicações: Caderno do Programa de Pós-Graduação em Educação, ano 10, n° 1, p. 134-141, junho de 2003.
34
MARRA, N. N. S.; CAMPOS, R. C. P. R.; SILVA, N. S. S.; CAVALCANTE, F. S. Z.
Atividade experimental de química para uma turma inclusiva com um estudante cego: A importância do estudo do contexto. Experiências em Ensino de Ciências, v. 12, n°8, p. 14- 30.
PEREIRA, J. D. A.; SARAIVA, J. M. Trajetória histórico social da população deficiente: da exclusão à inclusão social. SER Social, v, 19, n. 40, p.168-185, jan-jun/2017, Brasília.
SALOMÃO, A. C. Número de matrículas de pessoas com deficiência cresce no Brasil. Ministério da Educação. Disponível em: <http://portal.mec.gov.br/ultimas- noticias-202-264937551/21439-numero-de-matriculasde-pessoas-com-deficiencia-cresce-no-brasil>. Acesso em: 11 de Nov.2019.
SAMPAIO, L. F. Educação inclusiva: Uma proposta de ação na licenciatura em Química. 2017. 127p. Dissertação (Mestrado). Universidade de Brasília (UnB), Curso de Pós-Graduação em Ensino, Brasília, 2017.
SANCHES, I. Compreender, agir, mudar, incluir. Da investigação-acção e educação inclusiva. Revista Lusófona de Educação, 5, p. 127-142, 2005.
SILVA, F. R. P. Comunicação suplementar e alternativa no atendimento Educacional Especializado de uma aluna com Deficiência Múltipla. 85 f.
Trabalho de Conclusão de Curso, UNISALESIANO, Centro Universitário Católico Salesiano Auxilium, Curso de Pedagogia. Lins, São Paulo, 2013.
SOUZA, A. C. L. L; SOUZA, I. S. A inclusão de alunos com deficiência visual no âmbito escolar. estação cientifica (UNIFAP), Macapá, V. 6, N° 3, P. 41-50, 2016.
TOLEDO, E. H.; MARTINS, J. B. A atuação do professor diante do processo de Inclusão e as contribuições de Vygotsky. IX Congresso Nacional de Educação-EDUCERE. III Encontro Sul Brasileiro de Psicopedagogia. PUCPR, 26 a 29 de out.
2009.
UNESCO. DECLARAÇÃO DE SALAMANCA E ENQUADRAMENTO DA ACÇÃO.
UNESCO, 1994.
VILELA-RIBEIRO, E. B.; BENITE, A. M. C. A. A educação inclusiva na percepção dos professores de química. Ciência & Educação, v. 16, p. 585-594, 2010
35
APÊNDICE A – INSTRUMENTO DE COLETA DE DADOS
UNIVERSIDADE ESTADUAL DA PARAÍBA CAMPUS I
CENTRO DE CIÊNCIAS E TECNOLOGIA DEPARTAMENTO DE QUÍMICA CURSO DE LICENCIATURA EM QUÍMICA
COMPONENTE CURRICULAR: TCC II DISCENTE: JAQUIELY BALBINO BARROS
PROFESSOR ORIENTADOR: GILBERLÂNDEO NUNES DA SILVA QUESTIONÁRIO
Esse questionário tem por objetivo recolher dados para minha pesquisa do TCC II, que tem por temática:
Educação Inclusiva: Ensinando Funções Orgânicas a partir da Prancha de Comunicação
1. Em que período você está?
2. Qual o curso você está cursando?
3. Você já cursou a disciplina de Inclusão, oferecida pelo seu curso?
Sim ( ) Não ( )
4. Você Já conhecia o recurso pedagógico da Prancha de Comunicação?
Sim ( ) Não ( ) Se sim, como conheceu?
36
5.Como você avalia a proposta didática apresentada?
Boa ( ) Ruim ( ) Regular ( ) Ótima ( )
6.A Prancha de Comunicação, como uma ferramenta auxiliadora no processo de ensino e aprendizagem de conceitos sobre Funções Orgânicas, contribui de forma positiva?
Sim ( ) Não ( ) Justifique.
7.Você como um futuro professor (a), usaria esse recurso pedagógico em suas aulas, se nelas apresentassem algum aluno com deficiência na comunicação?
Sim ( ) Não ( )
8.Na sua concepção, quais os pontos positivos e negativos da utilização da prancha de comunicação nas aulas de Química?
Pontos positivos:
Pontos negativos:
37
ANEXO A – PRANCHAS DE COMUNICAÇÃO
Prancha de Comunicação: Apresentação do conteúdo a ser ensinado
Prancha de Comunicação: Apresentação do conceito de Funções
Oxigenadas
38
Prancha de Comunicação: Exemplos de funções oxigenadas no cotidiano
Prancha de Comunicação: Função Álcool
39
Prancha de Comunicação: Função Fenol
40
Prancha de Comunicação: Função Cetona
Prancha de Comunicação: Função Aldeído
41
Prancha de Comunicação: Função ácido carboxílico
42
Prancha de Comunicação: Função Éter
Prancha de Comunicação: Função Éster
43
Prancha de comunicação: identificação dos grupos funcionais de cada função oxigenada
Função Álcool
Função Fenol
44
Função Éter
Função Aldeído
45
Função Cetona
Função Ácido carboxílico
46
Função Éster
Prancha de Comunicação: Tabela de prefixos
47
48
Prancha de Comunicação: Tabela de infixos
49
Prancha de Comunicação: Tabela de sufixos