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4 A TRILHA METODOLOGICA DO ESTUDO

4.2 Instrumentos de Coleta de Dados

A partir da construção do texto ampliamos nosso conhecimento o que nos deu segurança para iniciarmos a pesquisa empírica. Inicialmente fizemos um levantamento da área

edificada em parte da orla de Belém para identificar o percentual de ocupação urbana na faixa exclusiva selecionada, às proximidades do lócus da pesquisa (APÊNDICES A e B).

a) Na direção Norte pelo lado direito do Porto.

Pesquisamos aproximadamente 7.046m de orla, com abrangência de 1.000m para o interior da cidade, indo até o endereço: 1° 22’ 29” S e 48° 29’ 03” O - próximo ao aeroporto de Belém.

b) Pelo lado oposto - em direção ao Sul.

Fomos até a Universidade Federal do Pará, alcançando aproximadamente 8.557m, com a mesma abrangência para o interior da cidade – 1.000 m, chegando ao ponto: 1° 28’ 35” S e 48° 29’ 14” O.

O levantamento realizado visou identificar alguma provável influência externa na área de movimentação de navios, o que foi descartado, pois o percentual de ocupação urbana (45,0830 %) encontrado foi considerado dentro dos padrões aceitáveis (APÊNDICE C).

Uma segunda etapa do desenvolvimento do estudo foi feita com a realização de uma pesquisa empírica, que se constitui na realização de coleta de dados a partir de fontes diretas (pessoas) que vivenciam o cotidiano da área portuária como: trabalhadores e usuários, pelo grau de participação direta, para obter informações sobre sua visão e opinião sobre o foco da pesquisa (APÊNDICES D, E e F). No desenvolvimento da pesquisa empírica, utilizamos primeiramente a entrevista semiestruturada como técnica de coleta de dados, sobretudo porque nela o entrevistador se guia por pontos de interesse, apresentando, certo grau de estruturação. Koche (1997) aponta que na entrevista semiestruturada, a pauta deve ser ordenada e guardar relação entre si, cabendo ao entrevistador realização de poucas perguntas diretas para que o entrevistado possa falar livremente sobre o assunto em questão. Por meio delas, colhemos informações dos trabalhadores a partir do seu discurso livre. O entrevistador se mantém em escuta, registrando todas as informações e só intervindo discretamente para estimular o depoente. “De preferência, deve praticar um diálogo descontraído, deixando o informante à vontade para expressar sem constrangimento suas representações” (SEVERINO, 2007. p. 125).

A necessidade de esclarecimento sobre as reais condições atuais do meio ambiente de trabalho, vivido cotidianamente por seus atores, nas questões profissionais, sociais e ambientais na área do Porto de Belém e, para que tivéssemos um diagnóstico do momento em que se encontra a ambientalização do Porto fizemos entrevistas com trabalhadores que de uma forma ou outra trabalham diariamente naquele ambiente portuário.

Como um modo de interação entre o entrevistador e o entrevistado, a linha adotada para o levantamento de informações, foi aquela que utiliza a forma semiestruturada, onde o

pesquisador possui uma base de perguntas já previamente estabelecidas para a orientação de todo o trabalho dialogado junto ao agente alvo. Ainda, esse sistema semiaberto permite e oferece condições para a introdução de novas perguntas ou reforma de questões já estabelecidas, ao longo da entrevista, além de colher uma diversidade maior de respostas. Mais ainda, e com a pretensão de obter imediatamente dados da informação desejada, como também dar espaço à expressão de atores com pouca instrução ou estudo básico – pessoas que teriam dificuldade de responder de forma manuscrita; aquele tipo de entrevista oportuniza também correções e esclarecimentos ao longo do contato.

De acordo com Gil (1999, p. 120):

A entrevista por pautas apresenta certo grau de estruturação, já que se guia por uma relação de pontos de interesse que o entrevistador vai explorando ao longo de seu curso. As pautas devem ser ordenadas e guardar certa relação entre si. O entrevistador faz poucas perguntas diretas e deixa o entrevistado falar livremente à medida que refere às pautas assinaladas. Quando este afasta delas, o entrevistador intervém, embora de maneira suficientemente sutil, para preservar a espontaneidade do processo.

Esse tipo de pesquisa exploratória também é uma pesquisa de base em virtude de alcançar dados elementares que podem ser ainda mais explorados. Segundo os procedimentos de coleta, os levantamentos visaram extrair das fontes de informação, dados de campo de origem qualitativa.

A pesquisa foi realizada no ambiente portuário do cais em Belém, sendo que no desenvolvimento do estudo realizamos uma revisão de textos escritos por pesquisadores de diversas áreas, incluindo temáticas como a territorialização, a ambientalização, a educação ambiental, a metodologia da pesquisa científica; sempre buscando um melhor entendimento sobre as questões ambientais.

Prosseguindo a distribuição de questões pelas anotações da pesquisa, começamos a discutir as características sociais dos elementos contatados, pois vários são aqueles que de origens distintas executam serviços no cais e podem contribuir com suas informações. Entretanto, procuramos evidenciar culturas e saberes incomuns para enriquecer os dados extraídos e dar uma característica universal e abrangente aos resultados encontrados.

Realizamos 7 (sete) entrevistas com trabalhadores da área do porto (APÊNDICE D), com as entrevistas buscamos receber informações de diagnóstico social-ambiental da área envolvendo aspectos físicos e naturais, econômicos, culturais e educacionais. A intenção pela seleção dos trabalhadores para o desenvolvimento da pesquisa empírica justifica-se por se

considerar que os mesmos constituem-se indicadores concretos para as análises, já que são os principais agentes de participação.

Culminando o estudo, realizamos mais uma pesquisa. Desta vez utilizamos questionários, como técnica de coleta de dados, os quais foram aplicados a uma amostragem de 80 (oitenta) trabalhadores (APÊNDICE E) e 149 (cento e quarenta e nove) aplicados aos passageiros do Porto de Belém (APÊNDICE F). Buscamos na elaboração do questionário formular questões claras e pertinentes ao objeto - aspectos sociais e econômicos, a fim de serem bem compreendidas pelos sujeitos da pesquisa. As questões foram objetivas, de modo a suscitar respostas igualmente objetivas, evitando provocar dúvidas, ambiguidades e respostas lacônicas.

A aplicação de questionários, segundo Kipnis (2005, p.60) apresenta vantagens quando possibilitam a preparação prévia das questões e “evita vieses potenciais do entrevistador, pois, como as perguntas já estão escritas, não há possibilidade de interferência da subjetividade por parte dele”. A aplicação de uma pesquisa utilizando o questionário possibilita uma sistematização dos resultados obtidos, facilitando as análises dos dados assim como a diminuição do tempo que normalmente levamos para realizar a analise.

A principal preocupação na hora da aplicação dos questionários e a consequente coleta de dados é diminuir os erros de interpretação e suprimir as variáveis que possam vir atrapalhar a correta obtenção dos resultados, que devem estar o mais próximo possível da realidade.